Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 22 de Outubro de 2026

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Opinião

PEREGRINOS



Não há como negar que existe um sentimento de deslocamento ou uma inadequação quanto a vida dos cristãos neste mundo. C.S. Lewis chegou a conclusão de que só pode ser, porque fomos criados para um outro mundo. Ou seja, estamos longe de casa. Somos peregrinos e forasteiros neste mundo, vivemos deslocados, com um forte sentimento de ausência que não será preenchido por coisa alguma neste mundo.

É bem este sentimento que afligia os cristãos das regiões as quais Pedro escreveu sua primeira carta, e que ainda continua a afligir a sociedade pós-moderna. Naquelas regiões as pessoas viviam debaixo de um forte poder político, um regime de opressão e perseguição, pois Nero estava no poder.

Muito semelhante à vida contemporânea, a cultura é confusa, cada um tem a sua própria verdade e superstições, cada um serve o seu próprio deus. O homem pensa apenas no presente, a maior preocupação é sobreviver sem qualquer esperança quanto ao futuro, não se tem nenhum propósito para a existência que ajude a enfrentar a vida presente, só se pensa em como aproveitar ao máximo do que se tem disponível hoje, pois o amanhã é incerto.

A mensagem de Pedro é relevante, pois aponta caminhos para entendermos os desafios de nosso tempo e trabalharmos para transformação deste mundo de maldades, injustiças e aflições por meio do Evangelho, mas mantendo uma esperança viva em Cristo Jesus.

Pedro usa a dinâmica do passado e o futuro. No passado, está a obra redentora que Deus fez na pessoa de seu filho Jesus Cristo. Seu nascimento, sua vida, morte e ressurreição. E no futuro está a esperança da volta de Cristo para aplicar de forma global e total a sua obra; renovar os céus e a terra, e manifestar a totalidade de seu reino.

O cristão precisa peregrinar por este mundo com um correto entendimento de sua eleição e redenção. Da obra que Cristo já fez por nós na cruz, e da obra que Ele ainda fará. Nestas duas perspectivas, passado – futuro, o cristão encontra força, encorajamento e esperança para cumprir a sua missão neste mundo e enfrentar as lutas e sofrimentos do presente.

Enquanto na primeira parte ele trata de temas teológicos que são estruturantes para toda a carta e algumas implicações da obra redentora de Deus em nossa vida. Então ele aplica estes conceitos para várias áreas mais específicas de nossa vida como peregrinos, residentes temporários neste mundo. À luz do texto sagrado, vemos claramente a tensão, de ao mesmo tempo sermos criados para um outro mundo, mas ainda peregrinarmos neste mundo, neste tempo, com os desafios de nossa época.

Então Pedro vai relacionar a doutrina bíblica ou a teologia à vida prática, ele aborda uma variedade de temas à luz da Palavra de Deus.

Esperança é um tema importante nesta carta, a qual ele chama de uma viva esperança. Que transcende os nossos problemas circunstanciais e transitórios.

Esperança é uma palavra muito especial nas Escrituras e muito necessária para o povo de Deus. Pois à luz da esperança, até o sofrimento, algo tão presente em nossa peregrinação, recebe outra perspectiva. Mas o que impera em nosso mundo é o desespero, o qual o filósofo Martin Heidegger chama de sentimento do nada. Para o filósofo Franz Kafka a esperança existe, mas não para nós. Para o antigo filósofo chamado Sófocles, “não nascer é, inquestionavelmente, a maior felicidade. A segunda maior felicidade é, tão logo nascer, retornar ao lugar de onde se veio.” Somente em Deus o homem tem uma proposta para além deste mundo vazio, de salvação eterna para sua vida.

Sobre o cristão e a política, temática sempre tão delicada para nós brasileiros, só de pensar sobre isso, faltam-nos as palavras e sobram os palavrões, mas as Escrituras nos desafiam a ter uma postura submissa e intercessora, como cidadãos conscientes, engajados na transformação deste mundo pelos valores do Reino de Deus, e também intervir na História, transformar a cultura, visando o bem-estar humano a despeito da Queda, a salvação dos pecadores e a glória do Senhor, até que Cristo venha.

Quanto ao trabalho e o relacionamento de patrão e empregado, o cristão é desafiado a ser justo, competente, responsável e até mesmo suportar injustiças por amor a Jesus, pois a morte de Cristo na cruz em nosso lugar garante todos os nossos direitos, que muitas vezes são pisados neste mundo. Cristo, o nosso maior exemplo, quando insultado não devolvia o insulto e quando sofria não revidava. Essa postura faz emudecer aqueles que nos perseguem e maldizem. Fomos chamados para mudar o mundo através da paz, do amor, da tolerância e do exercício do bem. A conduta diária do cristão no mundo é um belo testemunho da veracidade do Evangelho, muito da ineficácia da ação do Evangelho ou da inércia da Igreja na sociedade está ligada a incoerência e a péssima reputação de muitas pessoas e instituições que se denominam cristãs, mas que não cultivam no dia a dia os valores que Cristo deixou.

Quanto a vida conjugal, relação tão complexa e desafiadora em nosso tempo de relações superficiais e descartáveis, ela não pode ser mais um foco de dor e sofrimento, mas um ambiente de afeto, perdão, compreensão e esperança por meio de Cristo Jesus.

A liderança cristã precisa entender o seu tempo e desafios, e como instrumentos afinados com a vontade do Supremo Pastor, Jesus Cristo, a quem prestaremos contas do pastoreio que prestamos ao seu rebanho. Zelando pela boa doutrina e prática cristã relevante, criando uma comunidade com um ambiente de apoio mútuo e abrigo e redenção aos que sofrem neste mundo.

Pedro também nos adverte de que a vida do cristão precisa ser marcada pela humildade no relacionamento entre uns com os outros, criando laços comunitários sólidos e também de vigilância frente aos ataques de satanás, o nosso adversário. E ansiedade que nos sobrevier na caminhada precisa ser lançada sobre Cristo, pois Ele tem cuidado de nós em todo o tempo. Deus nos abençoe a cada dia em nossa peregrinação e missão neste mundo de dores e desesperança.  Em Cristo Jesus. Rev. Paulo Froes



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política

TSE estuda desativar canais políticos no WhatsApp 48h antes da eleição


Proposta foi escrita pelo vice-presidente da Corte, André Mendonça

TSE faz últimos preparativos para o primeiro turno nas Eleições 2018

Uma minuta de resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que canais de WhatsApp com teor político e mais de 200 mil seguidores sejam desativados nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores ao segundo turno da eleição, marcado para o próximo domingo (25). 

Caso aprovada pelo plenário do TSE, a medida entraria em vigor de imediato, conforme o texto da minuta obtida pela Agência Brasil.

A minuta com a proposta passou a circular entre os ministros do TSE após o tema ser debatido em reuniões informais realizadas na sexta-feira (16) e na terça-feira (20). O texto foi redigido pelo ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral.

Em nota à imprensa, o gabinete de Mendonça informou não se tratar de uma iniciativa pessoal do ministro, mas que coube a ele a autoria da minuta por ser tradição que as normas eleitorais sejam redigidas pelo vice-presidente do TSE.

“O objetivo discutido é proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos”, diz a nota do gabinete de Mendonça.

A nota acrescenta ainda que o texto foi redigido a partir de um consenso interno, e que “os critérios em análise são objetivos e impessoais e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política”.

Caso seja aprovada, a iniciativa deve atingir o canal “Exército do Lula”, que atingiu nesta quarta (21) a marca de 7 milhões de inscritos no aplicativo de mensagens WhatsApp. Também seria desativado o canal “Tropa do Flávio”, que possui 2 milhões de inscritos.

Proposta

O texto da minuta aplica aos canais de transmissão de natureza político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores as mesmas restrições que já vigoram sobre o conteúdo impulsionado de campanha, aquele cujo alcance é potencializado mediante pagamento às plataformas.

O texto também considera haver “alcance desproporcional de canais com grande audiência na difusão de conteúdos ilícitos”.

Em outro trecho, a proposta diz ainda que “o período compreendido entre as 48 (quarenta e oito) horas antes e as 24 (vinte e quatro) horas depois da eleição concentra o maior risco de dano irreversível à formação livre da vontade do eleitorado, por não haver tempo hábil para resposta, esclarecimento ou tutela jurisdicional efetiva”.

Controvérsia

A proposta surge após uma disputa de liminares em torno do canal “Exército do Lula”. Na semana passada, o canal foi retirado do ar pelo ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, após pedido da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro, que alegou disseminação de desinformação.

Logo em seguida, porém, o corregedor-nacional da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal. Ele afirmou não haver elementos que justificassem a medida e que Nunes Marques não poderia ter suspendido o canal por via administrativa, como fez, uma vez que o caso já tramitava pela via judicial em processo relatado pelo próprio corregedor.

Pouco depois, porém, Nunes Marques voltou a suspender o canal, alegando que mesmo sendo administrado por um apoiador, o deputado André Janones (Rede-MG), a ferramenta teria vínculo com a campanha oficial, e portanto deveria estar registrado no TSE como tal.

Por fim, o Exército do Lula acabou sendo liberado pelo presidente do TSE, após o registro ter sido feito pela campanha oficial.

Felipe Pontes – repórter da Agência Brasil


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