Primavera do Leste / MT - Terca-Feira, 22 de Setembro de 2026

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Polícia

‘Desleixo’ de Estados com presídios ‘beira o crime contra a humanidade’, diz ministro da Justiça



Reduzir a violência e integrar presos à sociedade é um “desafio brutal”, diante da “incompetência” e “desleixo” dos Estados e do aumento exponencial da população dos presídios.

A afirmação acima é do ministro da Justiça, Torquato Jardim. Procurado pela BBC Brasil para falar sobre o motim ocorrido na segunda-feira, primeiro dia do ano, em Aparecida de Goiânia – que deixou nove mortos, 14 feridos e 99 foragidos -, ele disse que o governo de Goiás não “aplicou como devia” os recursos federais do Fundo Penitenciário Nacional transferidos ao Estado nos últimos anos.

Segundo Jardim, o governo federal tem investido em programas em busca de soluções para o problema, mas nem todas as administrações estaduais têm feito a sua parte.

Em 2017, foram repassados pelo governo federal R$ 1,2 bilhão aos 26 Estados e ao Distrito Federal para a construção de novas unidades e modernização de presídios, diz o ministro.

Mas, até o final do ano passado, foram gastos 4% dessa verba. Cada governo estadual recebeu R$ 44,7 milhões – Goiás, por exemplo, investiu R$ 7,7 milhões.

“Goiás, entre 1999 e 2015, recebeu quase R$ 90 milhões de reais. Em 2016, recebeu mais R$ 44 milhões e não fez a aplicação que devia no sistema penitenciário. Esse motim é reflexo. Falta uma decisão política clara dos governadores de resolverem a questão presidiária”, criticou Jardim.

Procurado pela reportagem, o governador Marconi Perillo (PSDB) rebateu as afirmações do ministro. Em nota, ele afirmou que o Estado investiu R$ 3 bilhões em recursos próprios no sistema carcerário.

“No dia e hora que ele (Torquato) desejar, vou provar de onde parte o desleixo. O (investimento da União) é muito pouco, apenas 1% de todo o nosso investimento.”

Para especialistas, a responsabilidade pela crise no sistema carcerário do pais é, na verdade, de ambas as esferas: estadual e federal.

Professor da Fundação Getúlio Vergas (FGV), Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que falta ao Executivo federal capacidade de liderança para coordenar uma política pública nacional voltada ao sistema prisional. E os Estados, acrescentou, carecem de capacidade técnica para gerir os presídios.

“Falta coordenação entre as esferas de poder. Todos têm um pedaço de responsabilidade e ninguém é responsável por tudo. É aquela história de que a culpa é do síndico, então a culpa acaba recaindo sobre governadores. Mas isso é em parte injusto.”

‘Crime contra a humanidade’

O ministro da Justiça vai além nas críticas aos governadores. Segundo ele, algumas gestões estaduais “sumiram” com a verba do Fundo Penitenciário Nacional.

“O desleixo dos governos estaduais com o sistema carcerário beira o crime contra a humanidade. O Funpen (Fundo Penitenciário Nacional) destinou R$ 1,2 bilhão para os Estados aplicarem em construção e manutenção dos presídios. E o que eles fizeram com o dinheiro? Em quatro Estados, o dinheiro sumiu”, disse.

Torquato Jardim
“O desleixo dos governos estaduais com o sistema carcerário beira o crime contra a humanidade”, disse Torquato Jardim | Foto: Ministério da Justiça

Questionado pela reportagem, ele não quis especificar quais Estados “sumiram” com os recursos. O relatório de gasto das verbas de 2017 do Funpen mostra que 18 governos movimentaram pequenas fatias da verba, enquanto oito não usaram nem sequer um tostão.

Pelas regras, os Estados teriam que devolver os recursos, mas o governo federal publicou uma portaria permitindo que o dinheiro seja gasto até dezembro de 2018.

“Nós fizemos uma tolerância. Baixei uma portaria autorizando o gasto do dinheiro até 31 de dezembro de 2018. A partir daí, terão que sofrer as consequências”, disse Torquato Jardim à BBC Brasil.

O secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Cesar Schirmer, culpa a “burocracia” pelas dificuldades de os Estados usarem os recursos do Fundo Penitenciário. Segundo ele, uma resolução do Ministério da Justiça impõe uma série de regras específicas para a construção de novos presídios.

“Os procedimentos burocráticos não são feitos com a agilidade necessária. Isso não é só responsabilidade dos Estados”, afirmou à BBC Brasil.

“Tem uma resolução que estabelece tamanho grau de minúcias e detalhes que nenhum Estado consegue cumprir essa exigência, Cria-se tal detalhamento que, para elaborar o projeto e levar a cabo, é um parto. Enviamos o projeto para construir um presídio em Rio Grande em agosto. Em dezembro, quatro meses depois, o Depen nos retornou pedindo alterações”, afirmou.

Massa carcerária

A rebelião que aconteceu em Goiás está longe de ser um caso isolado. No início do ano passado, casos ocorridos em prisões de Roraima, Amazonas e Rio Grande do Norte deixaram 120 mortos. E nada indica que esses episódios recorrentes de violência, em sua maioria causados por guerras entre facções criminosas, deixarão de se repetir.

A população carcerária cresceu 700% em 25 anos, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Hoje existem 727,5 mil presos e um deficit de 336 mil vagas – superlotação generalizada que dificulta o controle dos presos por agentes penitenciários e gera condições degradantes nas prisões.

O Brasil é o terceiro país com a maior população carcerária do mundo, apenas depois dos Estados Unidos e China, respectivamente. A Rússia vem em quarto.

“Nesses três países (EUA, China e Rússia), a taxa de população carcerária vem caindo, com a introdução de outras formas de responsabilização alternativas ao encarceramento, como prestação de serviços e multas”, disse à BBC Brasil a coordenadora-geral de Promoção da Cidadania do Departamento Penitenciário Nacional, Mara Fragapani Barreto.

Presídio superlotado no Acre
Com 727 mil presos, o Brasil é o terceiro país com a maior população carcerária do mundo. O primeiro é os Estados Unidos, seguido pela China. A Rússia vem em quarto | Fonte: CNJ

“O Brasil está na contramão disso, com um crescimento anual da população prisional”, acrescentou.

Presos provisórios, ou seja, que ainda não foram condenados em definitivo pela Justiça, são 40%, da população prisional, segundo relatório de 2017 do Depen.

O Estado de São Paulo concentra 33,4% do total de presos do Brasil, com 240 mil presidiários. Segundo os dados, 55% dos detentos do país têm entre 18 e 29 anos de idade, e 51% não chegaram a completar o ensino fundamental.

“Grande parte dos presos é jovem, não tem nem o primeiro grau completo, vêm de famílias incompletas – não tem pai – e é pobre. Precisamos focar em recuperação e prevenção”, diz o ministro da Justiça.

Para Jardim, entre os desafios para conter a criminalidade e a violência nas cadeias estão a carência de agentes de segurança e penitenciários em alguns Estados, e a eventual aprovação de projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional que visam ampliar o acesso a armas.

Um deles permite que guardas municipais portem armas até fora de serviço. Outra proposta reduz para 18 anos a idade mínima para adquirir uma arma.

“Nenhum país ganhou paz social ampliando armamento. E tem todo um conjunto de projetos (de lei) que dificultam. Se juntar esses fatores, é um desafio brutal. E você tem a corrupção e a incompetência dos Estados”, afirmou o ministro.

O custo de novas vagas

A manutenção de cada preso custa, em média, R$ 2,4 mil por mês aos cofres públicos, e cada vaga criada custa aproximadamente R$ 45 mil, devido às exigências de materiais que evitem fuga, como paredes fortificadas.

Presos por crimes contra o patrimônio, como roubo e furto, predominam nas cadeias brasileiras – são 50% do total. Outros 26% praticaram tráfico de drogas e 12%, crimes contra a vida, segundo a coordenadora do Depen.

Uma grande preocupação é a alta taxa de reincidência. Segundo o Ministério da Justiça, dois terços dos presos voltam a cometer crimes.

Para Mara Barreto, a solução para resolver o problema da superlotação e reduzir o número de presos que voltam a praticar delitos é efetivamente integrá-los à sociedade por meio de programas de capacitação e emprego.

Presídio no Brasil
A manutenção de cada preso custa, em média, R$ 2.400 por mês, e cada vaga criada custa aproximadamente R$ 45 mil, devido às exigências de materiais que evitem fuga, como paredes fortificadas | Fonte: CNJ

Mas isso depende da participação de empresas e de parcerias com os Estados. Em dezembro, o Ministério da Justiça lançou um programa para promover parcerias entre empresas privadas e o governo estaduais. A ideia é criar unidades industriais dentro das cadeias, para que os presos possam trabalhar.

Em Santa Catarina, alguns presídios já operam dessa maneira. Na Penitenciária Regional de Curitibanos, 100% dos presos trabalham, afirmou Barreto.

As empresas que firmarem parcerias para dar emprego aos presidiários poderão usar um selo com a palavra “Resgata” em seus produtos, atestando que colaboram com reintegração de detentos.

“Existe uma cultura de repressão e vontade de vingança na sociedade. Mas, no Brasil, não existe pena de morte nem prisão perpétua. As pessoas que estão presas vão voltar eventualmente para a sociedade. Nós queremos ver como vizinhos uma pessoa melhor ou pior?”, destacou a coordenadora do Depen.

“A prisão por si só não diminui a violência. É preciso integrar essas pessoas à sociedade para que não voltem a cometer crimes.”

Para o presidente do Fórum Brasileiro de Políticas Públicas, Renato Sérgio de Lima, além de projetos para recuperação de presos, é preciso um trabalho coordenado em âmbito nacional entre os governos federal, estaduais e o Judiciário, para que realmente haja uma reversão da crise carcerária brasileira.

E o foco, segundo ele, não deve ser só em encarcerar e construir presídios, mas em penas alternativas para crimes mais leves, troca de informação entre instituições e maior eficiência no julgamento de presos provisórios.

“Não é que as instituições não estejam trabalhando, mas, sem coordenação e uma política penitenciária nacional, qualquer política incremental que seja adotada tende a se diluir”, diz.

“Medidas pontuais não dão necessariamente certo. A força de inércia de manter tudo como está é mais forte. Ou a gente rompe esse mais do mesmo ou não será possível quebrar esse ciclo.”



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Polícia

Justiça mantém preso suspeito de matar esposa e bebê de 4 meses em Mato Grosso


Homem de 29 anos teve prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia; Polícia Civil continua investigando o caso

A Justiça de Mato Grosso decidiu manter preso Jailton Gonçalves Barreira, de 29 anos, investigado pelas mortes da esposa, Taymilla Reis da Silva, de 23 anos, e do filho do casal, um bebê de apenas quatro meses. O crime aconteceu na quinta-feira (17), em uma propriedade rural na região de Luciara, no norte de Mato Grosso.

A prisão preventiva foi determinada nesta sexta-feira (18), durante audiência de custódia conduzida pelo juiz Raphael Alves Oldemburg, da 2ª Vara da Comarca de São Félix do Araguaia.

Com a decisão, Jailton permanece detido enquanto a investigação avança. A prisão preventiva não tem prazo previamente determinado e pode ser mantida enquanto existirem fundamentos legais para a medida.

Mãe e bebê foram mortos dentro de propriedade rural

De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil, Taymilla e o bebê foram encontrados mortos após serem atingidos por golpes de arma branca na Fazenda Mata Verde, na região rural de Luciara.

Antes do crime, a jovem teria entrado em contato com familiares pedindo ajuda e relatando que estaria em perigo. O irmão dela, de 18 anos, foi até a propriedade para tentar socorrê-la e, segundo o relato apresentado à polícia, teria presenciado parte da agressão.

As forças de segurança foram acionadas e realizaram buscas na região. Jailton acabou localizado em uma das casas existentes na propriedade e recebeu voz de prisão em flagrante.

Investigação continua

A Polícia Civil de São Félix do Araguaia conduz as investigações para esclarecer a dinâmica do crime e a motivação. O caso permanece sob investigação e outros elementos deverão ser analisados durante o inquérito.

Informações preliminares divulgadas pelo delegado Daniel Moura apontam que a perícia ainda deverá concluir os laudos necessários para esclarecer detalhes das lesões e das circunstâncias das mortes.

A defesa do investigado deverá apresentar sua versão no decorrer do processo. Até o momento, a Justiça manteve a prisão preventiva.

Fonte: Redação Antenado News
Informações complementares: Polícia Civil e fontes jornalísticas


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Região

Prefeitura de Primavera do Leste reforça combate a incêndio na região das Furnas


Força-tarefa reúne Corpo de Bombeiros, equipes municipais e apoio particular para conter fogo que já atingiu aproximadamente 150 hectares

A Prefeitura de Primavera do Leste, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, segue atuando em conjunto com o Corpo de Bombeiros no combate a um incêndio que atinge áreas de mata de preservação e pastagens na região das Furnas, nas proximidades do município.

 

O trabalho foi intensificado na manhã desta quinta-feira (17), na Fazenda Vale Formoso, onde o fogo avançou após atingir a região de serra e Furnas. A ocorrência teve possível início às margens da BR-070, no dia 11 de setembro, quando as equipes realizaram o primeiro combate na Fazenda Rio Grande 1.

 

Com o avanço das chamas, o incêndio chegou à Fazenda Vale Formoso, atingindo uma área estimada em aproximadamente 150 hectares. Desde o início da ocorrência, equipes permanecem mobilizadas para conter os focos e evitar que o fogo avance para novas áreas.

 

A operação conta com três militares do Corpo de Bombeiros e o apoio de diferentes recursos empregados no combate, incluindo uma AT e uma ABT do Corpo de Bombeiros, três caminhões-pipa da Prefeitura de Primavera do Leste, duas pás carregadeiras e uma motoniveladora do município, além de um trator de esteira disponibilizado por proprietário particular e uma aeronave contratada pelo proprietário da fazenda.

 

No local, aproximadamente 11 civis também atuam nas atividades de combate e apoio à ocorrência, auxiliando as equipes durante os trabalhos.

 

O subtenente do Corpo de Bombeiros Dos Santos explicou que as equipes permanecem mobilizadas desde o início do incêndio e destacou a importância do trabalho conjunto.

 

“Nossas equipes permanecem no local desde a última sexta-feira, dia em que o foco de incêndio teve início. Contamos com o apoio fundamental da Prefeitura de Primavera do Leste, que disponibilizou maquinário, incluindo pás carregadeiras e caminhões-pipa, além de auxílio logístico constante. Somam-se aos nossos esforços aeronaves contratadas pelo proprietário da fazenda. Embora o fogo ainda persista no interior da região das Furnas, estamos empenhados em sua extinção e acreditamos que a ocorrência será finalizada em breve”, explicou.

 

Nesta sexta-feira (18), as equipes continuam mobilizadas na região, atuando no combate aos focos ainda existentes e na contenção das chamas, com o objetivo de eliminar completamente o incêndio e reduzir os riscos de novos avanços.

 

A Prefeitura de Primavera do Leste reforça que a atuação integrada entre o Município, Corpo de Bombeiros e os demais envolvidos é fundamental para garantir uma resposta rápida às ocorrências e minimizar os impactos causados pelos incêndios, especialmente em áreas de vegetação e propriedades rurais.

Assessoria.


Antenado News