Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 23 de Abril de 2026

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Como fica o governo enquanto Bolsonaro está no hospital



Presidente foi diagnosticado com pneumonia, mas equipe considera que ele está em condições de comandar o país
© AFP Presidente foi diagnosticado com pneumonia, mas equipe considera que ele está em condições de comandar o país

presidente Jair Bolsonaro completará neste sábado (9), ainda internado, os primeiros 40 dias de governo. Embora não haja confirmação de quando receberá alta, já é certo que ele terá passado mais de um terço desse período – ou 14 dias – dentro do hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Mesmo com uma recente piora no quadro de saúde, Bolsonaro segue responsável pela Presidência do país – função que chegou a ficar nas mãos do vice-presidente, Hamilton Mourão, mas que Bolsonaro reassumiu dois dias após a realização da cirurgia para religação do intestino e retirada da bolsa de colostomia que utilizava desde que sofreu um ataque a faca durante a campanha eleitoral, em setembro.

Nesta semana, o presidente apresentou febre e recebeu um diagnóstico de pneumonia. Na manhã desta sexta-feira, Bolsonaro escreveu no Twitter que voltou, aos poucos, a se alimentar e divulgou uma foto sorrindo e segurando uma colher com gelatina roxa.

“Nas últimas horas tive o prazer de voltar a comer. Ontem pela noite um caldo de carne e hoje uma boa gelatina. Estou feliz, apesar de não ser aquele pão com leite condensado kkkk. Bom dia a todos!”, escreveu o presidente.

Mesmo diante da internação, a equipe considera que ele está em condições de comandar o país e nega resistência em passar a missão para Mourão, que está em Brasília.

“Não há nenhum tipo de mal estar entre o presidente e o vice. O presidente tem plenas condições de prosseguir dirigindo o país e pode perfeitamente liderar o governo, ainda que fisicamente não esteja presente em Brasília”, afirmou à BBC News Brasil o porta-voz da Presidência da República, general Otávio Rêgo Barros.

Com a administração de antibióticos até a próxima semana para conter o quadro de pneumonia, Bolsonaro terá de passar por novas avaliações para ter uma previsão de alta. O presidente também tem relatado dificuldade para dormir.

Ao compartilhar no Twitter mais um dos comunicados de Rêgo Barros, o perfil oficial do presidente escreveu: “Cuidado com o sensacionalismo. Estamos muito tranquilos, bem e seguimos firme”.

Afastamento de Brasília atrasa decisões sobre medidas prioritárias

Ainda que o governo procure transmitir otimismo em relação à evolução da saúde do presidente, a distância de Bolsonaro das atividades em Brasília já tem gerado efeitos práticos, reconhecidos inclusive pelos aliados.

O mais claro desses impactos é o atraso para tomar decisões sobre medidas consideradas prioritárias, como a proposta de reforma da Previdência que o governo pretende enviar ao Congresso. Em reuniões internas, integrantes da equipe responsável pelo texto esperam que o presidente bata o martelo sobre o assunto até o dia 19, mas Bolsonaro não se comprometeu publicamente com uma data.

Presidente despacha em seu leito no hospital Albert Einstein
Reuters Presidente despacha em seu leito no hospital Albert Einstein

O encontro com integrantes do governo também está prejudicado pela necessidade de Bolsonaro despachar de seu leito no hospital. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, por exemplo, chegou a agendar uma viagem para São Paulo para se reunir com o presidente no dia 31 de janeiro, mas teve de desmarcar o encontro devido à necessidade de repouso de Bolsonaro. O encontro não foi remarcado.

A ausência do presidente no Palácio do Planalto dificulta o contato dele não só com os ministros, mas também com parlamentares, em um momento em que novos deputados e senadores assumem os cargos e começam a desenhar suas estratégias.

O cientista político Renato Matos Roll, consultor na área de relações governamentais, avalia que a distância de Bolsonaro de Brasília não é tão prejudicial neste momento, início do ano legislativo, porque os parlamentares estão voltados para as decisões internas da Câmara e do Senado.

“O momento em que o afastamento do presidente ocorreu causou menores prejuízos porque é momento que o Congresso está olhando para si, com definições sobre a composição da mesa diretora e de comissões temáticas”, afirmou.

Após essas definições, contudo, a ausência do presidente poderá ter mais impacto, principalmente porque o início do governo é considerado um momento-chave para a aprovação de medidas consideradas de difícil aprovação, como a alteração nas regras de aposentadoria.

“Há um trabalho muito intenso, principalmente no início dos governos, de usar o capital político do recém-eleito para angariar apoio para pautas prioritárias. Por isso, há uma expectativa grande de partir para temas como a reforma da Previdência e mudanças na área de segurança pública”, disse.

Pacote de leis anticrime ‘deu sensação de que governo continua andando’

Roll avalia que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, “contrabalançou” a distância de Bolsonaro ao apresentar nesta semana o seu pacote de leis anticrime. “Isso deu a sensação de que o governo continua andando”, afirmou.

O aspecto que mudou pouco durante a internação de Bolsonaro é a interação com o público pelas redes sociais. Ele tem usado a ferramenta para divulgar reuniões de seus ministros, fotos dele no hospital, e compartilhar mensagens publicadas por seus filhos no Twitter.

O ministro Sergio Moro 'contrabalançou' distância de Bolsonaro com pacote de leis anticrime, diz consultor
© Reuters O ministro Sergio Moro ‘contrabalançou’ distância de Bolsonaro com pacote de leis anticrime, diz consultor

As mensagens sobre ações do governo não são as que, em geral, recebem mais curtidas do público. Entre as quinze últimas postagens no Twitter, as mais populares, com mais de 50 mil curtidas, foram uma imagem que informa a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma mensagem em que Bolsonaro diz que nenhum assassino vai detê-lo.

“Começamos mais uma quinta-feira combatendo o bom combate. Temos uma missão e vamos cumpri-la. Precisamos estar unidos para transformar o Brasil em um local mais seguro para os cidadãos de bem! Não perderemos esta oportunidade única! Contem conosco! Nenhum assassino irá nos parar!”

BBC



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POLÍTICA TERRITORIAL: Deputado Nininho celebra sanção de lei que regulamenta desmembramento de municípios


Nova legislação cria critérios nacionais para desmembramento de áreas entre municípios e abre caminho para revisão de limites em Mato Grosso; plebiscito será nos dois municípios afetados

Entrou em vigor a Lei Complementar 230/2026, que estabelece regras nacionais para o desmembramento de parte de um município para incorporação a outro. Sancionada sem vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União, a norma foi acompanhada de perto pelo deputado estadual Ondanir Bortolini, Nininho (Republicanos), que articulou com a deputada federal Gisela Simona a agilização da tramitação da proposta no Congresso Nacional.

 

A nova legislação define que qualquer alteração territorial dependerá de iniciativa da Assembleia Legislativa, elaboração de estudo de viabilidade e aprovação por plebiscito envolvendo os eleitores dos municípios afetados. O texto também proíbe, de forma expressa, a criação de novos municípios a partir desses desmembramentos.

 

A lei estabelece um prazo de 15 anos para que os processos de desmembramento sejam realizados. Também determina a suspensão dessas iniciativas no período que antecede o Censo Demográfico de 2030, com retomada após a divulgação dos resultados oficiais.

 

Outro ponto central é a exigência de aprovação do pedido de plebiscito com antecedência mínima de 90 dias. Para 2026, excepcionalmente, o prazo foi reduzido para 60 dias, com o objetivo de viabilizar consultas ainda neste ano.

 

Além disso, a norma mantém a possibilidade de atualização de limites intermunicipais mesmo durante a tramitação dos processos de desmembramento, o que permite aos estados avançar em revisões administrativas sem interrupções.

IMPACTOS

A regulamentação era considerada necessária para dar segurança jurídica a disputas territoriais que, em muitos casos, se arrastam por anos. A indefinição de limites afeta diretamente a arrecadação municipal e a prestação de serviços públicos, especialmente em regiões produtivas.

 

Segundo Nininho, que é presidente da Comissão de Revisão Territorial de Municípios e Cidades da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a nova lei corrige uma lacuna. “Esse projeto era indispensável para dar segurança jurídica a um trabalho que Mato Grosso já iniciou. Sem essa regulamentação, os processos ficavam travados ou sujeitos a disputas judiciais intermináveis”, afirma.

 

O deputado também destaca os reflexos práticos da medida. “Estamos tratando de áreas onde a população, muitas vezes, já tem vínculo com outro município, mas permanece em uma divisão administrativa que não reflete a realidade. Isso gera prejuízos concretos”, diz Nininho.

RESSALVAS

No entanto, apesar de reconhecer o avanço da legislação, Nininho faz ressalvas quanto ao modelo de consulta popular previsto no texto. A lei determina que o plebiscito envolva os eleitores dos dois municípios impactados, o que, na avaliação do parlamentar, pode distorcer o resultado.

 

Para o parlamentar, o ideal seria restringir a votação à população diretamente afetada. “O plebiscito deveria abranger apenas os moradores da área a ser desmembrada, que são os mais interessados no processo e que vivenciam essa realidade no dia a dia”, argumenta Nininho.

 

A lei também estabelece que mudanças nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios e de outras transferências só ocorrerão após o encerramento do exercício financeiro seguinte à definição dos novos limites territoriais.

 

“A nossa expectativa é de que a regulamentação destrave processos paralisados e permita uma reorganização mais precisa das divisas municipais, especialmente em estados como Mato Grosso, onde há histórico de conflitos territoriais e áreas com vínculos administrativos indefinidos”, completa o deputado Nininho.

Redação: Sérgio Ober

 

 

 


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