Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 30 de Abril de 2026

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Polícia

MP pede arquivamento de ação contra ex-marido, cunhado e irmão de presa por matar grávida



O Ministério Público de Mato Grosso solicitou o arquivamento de um inquérito policial complementar que apurava a possível participação de três pessoas no brutal assassinato da adolescente Emelly Beatriz Azevedo Sena, de 16 anos, ocorrido em março deste ano.

Grávida de nove meses, a jovem foi morta por Nataly Helen Martins Pereira, de 25 anos, que retirou o bebê de seu ventre e enterrou o corpo no quintal de uma casa no bairro Jardim Florianópolis, em Cuiabá (MT).

Os alvos da investigação complementar — Aledson Oliveira da Silva, Christian Albino Cebalho de Arruda e Cícero Martins Pereira Júnior — chegaram a ser presos durante as primeiras fases do caso, mas acabaram sendo liberados após a confissão de Nataly, que assumiu total responsabilidade pela ação criminosa.

De acordo com o promotor Rinaldo Segundo, responsável pelo pedido de arquivamento, não há qualquer prova de que os três tenham colaborado ou sequer soubessem do plano executado por Nataly. A apuração conduzida pelo delegado Michel Mendes Paes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), apontou que a autora do crime agiu de forma isolada, sem o auxílio de terceiros.

Cunhado, marido e irmão da autora foram inocentados

Aledson, cunhado de Nataly, foi acusado inicialmente por ter acompanhado a mulher ao Hospital Santa Helena no dia do crime, onde ela tentou registrar a criança como se fosse sua. No entanto, ficou comprovado que ele apenas prestou ajuda à família após as suspeitas médicas e que trabalhava como motorista de aplicativo no momento do assassinato, com álibi confirmado.

Christian, companheiro de Nataly na época, foi apontado pelo Ministério Público como mais uma vítima da farsa: ele acreditava na gravidez da esposa, que usava documentos falsificados e evitava qualquer acompanhamento médico com familiares. No momento do crime, ele estava no trabalho, em um restaurante.

Já Cícero, irmão da autora e dono da casa onde o crime ocorreu, também foi inocentado. As investigações revelaram que Nataly se aproveitou do fato de a chave da residência ficar escondida em um local de fácil acesso para a família. Cícero estava em serviço em uma obra de construção civil no dia do homicídio, e também teve seu álibi confirmado.

Exames, denúncias e celulares analisados

Durante a investigação, a polícia apurou denúncias anônimas que sugeriam, entre outras hipóteses, tráfico de recém-nascidos e envolvimento direto de familiares. Nenhuma delas se sustentou após as diligências. Também foram periciados os celulares dos quatro investigados e, segundo relatório técnico, não foi encontrado qualquer conteúdo que indicasse participação ou conhecimento prévio do crime por parte de Aledson, Christian ou Cícero.

“O que se concluiu é que todos foram surpreendidos pelos atos de Nataly, assim como os demais familiares. A atuação dela foi solitária e premeditada”, afirmou o promotor Rinaldo Segundo.

O crime

Emelly foi atraída de Várzea Grande até a capital com a promessa de ganhar roupas para o bebê. No local, foi assassinada por asfixia. Em seguida, Nataly improvisou um parto com uma faca e uma navalha, retirou a criança do corpo da vítima e a enterrou no quintal da casa. Poucas horas depois, tentou dar entrada no hospital como se tivesse acabado de dar à luz.

Nataly foi presa em flagrante, confessou o crime com detalhes e acabou denunciada pelo Ministério Público por diversos crimes, incluindo feminicídio qualificado, subtração de recém-nascido, ocultação de cadáver, falsificação de documentos e fraude processual.

Na Justiça, a defesa chegou a tentar uma avaliação psiquiátrica alegando traumas de infância, mas o pedido foi rejeitado. Desde março, ela está detida na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

Com o pedido de arquivamento, o Ministério Público reconhece que a responsabilidade pelo crime é exclusiva de Nataly Helen Martins Pereira.

Fonte Conteúdo/ODOC



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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