Primavera do Leste / MT - Segunda-Feira, 06 de Abril de 2026

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Irregularidade climática impacta início da safra em Primavera do Leste e Paranatinga



Após percorrer mais de 1200 quilômetros, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) encerrou nesta quarta-feira (10.12) a semana sul da Quarta Temporada do Mato Grosso Clima e Mercado, registrando a situação da safra 2025/26 nos núcleos de Primavera do Leste e Paranatinga. Os relatos mostram lavouras com atraso no desenvolvimento e preocupações com o impacto na produtividade e na segunda safra.

Em Primavera do Leste, o produtor Hildebrando Coradini explicou que o plantio começou com atraso devido à irregularidade das chuvas, que só chegaram em outubro. “No começo deu duas chuvas, a gente ia começar a plantar, mas não deu. Tivemos um atraso de cerca de 15 dias. Iniciamos o plantio somente no dia 17 de outubro, consegui plantar toda a área em seis dias e depois ainda enfrentamos mais 15 dias de sol, mas eu plantei com umidade boa, o que ainda ajudou nesse inicio”, contou.

Segundo o produtor, veranicos consecutivos dificultaram as operações iniciais de manejo. “Teve uns veranicos. Caíam só umas chuvinhas de 3, 4 milímetros e assim foi indo. Quando chegou a hora de fazer a primeira aplicação de fungicida, não consegui fazer tudo porque estava seco. Tive que esperar chover para conseguir finalizar”, explicou.

Com a regularização das chuvas nos últimos dias, Hildebrando relata melhora significativa no estande. “Com essa chuva que começou faz uns dez dias, melhorou bastante. No geral, a lavoura está se desenvolvendo bem”.

Quanto à segunda safra, a expectativa é mais cautelosa. “A safra do milho vai ser menor que ano passado, isso a gente já sabe. A preocupação é na hora da colheita, que vai chover”.

No município de Paranatinga, a situação também foi marcada por atrasos expressivos. O produtor Carlinhos Rodrigues descreveu um início de ciclo bastante irregular. “Mais um ano muito desafiador para nós, foi bem complicado. No final de setembro as chuvas vieram e acreditamos que seriam normais, mas infelizmente isso não se concretizou”.

De acordo com ele, a variação dentro do próprio município dificultou o andamento do plantio. “É um município muito extenso, com várias situações. Teve gente que conseguiu plantar no começo de outubro, mas a maior parte se espichou para o final de outubro”, disse o produtor ao relatar as pausas no plantio, motivadas pela má distribuição das precipitações. “Criamos um cronograma, mas infelizmente nesse caso não teve como seguir, foi conforme as chuvas foram acontecendo.”

Nos últimos dias, a regularidade das precipitações melhorou o aspecto visual das lavouras, mas não eliminou a preocupação do produtor. “A lavoura hoje vem se desenvolvendo, nos últimos dias, em um ritmo melhor. Se a gente não soubesse o ciclo, poderíamos dizer que está perfeita, mas está toda atrasada e no município de um modo geral está assim. Essa soja teria que estar em um porte maior, em um desenvolvimento maior, por conta do atraso no plantio e a falta de chuvas infelizmente não se desenvolveu tão bem como deveria. Acredito que vamos ter uma quebra significativa de produtividade no município. Temos problemas que variam desde estande muito baixo, muito manchado, até muitas áreas de replantio, nunca visto no município”, relatou.

Para Carlinhos, o impacto se estenderá também à segunda safra. “Para nós, o impacto vai chegar também na segunda safra. Aqui no município temos um grande problema por ser um solo siltoso, e isso já traz dificuldade. Com esse atraso no plantio, acreditamos que haverá uma quebra maior em área plantada, sem nem falar ainda da produtividade lá na frente. Em área mesmo, a redução deve ser bem significativa para o município.”

A Aprosoja MT segue acompanhando o avanço da safra com a série Mato Grosso Clima e Mercado Nesta quinta-feira (11.12) a entidade começa a percorrer a região leste, conversando com produtores de Gaúcha do Norte e Canarana.

Fonte: Aprosoja MT


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A Palavra - Opinião

📰 Crônica: A cassação que parou na recepção


Em Primavera do Leste, a política resolveu inovar. Não é mais preciso enfrentar plenário, debate ou voto. Agora, certos assuntos já são resolvidos ali mesmo, na recepção.

 

O pedido de cassação contra o vereador Sargento Telles sequer chegou a “dar bom dia” no plenário. Foi barrado antes, com toda a elegância que os procedimentos técnicos permitem.

 

Segundo a versão oficial, faltou “autorização adequada” para a denúncia. Curioso. Porque, para alguns, a lei parece permitir que até o eleitor participe. Para outros, nem tanto. Vai entender, o Direito, às vezes, é quase uma obra de arte contemporânea: cada um enxerga o que quer.

 

Enquanto isso, o conteúdo da denúncia ficou intacto. Intocado. Intocável. Uma espécie de segredo que ninguém quis abrir — talvez por zelo institucional, talvez por excesso de prudência.

 

E sob a condução do presidente da Câmara, Marco Aurélio, tudo seguiu com tranquilidade exemplar. Sem ruído, sem desgaste, sem aquele incômodo chamado “debate público”.

 

Eficiência é isso.

 

Resolve-se rápido, evita-se constrangimento e, de quebra, mantém-se a harmonia entre os pares. Afinal, política também é sobre convivência.

 

Agora, claro, tudo dentro das regras. Ou pelo menos dentro de uma leitura bastante conveniente delas.

 

No fim, Primavera do Leste dá mais um passo à frente na inovação institucional: criou-se o julgamento sem julgamento.

 

E fica aquela dúvida que ninguém responde, mas todo mundo entende:

 

Foi rigor técnico… ou apenas uma solução elegante para um problema inconveniente?

 

Mas veja, é só uma crônica.

 

 

 


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