Primavera do Leste / MT - Quarta-Feira, 08 de Julho de 2026

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Fux desmembra inquérito envolvendo cinco deputados de MT entre eles Zeca



Parte que envolve políticos que atuam em nível estadual será apurada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).

 

Fux decidiu que somente processo envolvendo Ezequiel Fonseca deveria permanecer no STF

 

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o desmembramento de um inquérito que investiga a participação de seis deputados da legislatura passada de Mato Grosso em um esquema de notas frias que teria desviado verbas da Assembleia Legislativa do Estado.

O suposto crime contra os cofres públicos teria tido a participação dos deputados estaduais, da legislatura passada, Ezequiel Fonseca (PP), Zeca Viana (PDT), Ondanir Bertolini, o Nininho (PSDB), Emanuel Pinheiro (PMDB), Wancley Charles Rodrigues (PV) e Eduardo Botelho (PSB).

Os políticos supostamente envolvidos no esquema são investigados por prática de peculato. O caso veio à tona em setembro de 2015, após o empresário Hilton Carlos da Costa Campos denunciar o alegado esquema ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

Segundo ele, o desvio de recursos teria se iniciado no primeiro semestre de 2011 e era liderado pelos deputados estaduais investigados.

Todo o processo havia sido remetido pelo Ministério Público Estadual (MPE) à Procuradoria-Geral da República (PGR), em razão de Ezequiel Fonseca possuir prerrogativa de foro como parlamentar federal, que responde a inquéritos no STF.

Uma das provas contra ele é uma nota fiscal emitida em nome da empresa G.B. de Oliveira Comércio ME, em 24 de fevereiro de 2014, no valor de R$ 5,2 mil. O procedimento teria sido utilizado para desviar dinheiro dos cofres públicos.

“Assim, há fundadas suspeitas da prática de peculato, sendo imprescindível a regular abertura de inquérito para completa apuração dos fatos, subsidiando-se a formação de opinio delicti”, frisou o ministro Luiz Fux.

Em decisão proferida em 19 de setembro, o ministro, relator do procedimento, determinou o desmembramento do inquérito. Ele acolheu pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para desmembrar a parte do procedimento que envolva Ezequiel.

O procedimento envolvendo o deputado federal será conduzido pelo STF. Já a parte que envolve políticos que atuam em nível estadual será apurada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

“Requer ao Ministro Relator, outrossim, na linha do quanto decidido em questão de ordem apresentada no Inquérito n° 3.515, o desmembramento do feito em relação aos demais parlamentares estaduais, com a remessa de cópia integral dos autos ao Procurador-Geral de Justiça do Mato Grosso, para que proceda como entender de direito em relação a eles”, asseverou.

“A competência originária do Supremo Tribunal Federal para processar e julgar inquéritos e ações penais restringe-se aos detentores de foro por prerrogativa de função perante esta Corte. Somente em casos excepcionais, quando se vislumbre prejuízo para a análise dos fatos e provas, admite-se a extensão desta competência aos investigados não detentores da referida prerrogativa”, acrescentou.

Fux ainda acolheu pedido de Janot para que sejam feitas oitivas de Vinícius Prado Silveira e Gabriela Brito de Oliveira, para que prestem esclarecimentos ao ministro sobre o suposto esquema fraudulento na AL-MT.

Na decisão, o ministro solicitou que a Assembleia entregue cópia integral do processo de pagamento referente à nota fiscal da empresa G.B. de Oliveira Comércio ME, que teria sido intermediado por Fonseca. Fux também determinou a oitiva Ezequiel Fonseca.

Notas frias

O esquema com uso de supostas notas frias na Assembleia veio à tona em 9 de setembro de 2015, após o empresário Hilton Carlos da Costa Campos procurar o Gaeco.

Ele afirmou que no primeiro semestre de 2011 foi procurado por um servidor da Assembleia, que propôs o fornecimento de notas falsas – “notas frias” – para simular a aquisição de materiais de papelaria e insumos de informática, em troca do pagamento de 10% sobre o valor nominal a cada nota.

“Ele aceitou a proposta espúria e emitiu notas falsas em nome das empresas H.C. da Costa Campos e Cia. Ltda., G.B. de Oliveira Comércio ME, VPS Comércio ME e VH Alves Comércio Ltda. Dessas empresas, somente a primeira (H.C da Costa Campos) existiria de fato, sendo todas as demais “empresas de fachada”, constituídas com o único propósito de fornecer as notas falsas”, narrou trecho do depoimento do empresário ao Gaeco.

Conforme Hilton Carlos, foram emitidas centenas de notas fiscais falsas para a AL-MT, utilizadas para comprovação de despesas indevidamente ressarcidas por meio de verbas indenizatórias parlamentares.

“O Ministério Público do Mato Grosso fez um levantamento das notas fiscais que o próprio emissor reconheceu serem falsas, e que foram apresentadas para a Assembleia Legislativa do Mato Grosso, constatando a sua utilização pelos deputados estaduais José Antônio Gonçalves Viana, Ondanir Bortolini, Emanuel Pinheiro, Wancley Charles Rodrigues de Carvalho, José Eduardo Botelho e Ezequiel Ângelo Fonseca”, narrou trecho da decisão de Fux.

Midia News



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política

Comissão presidida por Nininho apresenta estudo sobre incorporação de Nova Poxoréu a Primavera do Leste


Estudo de Viabilidade Municipal aponta integração econômica e social do distrito com Primavera do Leste; proposta prevê plebiscito junto às eleições de 4 outubro

A Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) apresentou, nesta terça-feira (7/7), o Estudo de Viabilidade Municipal (EVM) que analisa a incorporação do distrito de Nova Poxoréu a Primavera do Leste. Presidido pelo deputado estadual Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos), o colegiado encaminhou no dia 1º de julho à Mesa Diretora o projeto de decreto legislativo que solicita ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) a realização de plebiscito sobre a mudança territorial, simultaneamente às eleições de outubro de 2026.

 

Relatado pelo advogado Zaid Arbid, o estudo reúne dados populacionais, econômicos, sociais, eleitorais e orçamentários. O levantamento aponta que, embora Nova Poxoréu pertença oficialmente a Poxoréu, sua população mantém uma relação cotidiana mais intensa com Primavera do Leste, cujo perímetro urbano está a cerca de seis quilômetros do distrito.

 

O procedimento segue as regras da Lei Complementar Federal nº 230/2026, que estabelece critérios para alterações de limites municipais no País. O estudo técnico é uma das etapas necessárias para a realização da consulta popular.

 

Nininho comenta que o trabalho da comissão procurou reunir elementos objetivos para que o processo avance dentro das exigências legais e, ao final, seja submetido à decisão dos eleitores dos dois municípios envolvidos.

 

“Estamos diante de uma situação que precisa ser resolvida com responsabilidade, transparência e respeito à vontade popular. O estudo mostra a realidade vivida pela população e oferece os elementos técnicos necessários para que o processo tenha segurança jurídica”, afirma o deputado.

 

ROTINA LIGADA A PRIMAVERA

 

O Estudo de Viabilidade Municipal apresentado por Zaid Arbid mostra que a divisão territorial existente não corresponde à dinâmica econômica e social dos moradores de Nova Poxoréu. De acordo com os dados apresentados à comissão, aproximadamente 99% da população do distrito trabalha, estuda, faz compras ou utiliza serviços públicos em Primavera do Leste.

 

A ligação também aparece nos dados eleitorais. Conforme o levantamento, 72,2% dos eleitores residentes na localidade possuem domicílio eleitoral em Primavera do Leste. “A vida das pessoas acontece, em grande parte, em Primavera do Leste. É onde trabalham, estudam, procuram atendimento médico e movimentam o comércio. O estudo coloca números em uma realidade que os moradores conhecem há muitos anos”, diz Nininho.

 

A proposta de incorporação também recebeu manifestação formal de moradores. Um abaixo-assinado com mais de quatro mil assinaturas favoráveis à mudança administrativa integra a documentação do processo.

 

Para a comissão, a indefinição territorial dificulta o planejamento urbano e a expansão dos serviços públicos. O estudo aponta que o crescimento populacional do distrito aumentou a demanda por saúde, educação, infraestrutura urbana e manutenção da malha viária rural.

 

A estimativa apresentada no relatório indica uma população flutuante entre 16 mil e 24 mil habitantes. O documento calcula que a superação do passivo de infraestrutura exigiria investimentos entre R$ 90 milhões e R$ 200 milhões.

 

“O que está em discussão não é apenas uma linha no mapa. Estamos tratando da vida de milhares de pessoas, do acesso aos serviços públicos e da capacidade dos municípios de planejar seus investimentos”, aponta Nininho.

 

DESEQUILÍBRIO NAS CONTAS

 

Um dos pontos centrais do levantamento é a diferença entre a origem dos repasses públicos e o município que efetivamente presta parte dos serviços à população de Nova Poxoréu. Como o distrito pertence legalmente a Poxoréu, as transferências federais vinculadas à população permanecem contabilizadas naquele município. O estudo sustenta, porém, que parte expressiva dos gastos com os moradores é assumida por Primavera do Leste.

 

“Primavera do Leste recebe diariamente essa população nas escolas, nas unidades de saúde, no comércio e em outros serviços. Há uma situação concreta em que o município assume despesas, enquanto os recursos vinculados à população permanecem em Poxoréu. Esse desequilíbrio precisa ser analisado com base nos dados e na legislação”, afirma o presidente da comissão.

 

Segundo os números apresentados na reunião técnica, Primavera do Leste aplicou R$ 1,95 milhão em ações de educação e infraestrutura urbana no distrito durante 2025. Outros R$ 1,47 milhão foram destinados à manutenção e conservação de estradas rurais utilizadas pela comunidade.

 

Na saúde, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Primavera do Leste registrou 5.920 atendimentos a moradores de Nova Poxoréu no mesmo período, conforme os dados reunidos no EVM.

 

ARRECADAÇÃO

 

O relatório estima que, em caso de aprovação da incorporação e após a adequação orçamentária prevista para 2028, Primavera do Leste poderá receber um acréscimo anual de aproximadamente R$ 4,3 milhões no Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

 

Nininho ressalta que o relatório de Zaid Arbid oferece uma base técnica para a análise do processo e ajuda a dimensionar os efeitos da atual configuração territorial.

 

“O relatório mostra com clareza o descompasso entre os limites oficiais e a realidade vivida pela comunidade. Também demonstra o peso financeiro assumido por Primavera do Leste e as dificuldades para que Nova Poxoréu receba os investimentos necessários. Agora precisamos cumprir cada etapa do processo dentro do prazo e da lei”, comenta.

 

DECISÃO CABERÁ AOS ELEITORES

 

Com a apresentação do estudo e o encaminhamento do projeto de decreto legislativo, a próxima etapa depende da análise dos órgãos competentes e do cumprimento do calendário eleitoral. A proposta é que o plebiscito seja realizado junto às eleições de outubro de 2026.

 

Nininho ressaltou que a Comissão de Revisão Territorial não decide pela incorporação. O papel do colegiado, segundo ele, é reunir os estudos necessários, cumprir as etapas previstas em lei e criar as condições para que a população dos municípios envolvidos se manifeste.

 

“Estamos cumprindo rigorosamente o que determina a Lei Complementar nº 230. Entregamos o estudo de viabilidade e encaminhamos o projeto para que o TRE-MT possa analisar a realização do plebiscito. Quem vai decidir esse processo é a população de Poxoréu e de Primavera do Leste”, afirma.

 

Caso a incorporação seja aprovada nas urnas, caberá à Assembleia Legislativa editar uma lei específica para redefinir os limites territoriais e estabelecer os procedimentos da transição administrativa.

 

CELERIDADE

 

Para Nininho, a tramitação precisa avançar com celeridade para que todas as providências legais e eleitorais sejam tomadas em tempo hábil. O deputado afirmou que o processo de Nova Poxoréu também poderá contribuir para a análise de outras questões territoriais em discussão no Estado.

 

“A comissão fez o trabalho técnico, ouviu as partes e reuniu os dados necessários. Nosso dever agora é garantir que o processo avance com segurança jurídica. A decisão final precisa ser democrática, tomada nas urnas pelos cidadãos diretamente envolvidos”, declara.

 

O parlamentar acrescenta que a revisão dos limites municipais deve acompanhar as transformações econômicas, urbanas e sociais ocorridas ao longo das últimas décadas. Para ele, a legislação aprovada em 2026 abriu caminho para que situações antigas possam ser analisadas a partir de critérios técnicos e submetidas à manifestação popular.

 

“Nova Poxoréu cresceu, a região mudou e as relações econômicas e sociais também mudaram. A legislação nos permite enfrentar essa questão de maneira organizada. O que buscamos é uma solução legal, democrática e capaz de dar segurança aos moradores e aos municípios”, finaliza Nininho.

 

Redação: Sérgio Ober


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