Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 30 de Abril de 2026

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Selma diz estar tranquila, nega caixa 2 e promete recorrer contra decisão do TRE



A senadora Selma Arruda (PSL) afirmou, no início da noite desta quarta (10), que está tranquila após o Pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) votar, por unanimidade, pela cassação do mandato dela. A ex-juíza disse ter certeza de que não cometeu nenhuma irregularidade. Ela irá recorrer da decisão do TRE.

Selma foi considerada culpada pelos crimes de caixa 2 e abuso de poder econômico na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) da qual é alvo. Ela é acusada de ter feito gastos não-declarados na pré-campanha e no período eleitoral. Além disso, a juíza aposentada também é acusada de caixa 2 em razão de empréstimo de mais de R$ 1 milhão que teria feito com o primeiro-suplente, Gilberto Possamai (PSL).

Os juízes-membros do TRE acompanharam o relator do caso, desembargador Pedro Sakamoto, e votaram pela cassação de Selma.

Em nota divulgada logo após a decisão do TRE, a senadora aposentada, que acompanhou a votação em Brasília, disse não ter ficado abalada com a decisão. Ela afirmou ter consciência de que não cometeu nenhuma irregularidade. “A tranquilidade que tenho é com a consciência dos meus atos, a retidão que tive em toda a minha vida e que não seria diferente na minha campanha e trajetória política”.

Ela ainda pontuou que irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar reverter a decisão do TRE.

“Respeito a Justiça e, exatamente por esse motivo, vou recorrer às instâncias superiores, para provar a minha boa fé e garantir que os 678.542 votos que recebi da população mato-grossense sejam respeitados”, disse.

A defesa dela irá aguardar a publicação do acórdão da decisão desta quarta. Os advogados dela devem pedir que a ex-juíza seja mantida no cargo, por meio de uma medida para suspender a decisão que a cassou, para que o caso seja analisado pela Corte Superior.

RD News 



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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