Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 30 de Abril de 2026

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Servidor do TJ se entrega após passar 8 dias foragido da polícia



Após 8 dias foragido, o servidor do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Mauro Ferreira Filho, se entregou nesta quinta-feira (7) à Delegacia de Estelionato de Cuiabá. Ele é acusado de ser o principal operador do esquema que desviou mais de R$ 21 milhões da Conta Única do Poder Judiciário

 

Mauro foi alvo da Operação Sepulcro Caiado, deflagrada no dia 30 de julho e que cumpriu 10 mandados de prisão preventiva, 22 de busca e apreensão.  Porém, ele conseguiu fugir sem deixar rastros.

 

O servidor atuava no setor financeiro do TJ e é acusado de alimentar com informações fraudulentas os documentos internos que serviam de base para liberação de alvarás em ações judiciais forjadas.   Durante o cumprimento de mandado de busca em sua residência, a polícia apreendeu 24 relógios de grife, dois passaportes em nome dele, joias, notebook, pendrive, tablet e um cofre fechado. A filha do servidor estava no local e afirmou desconhecer o paradeiro do pai.

 

Com a prisão de Mauro Filho, o delegado Pablo Carneiro deverá encaminhar até esta sexta-feira (8) o relatório completo da investigação para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).   Isso porque o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou a remessa para a Corte Superior, após manifestação do Ministério Público Federal (MPF).

 

“Ante o exposto, delego atribuição investigativa a Delegacia Especializada de Estelionatos de Cuiabá/MT, provisória e excepcionalmente, até o dia 08/08/2025, data em que a autoridade policial deverá remeter a esta Corte, até as 18h00, relatório circunstanciado das investigações”, diz trecho da decisão dessa quarta-feira (6).

 

Para a defesa de alguns dos investigados, pode ter ocorrido invasão de competência. Isso porque o corregedor Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, havia informado o presidente do STJ de que ‘a Equipe da Corregedoria Nacional, após diligencias, tomou ciência de possível envolvimento de pessoa com foro por prerrogativa de função no Superior Tribunal de Justiça’, a fim de definir a competência originária do Tribunal.

 

No dia 25 de julho deste ano, o CNJ fez uma inspeção surpresa Tribunal de Justiça mato-grossense, onde chegou analisar o inquérito policial da investigação e ter identificado possível competência do STJ. No mesmo dia, Campbell oficiou o presidente do STJ, Herman Benjamin, informando da possibilidade de constar envolvimento de acusado com foro privilegiado.

 

Diante da informação, o ministro Herman Benjamin solicitou, via ofício, que toda a investigação fosse encaminhada ao STJ. Porém, um dia depois foi deflagrada a operação que cumpriu mais de 160 ordens judiciais, incluindo 10 mandados de prisão preventiva, 22 de busca e apreensão, 16 bloqueios judiciais que totalizam R$ 21,7 milhões, 46 quebras de sigilo bancário e fiscal, além do sequestro de 18 veículos e 48 imóveis.

 

Procurado, a defesa de Mauro Ferreira Filho afirmou que irá acompanhar a audiência de custódia do cliente e que só depois analisará quais estratégias adorará para defendê-lo.

GD



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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