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A Palavra

Vaticano cogita permitir que homens casados se tornem padres na Amazônia



Possibilidade deve ser aberta preferencialmente para indígenas. Hoje, homens podem exercer a função de diáconos.

Vaticano emitiu, nesta segunda-feira (17), um documento que recomenda à Igreja Católica que considere ordenar homens mais velhos, casados e que tenham famílias constituídas, como padres em regiões remotas da Amazônia. A medida se aplicaria àqueles que tiverem, de preferência, ascendência indígena.

O documento também pede que seja identificado algum tipo de ministério oficial que possa ser conferido às mulheres.

Segundo agências internacionais, o documento é a menção mais direta em um documento do Vaticano à possibilidade de que homens casados possam ser padres. Hoje, eles podem exercer a função de diáconos — o diaconato é um dos ministérios da Igreja.

“Afirmando que o celibato é uma dádiva para a Igreja, pede-se que, para as áreas mais remotas da região, se estude a possibilidade da ordenação sacerdotal de pessoas idosas, de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã”, diz o documento.

Papa Francisco afirmou, em entrevista ao jornal alemão “Die Zeit” há cerca de dois anos, que era preciso “refletir” sobre a possibilidade de ordenar os chamados “Viri probati”, expressão em latim para “homens provados” que se refere a homens maduros envolvidos na Igreja e casados.

“Também teríamos que definir que tarefas eles poderiam desempenhar, por exemplo, em comunidades remotas”, afirmou Francisco.

Soluções para a Amazônia

Peregrinos católicos exibem faixa com uma imagem de Jesus durante uma viagem de barco em Santa Izabel do Pará, no Pará, em 2012. — Foto: Paulo Santos/Arquivo/ReutersPeregrinos católicos exibem faixa com uma imagem de Jesus durante uma viagem de barco em Santa Izabel do Pará, no Pará, em 2012. — Foto: Paulo Santos/Arquivo/Reuters

Peregrinos católicos exibem faixa com uma imagem de Jesus durante uma viagem de barco em Santa Izabel do Pará, no Pará, em 2012. — Foto: Paulo Santos/Arquivo/Reuters

O documento publicado nesta segunda-feira (17) é um instrumento de trabalho para o Sínodo dos Bispos, marcado para outubro, no Vaticano. O encontro vai discutir a presença da Igreja Católica na região amazônica.

A discussão sobre a possibilidade de homens casados serem ordenados vem de necessidades ouvidas das próprias comunidades da Amazônia, explica Dom Mário Antônio da Silva, bispo de Roraima e segundo vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O principal, diz Dom Mário Antônio, é que pessoas de comunidades distantes, principalmente indígenas, tenham acesso à eucaristia.

Peregrinos católicos durante uma viagem de barco em Santa Izabel do Pará, no Pará, em 2012. — Foto: Paulo Santos/Arquivo/ReutersPeregrinos católicos durante uma viagem de barco em Santa Izabel do Pará, no Pará, em 2012. — Foto: Paulo Santos/Arquivo/Reuters

Peregrinos católicos durante uma viagem de barco em Santa Izabel do Pará, no Pará, em 2012. — Foto: Paulo Santos/Arquivo/Reuters

“Teremos a possibilidade maior de ministros ordenados nas próprias comunidades, e, assim, maior frequência das celebrações eucarísticas”, explica o bispo. Apesar de homens casados poderem se tornar diáconos, a função não permite que ele ouça confissões, ministre a unção dos enfermos (também conhecida extrema-unção) ou a eucaristia.

Ele afirma que há interesse por parte de lideranças indígenas na ordenação.”Há interesse e capacidade. Muitos homens podem ser catequistas ou evangelizadores”, diz.

Dom Mário Antônio ressalta, entretanto, que o objetivo não é abrir a possibilidade de que padres já ordenados se casem, pois o próprio documento ressalta que “o celibato é uma dádiva para a Igreja.”

Olhem para as mulheres, diz organização que defende a ordenação feminina

Campanha da organização Women's Ordination Worldwide faz vigília nesta sexta-feira (3) pela ordenação de mulheres perto do Vaticano, onde é realizado o Jubileu dos Sacerdotes — Foto: Reprodução/ Twitter/ WomensOrdinationConfCampanha da organização Women's Ordination Worldwide faz vigília nesta sexta-feira (3) pela ordenação de mulheres perto do Vaticano, onde é realizado o Jubileu dos Sacerdotes — Foto: Reprodução/ Twitter/ WomensOrdinationConf

Campanha da organização Women’s Ordination Worldwide faz vigília nesta sexta-feira (3) pela ordenação de mulheres perto do Vaticano, onde é realizado o Jubileu dos Sacerdotes — Foto: Reprodução/ Twitter/ WomensOrdinationConf

A esperança, diz Kate McElwee, da organização Women’s Ordination Worldwide, que defende a ordenação feminina na Igreja Católica, é que a discussão que ocorrerá em outubro aprofunde o reconhecimento da presença da mulher na instituição.

“As mulheres estão ministrando às suas comunidades pelas margens”, diz McElwee. “Em nossa crise atual, a Igreja seria sábia em olhar para o chão, olhar para as mulheres. Esperamos que este compromisso de incluir as mulheres nos papéis de decisão se estenda ao próprio Sínodo, permitindo que as mulheres tenham o direito de votar em documentos ao lado de seus pares masculinos”, declarou ao G1.

O Sínodo é uma assembleia de bispos que representam o conjunto de todos os bispos da Igreja Católica e tem a missão de ajudar o Papa no governo da entidade. Ele também pode oferecer orientações sobre a doutrina católica que podem ser transformadas em lei pelo pontífice; foi estabelecido em 1965 pelo Papa Paulo VI.

No final do mês passado, o Papa Francisco nomeou, pela primeira vez na história, mulheres para ocuparem cargos na secretaria-geral do Sínodo.

Dom Mário Antônio explica que a discussão sobre o ordenamento de mulheres não está na pauta do encontro, mas existe a possibilidade de que a participação delas seja discutida, sem necessariamente discutir a ordenação.

Em 2016, Francisco também declarou, a bordo do avião papal, que a proibição de mulheres se tornarem padres na Igreja Católica é para sempre e não deve ser alterada.

G1



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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