Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 30 de Abril de 2026

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MPF investiga seleção para Saúde Indígena em MT; morto há 7 anos tirou 9 em prova



Suspeita é de que salários de indígena falecido tenha beneficiado alguém de esquema da Operação Blackmail

O Ministério Público Federal (MPF) resolveu abrir inquérito civil para apurar irregularidades no processo de avaliação de profissionais de saúde indígena Xavante, na cidade de Barra do Garças (distante 522 quilômetros de Cuiabá). O que chamou a atenção dos procuradores foi o fato de que Magno Tserenhimto Owe Pronhopa foi muito bem na prova, recebendo nota nove. Nada além de um bom desempenho, não tivesse o indígena morrido há sete anos, em 2012, e ainda assim “participado” da prova realizada em março passado.

Logo que as notas e classificações da prova foram divulgadas, diversas denúncias contra a avaliação foram registradas na sede do MPF da cidade.  Além destas, várias irregularidades detectadas no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Barra foram alvos da Operação Blackmail, realizada em fevereiro passado contra um grupo que estaria a cobrar propina para manter pessoas em cargos no DSEI.

Para realizar a avaliação, os representantes sequer comunicaram o MPF ou a Fundação Nacional do Índio (Funai), como fora acordado em um Termo de Ajustamento de Conduta firmado em portaria no mês de abril de 2012.

Com a realização de diligências, o procurador do MPF constatou indícios de que o vínculo trabalhista de Magno com a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), prestadora dos serviços, foi mantido até dezembro de 2017. Os agentes suspeitam que os salários, pagos com recursos federais, tenham sido mantidos em convênio.

Além disso, uma das pessoas identificadas na Operação Blackmail como suposta recebedora das propinas citadas fazia, inclusive, parte da banca avaliadora do processo seletivo.

Segundo informou o MPF, todos os envolvidos no processo seletivo denunciados no inquérito podem responder pelo crime de organização criminosa, vantagem indevida, apropriação de bem público em proveito próprio, constrangimento mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter vantagem econômica.

O responsável pelas investigações no âmbito da Blackmail é o procurador da república titular do primeiro ofício, Everton Pereira Aguiar Araújo. Ele informou que a investigação criminal sobre estes fatos seguirá.

“Os investigados poderão responder pelos crimes do art. 2º da Lei 12.850/2013 (promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa), com pena máxima de 8 anos; art. 317 (Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem) e 312 (Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio) ambos do código penal com pena máxima de 12 anos; art. 158 (Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa) do Código Penal, com pena máxima de 10 anos”, consta do relatório do procurador tornado público nesta quarta-feira (17).

ÍNTEGRA DA NOTA DO MPF

O Ministério Público Federal em Barra do Garças, por meio do Procurador da República Titular do 1º Ofício, Everton Pereira Aguiar Araújo, diante das denúncias realizadas por meio da Sala de Atendimento ao Cidadão e, pessoalmente, na sede MPF em Barra do Garças, sobre irregularidades no processo de avaliação de profissionais de saúde indígena Xavante, esclarece que:

Detectou-se que a avaliação foi realizada contrariando o que está disposto na Portaria nº 755, de 18 de abril de 2012, além disso, fora recomendado pelo Ministério da Saúde que a avaliação deveria ser realizada perante representantes da Funai e do MPF.

Verificou-se que o Ofício nº 328/2019 Convênio SPDM/Saúde Indígena, de 15 de abril de 2019, informa que não houve o comparecimento dos representantes da Funai e do MPF na avaliação, sendo que, nenhum convite foi direcionado ao MPF em Barra do Garças para compor a aludida banca de avaliação, fato que levanta fortes suspeitas quanto a higidez das informações apresentadas no ofício;

No Parecer nº 7/2019-Xavante/DSEI/SESAI/MS, o Distrito apresentou seu inconformismo diante da forma como foi conduzida e os critérios usados na avaliação, e informou que não houve nenhum convite para a mesma, tendo ciência do evento na véspera, o que reforça as suspeitas de inidoneidade da Comissão Avaliadora;

Identificou-se, mediante apreciação das fichas de avaliação, que a mesma preteriu o conhecimento técnico, na área de saúde indígena, em função de critérios obscuros;

Fora identificado dois fatos ainda mais graves: o funcionário MAGNO TSERENHIMTO OWE PRONHOPA, recebeu em sua avaliação a nota 9. Ocorre que consta o óbito de Magno no ano de 2012, ou seja, uma pessoa falecida há sete anos recebeu nota superior que mais de 50 pessoas;

Após diligências, constatou-se fortes indícios de que o vínculo trabalhista entre Magno e a SPDM foi mantido, pelo menos, até o dezembro de 2017, suspeitando-se que os pagamentos dos salários, com recursos federais, foram mantidos pela conveniada;

Outro fato grave relatado foi a presença, na banca avaliadora, de pessoa investigada criminalmente por cobrar propinas de profissionais de saúde do DSEI como condição para continuarem trabalhando no sistema;

Diante dos fatos apresentados, foi instaurado inquérito civil para apurar: (a) as irregularidades apontadas no Processo Simplificado nº 002/2019 para contratação de profissionais de saúde para atuar no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xavante; (b) apurar irregularidades na avaliação dos profissionais de Saúde prestadores de serviço que atuam no DSEI Xavante realizada nos dias 25 a 29 de março de 2019 na cidade de Barra do Garças/MT; e (c) apurar a conduta dos funcionários da SPDM e de membros do Conselho Distrital de Saúde Indígena Xavante e suas ações envolvendo os dois eventos retromencionados;

A investigação criminal sobre estes fatos seguirá no âmbito da operação Blackmail. Os investigados poderão responder pelos crimes do art. 2º da Lei 12.850/2013 (Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa), com pena máxima de 8 anos; art. 317 (Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem) e 312 (Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio) ambos do código penal com pena máxima de 12 anos; art. 158 (Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa) do Código Penal, com pena máxima de 10 anos.

Folha Max 



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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