Primavera do Leste / MT - Sexta-Feira, 07 de Agosto de 2026

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Lula no vermelho, economia no azul



O enfraquecimento do ex-presidente reduz as chances de vitória de uma agenda populista em 2018. Diante da retomada do crescimento econômico e da perspectiva de algum avanço da reforma da Previdência, os investidores voltaram a apostar no Brasil, quebrando várias vezes o recorde do Índice Bovespa

Nas eleições presidenciais de 2014, o mercado financeiro não escondia as suas preferências. Quando o tucano Aécio Neves subia nas pesquisas, a bolsa de valores disparava e o dólar recuava. O movimento inverso acontecia toda vez que a petista Dilma Rousseff aparecia como favorita à reeleição. O tal mercado nada mais é do que um conjunto de investidores nacionais e estrangeiros ávidos por ganhar dinheiro com aplicações financeiras. Na hora de fazer suas apostas eleitorais, o que lhes interessa é saber qual agenda econômica sairá vencedora.

A pouco mais de um ano das eleições de 2018, o Índice Bovespa não para de subir ao mesmo tempo em que o ex-presidente Lula, o principal nome da esquerda, se enfraquece diante de denúncias que partem até de antigos companheiros, como o ex-ministro Antonio Palocci. Para o mercado, quanto menor for a chance de vitória da agenda econômica do PT, melhor para o País. Esse cenário eleitoral, aliado à retomada do crescimento, já em curso, fez disparar, nos últimos dias, as ordens de compra de ações de empresas listadas na B3 (novo nome da bolsa, após a fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip). Resultado: sucessivos recordes do índice Bovespa. Na quarta-feira 13, Lula esteve novamente frente a frente com o juiz Sergio Moro, em Curitiba.

Sobe: euforia dos investidores com o cenário econômico e político leva o índice Bovespa a quebrar sucessivos recordes (Crédito:Divulgação)

Ao longo de duas horas, o petista negou qualquer acerto ilícito com a Odebrecht e rebateu as acusações de Palocci, de que ele teria feito um “pacto de sangue” com a construtora. “Ele [Palocci] é dissimulado e frio”, afirmou o ex-presidente. “Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade.” Por meio de advogados, Palocci afirmou que “dissimulado é ele [Lula], que nega tudo o que lhe contraria”. Na avaliação dos especialistas, o enfraquecimento do principal nome da esquerda deve ser refletir nas próximas pesquisas, especialmente no índice de rejeição. “As acusações de Palocci diminuíram a chance de Lula ser candidato”, afirma Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria e professor do Insper. “Aumentou, portanto, a chance de um governo de continuidade, embora o discurso populista de Lula seja sedutor para uma parcela da sociedade.”

Dois dias antes, em evento do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definiu a agenda da esquerda como “populista-desenvolvimentista”. Para o tucano, o grupo liderado por Lula defende uma farra de crédito insustentável. “Nos últimos tempos, no Brasil, houve uma certa embriaguez, que era a ideia de que, talvez, o governo pudesse resolver todas as coisas aumentando o crédito e estimulando o consumo”, disse FHC. “Foi uma grande ilusão.” Ao lado do ex-presidente, estavam dois tucanos de alta plumagem que pleiteiam a candidatura à Presidência da República: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital paulista, João Doria. Os dois se cumprimentaram, trocaram gentilezas, mas a disputa no PSDB é tão escancarada que mereceu um recado público de FHC: “Unimo-nos! Se nós não nos unirmos, os riscos estão aí, da demagogia.”

Adversários: o procurador-geral da República, Rodrigo Janot (à dir.), oferece mais uma denúncia contra o presidente Temer (Crédito:José Cruz/Agência Brasil)

A plateia, formada por cerca de 800 empresários, ouviu com atenção a fala de 39 minutos do ex-presidente. O balançar positivo de cabeças acompanhava os elogios de FHC à agenda reformista, de ajuste fiscal e de privatizações do governo Michel Temer. No dia seguinte, em novo evento empresarial, Doria defendeu a privatização gradual da Petrobras e a fusão entre o Banco do Brasil e a Caixa. “Não vejo razão para o Brasil ter dois bancos [públicos]”, disse o prefeito de São Paulo. No setor produtivo, o apoio à atual agenda econômica é amplo e irrestrito, e a sensação é de que o País já está voltando aos trilhos. “Estamos crescendo dois dígitos neste ano. Somente em julho, a alta foi de 15%”, diz Edmar Augusto Bull, presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav). “Resolvendo a parte política, o turismo decola automaticamente.”

A favor do governo Temer há aspectos políticos e econômicos. A 2ª denúncia contra o presidente da República, apresentada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, na quinta-feira 14, nasceu desnutrida diante das gravações entre Joesley Batista e Ricardo Saud, que comprometem o próprio Janot. No dia seguinte, o pregão da B3 abriu novamente em alta. Para o mercado, o que interessa é saber se Temer terá força no Congresso. “A reforma da Previdência – mesmo que desidratada – deve voltar à pauta do dia”, diz Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados. Do lado econômico, há boas notícias que fortalecem a atual agenda do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (leia quadro ao final da reportagem). Na quinta-feira 14, o Banco Central divulgou o seu índice mensal de PIB, com alta de 0,4% em julho. Significa, na prática, que o segundo semestre começou em alta, após dois trimestres consecutivos de expansão.

Ninho tucano: ex-presidente FHC (ao centro) pede união ao governador Alckmin (à esq.) e ao prefeito Doria (Crédito:Tiago Queiroz)

Diante de um baixo nível de investimento, a mola propulsora do crescimento é o consumo, impulsionado pela liberação de R$ 40 bilhões em contas inativas do FGTS e pela queda da inflação. A etapa seguinte será a entrada em cena do crédito (leia reportagem aqui). No mesmo dia, ao participar da abertura da premiação AS MELHORES DA DINHEIRO, em São Paulo, Meirelles ressaltou a volta do crescimento e, num discurso para centenas de empresários, demonstrou confiança nas reformas. “Acreditamos na aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano”, disse o ministro. A função do mercado de ações é antecipar os ciclos econômicos. Ao superar o patamar histórico de 75 mil pontos, o índice Bovespa refletiu claramente o apetite dos investidores, incluindo os estrangeiros, que voltaram a “comprar Brasil”, no jargão financeiro. Melhor ainda num ambiente global favorável, com juros baixos, inflação controlada, expansão de PIB e muito dinheiro à espera de oportunidades.

Como qualquer aposta, há riscos no horizonte. Mas o mercado resolveu encará-los, inclusive os da área política. “As incertezas políticas já foram incorporadas pelos agentes econômicos, gerando um descolamento entre a política e a economia”, diz Antonio Megale, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “Espero que o Congresso tenha o bom senso para avançar com as reformas.” O cenário-base traçado para 2017 e 2018, que justifica a recente euforia do mercado, tem as seguintes premissas: Temer fortalecido para aprovar a reforma da Previdência Social; Lula fora do jogo eleitoral; e a vitória da atual agenda econômica nas urnas. Ainda falta mais de um ano para as eleições – e reviravoltas podem acontecer, ainda mais no País das malas cheias de dinheiro –, mas o relógio econômico passou a jogar a favor daqueles que combatem o “populismo-desenvolvimentista”.

Istoé Dinheiro



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política

Avante lança Antônio Galvan como candidato ao Senado por Mato Grosso


A escolha foi confirmada durante convenção realizada terça-feira (4).

O Partido Avante confirmou a candidatura de Antônio Galvan ao Senado. A decisão foi tomada durante convenção realizada nesta terça-feira (4).

 

O produtor rural Antônio Galvan filiou-se ao Avante em março de 2026, após deixar o Democracia Cristã (DC). A mudança ocorreu depois de um impasse com a direção nacional da legenda sobre os planos políticos do partido para as eleições deste ano.

 

Outras candidaturas aprovadas na convenção:

Charles Fernando

Ivina da Enfermagem

Jamilson Moura

Lidiane Aburad

Luís Costa

Maicon Pereira

Mirão

Paula Boaventura

Pr. Neviton

Calendário de convenções

As convenções são os eventos em que os filiados dos partidos se reúnem para escolher os candidatos nas eleições. A data limite é 5 de agosto.

 

Na sequência, os nomes devem ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 15 de agosto. A campanha eleitoral começa oficialmente no dia seguinte.

 

Nas eleições deste ano, em 4º de outubro, os brasileiros vão votar para:

 

presidente;

governador;

Senador (duas vagas por estado);

deputado federal;

deputado estadual.

O produtor rural Antônio Galvan filiou-se ao Avante em março de 2026, após deixar o Democracia Cristã (DC). Ele ganhou projeção nacional durante a presidência da Aprosoja-MT.

G1


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