Primavera do Leste / MT - Sábado, 24 de Outubro de 2026

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Irregularidade climática impacta início da safra em Primavera do Leste e Paranatinga



Após percorrer mais de 1200 quilômetros, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) encerrou nesta quarta-feira (10.12) a semana sul da Quarta Temporada do Mato Grosso Clima e Mercado, registrando a situação da safra 2025/26 nos núcleos de Primavera do Leste e Paranatinga. Os relatos mostram lavouras com atraso no desenvolvimento e preocupações com o impacto na produtividade e na segunda safra.

Em Primavera do Leste, o produtor Hildebrando Coradini explicou que o plantio começou com atraso devido à irregularidade das chuvas, que só chegaram em outubro. “No começo deu duas chuvas, a gente ia começar a plantar, mas não deu. Tivemos um atraso de cerca de 15 dias. Iniciamos o plantio somente no dia 17 de outubro, consegui plantar toda a área em seis dias e depois ainda enfrentamos mais 15 dias de sol, mas eu plantei com umidade boa, o que ainda ajudou nesse inicio”, contou.

Segundo o produtor, veranicos consecutivos dificultaram as operações iniciais de manejo. “Teve uns veranicos. Caíam só umas chuvinhas de 3, 4 milímetros e assim foi indo. Quando chegou a hora de fazer a primeira aplicação de fungicida, não consegui fazer tudo porque estava seco. Tive que esperar chover para conseguir finalizar”, explicou.

Com a regularização das chuvas nos últimos dias, Hildebrando relata melhora significativa no estande. “Com essa chuva que começou faz uns dez dias, melhorou bastante. No geral, a lavoura está se desenvolvendo bem”.

Quanto à segunda safra, a expectativa é mais cautelosa. “A safra do milho vai ser menor que ano passado, isso a gente já sabe. A preocupação é na hora da colheita, que vai chover”.

No município de Paranatinga, a situação também foi marcada por atrasos expressivos. O produtor Carlinhos Rodrigues descreveu um início de ciclo bastante irregular. “Mais um ano muito desafiador para nós, foi bem complicado. No final de setembro as chuvas vieram e acreditamos que seriam normais, mas infelizmente isso não se concretizou”.

De acordo com ele, a variação dentro do próprio município dificultou o andamento do plantio. “É um município muito extenso, com várias situações. Teve gente que conseguiu plantar no começo de outubro, mas a maior parte se espichou para o final de outubro”, disse o produtor ao relatar as pausas no plantio, motivadas pela má distribuição das precipitações. “Criamos um cronograma, mas infelizmente nesse caso não teve como seguir, foi conforme as chuvas foram acontecendo.”

Nos últimos dias, a regularidade das precipitações melhorou o aspecto visual das lavouras, mas não eliminou a preocupação do produtor. “A lavoura hoje vem se desenvolvendo, nos últimos dias, em um ritmo melhor. Se a gente não soubesse o ciclo, poderíamos dizer que está perfeita, mas está toda atrasada e no município de um modo geral está assim. Essa soja teria que estar em um porte maior, em um desenvolvimento maior, por conta do atraso no plantio e a falta de chuvas infelizmente não se desenvolveu tão bem como deveria. Acredito que vamos ter uma quebra significativa de produtividade no município. Temos problemas que variam desde estande muito baixo, muito manchado, até muitas áreas de replantio, nunca visto no município”, relatou.

Para Carlinhos, o impacto se estenderá também à segunda safra. “Para nós, o impacto vai chegar também na segunda safra. Aqui no município temos um grande problema por ser um solo siltoso, e isso já traz dificuldade. Com esse atraso no plantio, acreditamos que haverá uma quebra maior em área plantada, sem nem falar ainda da produtividade lá na frente. Em área mesmo, a redução deve ser bem significativa para o município.”

A Aprosoja MT segue acompanhando o avanço da safra com a série Mato Grosso Clima e Mercado Nesta quinta-feira (11.12) a entidade começa a percorrer a região leste, conversando com produtores de Gaúcha do Norte e Canarana.

Fonte: Aprosoja MT


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política

TSE estuda desativar canais políticos no WhatsApp 48h antes da eleição


Proposta foi escrita pelo vice-presidente da Corte, André Mendonça

TSE faz últimos preparativos para o primeiro turno nas Eleições 2018

Uma minuta de resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que canais de WhatsApp com teor político e mais de 200 mil seguidores sejam desativados nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores ao segundo turno da eleição, marcado para o próximo domingo (25). 

Caso aprovada pelo plenário do TSE, a medida entraria em vigor de imediato, conforme o texto da minuta obtida pela Agência Brasil.

A minuta com a proposta passou a circular entre os ministros do TSE após o tema ser debatido em reuniões informais realizadas na sexta-feira (16) e na terça-feira (20). O texto foi redigido pelo ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral.

Em nota à imprensa, o gabinete de Mendonça informou não se tratar de uma iniciativa pessoal do ministro, mas que coube a ele a autoria da minuta por ser tradição que as normas eleitorais sejam redigidas pelo vice-presidente do TSE.

“O objetivo discutido é proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos”, diz a nota do gabinete de Mendonça.

A nota acrescenta ainda que o texto foi redigido a partir de um consenso interno, e que “os critérios em análise são objetivos e impessoais e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política”.

Caso seja aprovada, a iniciativa deve atingir o canal “Exército do Lula”, que atingiu nesta quarta (21) a marca de 7 milhões de inscritos no aplicativo de mensagens WhatsApp. Também seria desativado o canal “Tropa do Flávio”, que possui 2 milhões de inscritos.

Proposta

O texto da minuta aplica aos canais de transmissão de natureza político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores as mesmas restrições que já vigoram sobre o conteúdo impulsionado de campanha, aquele cujo alcance é potencializado mediante pagamento às plataformas.

O texto também considera haver “alcance desproporcional de canais com grande audiência na difusão de conteúdos ilícitos”.

Em outro trecho, a proposta diz ainda que “o período compreendido entre as 48 (quarenta e oito) horas antes e as 24 (vinte e quatro) horas depois da eleição concentra o maior risco de dano irreversível à formação livre da vontade do eleitorado, por não haver tempo hábil para resposta, esclarecimento ou tutela jurisdicional efetiva”.

Controvérsia

A proposta surge após uma disputa de liminares em torno do canal “Exército do Lula”. Na semana passada, o canal foi retirado do ar pelo ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, após pedido da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro, que alegou disseminação de desinformação.

Logo em seguida, porém, o corregedor-nacional da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal. Ele afirmou não haver elementos que justificassem a medida e que Nunes Marques não poderia ter suspendido o canal por via administrativa, como fez, uma vez que o caso já tramitava pela via judicial em processo relatado pelo próprio corregedor.

Pouco depois, porém, Nunes Marques voltou a suspender o canal, alegando que mesmo sendo administrado por um apoiador, o deputado André Janones (Rede-MG), a ferramenta teria vínculo com a campanha oficial, e portanto deveria estar registrado no TSE como tal.

Por fim, o Exército do Lula acabou sendo liberado pelo presidente do TSE, após o registro ter sido feito pela campanha oficial.

Felipe Pontes – repórter da Agência Brasil


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