Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 21 de Maio de 2026

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Agro

Irregularidade climática impacta início da safra em Primavera do Leste e Paranatinga



Após percorrer mais de 1200 quilômetros, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) encerrou nesta quarta-feira (10.12) a semana sul da Quarta Temporada do Mato Grosso Clima e Mercado, registrando a situação da safra 2025/26 nos núcleos de Primavera do Leste e Paranatinga. Os relatos mostram lavouras com atraso no desenvolvimento e preocupações com o impacto na produtividade e na segunda safra.

Em Primavera do Leste, o produtor Hildebrando Coradini explicou que o plantio começou com atraso devido à irregularidade das chuvas, que só chegaram em outubro. “No começo deu duas chuvas, a gente ia começar a plantar, mas não deu. Tivemos um atraso de cerca de 15 dias. Iniciamos o plantio somente no dia 17 de outubro, consegui plantar toda a área em seis dias e depois ainda enfrentamos mais 15 dias de sol, mas eu plantei com umidade boa, o que ainda ajudou nesse inicio”, contou.

Segundo o produtor, veranicos consecutivos dificultaram as operações iniciais de manejo. “Teve uns veranicos. Caíam só umas chuvinhas de 3, 4 milímetros e assim foi indo. Quando chegou a hora de fazer a primeira aplicação de fungicida, não consegui fazer tudo porque estava seco. Tive que esperar chover para conseguir finalizar”, explicou.

Com a regularização das chuvas nos últimos dias, Hildebrando relata melhora significativa no estande. “Com essa chuva que começou faz uns dez dias, melhorou bastante. No geral, a lavoura está se desenvolvendo bem”.

Quanto à segunda safra, a expectativa é mais cautelosa. “A safra do milho vai ser menor que ano passado, isso a gente já sabe. A preocupação é na hora da colheita, que vai chover”.

No município de Paranatinga, a situação também foi marcada por atrasos expressivos. O produtor Carlinhos Rodrigues descreveu um início de ciclo bastante irregular. “Mais um ano muito desafiador para nós, foi bem complicado. No final de setembro as chuvas vieram e acreditamos que seriam normais, mas infelizmente isso não se concretizou”.

De acordo com ele, a variação dentro do próprio município dificultou o andamento do plantio. “É um município muito extenso, com várias situações. Teve gente que conseguiu plantar no começo de outubro, mas a maior parte se espichou para o final de outubro”, disse o produtor ao relatar as pausas no plantio, motivadas pela má distribuição das precipitações. “Criamos um cronograma, mas infelizmente nesse caso não teve como seguir, foi conforme as chuvas foram acontecendo.”

Nos últimos dias, a regularidade das precipitações melhorou o aspecto visual das lavouras, mas não eliminou a preocupação do produtor. “A lavoura hoje vem se desenvolvendo, nos últimos dias, em um ritmo melhor. Se a gente não soubesse o ciclo, poderíamos dizer que está perfeita, mas está toda atrasada e no município de um modo geral está assim. Essa soja teria que estar em um porte maior, em um desenvolvimento maior, por conta do atraso no plantio e a falta de chuvas infelizmente não se desenvolveu tão bem como deveria. Acredito que vamos ter uma quebra significativa de produtividade no município. Temos problemas que variam desde estande muito baixo, muito manchado, até muitas áreas de replantio, nunca visto no município”, relatou.

Para Carlinhos, o impacto se estenderá também à segunda safra. “Para nós, o impacto vai chegar também na segunda safra. Aqui no município temos um grande problema por ser um solo siltoso, e isso já traz dificuldade. Com esse atraso no plantio, acreditamos que haverá uma quebra maior em área plantada, sem nem falar ainda da produtividade lá na frente. Em área mesmo, a redução deve ser bem significativa para o município.”

A Aprosoja MT segue acompanhando o avanço da safra com a série Mato Grosso Clima e Mercado Nesta quinta-feira (11.12) a entidade começa a percorrer a região leste, conversando com produtores de Gaúcha do Norte e Canarana.

Fonte: Aprosoja MT


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Polícia - política

Prefeito é preso em Brasília na marcha dos prefeitos


Prefeito de Piçarras é investigado pelo MP em denúncia de corrupção em obra pública

Prefeito de Balneário Piçarras foi preso em Brasília nesta terça, durante operação do Gaeco (foto: Divulgação MPSC)

O prefeito de Balneário Piçarras, Tiago Baltt (MDB), foi preso por volta das 6h de terça-feira, em Brasília, onde participava da 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. O evento começou na segunda e segue até quinta, reunindo prefeitos de todo o país. Organizada pela Confederação Nacional de Municípios, a programação acontece no Centro Internacional de Convenções do Brasil, na capital federal. Baltt foi detido no hotel, antes de seguir pro segundo dia do encontro.

A prisão faz parte da Operação Regalo, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). O ex-prefeito de São João Batista, Pedro Alfredo Ramos (MDB), o Pedroca, também é investigado no esquema, mas não foi preso.

As investigações começaram em 2024 e são conduzidas pelo Grupo Especial Anticorrupção (Geac) de Itajaí. Os procedimentos apuram crimes funcionais praticados por prefeitos e outros agentes públicos.

Segundo o Ministério Público, esta fase da investigação quer aprofundar a coleta de provas sobre contratos de obras e urbanização da orla norte de Piçarras, além de outros contratos firmados no município e em São João Batista.

A suspeita é de atuação conjunta entre grupo político e grupo empresarial em um esquema estruturado de corrupção, com divisão de tarefas entre núcleo empresarial e político-administrativo. Conforme a investigação, havia pagamento de propina equivalente a 3% dos contratos públicos ligados à prefeitura de Piçarras e valores variados em contratos de São João Batista.

Só em Piçarras, as vantagens indevidas obtidas pelos investigados com pagamento de propina chegam a cerca de R$ 485,9 mil, valor que, segundo o MP, teria sido bancado pelos cofres públicos. As investigações também apontam indícios de que integrantes da organização criminosa continuavam agindo de forma “ardilosa e sorrateira”, com pagamento de propinas custeadas por meio de suposto superfaturamento de obras públicas em municípios do litoral norte catarinense.

Atendendo pedido do Ministério Público, a Justiça determinou o sequestro dos valores apontados como propina. Segundo os investigadores, os recursos pagos pelo núcleo empresarial ao núcleo político têm origem ilícita e deverão ser devolvidos aos cofres públicos.

Foram cumpridas seis ordens de prisão preventiva e 37 mandados de busca e apreensão em casas, empresas e órgãos públicos de Timbó, Biguaçu, Balneário Piçarras, São João Batista, Tijucas, Indaial, Itapema, Itajaí, Porto Belo, Bombinhas e Colíder, no Mato Grosso.

Além do prefeito, empresários suspeitos de manter as práticas ilícitas também foram presos preventivamente. Houve ainda cumprimento de mandados contra servidores, ex-servidores e agentes políticos investigados. Os materiais apreendidos durante as diligências serão analisados pelo Geac com apoio do Gaeco. O objetivo é identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a possível rede criminosa.

Em nota, a Prefeitura de Piçarras informou que as equipes técnicas da administração municipal acompanharam a coleta de documentos de investigação do MP. “Administração Municipal adotou uma postura de total colaboração com a operação e com os órgãos responsáveis pela investigação”, informou a prefeitura.

No fim desta tarde, o vice-prefeito Fabiano José Alves (UB) tomou posse como prefeito em exercício, no lugar de Baltt.

Operação Regalo

Segundo o Gaeco, o nome da operação faz referência ao termo “regalo”, que significa mimo, presente ou agrado. No contexto da investigação, a palavra foi usada para identificar as propinas ajustadas entre empresários e agentes políticos.

Fonte: Dioarinho Franciele Marcon


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