Primavera do Leste / MT - Sexta-Feira, 01 de Maio de 2026

HOME / NOTÍCIAS

geral

Prefeito cobra mais UTIs do governo e ameaça arrochar medidas restritivas



O prefeito Zé Carlos do Pátio (SD) deu um ultimato ao governador Mauro Mendes (DEM). Disse que irá tomar medidas mais drásticas em Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá), caso não tenha apoio para aumentar o número de leitos de UTIs. O município é o terceiro mais populoso de Mato Grosso e, igualmente, o terceiro em número de infectados com coronavírus, com 172 casos, sendo 9 mortes. “Nós vamos tomar atitudes limites. A situação está ficando crítica”.

Em coletiva virtual na manhã de hoje (3), Pátio criticou Mauro por inaugurar 120 leitos de UTIs em Cuiabá, e dar somente 10 para Rondonópolis. Disse que, para o sistema da cidade, que também atende a região sul do estado, o município tem uma população equivalente a da Capital. “Não dá para tratar Cuiabá diferente. Hoje, nós somos uma Cuiabá”, compara o prefeito.

Como antecipação as novas medidas, o prefeito proibiou estabelecimentos comerciais de funcionar depois das 22h. Também institutiu que bares e restaurantes não funcionem aos sábados e domingos. Além disso, determinou que as empresas da cidade que, caso tenha um funcionário diagnosticado com a Covid-19 (a doença casuada pelo coronavírus), pague para que todos os demais trabalhadores passem por exames.

Informa que tem uma lista com 32 empresas onde há funcionários com a Covid-19 e que, se em 24h não pagar exames para todos seus trabalhadores, serão fechadas por sete dias.

O apelo do prefeito vêm depois de analisar a taxa de ocupação dos leitos na cidade. Na live, Pátio disse que cerca de 70% das UTIs dos hospitais privados já estão ocupados com pacientes com a Covid-19. No setor público, a porcentagem se aproxima dos 50%. Rondonópolis tem 32 leitos públicos, sendo 10 na UPA, 10 no Hospital Geral e 10 na Santa Casa, além de mais 2 contratados pelo SUS no particular.

Para Pátio, a quantidade de leitos é pouca. Teme o colapso do sistema de saúde da cidade que, a partir do momento que as UTIs privadas estejam 100% ocupadas, os públicos atuais não deem conta. “Se continuar nessa trajetória, num crescimento acentuado de pessoas infectadas, nós não teremos leitos de UTI para atender a nossa demanda”.

Também não sobrou para os prefeitos das cidades vizinhas. Na coletiva, criticou abertamente o prefeito de Primavera do Leste, Léo Bortolin (MDB) , por abrir o comércio. Disse que muitos doentes em estado grave do município são atendidos em Rondonópolis.

Disse também que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se comprometeu a ajudar o municípo com UTIs e respiradores. Apesar de dizer que defende uma harmonia entre a economia e a vida, o prefeito disse que vai escolher a segunda ao invés da primeira. As medidas de restrição do comércio e de exame obrigatórios em empresas devem ser publicados em decreto.

RD News / Allan Pereira



COMENTÁRIOS

0 Comentários

Deixe o seu comentário!





*

HOME / NOTÍCIAS

Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


Antenado News