Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 27 de Agosto de 2026

HOME / NOTÍCIAS

Região

Prefeito Roberto Farias tem mandato cassado por doar terreno a empresário



O juiz da 1ª Vara Cível de Barra do Garças (509 Km de Cuiabá), Carlos Augusto Ferrari, condenou o prefeito do município, Roberto Farias (MDB), à perda do mandato por improbidade administrativa. O motivo foi a doação de um terreno público a um empresário da cidade, no ano de 2013.

O magistrado  determinou ainda a suspensão dos direitos políticos de Roberto Farias pelo prazo de 8 anos. Outras 15 pessoas, entre vereadores, ex-vereadores e o empresário beneficiado pela doação, também foram condenadas. A decisão, proferida no dia 1º de agosto, foi publicada nesta quarta-feira (22) no Diário Eletrônico da Justiça.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado, Roberto Farias encaminhou projeto de lei à Câmara de Vereadores com a finalidade de obter autorização para efetuar doação de imóveis à empresa A. Sandro de Azevedo e CIA Ltda, atuante no ramo de reformas, mecânica e manutenção de máquinas agrícolas.

O objetivo era que a empresa beneficiária do terreno supostamente expandisse seus negócios, de modo a gerar empregos para a população, segundo a denúncia. No entanto, o projeto previa a doação de 2 lotes de uma área de 5,4 mil metros quadrados “sem qualquer critério de escolha, seja quanto à localização ou destinação industrial a ser desenvolvida pela beneficiária”, segundo o MPE.

O projeto foi aprovado pelos vereadores em setembro de 2013. “Sem demonstração de interesse público, sem procedimento licitatório, sem critérios objetivos, ferindo a impessoalidade e isonomia que devem orientar a Administração”, dizia a denúncia.

Para o MPE, a conduta demonstra tentativa de enriquecimento ilícito e dano ao patrimônio Público por parte dos envolvidos. Por essa razão, requereu a nulidade da doação, a condenação do prefeito e envolvidos, bem como a declaração de inconstitucionalidade da Lei Municipal n.º 3.463/2013, que autorizou a doação dos bens públicos.

Ao analisar o caso, o juiz Carlos Augusto Ferrari reconheceu que a doação não tinha qualquer estudo de viabilidade econômica do empreendimento, seja por parte da prefeitura, seja pela empresa beneficiada.

“Ora, não existe processo industrial sem água e energia elétrica, o que confirma a vontade consciente dos demandados em transferir patrimônio público a pessoas, particularmente escolhidas sem qualquer critério publicado, sendo intuitivo que o patrimônio público não pode ser distribuído pelo governante do momento, ainda que pseudo autorizado por lei”, alegou o magistrado.

Ainda segundo o juiz, o prefeito deliberadamente distribuiu os imóveis “ao sabor da sua vontade pessoal” a uma empresa que nada realizou para ser contemplada com tal benfeitoria, bem como teve a colaboração formal dos vereadores, que foram ausentes na fiscalização do bem público.

“Toda a atividade levada a efeito pela máxima autoridade do município, com a reverência de quem devia lhe fiscalizar, bem como do particular que ganhou um imóvel de mais de cinco mil metros quadrados, lesou a cidade, fazendo caridade a quem talvez não precisasse e com chapéu alheio”, disse.

Por essa razão, o magistrado determinou a perda da função pública de Roberto Farias e o respectivo cargo de prefeito, bem como suspendeu seus direitos políticos e determinou o ressarcimento dos danos causados ao Município, além do pagamento de multa civil no valor de 50 vezes o salário de prefeito.

Também foram condenados a pagar multa e ressarcimento os ex-vereadores Ailton Alves Teixeira, José Maria Alves Filho, Maria José de Carvalho, Odorico Fereira Cardoso Neto, Paulo Sérgio da Silva, Reinaldo Silva Correia, Valdemir Benedito Barbosa e Welinton Andrade da Silva.

Foram condenados ainda os atuais vereadores Celson José da Silva Sousa, Geralmino Alves  Neto, João Rodrigues de Souza, Paulo César Aguiar, Valdei Leite Guimarães e Júlio César dos Santos. Já a empresa A. Sandro de Azevedo foi condenada à perda dos imóveis e pagamento de multa no valor de R$ 56 mil.

Gazeta Digital



COMENTÁRIOS

0 Comentários

Deixe o seu comentário!





*

HOME / NOTÍCIAS

Polícia

Polícia Civil prende quatro suspeitos de planejar ataques contra agentes de segurança em Primavera do Leste


A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (26), a Operação Cerberus, com o objetivo de interromper uma suposta articulação criminosa que estaria planejando ataques contra policiais e outros integrantes das forças de segurança em Primavera do Leste.

 

A ação foi coordenada pela Delegacia de Homicídios e Delitos Gerais do município e contou com o cumprimento de oito mandados judiciais: quatro de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão.

 

Segundo as investigações, os suspeitos estariam envolvidos na preparação de possíveis ações violentas contra agentes públicos, que poderiam estar relacionadas a uma tentativa de retaliação às operações de combate ao crime organizado realizadas na região.

 

Investigação identificou divisão de tarefas

 

As informações reunidas pelos investigadores apontam para uma possível organização com funções distribuídas entre os envolvidos. Entre as atividades investigadas estão articulação, financiamento, busca por armamentos e preparação operacional.

 

A Polícia Civil também identificou reuniões e tratativas que teriam relação com a preparação de possíveis ataques. Movimentações recentes, procura por armas e disponibilidade de recursos financeiros teriam aumentado a preocupação das autoridades.

 

Justiça determina prisão de quatro investigados

 

A Justiça determinou a prisão preventiva de quatro pessoas investigadas. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Primavera do Leste.

 

Também foram autorizadas buscas em quatro imóveis ligados aos investigados. Durante as diligências, os policiais procuram celulares, computadores, documentos, valores e outros materiais que possam auxiliar no esclarecimento dos fatos.

 

Material apreendido será analisado

 

Os equipamentos e documentos eventualmente apreendidos deverão passar por análise. O objetivo é identificar novas informações sobre contatos, conversas, movimentações financeiras, possível aquisição de armas e eventual participação de outras pessoas.

 

A investigação considera ainda a possibilidade de que a articulação tenha sido motivada por uma tentativa de retaliação contra as forças de segurança, após ações realizadas contra integrantes do Comando Vermelho.

 

Operação busca impedir possíveis ataques

 

Para a Polícia Civil, a deflagração da operação ocorreu diante de indícios de que a articulação estaria avançando e poderia resultar em ações contra agentes de segurança.

 

De acordo com o delegado Eric Martins, a operação é resultado do trabalho investigativo da Delegacia de Homicídios e Delitos Gerais de Primavera do Leste, com apoio de informações produzidas por órgãos de inteligência das forças de segurança.

 

Com o cumprimento dos mandados, a investigação deverá prosseguir para esclarecer a participação individual dos suspeitos, a origem dos recursos, a possível obtenção de armamentos e a dinâmica das reuniões.

 

As investigações continuam em andamento.


Antenado News