Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2026

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Rosas brancas no caixão, pede técnico de saúde à mãe antes de UTI



Várias rosas brancas no caixão. E uma vermelha. O técnico de enfermagem Klediston Kelps, de 22 anos, fez esse pedido à mãe antes de ser entubado. Sabia que não resistiria à covid-19.

Klediston morreu. Mas não deixou de lutar. Mais do que pela própria vida, no caso.

Isso porque ele atuou na linha de frente da batalha contra o coronavírus até quando pôde.

Foi nos plantões do trabalho no setor de urgência e emergência da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Primavera do Leste (MT) que o jovem teria se contaminado, segundo acredita sua família.

Ele atuava como concursado no município a 239 quilômetros de Cuiabá. Ainda estava no último semestre de enfermagem.

Queria seguir os passos da mãe, Elisângela da Silva Faria, de 40 anos, técnica de enfermagem do Samu.

Klediston contraíra dengue semanas antes. E carregava o histórico de cardiopatia da família.

Assim, quando precisou ser entubado, desconfiou de que não aguentaria o ataque do coronavírus.

Escreveu então para a mãe. Rosas brancas no caixão. E uma vermelha. O pedido. O que podia fazer além disso já estava concluído. Missão cumprida.

Também se despediu no grupo de WhatsApp da família.

Nas mensagens trocadas com a mãe, falava sobre estar “sendo realista”.

Como deve ser quem luta contra a covid-19. Com coragem e pés no chão.

Dessa forma, Klediston passou de cuidador a paciente. Na mesma UPA em que atuava.

Deu entrada no final de junho. O estado de saúde se agravou em 18 de julho, condição que requereu que fosse entubado.

Morreu no dia 25 de julho, um sábado.

Devido aos protocolos, o desejo não pôde ser realizado no velório nem no enterro, realizado com caixão lacrado.

Rosas brancas no caixão, não houve. Mas a mãe as levou depois no local em que seu corpo repousa.

Segundo ela, um filho amoroso. Carinhoso. Cheio de planos e sonhos.

Mas que não se intimidou diante de um desafio muito maior: o de salvar vidas de outras pessoas.

O resultado positivo para covid-19 saiu na segunda, 27.

Que Klediston descanse em paz, em algum lugar tranquilo.

E rodeado por flores de todas as cores.

Catraca Livre



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Janeiro Roxo: Hanseníase ainda é desafio para a saúde pública em Mato Grosso


Com mais de 4 mil casos notificados em Mato Grosso em 2024, a hanseníase continua sendo um grande desafio para a saúde pública no Brasil. Embora a doença tenha sido progressivamente controlada, ainda representa um problema relevante, especialmente em áreas endêmicas como o estado de Mato Grosso. O tratamento, disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), varia de seis meses a um ano, dependendo da forma e gravidade da enfermidade.

 

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada para o diagnóstico e avaliação inicial da hanseníase nos municípios. Nessas unidades, os profissionais de saúde são treinados para identificar os primeiros sinais da doença, como manchas na pele e perda de sensibilidade, que, se não tratados a tempo, podem levar a complicações graves. Quando necessário, os pacientes são encaminhados para Centros de Referência em Hanseníase, que possuem uma estrutura mais especializada, oferecendo tratamento avançado e acompanhamento contínuo para aqueles com formas mais graves ou complicadas da doença.

 

A conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce da hanseníase tem ganhado força especialmente durante o Janeiro Roxo, uma campanha nacional idealizada pelo Ministério da Saúde. Essa ação busca sensibilizar a população sobre a importância da detecção precoce da doença, que, se diagnosticada a tempo, pode ser tratada com eficiência, evitando complicações e o estigma social.

 

A Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) apoia essa iniciativa e destaca o papel fundamental da campanha para despertar a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. A hanseníase é uma doença de notificação compulsória, o que significa que profissionais de saúde devem registrar e comunicar todos os casos diagnosticados, contribuindo para o controle e erradicação da enfermidade.

 

Atenção especializada – Em Mato Grosso, seis municípios mantêm Ambulatórios de Atenção Especializada Regionalizados (AAER), que oferecem tratamento da hanseníase em Alta Floresta, Barra do Garças, Juara, Juína, Tangará da Serra e Várzea Grande. O Hospital Regional de Colíder passou a ofertar atendimento especializado em 2025, ampliando a rede de assistência.

 

Ações nos municípios – Municípios de todo o estado estão desenvolvendo ações em alusão à campanha Janeiro Roxo e reforçando a importância do diagnóstico precoce. As atividades incluem campanhas de esclarecimento, orientações, eventos educativos, entre outras atividades direcionadas à população. Em Várzea Grande, Unidades de Saúde da Família (USF) estão realizando ações de conscientização, avaliação clínica, busca ativa e diagnóstico, facilitando o acesso da população.

 

Aripuanã organiza o Dia D de Combate à Hanseníase, que será realizado no dia 24 de janeiro, em que profissionais de saúde vão orientar a população, identificar sinais suspeitos e encaminhar os casos para acompanhamento e tratamento, quando necessário.

 

Em Sinop as ações incluem atendimentos específicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e no Centro de Referência em Combate à Hanseníase e Tuberculose. As iniciativas contemplam, ainda, a qualificação de novos profissionais da saúde que integram a Atenção Primária à Saúde.

Agência de Notícias da AMM


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