Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 21 de Maio de 2026

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Savi e Botelho são citados como beneficiários de propina no Detran



O esquema de corrupção sistêmica na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) atingiu diversos setores, incluindo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o que foi revelado tanto por Silval quanto pelo seu irmão Antônio da Cunha Barbosa e seu assessor Sílvio Cézar Corrêa Araújo.

Conforme o ex-governador, havia um acordo político desde o governo de Blairo Maggi (PP) em que a indicação para o comando do Detran era efetuada pelo então partido deste, o Partido Republicano (PR), através do deputado estadual Mauro Savi, que naquela época também era republicano.

Antônio Barbosa, irmão de Silval Barbosa (Foto Arthur Passos)

Já o empresário Antônio Barbosa, mesmo não tendo qualquer relação oficial com o setor público, fez delação a pedido do irmão Silval e contou ao Ministério Público Federal (MPF) que no ano de 2011 foi procurado em seu escritório por um servidor do alto escalão da Casa Civil que lhe contou sobre a existência de um esquema de retorno ilícito de valores relacionado à empresa que gerenciava o sistema de lacres do Detran.

O servidor teria contado a Toninho que o deputado Mauro Savi utilizava uma empresa de consultoria para receber os tais “retornos”. O funcionário público também teria dito que Savi a todo momento dizia que repassava parte da propina para Silval Barbosa deixando claro que se os repasses não fossem feitos a ele, poderiam ser entregues diretamente ao então governador.

Diante da informação, Antônio Barbosa afirma ter indagado seu irmão sobre o suposto fato e Silval negou que estivesse recebendo qualquer valor de Savi. Segundo Toninho, Silval determinou a ele que passasse a receber os valores oferecidos e encaminhasse a parte que cabia a Mauro Savi.

O irmão do ex-governador relatou que chegou a receber dois ou três repasses em dinheiro, que totalizaram aproximadamente R$ 210 mil. Depois de um tempo, Toninho diz ter sido procurado por um dos sócios da empresa responsável pelo lacre veicular e que daí em diante passou a receber os valores indevidos diretamente de um representante da empresa, sempre em espécie. Tais repasses giravam em torno de R$ 400 mil a R$ 500 mil, dos quais a metade era repassada por Toninho diretamente a Mauro Savi.

Empresa FDL

Outro esquema no Detran relatado por Antônio Barbosa foi em relação à empresa FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos Ltda, que prestava serviço de gravame à autarquia. Segundo o delator, em meados de 2010, um representante do então deputado federal Pedro Henry lhe procurou em seu escritório perguntado se tinha conhecimento sobre a propina da FDL.

JL Siqueira/Maurício Barbant

Os deputados Mauro Savi e Eduardo Botelho teriam recebido propina em esquemas no Detran

Posteriormente, Antônio teria se reunido pessoalmente com Pedro Henry, que teria lhe explicado detalhes de como funcionaria o esquema, caso ele aceitasse. O parlamentar teria dito que a empresa era de Brasília, mas repassava a propina através de uma empresa em Cuiabá, por meio de “laranjas” dos políticos beneficiados. Dentre estes, estariam os deputados estaduais Mauro Savi e Eduardo Botelho (PSB), além dele próprio.

Toninho relatou que aceitou fazer parte do esquema e que, logo no primeiro mês, recebeu R$ 100 mil, o que se repetiu no mês seguinte, quando ele indicou outra pessoa para receber os valores em nome de Silval.

A partir daí, os valores teria sido reduzidos para R$ 80 mil mensais, dinheiro que, conforme o Gazeta Digital já havia adiantado, Silval Barbosa afirma ter utilizado par pagar uma fazenda que comprou do presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Antônio Joaquim, em outro esquema de corrupção.
Sílvio Corrêa relata outro esquema

O ex-chefe de gabinete de governo Sílvio Cézar Corrêa Araújo, que também é delator, relatou que em certa ocasião foi procurado por um servidor chamado Ailton, que trabalhava em seu gabinete, que lhe contou sobre um contrato de placas de trânsito que estava em trâmite no Detran, visando agilizar o processo.

Diante disso, Sílvio afirma ter feito um ofício para o Detran pedindo que fosse dado andamento ao procedimento. Em troca do apoio, ele diz que houve propina entre R$ 800 mil a R$ 1 milhão por parte da empresa cujo nome o delator não se recorda.

O ex-chefe de gabinete contou que o valor da propina foi dividido em 60% para ele e 40% para o servidor que lhe contou sobre o interesse da empresa. De sua parte, Sílvio afirma que ficou com aproximadamente R$ 300 mil e o restante do dinheiro usou para pagar fazer pagamentos a deputados estaduais.

Além disso, Sílvio também contou que, em 2010, a mando de Silval Barbosa, recebeu R$ 400 mil do então presidente do Detran Teodoro Moreira Lopes, mais conhecido como Doia, para a campanha eleitoral do então governador. O dinheiro, segundo o delator, foi entregue ao então coordenador financeiro do comitê César Zílio, que posteriormente se tornou secretário de Estado de Administração.

 

Outro lado

Por meio de nota, o deputado estadual Mauro Savi (PSB) disse que não está na lista de investigados da Procuradoria Geral da República (PGR) e que a delação em que foi citado não conta com nenhuma prova. Além disso, afirma estar à disposição da Justiça para esclarecimentos.

Gazeta Digital tentou contato com o deputado estadual Eduardo Botelho, mas a assessoria de imprensa dele informou que ele se encontra em licença de 5 dias. A reportagem não conseguiu o contato do ex-deputado Pedro Henry.

Veja a nota de Mauro Savi na íntegra:

O deputado estadual Mauro Savi esclarece que não está na lista de investigados do procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, sobre possíveis casos de corrupção em Mato Grosso, denunciadas a partir das declarações do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

O parlamentar lembra que a citação quanto a seu nome não possui nenhuma prova, tratando de informações prestadas em termo de colaboração premiada.

O deputado se coloca a disposição da justiça para qualquer esclarecimento. 

Gazeta Digital



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Polícia - política

Prefeito é preso em Brasília na marcha dos prefeitos


Prefeito de Piçarras é investigado pelo MP em denúncia de corrupção em obra pública

Prefeito de Balneário Piçarras foi preso em Brasília nesta terça, durante operação do Gaeco (foto: Divulgação MPSC)

O prefeito de Balneário Piçarras, Tiago Baltt (MDB), foi preso por volta das 6h de terça-feira, em Brasília, onde participava da 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. O evento começou na segunda e segue até quinta, reunindo prefeitos de todo o país. Organizada pela Confederação Nacional de Municípios, a programação acontece no Centro Internacional de Convenções do Brasil, na capital federal. Baltt foi detido no hotel, antes de seguir pro segundo dia do encontro.

A prisão faz parte da Operação Regalo, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). O ex-prefeito de São João Batista, Pedro Alfredo Ramos (MDB), o Pedroca, também é investigado no esquema, mas não foi preso.

As investigações começaram em 2024 e são conduzidas pelo Grupo Especial Anticorrupção (Geac) de Itajaí. Os procedimentos apuram crimes funcionais praticados por prefeitos e outros agentes públicos.

Segundo o Ministério Público, esta fase da investigação quer aprofundar a coleta de provas sobre contratos de obras e urbanização da orla norte de Piçarras, além de outros contratos firmados no município e em São João Batista.

A suspeita é de atuação conjunta entre grupo político e grupo empresarial em um esquema estruturado de corrupção, com divisão de tarefas entre núcleo empresarial e político-administrativo. Conforme a investigação, havia pagamento de propina equivalente a 3% dos contratos públicos ligados à prefeitura de Piçarras e valores variados em contratos de São João Batista.

Só em Piçarras, as vantagens indevidas obtidas pelos investigados com pagamento de propina chegam a cerca de R$ 485,9 mil, valor que, segundo o MP, teria sido bancado pelos cofres públicos. As investigações também apontam indícios de que integrantes da organização criminosa continuavam agindo de forma “ardilosa e sorrateira”, com pagamento de propinas custeadas por meio de suposto superfaturamento de obras públicas em municípios do litoral norte catarinense.

Atendendo pedido do Ministério Público, a Justiça determinou o sequestro dos valores apontados como propina. Segundo os investigadores, os recursos pagos pelo núcleo empresarial ao núcleo político têm origem ilícita e deverão ser devolvidos aos cofres públicos.

Foram cumpridas seis ordens de prisão preventiva e 37 mandados de busca e apreensão em casas, empresas e órgãos públicos de Timbó, Biguaçu, Balneário Piçarras, São João Batista, Tijucas, Indaial, Itapema, Itajaí, Porto Belo, Bombinhas e Colíder, no Mato Grosso.

Além do prefeito, empresários suspeitos de manter as práticas ilícitas também foram presos preventivamente. Houve ainda cumprimento de mandados contra servidores, ex-servidores e agentes políticos investigados. Os materiais apreendidos durante as diligências serão analisados pelo Geac com apoio do Gaeco. O objetivo é identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a possível rede criminosa.

Em nota, a Prefeitura de Piçarras informou que as equipes técnicas da administração municipal acompanharam a coleta de documentos de investigação do MP. “Administração Municipal adotou uma postura de total colaboração com a operação e com os órgãos responsáveis pela investigação”, informou a prefeitura.

No fim desta tarde, o vice-prefeito Fabiano José Alves (UB) tomou posse como prefeito em exercício, no lugar de Baltt.

Operação Regalo

Segundo o Gaeco, o nome da operação faz referência ao termo “regalo”, que significa mimo, presente ou agrado. No contexto da investigação, a palavra foi usada para identificar as propinas ajustadas entre empresários e agentes políticos.

Fonte: Dioarinho Franciele Marcon


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