Primavera do Leste / MT - Domingo, 01 de Novembro de 2026

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MP denúncia fraude na recuperação judicial dos supermercados São João e Santo Antônio de Primavera do Leste



Segundo as investigações do Ministério Público de Primavera do Leste, nos anos de 2013 até  março de 2016, os denunciados Estaniel Pascoal Alves da Silva, E. C. S, Jorge Moreira de oliveira, Jean Ricardo Campos da Silva e Jaime Simão Carneiro, organizaram-se criminosamente, com divisão de tarefas, com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem financeira e patrimonial, mediante a prática de atos fraudulentos que resultaram em prejuízo aos credores de processo de recuperação judicial, dos Supermercados São João e Santo Antônio, assegurando vantagem para si e para outrem.

De acordo com o MP, para burlar o sistema recuperacional, os denunciados, Estaniel, E., Jorge e Jaime, fizeram uso de uma terceira pessoa jurídica, sendo, DIST. DE ALIMENTOS PRIMA QUALI LTDA (Atacado Guaíra), a qual estaria instalada ao lado do Supermercado São João Ltda. A empresa foi constituída pelo sócio administrador, Estaniel Pascoal, em nome de sua filha, em 03/10/2012, com arquivamento em 15/10/2012 e, posteriormente, houve a alteração do quadro societário, tendo como sócios o denunciado, Jorge Moreira de Oliveira, sendo gerente do supermercado São João, e sua ex-funcionária, Jhoiciane.

No entanto, o atacado Guaíra, utilizou-se do prédio pertencente à empresa recuperanda, sem qualquer contrato de locação, demonstrando vinculação entre ambos, sendo todos os funcionários da empresa conhecidas do administrador, mas na verdade exerciam suas funções no Supermercado São João. Foi constatado ainda que havia máquinas de cartões de crédito e débito instaladas dentro do Supermercado São João, mas que estavam registradas em nome da PRIMA QUALI e, portanto, os recursos financeiros foram destinados a uma conta da empresa PRIMA QUALI (Atacado Guaíra).

Destaca-se, que a empresa Atacado Guaíra (DIST.DE ALIMENTOS PRIMA QUALI LTDA – EPP), está instalada em anexo ao Supermercado São João, sendo uma porta na lateral do referido estabelecimento, não havendo nela instalação de balcões de atendimento ao público, nem de refrigeração, para venda de frutas e verduras e carnes e frios, sendo que apenas servia de estoque de mercadorias do supermercado São João.

Verifica-se no procedimento investigatório, após a quebra dos sigilos bancários e fiscais que os denunciados fazendo uso da empresa (Atacado Guaíra), que serviu para movimentar paralelamente os recursos das recuperandas, ocasionou fraude aos credores através das transferências de valores, possibilitando os denunciados Estaniel Pascoal e E. C. S, manterem o padrão de vida de modo incompatível, despesas pessoais e viagens ao exterior, bancando uma vida não condizente com o estado recuperacional, escondendo dos credores a real possibilidade da empresa pagar suas dívidas, de tal forma que foi movimentado, no período investigado, na conta existente no SICOOB em nome do Atacado Guaíra, a quantia de aproximadamente 5,5 milhões e quinhentos mil reais, com diversos saques em dinheiro, fraudando, não somente seus credores, mas também o fisco.

Durante as investigações ficou caracterizado que a empresa Atacado Guaíra não exercia o comércio regularmente, no varejo e, no entanto, existem diversos cheques emitidos em nome de fornecedores de carnes, verduras, como se vê dos cheques adiante, com anotações nos versos revelando ligações com o Supermercado São João (E.P.A. DA SILVA E CIA. LTDA.) e também Supermercado Santo Antônio, ambas empresas recuperandas, fatos estes que foram comprovados pelas testemunhas ouvidas pela Promotoria de Justiça.

Constatou-se, como apontado, que para desviar o fluxo das rendas obtidas com a venda de mercadorias, tanto do Supermercado Santo Antônio, como do Supermercado São João, o denunciado Estaniel Pascoal fez instalar nas duas empresas máquinas de cartões para pagamentos em débito e crédito que eram creditadas nas contas da empresa PRIMA QUALI e, assim, a partir daí, o mesmo utilizava-se, ora para adquirir mercadorias e serviços para suas empresas e não registrá-los em sua contabilidade e fraudar os credores, ora para benefício próprio e de sua esposa, com viagens ao exterior, aquisição de bens de consumo pessoal, sem passar, portanto, pelo registro de retiradas dos sócios, de modo a demonstrar transparência à recuperação, repassando também parte do montante anunciado a Jean Ricardo, irmão de Érica.

Havia, portanto, propósito claro de burlar o sistema, desviar recursos, manter a credibilidade do estabelecimento comercial através de terceiras empresas, com fraude aos credores, constituição de contabilidade paralela e omissão e falsidade de dados, fatos todos caracterizadores de graves crimes contra a recuperação judicial, em desfavor dos credores, da função social da empresa, além de prática de sonegação fiscal.

COMERCIALIZAÇÃO

Constata-se, que além dos atos fraudulentos, os denunciados, em comum acordo e prévio ajuste, prestaram informações falsas no processo de recuperação judicial, induzindo em erro os credores, Juiz e Ministério Público, consistente em declarar a venda do Supermercado Santo Antônio pelo valor de R$ 900.000,00, sendo que foi vendido pelo valor real de R$ 1.800.000,00.

A empresa avaliadora atribuiu os seguintes valores à Relação de Imóveis Urbanos do Supermercado Santo Antônio Ltda., sendo que o administrador judicial na proposta não apresentou qualquer avaliação atualizada:

Valor do Ponto Comercial: Com grande apreço e circulação de grande contigente de consumidores nas circunvizinhanças, esse empreendimento é considerado 3º campeão de vendas, visto que atende as necessidades da população, por isto, seu valor ponto comercial é de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais).

Valor da Marca Empresarial: Quanto da necessidade de um interessado em adquirir este ponto e/ou marca empresarial, sugestiona-se à continuidade dos negócios aqui oferecidos. Assim, faz-se jus estimar-nos o valor da marca empresarial R$ 1.800.000,00 (um milhão e oitocentos mil reais).

Valor encontrado nas máquinas e equipamentos: R$ 2.244.000,00 (dois milhões duzentos e quarenta e quatro mil reais). Diante de todos estes fatos e fraudes, por diversas vezes empresas credoras do plano peticionaram buscando a convolação da recuperação judicial em falência, tendo em vista o descumprimento das obrigações assumidas no plano recuperacional, inclusive o Ministério Público, resultando, por conseguinte, na decretação da falência das empresas, com prejuízos a diversos credores e, também, ao fisco.

Com informações Ministério Público



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Opinião - política

AMM, TCE e prefeituras: relação entre Leonardo Bortolin e Sérgio Ricardo entra no radar após operação da PF


Parceria institucional, agendas conjuntas, encontros com prefeitos e articulação de compras públicas levantam questionamentos sobre a interlocução entre a Associação Mato-grossense dos Municípios e o Tribunal de Contas de Mato Grosso.

Foto internet.

 

A prisão do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro de 2026, trouxe novos questionamentos sobre as relações institucionais mantidas pelo Tribunal com lideranças políticas e administrações municipais do estado.

Entre os nomes que aparecem nesse histórico está o de Leonardo Tadeu Bortolin, conhecido como Léo Bortolin, ex-prefeito de Primavera do Leste, ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e atualmente deputado estadual eleito.

Durante sua passagem pela presidência da AMM, Bortolin manteve uma relação institucional próxima com Sérgio Ricardo. A aproximação está registrada em publicações oficiais das próprias instituições, com reuniões, eventos e projetos desenvolvidos conjuntamente.

A reportagem busca compreender como funcionava essa articulação, quem fazia a interlocução entre o Tribunal e as prefeituras e quais resultados concretos foram produzidos pelas parcerias.

A aproximação começou em janeiro de 2024

Em 9 de janeiro de 2024, Sérgio Ricardo esteve na sede da Associação Mato-grossense dos Municípios, onde foi recebido pelo então presidente Leonardo Bortolin.

Na ocasião, os dois defenderam o fortalecimento da parceria entre AMM e TCE-MT, com propostas de orientação técnica, capacitação de servidores e elaboração de projetos voltados aos 142 municípios mato-grossenses.

O próprio Tribunal de Contas destacou a importância da aproximação com a associação para atuar conjuntamente no desenvolvimento estadual.

A reunião marcou o início de uma série de agendas institucionais entre as duas entidades.

Eventos, encontros e presença nos municípios

Em fevereiro de 2025, AMM e TCE-MT promoveram conjuntamente o Encontro Mato-Grossense de Municípios, em Cuiabá.

O evento reuniu prefeitos, vereadores, secretários, gestores públicos e representantes políticos. Segundo publicação assinada por Leonardo Bortolin na página oficial da AMM, mais de 2.300 pessoas passaram pelo encontro nos dois dias de programação.

Na publicação, Bortolin agradeceu expressamente a parceria com o presidente do Tribunal, Sérgio Ricardo.

Outro ponto que merece atenção é a atuação da AMM Itinerante. Em 2025, o programa percorreu quatro regiões de Mato Grosso e atendeu 55 municípios, aproximando a associação das administrações locais.

A reportagem pretende levantar quais dessas agendas tiveram participação direta ou indireta do Tribunal de Contas e identificar os representantes que conduziram essas articulações.

O consórcio de compras públicas e a participação de 67 municípios

Um dos pontos que merece aprofundamento é a criação do Consórcio Interfederativo de Compras Públicas de Mato Grosso (CINCOP-MT).

A iniciativa surgiu de uma articulação institucional envolvendo a AMM e o Tribunal de Contas, com participação de outros órgãos públicos.

A proposta foi desenvolver um modelo de compras compartilhadas para as prefeituras, permitindo a realização de processos licitatórios conjuntos.

Informações institucionais do próprio consórcio apontam que a entidade chegou a reunir 67 municípios. A equipe jurídica da AMM participou da estruturação do consórcio, incluindo a elaboração do protocolo de intenções e do estatuto.

O assunto merece atenção porque envolve compras públicas, licitações, fornecedores e utilização de atas de registro de preços por administrações municipais.

A reportagem pretende levantar:

– Quais municípios aderiram ao consórcio?
– Quais atas de registro de preços foram utilizadas?
– Quais empresas participaram e venceram os processos?
– Quais valores foram contratados e efetivamente pagos?
– Houve concentração de fornecedores?
– Como ocorreu a participação institucional da AMM e do TCE-MT?

É importante destacar que a existência do consórcio e das parcerias institucionais não representa, por si só, qualquer irregularidade.

O objetivo é verificar documentalmente como essas relações funcionaram e se todos os procedimentos seguiram as exigências legais.

A articulação municipal e o resultado eleitoral

A trajetória de Leonardo Bortolin também foi marcada por uma forte presença no cenário municipalista.

Durante sua gestão, a AMM informou ter ampliado sua atuação junto às prefeituras e alcançado a adesão dos municípios mato-grossenses à entidade.

Em 2026, Bortolin foi eleito deputado estadual com 51.040 votos, tendo recebido votação em 140 dos 142 municípios de Mato Grosso.

Primavera do Leste concentrou 21.948 votos, enquanto Paranatinga registrou 3.564 votos.

Esses números demonstram a abrangência territorial de sua votação, mas não significam que todos esses municípios tenham participado de articulações institucionais ou políticas com a AMM e o TCE-MT.

A reportagem busca identificar como se construiu essa presença municipalista e quais lideranças participaram das articulações durante sua gestão.

Operação Tomada de Contas: o que está sendo investigado?

A Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas em 29 de outubro de 2026, com o objetivo de investigar possíveis irregularidades na gestão de contratos administrativos e na realização de pagamentos a servidores do Tribunal de Contas.

Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além de medidas de afastamento de sigilos e sequestro de bens, autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça.

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura indícios de utilização da suspensão de contratos administrativos como mecanismo de pressão sobre fornecedores, tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos, divergências em pagamentos a empresas e movimentações financeiras atípicas.

Os fatos podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A operação colocou sob atenção pública a estrutura administrativa do Tribunal e as relações mantidas por seus integrantes.

Até o momento, a comunicação oficial da Polícia Federal consultada pela reportagem não aponta Leonardo Bortolin como investigado na operação.

Quem fazia a interlocução entre o Tribunal e as prefeituras?

Diante da relação institucional documentada entre Leonardo Bortolin e Sérgio Ricardo, algumas perguntas precisam ser esclarecidas.

Quem conduzia a interlocução entre o Tribunal de Contas e as prefeituras durante a gestão de Bortolin na AMM?

Quais lideranças acompanhavam Sérgio Ricardo nas agendas realizadas nos municípios?

Quais projetos foram desenvolvidos conjuntamente e quais resultados financeiros e administrativos produziram?

Existiram articulações específicas envolvendo atas de registro de preços, fornecedores e contratos municipais?

Há registros de reuniões, documentos ou comunicações que possam esclarecer como essas parcerias eram conduzidas?

São questões de interesse público que merecem respostas, especialmente diante da investigação em andamento.

Reportagem acompanhará novos desdobramentos da Polícia Federal

A investigação jornalística não se encerra com esta publicação.

A reportagem acompanhará os próximos passos da Operação Tomada de Contas e buscará novas informações sobre eventuais nomes de agentes públicos, lideranças políticas, empresários e representantes de administrações municipais que possam aparecer em documentos, decisões judiciais ou manifestações oficiais relacionadas à operação.

Também serão levantados contratos, atas de registro de preços, processos licitatórios, agendas institucionais e possíveis relações administrativas entre os envolvidos.

Caso novos nomes sejam mencionados oficialmente no decorrer das investigações, a reportagem buscará esclarecer a participação de cada pessoa citada, sem antecipar conclusões ou atribuir responsabilidades antes da apresentação de elementos concretos.

Espaço aberto para manifestação

A reportagem deixa aberto o espaço para manifestação do deputado estadual eleito Leonardo Bortolin, do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, da AMM e de todas as pessoas e instituições mencionadas.

Leonardo Bortolin será questionado sobre sua relação institucional com Sérgio Ricardo, as agendas conjuntas, a articulação com prefeitos e sua participação nos projetos desenvolvidos durante sua gestão na AMM.

É importante ressaltar que a proximidade institucional, a participação em reuniões e a construção de parcerias entre órgãos públicos não representam, isoladamente, prova de envolvimento em práticas criminosas.

Não há, nesta reportagem, afirmação de que Leonardo Bortolin tenha participado dos fatos investigados pela Polícia Federal.

O compromisso é acompanhar os acontecimentos, buscar documentos, ouvir os envolvidos e levar informações verificadas à população.

Quando relações institucionais envolvem órgãos de controle, prefeituras e recursos públicos, a transparência precisa estar acima de qualquer interesse político. A população tem o direito de saber como essas relações foram construídas e quais resultados produziram.

A investigação jornalística continua. Novas informações poderão ser publicadas conforme os desdobramentos oficiais da operação.

Fontes para conferência e documentação

Polícia Federal — comunicado oficial da Operação Tomada de Contas⁠.

TCE-MT/AMM — reunião de Sérgio Ricardo com Leonardo Bortolin em janeiro de 2024⁠.

AMM — Encontro Mato-Grossense de Municípios de 2025⁠.

CINCOP — informações sobre os 67 municípios integrantes⁠.

AMM — manifestação sobre a reeleição de Sérgio Ricardo⁠.

Congresso em Foco — resultado eleitoral de Leonardo Bortolin em 2026⁠.

 


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