Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 22 de Outubro de 2026

HOME / NOTÍCIAS

Região

Mato-grossenses estão confiantes em mudanças no cenário político de 2018



Depois de um ano movimentado na política, o eleitor mato-grossense, em sua maioria, acredita em mudanças no cenário para 2018. Uma das principais apostas da população são as eleições que serão realizadas em outubro e colocarão em disputa, além do governo e da presidência, todas as cadeiras da Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e 2/3 do Senado.

Os acontecimentos ao longo de 2017, como a delação do ex-governador Silval Barbosa, também não passaram despercebidos e, para os cidadãos, mostram que o combate à corrupção já começa a dar resultados. Classificada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, como “monstruosa”, a delação de Silval teve reflexos como as investigações que já estão em andamento.

A revelação de uma extensa lista de pessoas delatadas pelo político demonstra, na opinião da operadora de telemarketing, Cristiane Hondo, 39, que o ano que chega ao final trouxe mudanças para a política. “Muita coisa na política já mudou em 2017 e em 2018 vai continuar mudando. Muitos políticos já foram presos, outros respondem por processos, então eles estão pagando o preço que eles têm que pagar. 2018 será um ano de reforma, tem muita coisa para acontecer. Novas expectativas, novas pessoas ocupando os cargos. O povo está mais consciente, está sabendo votar mais. Então eu tenho muita esperança que 2018 melhore”.

Os depoimentos prestados pelo ex-governador aos promotores da Procuradoria-Geral da República (PGR) levantaram suspeitas sob mais de uma centena de pessoas, entre políticos, servidores públicos e empresários. Um dos casos mais graves trata do pagamento de um “mensalinho” a deputados estaduais da legislatura passada, alguns deles flagrados em vídeo recebendo o dinheiro das mãos do então chefe de gabinete do ex-governador dentro do Palácio Paiaguás.

A exemplo de Cristiane, outras pessoas acreditam que o brasileiro passou a entender o tamanho dos malefícios causados pela corrupção no setor público. A expectativa é que isso tenha reflexos no processo eleitoral, com um eleitor cada vez mais consciente da importância do voto e de se escolher bem quem serão os representantes do povo.

João Vieira
Delação de Silval Barbosa e investigações que dela resultaram são vistas pela população como passo para mudança 

“A população toda espera que a política melhore em 2018, porque está tudo horrível para o cidadão mais pobre: saúde, educação, moradia. A corrupção precisa e vai acabar. O povo está aprendendo a votar mais consciente, a população aprendeu com os erros do passado. Então eu estou otimista”, salientou o salgadeiro Genilson Weber, 41.

Mas há também quem acredite que nem mesmo os recentes escândalos, ou a confirmação de casos antigos, fará com que a corrupção acabe, no máximo reduza. Está é, por exemplo, a opinião da gerente de loja Fabiana Lúcia da Rocha, 38, quando indagada sobre o que espera da política para o novo ano. “Eu espero que a política melhore em 2018, porque já está tão ruim que não dá para piorar. Mas a corrupção não vai acabar, os políticos que serão eleitos vão continuar fazendo a mesma coisa que os que estão agora. O povo já está acostumado com a roubalheira e não faz nada, enquanto que os políticos acostumaram a roubar. Pode até amenizar, mas não vai melhorar”.

Entendendo a corrupção como algo histórico, o motorista Sílvio Jorge da Silva, 49, está pouco otimista em relação a mudanças no ano que vem. Um dos questionamentos dele passa pelas punições aplicadas aos agentes públicos flagrados em casos de corrupção que seriam brandas demais. “A corrupção existe desde muito tempo, é uma coisa inerente ao ser humano e, principalmente, ao brasileiro. Ela já existia desde que o Brasil é Brasil, é claro que não nessa proporção. Então a corrupção não acaba tão fácil. Os políticos roubam R$ 300 mil, devolvem R$ 30 mil e aonde fica o outro resto? Para eles compensa roubar, passar um tempo na cadeia e depois sair com dinheiro. 2018 vai ser tudo igual”. (Colaborou Ana Flávia Corrêa)

Gazeta Digital / Gláucio Nogueira



COMENTÁRIOS

0 Comentários

Deixe o seu comentário!





*

HOME / NOTÍCIAS

política

TSE estuda desativar canais políticos no WhatsApp 48h antes da eleição


Proposta foi escrita pelo vice-presidente da Corte, André Mendonça

TSE faz últimos preparativos para o primeiro turno nas Eleições 2018

Uma minuta de resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que canais de WhatsApp com teor político e mais de 200 mil seguidores sejam desativados nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores ao segundo turno da eleição, marcado para o próximo domingo (25). 

Caso aprovada pelo plenário do TSE, a medida entraria em vigor de imediato, conforme o texto da minuta obtida pela Agência Brasil.

A minuta com a proposta passou a circular entre os ministros do TSE após o tema ser debatido em reuniões informais realizadas na sexta-feira (16) e na terça-feira (20). O texto foi redigido pelo ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral.

Em nota à imprensa, o gabinete de Mendonça informou não se tratar de uma iniciativa pessoal do ministro, mas que coube a ele a autoria da minuta por ser tradição que as normas eleitorais sejam redigidas pelo vice-presidente do TSE.

“O objetivo discutido é proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos”, diz a nota do gabinete de Mendonça.

A nota acrescenta ainda que o texto foi redigido a partir de um consenso interno, e que “os critérios em análise são objetivos e impessoais e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política”.

Caso seja aprovada, a iniciativa deve atingir o canal “Exército do Lula”, que atingiu nesta quarta (21) a marca de 7 milhões de inscritos no aplicativo de mensagens WhatsApp. Também seria desativado o canal “Tropa do Flávio”, que possui 2 milhões de inscritos.

Proposta

O texto da minuta aplica aos canais de transmissão de natureza político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores as mesmas restrições que já vigoram sobre o conteúdo impulsionado de campanha, aquele cujo alcance é potencializado mediante pagamento às plataformas.

O texto também considera haver “alcance desproporcional de canais com grande audiência na difusão de conteúdos ilícitos”.

Em outro trecho, a proposta diz ainda que “o período compreendido entre as 48 (quarenta e oito) horas antes e as 24 (vinte e quatro) horas depois da eleição concentra o maior risco de dano irreversível à formação livre da vontade do eleitorado, por não haver tempo hábil para resposta, esclarecimento ou tutela jurisdicional efetiva”.

Controvérsia

A proposta surge após uma disputa de liminares em torno do canal “Exército do Lula”. Na semana passada, o canal foi retirado do ar pelo ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, após pedido da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro, que alegou disseminação de desinformação.

Logo em seguida, porém, o corregedor-nacional da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal. Ele afirmou não haver elementos que justificassem a medida e que Nunes Marques não poderia ter suspendido o canal por via administrativa, como fez, uma vez que o caso já tramitava pela via judicial em processo relatado pelo próprio corregedor.

Pouco depois, porém, Nunes Marques voltou a suspender o canal, alegando que mesmo sendo administrado por um apoiador, o deputado André Janones (Rede-MG), a ferramenta teria vínculo com a campanha oficial, e portanto deveria estar registrado no TSE como tal.

Por fim, o Exército do Lula acabou sendo liberado pelo presidente do TSE, após o registro ter sido feito pela campanha oficial.

Felipe Pontes – repórter da Agência Brasil


Antenado News