Primavera do Leste / MT - Sexta-Feira, 23 de Outubro de 2026

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Savi e Botelho são citados como beneficiários de propina no Detran



O esquema de corrupção sistêmica na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) atingiu diversos setores, incluindo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o que foi revelado tanto por Silval quanto pelo seu irmão Antônio da Cunha Barbosa e seu assessor Sílvio Cézar Corrêa Araújo.

Conforme o ex-governador, havia um acordo político desde o governo de Blairo Maggi (PP) em que a indicação para o comando do Detran era efetuada pelo então partido deste, o Partido Republicano (PR), através do deputado estadual Mauro Savi, que naquela época também era republicano.

Antônio Barbosa, irmão de Silval Barbosa (Foto Arthur Passos)

Já o empresário Antônio Barbosa, mesmo não tendo qualquer relação oficial com o setor público, fez delação a pedido do irmão Silval e contou ao Ministério Público Federal (MPF) que no ano de 2011 foi procurado em seu escritório por um servidor do alto escalão da Casa Civil que lhe contou sobre a existência de um esquema de retorno ilícito de valores relacionado à empresa que gerenciava o sistema de lacres do Detran.

O servidor teria contado a Toninho que o deputado Mauro Savi utilizava uma empresa de consultoria para receber os tais “retornos”. O funcionário público também teria dito que Savi a todo momento dizia que repassava parte da propina para Silval Barbosa deixando claro que se os repasses não fossem feitos a ele, poderiam ser entregues diretamente ao então governador.

Diante da informação, Antônio Barbosa afirma ter indagado seu irmão sobre o suposto fato e Silval negou que estivesse recebendo qualquer valor de Savi. Segundo Toninho, Silval determinou a ele que passasse a receber os valores oferecidos e encaminhasse a parte que cabia a Mauro Savi.

O irmão do ex-governador relatou que chegou a receber dois ou três repasses em dinheiro, que totalizaram aproximadamente R$ 210 mil. Depois de um tempo, Toninho diz ter sido procurado por um dos sócios da empresa responsável pelo lacre veicular e que daí em diante passou a receber os valores indevidos diretamente de um representante da empresa, sempre em espécie. Tais repasses giravam em torno de R$ 400 mil a R$ 500 mil, dos quais a metade era repassada por Toninho diretamente a Mauro Savi.

Empresa FDL

Outro esquema no Detran relatado por Antônio Barbosa foi em relação à empresa FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação de Documentos Ltda, que prestava serviço de gravame à autarquia. Segundo o delator, em meados de 2010, um representante do então deputado federal Pedro Henry lhe procurou em seu escritório perguntado se tinha conhecimento sobre a propina da FDL.

JL Siqueira/Maurício Barbant

Os deputados Mauro Savi e Eduardo Botelho teriam recebido propina em esquemas no Detran

Posteriormente, Antônio teria se reunido pessoalmente com Pedro Henry, que teria lhe explicado detalhes de como funcionaria o esquema, caso ele aceitasse. O parlamentar teria dito que a empresa era de Brasília, mas repassava a propina através de uma empresa em Cuiabá, por meio de “laranjas” dos políticos beneficiados. Dentre estes, estariam os deputados estaduais Mauro Savi e Eduardo Botelho (PSB), além dele próprio.

Toninho relatou que aceitou fazer parte do esquema e que, logo no primeiro mês, recebeu R$ 100 mil, o que se repetiu no mês seguinte, quando ele indicou outra pessoa para receber os valores em nome de Silval.

A partir daí, os valores teria sido reduzidos para R$ 80 mil mensais, dinheiro que, conforme o Gazeta Digital já havia adiantado, Silval Barbosa afirma ter utilizado par pagar uma fazenda que comprou do presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Antônio Joaquim, em outro esquema de corrupção.
Sílvio Corrêa relata outro esquema

O ex-chefe de gabinete de governo Sílvio Cézar Corrêa Araújo, que também é delator, relatou que em certa ocasião foi procurado por um servidor chamado Ailton, que trabalhava em seu gabinete, que lhe contou sobre um contrato de placas de trânsito que estava em trâmite no Detran, visando agilizar o processo.

Diante disso, Sílvio afirma ter feito um ofício para o Detran pedindo que fosse dado andamento ao procedimento. Em troca do apoio, ele diz que houve propina entre R$ 800 mil a R$ 1 milhão por parte da empresa cujo nome o delator não se recorda.

O ex-chefe de gabinete contou que o valor da propina foi dividido em 60% para ele e 40% para o servidor que lhe contou sobre o interesse da empresa. De sua parte, Sílvio afirma que ficou com aproximadamente R$ 300 mil e o restante do dinheiro usou para pagar fazer pagamentos a deputados estaduais.

Além disso, Sílvio também contou que, em 2010, a mando de Silval Barbosa, recebeu R$ 400 mil do então presidente do Detran Teodoro Moreira Lopes, mais conhecido como Doia, para a campanha eleitoral do então governador. O dinheiro, segundo o delator, foi entregue ao então coordenador financeiro do comitê César Zílio, que posteriormente se tornou secretário de Estado de Administração.

 

Outro lado

Por meio de nota, o deputado estadual Mauro Savi (PSB) disse que não está na lista de investigados da Procuradoria Geral da República (PGR) e que a delação em que foi citado não conta com nenhuma prova. Além disso, afirma estar à disposição da Justiça para esclarecimentos.

O Gazeta Digital tentou contato com o deputado estadual Eduardo Botelho, mas a assessoria de imprensa dele informou que ele se encontra em licença de 5 dias. A reportagem não conseguiu o contato do ex-deputado Pedro Henry.

Veja a nota de Mauro Savi na íntegra:

O deputado estadual Mauro Savi esclarece que não está na lista de investigados do procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, sobre possíveis casos de corrupção em Mato Grosso, denunciadas a partir das declarações do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

O parlamentar lembra que a citação quanto a seu nome não possui nenhuma prova, tratando de informações prestadas em termo de colaboração premiada.

O deputado se coloca a disposição da justiça para qualquer esclarecimento. 

Gazeta Digital



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TSE estuda desativar canais políticos no WhatsApp 48h antes da eleição


Proposta foi escrita pelo vice-presidente da Corte, André Mendonça

TSE faz últimos preparativos para o primeiro turno nas Eleições 2018

Uma minuta de resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que canais de WhatsApp com teor político e mais de 200 mil seguidores sejam desativados nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores ao segundo turno da eleição, marcado para o próximo domingo (25). 

Caso aprovada pelo plenário do TSE, a medida entraria em vigor de imediato, conforme o texto da minuta obtida pela Agência Brasil.

A minuta com a proposta passou a circular entre os ministros do TSE após o tema ser debatido em reuniões informais realizadas na sexta-feira (16) e na terça-feira (20). O texto foi redigido pelo ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral.

Em nota à imprensa, o gabinete de Mendonça informou não se tratar de uma iniciativa pessoal do ministro, mas que coube a ele a autoria da minuta por ser tradição que as normas eleitorais sejam redigidas pelo vice-presidente do TSE.

“O objetivo discutido é proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos”, diz a nota do gabinete de Mendonça.

A nota acrescenta ainda que o texto foi redigido a partir de um consenso interno, e que “os critérios em análise são objetivos e impessoais e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política”.

Caso seja aprovada, a iniciativa deve atingir o canal “Exército do Lula”, que atingiu nesta quarta (21) a marca de 7 milhões de inscritos no aplicativo de mensagens WhatsApp. Também seria desativado o canal “Tropa do Flávio”, que possui 2 milhões de inscritos.

Proposta

O texto da minuta aplica aos canais de transmissão de natureza político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores as mesmas restrições que já vigoram sobre o conteúdo impulsionado de campanha, aquele cujo alcance é potencializado mediante pagamento às plataformas.

O texto também considera haver “alcance desproporcional de canais com grande audiência na difusão de conteúdos ilícitos”.

Em outro trecho, a proposta diz ainda que “o período compreendido entre as 48 (quarenta e oito) horas antes e as 24 (vinte e quatro) horas depois da eleição concentra o maior risco de dano irreversível à formação livre da vontade do eleitorado, por não haver tempo hábil para resposta, esclarecimento ou tutela jurisdicional efetiva”.

Controvérsia

A proposta surge após uma disputa de liminares em torno do canal “Exército do Lula”. Na semana passada, o canal foi retirado do ar pelo ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, após pedido da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro, que alegou disseminação de desinformação.

Logo em seguida, porém, o corregedor-nacional da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal. Ele afirmou não haver elementos que justificassem a medida e que Nunes Marques não poderia ter suspendido o canal por via administrativa, como fez, uma vez que o caso já tramitava pela via judicial em processo relatado pelo próprio corregedor.

Pouco depois, porém, Nunes Marques voltou a suspender o canal, alegando que mesmo sendo administrado por um apoiador, o deputado André Janones (Rede-MG), a ferramenta teria vínculo com a campanha oficial, e portanto deveria estar registrado no TSE como tal.

Por fim, o Exército do Lula acabou sendo liberado pelo presidente do TSE, após o registro ter sido feito pela campanha oficial.

Felipe Pontes – repórter da Agência Brasil


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