Primavera do Leste / MT - Sábado, 21 de Fevereiro de 2026

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Conselho Estadual de Direitos Humanos reconhece atuação da UPA de Primavera do Leste no atendimento a indígenas



Relatório apresentado pela Secretaria de Saúde demonstra o comprometimento e o empenho das equipes da Unidade

Coordenadoria de Comunicação Autor: Vilmar Kaizer

Em reunião com representantes da Unidade de Pronto Atendimento, presidente do Conselho foi colocado a par da realidade
Na tarde da quinta-feira (25), o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos de Mato Grosso, Wesley da Mata, esteve em Primavera do Leste para levantar informações a respeito de denúncias recentes veiculadas em um site da capital, sobre negligência com indígenas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. O material publicado mencionava suposto mau atendimento por parte dos servidores, inclusive citando mortes de três indígenas ao longo deste ano.

Recebido pela coordenadora da UPA, Maria Isabel Lourenço, o diretor técnico, médico Cariolano Sobrinho e pela responsável técnica de Enfermagem, Veridiane Guillande, Wesley pôde verificar que a realidade é diferente do que foi noticiado. Durante a reunião, foi apresentado um amplo relatório, assinado também pela secretária Laura Leandra, que comprova o compromisso da equipe com a saúde indígena: somente até agosto de 2025, mais de 1.060 indígenas já foram atendidos pela UPA de Primavera do Leste, mesmo sendo pacientes que residem em municípios vizinhos como General Carneiro, Poxoréu e Novo São Joaquim.

Deste total 419 foram mantidos em observação ou foram encaminhados a hospitais da cidade, sendo que crianças no total foram 102 mantidas em observação, bem como 16 adultos. As transferências hospitalares foram 239 e transferências para UTI totalizaram 62, sendo que os óbitos ocorridos neste ano não decorreram de falha da Unidade.

Mas o ponto principal destacado é que muitos pacientes encaminhados pelo Departamento de Saúde Indígena (DSEI) já chegam em condições graves, com a doença já avançada e tudo agravado pelas condições de transporte longínquo (em alguns casos pode ultrapassar três horas de viagem a depender da localização da aldeia dentro da Reserva.

E ainda assim, todos recebem atendimento imediato conforme a gravidade dos casos, sendo que na grande maioria dos casos também não chegam estabilizados. “Nosso compromisso é garantir a vida. Seguimos todos os protocolos de urgência e emergência e prestamos assistência integral a todos os pacientes que chegam até aqui”, afirmou a coordenadora Isabel.

O relatório consistente também reforça que os cuidados dentro da Reserva, nas aldeias, feito pela DSEI, necessita ser melhorado tendo em vista o estado em que muitos pacientes chegam até a UPA: crianças com desnutrição severa e desidratação grave, frequentemente em riscо iminente de óbito; adultos jovens geralmente apresentam quadros de sépse, insuficiência renal aguda e distúrbios hidroeletrolíticos severos; e os idosos frequentamente apresentam descompensações de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, tuberculose);

Diante de todo este quadro, ao final da visita, Wesley da Mata reconheceu a seriedade do trabalho desenvolvido pela equipe local e ressaltou a importância de ampliar o diálogo entre o município, o Conselho Municipal de Saúde, o DSEI e a regional da Funai para fortalecer ainda mais o atendimento aos povos indígenas. Ele afirmou que levará todas as informações e contrapontos à plenária do Conselho, para discussão, avaliando que é necessário um trabalho integrado entre todas as esferas.

Ao mesmo tempo a coordenadora da Unidade de Pronto Atendimento pontuou que a presença do Conselho Estadual foi importante para mostrar transparência e a dedicação da gestão com toda a população. “Primavera do Leste não possui área indígena, mas mesmo assim nossa UPA tem sido referência nesse acolhimento, com atendimento humanizado e de qualidade”, reforçou.



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Hospitais São Lucas e Das Clínicas enviam notificação à Secretária de Saúde, podendo interromper atendimento ao SUS


Os hospitais lamentam a falta de ajuste no contrato e ameaçam suspender o atendimento aos pacientes do SUS encaminhados pela UPA.


No dia 13 de fevereiro de 2026, a direção dos Hospitais São Lucas e das Clínicas de Primavera do Leste enviou uma notificação formal à Secretária Municipal de Saúde, Laura Leandra, alertando sobre a ausência de um reajuste no contrato, o que comprometeria a continuidade dos serviços prestados. O documento destaca que, após sucessivas prorrogações contratuais sem o ajuste necessário, a situação financeira dos hospitais se tornou insustentável, podendo até resultar na interrupção dos atendimentos aos pacientes do SUS.

 

O texto revela que o contrato atual, com término previsto para 28 de fevereiro de 2026, já foi prorrogado anteriormente e que, até a data mencionada, não foi apresentado um novo contrato ou proposta formal por parte da Secretaria Municipal de Saúde. Em resposta, os hospitais afirmaram que não aceitarão a celebração de um novo termo aditivo nas condições atuais.

 

A medida de não continuar com o contrato atual está relacionada ao descumprimento das condições financeiras necessárias para a manutenção da qualidade no atendimento. A partir de março de 2026, os serviços poderão ser prestados sob novas condições, que envolvem a assinatura de um novo contrato com valores atualizados ou a aplicação de um reajuste provisório de 20% sobre os valores vigentes, até a formalização de um novo acordo.

 

Os hospitais registraram que, caso haja interrupção no serviço após o término da vigência contratual, essa responsabilidade não será imputada aos hospitais, mas sim à Secretaria Municipal de Saúde, que não tomou as medidas administrativas necessárias para resolver a questão de forma tempestiva.

 

A Secretaria Municipal de Saúde ainda não se manifestou oficialmente sobre a situação, mas a expectativa é que um novo ajuste contratual seja negociado o quanto antes para garantir a continuidade dos serviços essenciais à população.


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