Primavera do Leste / MT - Quarta-Feira, 14 de Outubro de 2026

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Atirador de Campinas já criticou Igreja, foi galã e enfrentou depressão



Euler Fernando Grandolpho, 49, abriu fogo dentro de igreja, matou quatro pessoas e se suicidou

Um homem de família católica e que sofria havia vários anos com depressão. Assim o atirador que matou quatro pessoas e feriu outras duas a tiros antes de se suicidar em Campinas nesta terça-feira (11) é descrito por amigos e familiares.

Na juventude, Euler Fernando Grandolpho, 49, criticava a atuação do pai na Igreja Católica, mas seguia valores conservadores. Era tido pelo grupo de amigos como um “cara cabeça”, “um jovem de beleza estupenda, muito inteligente”, segundo contou à reportagem uma ex-namorada, que conviveu com ele dos anos 1980 ao início dos anos 2000.

Euler, que não trabalhava desde 2014, morava com seu pai em um condomínio de classe média em Valinhos, cidade próxima de Campinas. A mãe dele morreu anos atrás.

Nesta terça (11), a Polícia Civil apreendeu papeis, documentos, cartas e um notebook na casa. O delegado José Henrique Ventura diz que familiares descreveram Euler como uma pessoa retraída, de pouca conversa. Eles disseram não ter conhecimento que ele tivesse arma.

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“Houve algum problema com ele, com certeza, porque ele não tinha nada de criminoso”, disse à reportagem o primo Ricardo Barão, 40, apesar do  pouco contato com Euler ultimamente. “Desde a última vez que tive contato, anos atrás, tinha essa questão de depressão. Ele passou por tratamento médico e tudo”, afirmou.

No condomínio onde Euler morava, o acesso à imprensa é restrito. Porteiros dizem que, abalada, a família se assustou com a presença de jornalistas.

Do lado de fora, alguns vizinhos afirmaram que Euler costumava ser visto passeando com um cachorro pela rua e uma irmã dele também era vista com frequência.

O pai do atirador, Eder Grandolpho, aparentava estar debilitado após a morte da esposa, de acordo com vizinhos. Ele era frequentador assíduo da Igreja Católica. Em um post no Facebook, escreveu que era ministro de eucaristia na paróquia Santo Cura D’Ars, em Campinas, há dez anos.

Euler era pouco assíduo nas redes sociais -sua página no Facebook tem só oito amigos. Até 2014, ele trabalhou como auxiliar de promotoria no Ministério Público de São Paulo.

A escrevente Rita Franco, 46, diz que ficou surpresa ao perceber que o atirador da catedral era o Euler com quem namorou na juventude. Ela conta que ele cresceu em uma família de classe média, “bem estruturada”, no bairro fabril Swift, na zona sul de Campinas -a 5 km de Valinhos. Passou para o concorrido Cotuca, o colégio técnico da Unicamp, e depois se formou publicitário na Unip (Universidade Paulista).

À época, fazia sucesso com as mulheres, diz Rita. “Era mais encorpado, com olhos azuis, chamava a atenção. Dizíamos que era o Christopher Reeve [o ator de Super-Homem]”, afirmou à reportagem.

Ela se surpreendeu ao ver a nova fisionomia de Euler e “como está magro, devia estar passando por problemas, talvez de depressão”.

Rita disse que o único ponto fora da curva no comportamento de Euler era que ele externava ódio pela Igreja Católica. Isso porque o pai, cristão fervoroso, passava muito tempo na igreja, fazendo trabalho voluntário.

“Ele dizia que o pai ficava sendo enfiado dentro da igreja ‘ajudando pobre’, que ‘dentro de casa não varre um chão'”.

Embora demonstrasse ódio pela religião, Rita diz que nunca achou que Euler “fosse atingir essa dimensão, não sei o que aconteceu nesse meio tempo” –a última vez em que o viu foi em 2004.

Euler, segundo ela, era de opiniões fortes e seguia à risca valores conservadores. À exemplo da contrariedade do uso de drogas –chegava a cortar relações com quem mantivesse o hábito. Segundo Rita, o ex-namorado já chegou a manifestar posições racistas. “Ele dizia ‘odeio aquela negra que gosta de mim’, em relação a uma menina, morena, de cabelos cacheados”, afirma. Com informações da Folhapress.

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Polícia

Relatório sigiloso interrompe júri do caso Giovani em Primavera do Leste


Julgamento foi encerrado após apresentação de documento que não constava nos autos; nova sessão está prevista para janeiro de 2027.

O Tribunal do Júri que analisava o caso da morte de Giovani Henrique Oliveira Lopes foi interrompido na terça-feira (13), no Fórum de Primavera do Leste (MT), após a defesa apresentar um relatório sigiloso que, segundo as informações divulgadas, não constava anteriormente no processo.

 

Diante da apresentação do documento durante a sessão, a juíza responsável decidiu dissolver o Conselho de Sentença, encerrando o julgamento sem que os jurados pudessem decidir sobre a responsabilidade criminal dos acusados.

 

Um novo júri está previsto para janeiro de 2027. A data exata ainda não foi divulgada, e o conteúdo do relatório permanece sob sigilo.

 

Depoimentos foram ouvidos antes da interrupção

 

O julgamento começou na manhã de terça-feira, mais de oito anos após a morte de Giovani. Antes de a sessão ser interrompida, os jurados acompanharam depoimentos relacionados ao crime.

 

Durante o julgamento, Giovana Lopes, esposa da vítima, relatou os acontecimentos que antecederam o homicídio. Segundo seu depoimento, Giovani retornou do Encontro de Violeiros, em Poxoréu, com o nariz quebrado, após se envolver em uma briga.

 

Cerca de dez minutos depois, três homens teriam chegado à residência. A testemunha afirmou que tentou impedir a entrada deles e se colocou à frente do marido para protegê-lo.

 

Ainda conforme o relato apresentado em plenário, ela foi puxada e caiu no chão. Na sequência, Giovani foi atingido por um disparo na cabeça. O filho do casal, que tinha quatro anos na época, estava na residência.

 

Crime aconteceu em maio de 2018

 

Giovani Henrique Oliveira Lopes tinha 23 anos quando foi morto, em 1º de maio de 2018, dentro da própria residência, em Poxoréu.

 

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, o caso teria começado após uma colisão entre veículos no estacionamento do Encontro de Violeiros. O episódio teria provocado uma discussão e agressões envolvendo Giovani e o policial penal Fábio Domingos.

 

A acusação sustenta que, depois de deixar o evento e retornar para casa, Giovani teria sido seguido. Homens teriam chegado ao imóvel, se identificado como policiais e entrado na residência.

 

Segundo o Ministério Público, Fábio Domingos é apontado como autor do disparo que matou a vítima. Ele e Carlos Jesus de Oliveira respondem por homicídio qualificado.

 

Josane Francisca Dias de Souza também integra o processo, respondendo por acusação de disparo de arma de fogo relacionada à confusão ocorrida anteriormente no estacionamento da festa.

 

Patrício Francisco Dias, que também respondia pelo homicídio, morreu durante a tramitação do processo. A Justiça declarou extinta sua punibilidade.

 

Novo julgamento deve ocorrer em janeiro de 2027

 

O processo tramitava inicialmente em Poxoréu, mas a Justiça determinou que o Tribunal do Júri fosse realizado em Primavera do Leste.

 

Com a dissolução do Conselho de Sentença, será necessário convocar novos jurados para analisar o caso em outra sessão.

 

A expectativa é que o julgamento seja retomado em janeiro de 2027, quando o crime estará próximo de completar nove anos.

 

Até a realização do novo júri, não haverá veredicto do Conselho de Sentença sobre as acusações analisadas nessa sessão.

 

Antenado News — Informação e jornalismo regional.


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