Primavera do Leste / MT - Sexta-Feira, 03 de Abril de 2026

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PF faz operação em MT e SP contra desvio de recursos públicos da Lei Rouanet



Operação ganhou o nome de Apate: na mitologia grega era um espírito que personificava a fraude, o dolo e o engano. Operação ocorre em Cuiabá, São Paulo e Ribeirão Preto.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (26) a Operação ‘Apate’ contra fraudes na aplicação de recursos públicos da Lei Rouanet, em Cuiabá.

Estão sendo cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, São Paulo (SP) e Ribeirão Preto (SP). Não há mandados de prisão.

Segundo a PF, as investigações foram iniciadas em 2017, a partir de uma apuração realizada pela Controladoria Geral da União (CGU), que identificou indícios de fraudes na execução de um projeto cultural por uma empresária de Cuiabá, cuja empresa teria sido beneficiada pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), instituído através da Lei 8.313/1991 (Lei Rouanet).

As apurações iniciais apontaram que a empresária, ao realizar a devida prestação de contas junto ao Ministério da Cultura (MinC), utilizava notas fiscais e recibos com valores superfaturados ou contendo a descrição de serviços que não foram prestados.

De acordo com a PF, nessa fase inicial também restou comprovado que, no ano de 2015, as fraudes viabilizaram a locação de uma praça pública por R$ 90 mil.

Com o aprofundamento das investigações, foi possível constatar a ocorrência de inúmeras fraudes na execução de dois projetos culturais nos anos de 2014 e 2015.

No ano de 2014, o Ministério da Cultura (MinC) aprovou a execução de um projeto cultural no valor de R$ 460 mil, sendo constatados indícios que apontam para um prejuízo aproximado de R$ 162.935,70.

Já em 2015, o MinC aprovou a execução de outro projeto no valor de R$ 1.200.197,60, mas indícios apontam para um prejuízo aproximado ainda maior, de R$ 699.831,96.

Do total de recursos desviados, foi identificado que parte foi utilizada pela empresária para adquirir uma sala comercial, onde funciona a sede da empresa investigada.

A Justiça Federal deferiu, ainda, o sequestro de valores de 37 contas bancárias, bem como de automóveis e imóveis registrados em nome da empresária e da empresa proponente investigada, além da sala comercial adquirida com a utilização de parte dos recursos públicos desviados.

A Justiça Federal deferiu também a suspensão de repasses financeiros de qualquer natureza à investigada ou suas empresas, assim como a suspensão de outros sete projetos culturais em andamento junto ao Ministério da Cultura e sob a responsabilidade da empresária, cujos valores aprovados pelo MinC ultrapassam R$ 9 milhões.

As ordens judiciais foram deferidas pela 7ª Vara Federal Criminal de Cuiabá.

Participam da operação 55 policiais federais e dois auditores da CGU. Os investigados responderão pelos crimes de estelionato qualificado, falsidade ideológica, uso de documento falso, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Na mitologia grega, Apate era um espírito que personificava a fraude, o dolo e o engano. A operação é realizada em parceria com a Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal.

Operação Apate: agentes da Polícia Federal apreendem documentos em escritório de Ribeirão Preto (Foto: Paulo Souza/EPTV)Operação Apate: agentes da Polícia Federal apreendem documentos em escritório de Ribeirão Preto (Foto: Paulo Souza/EPTV)

Operação Apate: agentes da Polícia Federal apreendem documentos em escritório de Ribeirão Preto (Foto: Paulo Souza/EPTV)

São Paulo

Em Ribeirão Preto, os agentes da PF cumpriram um mandado de busca e apreensão em um prédio localizado na Avenida Doutor Plínio de Castro Prado, no Jardim Palma Travassos. O delegado da PF Guilherme Biagi, que acompanhou os agentes, disse apenas que o escritório investigado colaborou com a equipe e entregou os documentos solicitados.

Superfaturamento

Em nota, o Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União disse que a empresa investigada praticou diversas irregularidades, entre as quais: despesas superfaturadas (em até 80% do valor de mercado), despesas fictícias, contratação de empresas inexistentes e adulteração de documentos. As apurações identificaram até simulação de locação de uma praça pública.

As empresas contratadas efetuavam o “retorno” do percentual superfaturado por meio de transferências entre contas bancárias ou saques em espécie. Os desvios ocasionaram um prejuízo da ordem de R$ 870 mil, num universo de R$ 1.634.9276 de contratos analisados.



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Opinião - política

Troca de legenda, mesma lógica: Bira muda de partido e recalcula rota para 2026


Charge política.

Por Luis Costa/ Redação

Em Primavera do Leste, a política inova, pelo menos no discurso e na  prática, manual de reposicionamento, onde mudar de partido é menos sobre ideologia e mais sobre encontrar o melhor lugar ao sol.

Bira deixou o PL e desembarcou no Podemos. A justificativa oficial vem carregada de termos nobres: “reorganização”, “maturidade política”, “fortalecimento de grupo”. Tudo muito elegante quase poético , não fosse o fato de que, na prática, trata-se de um movimento clássico de quem decidiu apostar em um campo mais promissor.

Ao sair da base de Wellington Fagundes e se alinhar ao grupo de Max Russi, com conexão direta ao vice-governador Otaviano Pivetta, Bira não apenas mudou de partido. Mudou de eixo de poder. E isso, sim, é o que realmente importa , o resto é narrativa para consumo público.

A nova filiação o posiciona melhor no tabuleiro estadual e, de quebra, mexe no cenário de Primavera, onde disputa espaço com o ex-prefeito Leonardo Bortolin. Com uma legenda mais “leve” como gostam de dizer, tenta ampliar alcance e reduzir resistências. Traduzindo: quer mais voto e menos desgaste, e quem sabe consegue unir muitos primaverenses em torno do projeto com chance de conseguir ter um deputado.

No pacote, entra também o tempero tradicional da política local: fé e articulação caminhando lado a lado. A influência da igreja, representada por lideranças como o pastor Ary Dantas, segue presente, lembrando que, por aqui, espiritualidade e estratégia eleitoral costumam dividir o mesmo púlpito.

Enquanto isso, o apoio do prefeito Sérgio Machnic, em parceria institucional com Max Russi, é apresentado como compromisso com o desenvolvimento e sinal de alinhamento. E é mesmo, alinhamento de grupo que fica ainda mais forte.

Para completar o cenário, Eduardo Botelho deixa o União Brasil e migra para o MDB, garantindo que o tabuleiro continue em movimento suficiente para parecer dinâmico, garantindo quase que uma vaga já no partido, podendo dificultar ainda para Léo.

No fim, a tal “mudança de jogo” existe, mas não exatamente como vendem. O jogo continua o mesmo, o que muda é quem está melhor posicionado nele. E nisso, convenhamos, Bira fez seu movimento no tempo certo.


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