Primavera do Leste / MT - Domingo, 25 de Janeiro de 2026

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Atirador de Campinas já criticou Igreja, foi galã e enfrentou depressão



Euler Fernando Grandolpho, 49, abriu fogo dentro de igreja, matou quatro pessoas e se suicidou

Um homem de família católica e que sofria havia vários anos com depressão. Assim o atirador que matou quatro pessoas e feriu outras duas a tiros antes de se suicidar em Campinas nesta terça-feira (11) é descrito por amigos e familiares.

Na juventude, Euler Fernando Grandolpho, 49, criticava a atuação do pai na Igreja Católica, mas seguia valores conservadores. Era tido pelo grupo de amigos como um “cara cabeça”, “um jovem de beleza estupenda, muito inteligente”, segundo contou à reportagem uma ex-namorada, que conviveu com ele dos anos 1980 ao início dos anos 2000.

Euler, que não trabalhava desde 2014, morava com seu pai em um condomínio de classe média em Valinhos, cidade próxima de Campinas. A mãe dele morreu anos atrás.

Nesta terça (11), a Polícia Civil apreendeu papeis, documentos, cartas e um notebook na casa. O delegado José Henrique Ventura diz que familiares descreveram Euler como uma pessoa retraída, de pouca conversa. Eles disseram não ter conhecimento que ele tivesse arma.

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“Houve algum problema com ele, com certeza, porque ele não tinha nada de criminoso”, disse à reportagem o primo Ricardo Barão, 40, apesar do  pouco contato com Euler ultimamente. “Desde a última vez que tive contato, anos atrás, tinha essa questão de depressão. Ele passou por tratamento médico e tudo”, afirmou.

No condomínio onde Euler morava, o acesso à imprensa é restrito. Porteiros dizem que, abalada, a família se assustou com a presença de jornalistas.

Do lado de fora, alguns vizinhos afirmaram que Euler costumava ser visto passeando com um cachorro pela rua e uma irmã dele também era vista com frequência.

O pai do atirador, Eder Grandolpho, aparentava estar debilitado após a morte da esposa, de acordo com vizinhos. Ele era frequentador assíduo da Igreja Católica. Em um post no Facebook, escreveu que era ministro de eucaristia na paróquia Santo Cura D’Ars, em Campinas, há dez anos.

Euler era pouco assíduo nas redes sociais -sua página no Facebook tem só oito amigos. Até 2014, ele trabalhou como auxiliar de promotoria no Ministério Público de São Paulo.

A escrevente Rita Franco, 46, diz que ficou surpresa ao perceber que o atirador da catedral era o Euler com quem namorou na juventude. Ela conta que ele cresceu em uma família de classe média, “bem estruturada”, no bairro fabril Swift, na zona sul de Campinas -a 5 km de Valinhos. Passou para o concorrido Cotuca, o colégio técnico da Unicamp, e depois se formou publicitário na Unip (Universidade Paulista).

À época, fazia sucesso com as mulheres, diz Rita. “Era mais encorpado, com olhos azuis, chamava a atenção. Dizíamos que era o Christopher Reeve [o ator de Super-Homem]”, afirmou à reportagem.

Ela se surpreendeu ao ver a nova fisionomia de Euler e “como está magro, devia estar passando por problemas, talvez de depressão”.

Rita disse que o único ponto fora da curva no comportamento de Euler era que ele externava ódio pela Igreja Católica. Isso porque o pai, cristão fervoroso, passava muito tempo na igreja, fazendo trabalho voluntário.

“Ele dizia que o pai ficava sendo enfiado dentro da igreja ‘ajudando pobre’, que ‘dentro de casa não varre um chão'”.

Embora demonstrasse ódio pela religião, Rita diz que nunca achou que Euler “fosse atingir essa dimensão, não sei o que aconteceu nesse meio tempo” –a última vez em que o viu foi em 2004.

Euler, segundo ela, era de opiniões fortes e seguia à risca valores conservadores. À exemplo da contrariedade do uso de drogas –chegava a cortar relações com quem mantivesse o hábito. Segundo Rita, o ex-namorado já chegou a manifestar posições racistas. “Ele dizia ‘odeio aquela negra que gosta de mim’, em relação a uma menina, morena, de cabelos cacheados”, afirma. Com informações da Folhapress.

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Óbito na UPA de Primavera do Leste ocorreu após internação prolongada de paciente em estado grave e sem vínculos familiares


Secretaria de Saúde confirma que paciente apresentava enfisema pulmonar, insuficiência cardíaca, DPOC e insuficiência renal aguda; relatório social aponta extrema vulnerabilidade social e recusa de contato com familiares.

UPA — Foto: Márcio Falcão/TVCA

O óbito registrado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Primavera do Leste, na madrugada do dia 13 de janeiro, envolveu um paciente de 70 anos que estava internado desde 18 de dezembro, em estado clínico considerado grave desde a admissão.

 

De acordo com o Relatório Social do Processo de Óbito, elaborado pela assistente social da unidade, o paciente Wilmar Fernandes Pereira deu entrada na UPA com diagnóstico de enfisema pulmonar grave, insuficiência cardíaca congestiva (ICC), Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) exacerbada, além de insuficiência renal aguda e edema importante em membros inferiores.

 

Durante todo o período de internação, o paciente permaneceu na unidade sem alta médica, em acompanhamento contínuo, diante da complexidade do quadro clínico.

 

A Declaração de Óbito apontou como causa principal insuficiência respiratória pulmonar associada à insuficiência cardíaca, conforme atestado pela médica plantonista responsável no momento do falecimento, registrado por volta das 2h40 da manhã.

 

Além das condições clínicas, o relatório social detalha que o paciente se encontrava em situação de isolamento social extremo, relatando histórico de vida em situação de rua e se identificando como viajante, sem residência fixa. Em diversas abordagens realizadas pela equipe de Serviço Social ao longo da internação, o paciente recusou expressamente fornecer contatos familiares ou autorizar qualquer tentativa de localização de parentes.

 

Somente após o óbito, o CREAS de Sinop, município onde havia registros antigos do paciente, informou a existência de um filho, identificado como Charles, atualmente internado em uma casa de recuperação para dependentes químicos. A ex-esposa do paciente, localizada em Cuiabá, confirmou que não mantinha contato com Wilmar há mais de 30 anos e renunciou formalmente à responsabilidade pelos procedimentos funerários, solicitando que o Município assumisse o sepultamento.

 

Diante da inexistência de familiares responsáveis, da recusa expressa da única parente localizada e da condição de extrema vulnerabilidade social, o Serviço de Atendimento Social recomendou formalmente que o Município de Primavera do Leste realizasse o sepultamento, conforme previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e nas normativas municipais para casos de indigência. Todos os registros, contatos e diligências foram anexados ao prontuário e ao processo administrativo do óbito.

 

Em áudio encaminhado à equipe, a secretária municipal de Saúde, Laura Leandra, confirmou que o paciente já apresentava um quadro clínico extremamente delicado desde a internação e que, paralelamente, a Secretaria iniciou levantamento interno após relatos informais envolvendo a equipe de enfermagem. Segundo a secretária, foram solicitadas informações técnicas e ouvidos profissionais que atuavam no plantão e, caso seja identificada qualquer irregularidade ou falha de conduta, as medidas administrativas cabíveis serão adotadas. Laura Leandra ressaltou ainda que a Secretaria não teve ciência prévia de nenhuma denúncia formal durante a internação e que, assim que tomou conhecimento de questionamentos, determinou abertura de apuração interna para análise dos fatos.

 

Apesar da ampla repercussão do caso nas redes sociais, a Secretaria Municipal de Saúde esclarece que a denúncia envolvendo uma suposta negligência por parte de uma técnica de enfermagem teve origem em matéria publicada pela imprensa local, que posteriormente passou a circular em redes sociais, não havendo, até o momento, qualquer denúncia formal registrada nos canais institucionais do Município.

 

A secretária reforça que, mesmo diante desse cenário, a equipe técnica da pasta segue realizando apuração interna detalhada para verificar se houve qualquer comportamento inadequado por parte de profissionais da unidade que, em tese, pudesse caracterizar negligência. No entanto, conforme já apontado nos relatórios clínicos e sociais que integram o processo de óbito, o paciente apresentava um quadro de saúde extremamente grave, com múltiplas comorbidades e elevado risco clínico, o que, até o momento, não indica relação direta entre o desfecho e eventual falha assistencial, sem prejuízo da continuidade das investigações administrativas para total esclarecimento dos fatos.

Fonte: NMT


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