Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 30 de Abril de 2026

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Alinhamento entre quem investiga e o magistrado é natural, diz promotor Zaque



O promotor Mauro Zaque, da 11ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá e coordenador dos Gaecos regionais, avalia que é necessário analisar com calma os trechos de conversas da equipe da Lava Jato, que estão sendo publicados pelo site The Intercept desde ontem (9). Pondera que é necessário primeiro saber se são verídicos e, depois, de qual contexto foram pincelados.

Mauro Zaque
Promotor Mauro Zaque também ressalta que é necessário contextualizar trechos vazados e verificar a veracidade

Em entrevista ao site RD News , Zaque ressalta, entretanto, que, até agora, não há nada de ilícito nos diálogos atribuídos ao então juiz federal Sérgio Moro (hoje ministro da Justiça e Segurança Pública) e dos membros do Ministério Público Federal (MPF), responsáveis pelas investigações da Lava Jato.

“Isso é natural, o juiz ser informado sobre o que acontece. Não tem relação suspeita. Quem  investiga tem que estar alinhado ao magistrado”, explica.

O promotor, que ficou conhecido nacionalmente após denunciar um esquema de grampos ilegais no Governo Pedro Taques (PSDB), não vê indícios de que Moro tenha orientado ou aconselhado os procuradores. “Não vejo nenhum problema, uma vez que estas conversas, apresentadas pela imprensa, são provas ilícitas e suspeitas por estarem sendo vazadas desta forma. Só visa atender interesse de quem é investigado”, ressalta.

Só visa atender interesse de quem é investigado

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado pela primeira vez por suposto recebimento de propina da construtora OAS, que tinha contratos com a Petrobras, por meio do tríplex no Guarujá. Os trechos divulgados no domingo indicam, segundo o The Intercept, que o procurador Deltan Dallagnol não tinha convicção sobre as provas que ligariam o ex-presidente ao tríplex. A situação teria ocorrido dias antes do MPF oferecer a denúncia.

Mauro Zaque, por sua vez, discorda desta interpretação. Para ele, Dallagnol não tinha dúvidas, “tinha que deixar bem amarrado porque eles (defesa de Lula) iriam questionar isso”, avalia Zaque.  Lula foi condenado por Moro e a punição foi mantida pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o que provocou a prisão de Lula, devido ao fato de ter sido condenado em segunda instância por um colegiado.

O ex-presidente teve recursos negados também no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). A Lava Jato, por sua vez, é considerada a maior operação já realizada no Brasil.

RD News



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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