Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 30 de Abril de 2026

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Polícia

PM que entregou envelope com nome de presidente do TJ envolve preso por morte de advogado



Militar disse que atendeu pedido da esposa de um PM que está preso. Um motorista de aplicativo foi contratado por uma pessoa que se passou por Zuquim Nogueira

O sargento da Rotam preso por supostamente enviar R$ 10 mil ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) usando o nome e a foto do desembargador José Zuquim Nogueira como remetente, foi identificado como Eduardo Soares de Moraes.

Em depoimento à Polícia Civil, ele afirmou que apenas entregou o envelope ao motorista de aplicativo à pedido de Laura Kellys, companheira do policial militar Jackson Pereira Barbosa,

Jackson está preso no Batalhão da Rotam, acusado de intermediar o assassinato do advogado Renato Nery, ocorrido em julho do ano passado.

No depoimento, Eduardo confirmou que esteve no Fórum da Capital acompanhado de Laura, pois ela teria solicitado ajuda para encontrar um advogado.

Ele disse que Laura pediu para que entregasse o envelope a um motorista de aplicativo e que, pelo volume, percebeu se tratar de dinheiro, mas não questionou o conteúdo.

Eduardo afirmou ainda que não tinha conhecimento de que a entrega envolvia o nome do presidente do TJMT e que apenas atendeu ao pedido de Laura.

Após aguardar o suposto advogado, que não apareceu, Eduardo disse que levou Laura até a rodoviária de Cuiabá e, em seguida, foi para a casa de uma namorada.

A Polícia Civil obteve imagens que mostram Eduardo encontrando com o motorista de aplicativo no estacionamento do Fórum.

Outra imagem obtida pela investigação mostra Eduardo e Laura Kellys dentro do Fórum.

O motorista de aplicativo também prestou depoimento à Polícia Civil sobre o caso e forneceu prints da tela do seu celular com os diálogos dele com a pessoa que se passou pelo desembargador José Zuquim.

Celular apreendido

Em revista no local onde Jackson Pereira Barbosa está preso, foi encontrado um celular Samsung azul-claro, lacrado em envelope com brasão da Polícia Militar.

O material foi apreendido para investigação, já que Eduardo havia mencionado o aparelho em seu depoimento.

Embora a informação inicial fosse de que o celular pertencia a outro detento, o fato de o aparelho estar no mesmo local que Jackson reforça a necessidade de aprofundar as apurações sobre a conexão entre os envolvidos.

Entenda

A história veio à tona depois que o desembargador José Zuquim Nogueira publicou um vídeo explicando o episódio.

Zuquim relatou que o pacote chegou à guarita por meio do motorista de aplicativo. “Alguém procuraria esse pacote. Como não foi procurado, ele [o motorista] se dirigiu ao policial militar [da segurança do TJ], que se surpreendeu e comunicou a responsável pela entrada”, disse Zuquim no vídeo.

A major responsável pela segurança identificou que o pacote continha R$ 10 mil. No aplicativo do motorista, ela encontrou o nome e a foto do desembargador, como se ele fosse o remetente do dinheiro. “Isso me surpreendeu muito, me deixou estarrecido e pedi para que o fato fosse verificado”, disse.

O desembargador afirmou que o caso ainda exige uma investigação detalhada para que se esclareça a verdade dos fatos.

“Ratifico minha posição e, principalmente, o sentimento de surpresa diante dos fatos. Confio nas instituições e nas investigações, que certamente esclarecerão o que realmente aconteceu e os motivos por trás disso. Oportunamente trarei mais informações”, pontuou.



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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