O Tour Legislativo: Enquanto você trabalha, o seu bolso paga a “formação” no Sul

O Tour Legislativo: Enquanto você trabalha, o seu bolso paga a “formação” no Sul

Texto informações Portal da Transparência Câmara de Vereadores Primavera do Leste

​Por: Luis Costa

​Você, cidadão de Primavera do Leste, acordou cedo hoje? Enfrentou o trânsito, bateu o ponto, lidou com a inflação e fez o orçamento doméstico esticar para dar conta de pagar os impostos? Pois saiba que, enquanto você se desdobra na realidade local, uma parcela importante do seu dinheiro está fazendo um tour de luxo pelo Sul do Brasil.

​Não, você não foi convidado para o vinho. Nem para o chocolate quente na serra gaúcha. Quem está lá, “trabalhando” em nome do seu bem-estar ou melhor, em nome de uma “formação especial”, são os nossos representantes legislativos.

​Consultando o Portal da Transparência, a gente descobre que o aprendizado custa caro. Só nos empenhos identificados, temos nomes como Lucas Telles dos Passos, que abocanhou R$ 7.500,00, e Diogo Nogueira Silva, com R$ 3.600,00. Isso apenas em registros isolados. Somando essas “capacitações”, passamos facilmente da casa dos 11 mil reais , e isso sem contar as passagens aéreas e outros custos que, na prática do serviço público, costumam vir na bagagem como “despesas extras”.

​Ao todo, estamos falando de quase 20 mil reais que saíram direto da conta do município para garantir que vereadores e assessoria pudessem entender melhor a “fiscalização e responsabilidades” em Porto Alegre.

​É irônico, não é? Para aprender sobre responsabilidade, é preciso gastar o que o povo mal tem. Enquanto o curso de formação é sobre “temas sensíveis”, o que parece ser realmente sensível é o cartão de crédito da Câmara, ou melhor diárias quando o assunto é o conforto dos nossos edis em terras gaúchas.

​Vereador Telles, a lição de casa em Porto Alegre parece estar sendo muito bem paga. Mas, aqui em Primavera, a gente continua perguntando: quando é que a “formação” vai incluir um curso de como não torrar o dinheiro público com tanta facilidade?

​Fica a pergunta. E o recibo, esse, como sempre, fica para você pagar.

📰 Crônica: A cassação que parou na recepção

Em Primavera do Leste, a política resolveu inovar. Não é mais preciso enfrentar plenário, debate ou voto. Agora, certos assuntos já são resolvidos ali mesmo, na recepção.

 

O pedido de cassação contra o vereador Sargento Telles sequer chegou a “dar bom dia” no plenário. Foi barrado antes, com toda a elegância que os procedimentos técnicos permitem.

 

Segundo a versão oficial, faltou “autorização adequada” para a denúncia. Curioso. Porque, para alguns, a lei parece permitir que até o eleitor participe. Para outros, nem tanto. Vai entender, o Direito, às vezes, é quase uma obra de arte contemporânea: cada um enxerga o que quer.

 

Enquanto isso, o conteúdo da denúncia ficou intacto. Intocado. Intocável. Uma espécie de segredo que ninguém quis abrir — talvez por zelo institucional, talvez por excesso de prudência.

 

E sob a condução do presidente da Câmara, Marco Aurélio, tudo seguiu com tranquilidade exemplar. Sem ruído, sem desgaste, sem aquele incômodo chamado “debate público”.

 

Eficiência é isso.

 

Resolve-se rápido, evita-se constrangimento e, de quebra, mantém-se a harmonia entre os pares. Afinal, política também é sobre convivência.

 

Agora, claro, tudo dentro das regras. Ou pelo menos dentro de uma leitura bastante conveniente delas.

 

No fim, Primavera do Leste dá mais um passo à frente na inovação institucional: criou-se o julgamento sem julgamento.

 

E fica aquela dúvida que ninguém responde, mas todo mundo entende:

 

Foi rigor técnico… ou apenas uma solução elegante para um problema inconveniente?

 

Mas veja, é só uma crônica.