Primavera do Leste / MT - Terca-Feira, 13 de Outubro de 2026

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Opinião - política

O espetáculo da politicagem



A prática de uma minoria que ainda tenta engolir uma cidade

“Câmara aprovou contas da gestão passada com parecer favorável do Ministério Público e Tribunal de Contas”

Na sessão ordinária de ontem, 30, a pauta foi à votação das contas anuais da gestão passada. Foram 10 votos favoráveis a 5 contrários. Mas antes deste processo de votação pelo legislativo  da Câmara Municipal, o documento passou pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso que deu parecer favorável.

O que surpreendeu a maioria dos Primaverenses foi o discurso na tribuna da vereadora Carmen Betti, que contestou alguns números em relação ao dinheiro aplicado na saúde. Mas o que chama atenção é que a vereadora na época em que ainda não era candidata, e que estava como membra titular da comissão de justiça e redação,  teve acesso a toda documentação e mesmo assim, deu parecer favorável pela comissão.

Como pode? Dúvida? Insegurança? Politicagem talvez seja a palavra mais apropriada. Mas vamos recordar! Este início de ano, com o gestor Getúlio Viana, alguns cortes na saúde foram feitos, como o encerramento ao atendimento noturno em alguns Postos de Saúde, também como o fechamento da Farmácia Municipal em alguns postos, e também o quase fechamento do Cerest (órgão que cuida da saúde do trabalhador), e isso porque todos esses serviços são direitos assegurados a população, mas para o gestor anterior não foi prioridade. E por aqui nem vamos falar dos outros serviços cortados, e sucateados.

Durante sua fala indignada, vejamos! Se não gastarmos com a saúde, como fica a população? No uso da tribuna os vereadores Luis Costa e Manuel Mazutti, ressaltaram a importância da aplicabilidade do dinheiro público, no caso da saúde. Luis chamou a atenção da vereadora, no sentido de criticar o documento, mas apenas na tribuna, local público e de visibilidade pelo período eleitoral.

“Não podemos usar a política, por questões pessoais, com ódio no coração. A senhora foi vereadora na gestão passada e aprovou as contas do ex-prefeito Getúlio Viana, com muito mais apontamentos, e se a gestão do seu Érico teve tantas falhas como a senhora cita, então faltou fiscalização do legislativo passado, no qual a senhora fez parte”. Menciona o vereador Luis Costa sobre a fala da vereadora Carmen.

Os números apresentados das contas do ex-prefeito da gestão anterior mostram um dado de 64 milhões de gastos, em um ano, com saúde pública. E como estava? O Cerest funcionando, as farmácias nos bairros, os atendimentos noturnos, entre outros serviços oferecidos. Já a gestão de 8 meses, do ex-prefeito Getúlio Viana, gastou quase 46 milhões de reais, cortando todos os serviços essenciais. E quem sentiu isso, foi à comunidade!

Esse emaranhado deixa claro que a situação política de um grupo ainda prevalece. O interesse de uma minoria massacra todos os direitos da maior parte da população, e assim as possibilidades de fazer política coerente, de lutar por cidadania, acaba sendo sufocada, e quem sofre é o cidadão.

Fonte: dados do portal da transparência / Primavera do Leste



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A Palavra - Opinião

Entre o “Fora, Lula” e as polêmicas de Primavera: onde fica a coerência política?


Opinião | Por Luis Costa

Primavera do Leste (MT) — Na política, o discurso costuma ser uma coisa; a prática, outra. E é justamente por isso que o eleitor precisa olhar além dos slogans, das bandeiras partidárias e das palavras de ordem que ganham força nas redes sociais.

Em Primavera do Leste, uma contradição merece ser debatida: há pessoas que levantam a bandeira do “Fora, Lula”, criticam posições ideológicas da esquerda e, ao mesmo tempo, apoiam lideranças políticas locais cujas gestões também foram palco de debates e controvérsias envolvendo cultura, comportamento e ideologia.

A pergunta é simples: os princípios políticos valem para todos ou mudam conforme o candidato que recebe o apoio?

A cultura entrou no centro do debate

Durante a gestão de Leonardo Bortolin à frente da Prefeitura de Primavera do Leste, a cultura ganhou espaço na agenda pública, com investimentos em estrutura e iniciativas voltadas às manifestações artísticas.

Em fevereiro de 2023, por exemplo, a cidade inaugurou o Teatro Municipal e uma nova estrutura do Centro Cultural Professora Evangeline Alcântara Takeuchi. Na ocasião, o então prefeito destacou a importância dos espaços para o desenvolvimento cultural e para a formação de jovens.

A informação foi divulgada pelo portal PNB Online, em reportagem publicada em 8 de fevereiro de 2023.

Mas a cultura também se tornou assunto de disputa política na cidade. E é nesse ambiente que surge uma discussão que ainda provoca questionamentos sobre os limites entre arte, liberdade de expressão, valores familiares e posicionamentos ideológicos.

O episódio do beijo que provocou polêmica

Em junho de 2022, uma apresentação artística com temática LGBTQIA+ provocou forte repercussão em Primavera do Leste. A encenação incluía a simulação de um beijo entre pessoas do mesmo sexo e gerou críticas de vereadores, que classificaram a apresentação de maneira negativa.

O caso foi noticiado pelo portal Primeira Página em 30 de junho de 2022.

É importante esclarecer um detalhe: segundo a reportagem, a apresentação foi realizada por uma escola particular, e não se tratava de um espetáculo organizado diretamente pela Prefeitura. Portanto, o episódio não pode ser atribuído automaticamente à administração municipal.

Ainda assim, a repercussão revelou como as questões culturais e ideológicas dividiam opiniões na cidade e eram levadas para o debate político.

A pergunta que permanece pertinente é: quem defende liberdade de expressão em determinadas situações está disposto a defender o mesmo princípio quando a manifestação artística contraria suas próprias convicções?

E quem critica a chamada ideologia de esquerda em âmbito nacional mantém os mesmos critérios quando se trata de aliados políticos locais?

O eleitor não pode ter dois pesos e duas medidas

O problema não está em ser de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política. Cada cidadão tem o direito de defender suas convicções, apoiar candidatos e discordar de manifestações culturais.

O problema começa quando os princípios são utilizados seletivamente.

Se uma pessoa considera determinadas manifestações culturais inadequadas, tem o direito de expressar sua opinião. Mas também precisa estar disposta a avaliar criticamente as decisões e os posicionamentos dos políticos que apoia.

Da mesma forma, quem cobra coerência ideológica do governo federal não deveria abrir mão de fazer as mesmas perguntas aos representantes de sua preferência em Primavera do Leste.

A coerência política não pode ser uma exigência apenas para os adversários.

Flores, obras e disputas ideológicas: o que fica para a população?

Uma gestão pública não pode ser avaliada apenas por eventos, inaugurações, slogans ou imagens bonitas. É preciso observar os resultados, as prioridades administrativas, a aplicação dos recursos públicos e a capacidade de atender às necessidades da população.

Na cultura, isso significa discutir acesso aos espaços públicos, valorização dos artistas locais, transparência nos investimentos e respeito à diversidade de manifestações culturais.

Também significa permitir que a população questione as escolhas da administração sem ser automaticamente rotulada por suas posições políticas ou religiosas.

O debate precisa ser mais amplo do que um beijo em um palco ou uma palavra de ordem nas redes sociais. O cidadão tem o direito de saber quais políticas foram executadas, quanto custaram e quais benefícios trouxeram para a comunidade.

E os eleitores de Léo que gritam “Fora, Lula”?

É aqui que a discussão ganha força política.

Não há contradição automática em alguém criticar Lula e apoiar Leonardo Bortolin. São lideranças diferentes, com trajetórias, propostas e responsabilidades distintas. Um eleitor também pode concordar com um político em determinados assuntos e discordar dele em outros.

Mas, quando o argumento utilizado contra um adversário é ideológico, é legítimo cobrar que os mesmos critérios sejam aplicados aos aliados.

Se o discurso é contra determinadas manifestações culturais, por exemplo, o eleitor pode perguntar como os políticos de sua preferência se posicionaram diante de situações semelhantes. Se a cobrança é por valores familiares, cabe questionar quais políticas públicas efetivamente defendem esses valores. E, quando o argumento é o uso do dinheiro público, a fiscalização deve valer para todos.

Não se trata de defender Lula nem de atacar quem pensa diferente. Trata-se de cobrar coerência de quem faz da ideologia uma bandeira política.

A política precisa de menos slogans e mais coerência

Primavera do Leste precisa de debate sério sobre saúde, educação, infraestrutura, cultura, segurança e aplicação dos recursos públicos. As discussões ideológicas fazem parte da democracia, mas não podem substituir a avaliação concreta dos resultados de uma gestão.

O eleitor não deve entregar um cheque em branco a nenhum político. Nem a um adversário, nem a um aliado.

Quem cobra coerência precisa praticá-la. Quem exige transparência deve aceitar a fiscalização. E quem critica as escolhas de um governo precisa estar disposto a examinar as decisões dos representantes que apoia.

No fim das contas, a pergunta não é apenas quem grita “Fora, Lula”. A pergunta é: quais critérios essa pessoa utiliza para avaliar os políticos em quem acredita?

Porque, em uma democracia, a coerência não se mede pelo volume do grito, mas pela disposição de aplicar os mesmos princípios a todos.

 


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