Primavera do Leste / MT - Sexta-Feira, 04 de Abril de 2025

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A Palavra - Opinião

Auxílio Saúde no MPMT não é privilégio, mas, sim, tratamento paritário



No atual momento político do Brasil, tenta-se a fórceps implantar um regime presidencialista plebiscitário com objetivo de enfraquecer as instituições que formam a estrutura do Estado Brasileiro, desqualificando os seus servidores públicos e, principalmente os agentes políticos dos demais Poderes.


Temos no Brasil, no âmbito dos Poderes Executivos federal, estaduais e municipais e nos Poderes Legislativo, Judiciário e Ministério Público, o denominado Sistema Complementar de Saúde do Servidor Público. Seja na modalide de autogestão, de contratação de planos de saúde privados pelo ente público ou Auxílio Saúde pago individualmente, com um limite de teto, mediante comprovante de gastos com saúde.


Como exemplo emblemático, observa-se que os próprios servidores do Ministério da Saúde não utilizam o SUS. Basta verificar o Manual de Orientações aos novos servidores, na sua página 33: “Assistência de saúde: serão concedidas ao servidor público as seguintes opções: Adesão a um dos planos de saúde que o Ministério possui convênio, que são a GEAP, o CAPE- SAÚDE (CAPESESP) e a Aliança, ou o ressarcimento, conforme uma tabela de valores, no caso de o servidor não optar pela adesão a um dos planos de saúde oferecidos e ser titular de plano de saúde particular.”


Nesta mesma opção administrativa já praticada em outros órgãos estatais de prevenção e cuidado com a saúde laboral de membros e servidores, no Ministério Público do Estado de Mato resolvi baixar o Ato Administrativo 924/2020/PGJ, da Procuradoria Geral de Justiça, instituindo uma Ajuda de Custo para despesas com saúde aos servidores e membros da instituição, no valor de R$500,00 aos servidores e de R$1.000,00 aos promotores e procuradores, mensalmente, mediante comprovação de gastos com esse fim.

O referido Ato Administrativo tem como lastro o artigo 32 da Lei 9.782, de 19 de julho de 2012, e o fiz exatamente neste momento não como um “Vale COVID” – como jocosamente vem sendo chamado – , mas sim porque já estava previsto no nosso orçamento de 2020. Com isso, estávamos promovendo igualdade de tratamento ao MPMT em relação aos outros Ministérios Públicos e órgãos públicos, como já dito, e por ser um pleito legítimo do sindicado dos servidores (Sindsemp) e da associação dos membros da nossa instituição (AMMP).

O Ministério Público mato-grossense tem consciência e responsabilidade do seu dever constitucional, principalmente neste momento de pandemia, tomando medidas para evitar o alastramento da doença e carreando recursos por meio de TACs (Termos de Ajustamento de Conduta) e Acordos de Leniência encaminhados ao Judiciário, parceiro do sistema de Justiça neste combate. Em pouco mais de um mês já destinamos mais de R$21 milhões ao Fundo Estadual de Saúde e outros R$ R$ 15 milhões ao Fundo Penitenciário para enfrentamento à pandemia e outras ações. Este ano temos ainda a previsão de recuperar somente pelo CIRA (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos) a cifra de R$264.827.474,69.


Aos que criticam e argumentam que o Ministério Público deveria repassar saldos do seu orçamento para ajudar no combate à pandemia, informo que já fizemos cortes drásticos nos nossos investimentos e no custeio pela possível redução da arrecadação do Estado, mas isso não impede que utilizemos recursos para valorizar a saúde dos membros e servidores. Todos os poderes também o fazem de alguma forma. A título de exemplo, temos o MT/Saúde, que contempla servidores do Executivo estadual. Seria razoável que o Estado o fechasse imediatamente para destinar os recursos ao Fundo Estadual de Saúde?

A título de esclarecimento ainda, o próprio Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP está regulamentando sistema complementar na área da saúde e já conta com Nota Técnica favorável do Colégio Nacional dos Procuradores de Justiça –CNPG. Inclusive, alguns o recebem nos respectivos órgãos de carreira, sejam do Ministério ou do Poder Judiciário.


Por outro lado, é o momento de revalorizar o SUS e termos um Estado forte na educação, segurança pública e, principalmente na saúde, mesmo num modelo de economia liberal, como desejam alguns. Caso o Congresso Nacional mude o sistema, de forma que nenhum servidor público, do Presidente da República, Ministros do Supremo, Procuradores da República, Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Governadores, Prefeitos, Vereadores e demais servidores disponham de verba pública para o Sistema Complementar de Saúde, estaremos, aí sim, de forma linear dando o mesmo tratamento aos servidores públicos brasileiros.


Por fim, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso entende que o Auxílio Saúde, além de legal, é moralmente aceitável como atrativo da carreira e diminuição da pressão sobre o SUS, já sobrecarregado, independentemente da pandemia. Mas pode, sim, ter avanços, como mais verbas para o fortalecimento do SUS ou outras alternativas que o Congresso Nacional apresente como caixa de ressonância das demandas sociais.

*José Antônio Borges Pereira é Procurador-geral de Justiça de Mato Grosso



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Polícia

Assassinos de assessor de deputado são condenados a 17 anos de prisão


Wanderley Leandro Nascimento da Costa trabalhava no gabinete do deputado Wilson Santos e foi morto em fevereiro de 2023

 

 

 

O Tribunal do Júri condenou Murilo Henrique Araújo de Souza e Richard Estaques Aguiar Silva Conceição a 17 anos de prisão cada pela morte do assessor do deputado estadual Wilson Santos (PSD), Wanderley Leandro Nascimento da Costa, de 36 anos.

 

O crime aconteceu no dia 16 de fevereiro de 2023, em Cuiabá. A vítima trabalhava no gabinete de Wilson na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Os réus devem cumprir a pena, inicialmente, em regime fechado. Eles foram condenados pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e furto qualificado.

 

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), os dois réus mataram Wanderley asfixiado em uma quitinete, em seguida eles esconderam o corpo, roubaram uma TV, o aparelho celular, o notebook e um cartão de crédito da vítima, e fugiram no carro de Wanderley.

 

As investigações da Polícia Civil apontaram que o assassinato foi uma “vingança”, depois que a vítima assediou dois parentes de um dos assassinos.


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A Palavra

Servidoras da Saúde de Primavera do Leste apresentam projetos de destaque em congresso estadual


Coordenadoria de Comunicação

O compromisso com a inovação e a qualidade nos serviços de saúde garantiu destaque a Primavera do Leste no 2º Congresso de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso, realizado no último mês, em Cuiabá. Três servidoras da Secretaria Municipal de Saúde apresentaram experiências exitosas que refletem os avanços no atendimento à população e a eficiência da rede municipal.

 

Para Natalye Wagner de Souza, psicóloga e coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), uma das servidoras que apresentou seu trabalho no evento, a seleção representa um reconhecimento da qualidade e do impacto das iniciativas desenvolvidas. “A seleção de um trabalho para apresentação em congresso reconhece a qualidade e o impacto do nosso trabalho. Esses eventos reúnem especialistas, promovem discussões e abrem oportunidades de colaboração. Para nós, servidores e instituições que representamos, a aprovação em um congresso valida o rigor do trabalho prestado e reforça sua contribuição para o avanço da área, além de ampliar a visibilidade do mesmo”, destacou.

 

Além de Natalye, Deniandra Pedroso Silva, técnica em segurança do trabalho e Leiza Fernanda Carvalho Pina, Fonoaudióloga da Unidade Descentralizada de Reabilitação também apresentaram projetos. As apresentações abordaram três frentes importantes da saúde pública: a organização e os desafios da Rede de Atenção Psicossocial, o fortalecimento da Rede de Cuidado no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e a atuação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador como uma política bem-sucedida dentro da vigilância em saúde. Os trabalhos demonstraram como a estruturação desses serviços tem impactado positivamente a resolutividade das demandas, além de aprimorar a comunicação entre as redes e a qualidade do atendimento prestado.

 

Com a participação de aproximadamente 550 profissionais da saúde, o congresso promoveu debates sobre temas fundamentais, como a Política Nacional de Saúde, gestão participativa, pacto federativo e humanização dos serviços. Além das apresentações de trabalhos, o evento contou com palestras, mesas-redondas e discussões sobre boas práticas e inovações na área da saúde pública.

 

Organizado pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (COSEMS/MT), com apoio do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) e da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT), o congresso reforçou a importância da troca de experiências entre os municípios e do fortalecimento das redes de assistência. Para Primavera do Leste, a participação no evento reafirma o compromisso do município em buscar soluções inovadoras e garantir um atendimento cada vez mais eficiente e humanizado à população.


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