Primavera do Leste / MT - Sábado, 21 de Fevereiro de 2026

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‘Compra de vaga na Mesa Diretora da AL é regra’, diz Silval



Em mais um trecho de sua delação “monstruosa”, o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) disparou que, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) a compra de votos na eleição de presidente e primeiro secretário é “uma regra”, pois não se recorda de uma legislatura, desde 1999 até os dias atuais, em que não tenha havido essa prática.

Silval relatou à procuradora da República Vanessa Zago que quando foi eleito deputado estadual, em 2002, para a legislatura 2003-2006, a maioria dos deputados estavam endividados por causa da campanha. Segundo ele, “era costumeiro na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso os recebimentos de vantagens indevidas por parte dos deputados estaduais, sendo que as propinas eram percebidas pela Mesa Diretora”.

Conforme o delator, os membros da mesa diretora responsáveis por tais recebimentos eram o presidente e o primeiro secretário, que por sua vez, se incumbiam de repassar as propinas aos demais deputados, em troca de apoio na eleição da mesa diretora.

Em sua delação, Silval Barbosa foi além e disse que não se recorda de nenhuma eleição de composição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa desde 1999 até os dias atuais “que não tenha sido realizada mediante o pagamento de propinas”.

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Com o recebimento da propina em troca de voto nos candidatos à Mesa Diretora, os deputados pagavam suas dívidas de campanha. Silval ressaltou ainda que a compra dos cargos de presidente e primeiro secretário da AL era uma regra naquela Casa.

No caso da eleição realizada em 2003, o pleito foi por maioria simples após discussão entre os parlamentares, que elegeram José Riva como presidente e Silval Barbosa como primeiro secretário. Ele se recorda que para obter apoio na eleição foi pago em média R$ 150 mil para cada deputado.

Silval Barbosa diz que tem certeza que receberam tais valores os então deputados: Campos Neto, Carlos Brito, Chico Daltro, Dilceu Dal Bosco, Eliene Lima, Hermínio Barreto, João Malheiros, Mauro Savi, Pedro Satélite, Sebastião Rezende, Sérgio Ricardo, Joaquim Sucena, Carlão, Alencar Soares e José Carlos de Freitas.

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Ainda na delação, Silval explica que para efetuar os pagamentos das propinas, se reuniu com José Riva e com o operador financeiro Valcir Piran (já falecido), conhecido como Kuki, na factoring deste, localizada no bairro Santa Rosa, e realizaram um empréstimo de aproximadamente R$ 2 milhões.

Conforme o ex-governador e ex-deputado, Valcir Piran sabia que o empréstimo seria pago com dinheiro oriundo de desvios feitos na Assembleia Legislativa, uma vez que recebia em cheques de empresas que pretavam serviços ou eram fornecedoras da ALMT.

Silval Barbosa afirma que as propinas de tais empresas giravam em torno de 15% a 25% do valor do contrato. E que propinas mais altas eram obtidas junto a empresas do ramo de construção, que realizavam serviços de obras para a AL e que pagavam em torno de 30% a 50% de propina, após os descontos e tributos.

Outro lado – Ao Gazeta Digital, a assessoria de imprensa do atual presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (PSB), informou que ele está de licença até esta terça-feira (5), quando voltará para Cuiabá, se reunirá com os demais parlamentares para discutir sobre a delação de Silval Barbosa e se manifestará por meio de uma coletiva de imprensa.

Gazeta Digital



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Hospitais São Lucas e Das Clínicas enviam notificação à Secretária de Saúde, podendo interromper atendimento ao SUS


Os hospitais lamentam a falta de ajuste no contrato e ameaçam suspender o atendimento aos pacientes do SUS encaminhados pela UPA.


No dia 13 de fevereiro de 2026, a direção dos Hospitais São Lucas e das Clínicas de Primavera do Leste enviou uma notificação formal à Secretária Municipal de Saúde, Laura Leandra, alertando sobre a ausência de um reajuste no contrato, o que comprometeria a continuidade dos serviços prestados. O documento destaca que, após sucessivas prorrogações contratuais sem o ajuste necessário, a situação financeira dos hospitais se tornou insustentável, podendo até resultar na interrupção dos atendimentos aos pacientes do SUS.

 

O texto revela que o contrato atual, com término previsto para 28 de fevereiro de 2026, já foi prorrogado anteriormente e que, até a data mencionada, não foi apresentado um novo contrato ou proposta formal por parte da Secretaria Municipal de Saúde. Em resposta, os hospitais afirmaram que não aceitarão a celebração de um novo termo aditivo nas condições atuais.

 

A medida de não continuar com o contrato atual está relacionada ao descumprimento das condições financeiras necessárias para a manutenção da qualidade no atendimento. A partir de março de 2026, os serviços poderão ser prestados sob novas condições, que envolvem a assinatura de um novo contrato com valores atualizados ou a aplicação de um reajuste provisório de 20% sobre os valores vigentes, até a formalização de um novo acordo.

 

Os hospitais registraram que, caso haja interrupção no serviço após o término da vigência contratual, essa responsabilidade não será imputada aos hospitais, mas sim à Secretaria Municipal de Saúde, que não tomou as medidas administrativas necessárias para resolver a questão de forma tempestiva.

 

A Secretaria Municipal de Saúde ainda não se manifestou oficialmente sobre a situação, mas a expectativa é que um novo ajuste contratual seja negociado o quanto antes para garantir a continuidade dos serviços essenciais à população.


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