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Justiça mantém nome de fazendeira de MT na ‘lista suja’ do trabalho escravo



Uma advogada e dona de uma propriedade rural em Juína (735 km a Noroeste) teve seu nome mantido pela Justiça do Trabalho em Mato Grosso na “lista suja” de empregadores que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão. Um funcionário dela, 69, vivia em condições insalubres na fazenda.

A decisão, proferida no final de dezembro, também validou os autos de infração lavrados por auditores fiscais e reforçou a gravidade das violações constatadas.

A fiscalização revelou que o empregado vivia em um barraco improvisado na Fazenda Água Boa, sem qualquer estrutura básica de alojamento, acesso à água potável ou banheiro. Admitido em 2013, ele realizava diversas atividades rurais, como limpeza de pastos e aplicação de agrotóxicos. Nos 10 meses antes do resgate, foi transferido para uma área insalubre e estava exposto a riscos como ataques de animais selvagens e intempéries climáticas.

A situação degradante foi confirmada pelos auditores fiscais do trabalho, que encontraram o trabalhador no barraco feito de lona, sem proteção lateral ou sanitária, sendo que tinha que consumir água de um córrego barrento, também usada para higiene e preparo de alimentos. Além disso, o trabalhador sofreu uma redução salarial injustificada em 2020, prática vedada pela legislação trabalhista.

A fiscalização, que resultou em 9 autos de infração, contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e agentes da Polícia Civil.

A fazendeira alegou que as irregularidades constatadas eram administrativas e não configuravam trabalho análogo à escravidão. Afirmou que a inclusão de seu nome na ‘lista suja’, como é conhecido o Cadastro Nacional de Empregadores que submeterem trabalhadores a condições análogas à escravidão, trouxe prejuízos financeiros, como impossibilidade de contratação de financiamento, cassação de benefícios e antecipação de vencimentos de operações bancárias.

A Advocacia Geral da União (AGU) rebateu os argumentos da proprietária da fazenda, destacando que as condições identificadas representavam uma afronta a valores constitucionais, como a dignidade da pessoa humana, o valor social do trabalho e a função social da propriedade.

A AGU também ressaltou que o conceito contemporâneo de trabalho escravo abrange práticas degradantes e desumanas, independentemente da restrição física do trabalhador, e argumentou que a exclusão da fazendeira da ‘lista suja’ comprometeria os esforços nacionais e internacionais de combate à escravidão moderna.

Violações graves
Na sentença dada na Vara do Trabalho de Juína, o juiz Adriano Romero apontou que as provas, incluindo fotos e depoimentos, confirmaram que o trabalhador foi mantido em condições sub-humanas, irregularidades admitidas inclusive pela própria fazendeira.

“A manutenção do vínculo de emprego por mais de uma década, sem registro em carteira, e as condições degradantes de trabalho revelam um grave desrespeito à dignidade do trabalhador e às normas de segurança e saúde”, escreveu o magistrado.

A decisão destacou ainda que a conduta da fazendeira foi incompatível com seu conhecimento jurídico, agravando a gravidade da situação: “Não se está a falar de uma pessoa simples do campo, mas de uma advogada, conhecedora do ordenamento jurídico brasileiro”, ressaltou.

As condições às quais o trabalhador foi submetido configuram uma grave violação, concluiu o juiz.

“O empregado vivia em um barraco construído de forma improvisada, sem proteção contra intempéries, sem acesso à água potável ou banheiro, e sujeito a ataques de animais selvagens. Essas condições não apenas violaram normas trabalhistas, mas também representaram um flagrante desrespeito à dignidade da pessoa humana”, escreveu o magistrado.

O juiz apontou que as justificativas apresentadas pela empregadora eram insuficientes e contraditórias. A alegação de que o trabalhador seria argentino e não possuía documentação legal foi considerada inválida, já que a fazendeira admitiu que o empregado trabalhou por anos sob suas ordens sem qualquer tentativa de regularizar a situação. Da mesma forma, não foi aceita a justificativa da fazendeira de que a redução do salário do trabalhador ocorreu em razão do arrendamento de parte das terras.

Com a decisão, a fazendeira permanece na “lista suja”, instrumento de combate ao trabalho escravo no Brasil criado em 2003. Segundo o Ministério do Trabalho, a lista atualmente conta com 717 empregadores e empresas, sendo atualizada semestralmente para dar transparência às fiscalizações e combate ao trabalho escravo contemporâneo.

GD



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Região

Prefeito e vice-governador visitam Nova Poxoréu para avaliar melhorias na infraestrutura


Visita teve como objetivo conhecer de perto a realidade da comunidade e buscar soluções para os principais problemas enfrentados pela população

  • Publicado em 12/03/2026

O prefeito Sérgio Machnic acompanhou o vice-governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, em uma visita ao distrito de Nova Poxoréu para apresentar de perto a realidade enfrentada pelos moradores da região e buscar alternativas para melhorias na infraestrutura local.

 

A visita contou também com a presença do secretário de Fazenda do Estado, Rogério Luiz Gallo, do secretário municipal de Infraestrutura, Victor Diniz, da vice-prefeita Iva Viana e de representantes do Legislativo. O objetivo foi verificar as condições da comunidade e discutir possíveis soluções para garantir mais qualidade de vida à população.

 

Durante a visita, o vice-governador destacou que o Governo do Estado irá avaliar a situação e estudar as melhores alternativas para organizar e estruturar a região.

 

“Vamos buscar imagens via satélite do lugar e viabilizar as melhores soluções possíveis. Precisamos organizar o lugar, com escola, com saúde, com tudo o que precisa. Aqui não tem rua, não tem nada. Como é que as crianças vêm para a escola? Então precisamos fazer isso acontecer. Vamos fazer uma avaliação geral para apresentar uma proposta para as lideranças e vereadores e construir juntos a melhor solução para todos”, afirmou.

 

Pivetta também reforçou o compromisso de trabalhar para transformar a realidade da comunidade.

 

“Faz parte do nosso dever ajudar a organizar e melhorar o nosso Estado. Quero ver esse lugar urbanizado, com acesso adequado, água, iluminação, pavimentação e rede de esgoto, garantindo dignidade para quem vive aqui”, completou.

 

O prefeito Sérgio Machnic destacou que levar o vice-governador até a comunidade foi fundamental para mostrar de perto as dificuldades enfrentadas pelos moradores e buscar apoio para resolver os problemas.

 

“É muito importante trazer as autoridades aqui para verem de perto a realidade da nossa população. Nova Poxoréu precisa de atenção e de investimentos em infraestrutura, e essa visita é justamente para isso: buscar soluções e parcerias para melhorar a vida de quem mora aqui”, afirmou.

 

Já o vereador e líder do prefeito na Câmara, Eraldo Fortes, agradeceu a presença do vice-governador em Primavera do Leste e, principalmente, a visita ao distrito de Nova Poxoréu.

 

A gestão municipal reforça que segue trabalhando para garantir o desenvolvimento de Primavera do Leste, sem deixar de olhar para as necessidades das comunidades mais afastadas, que também fazem parte do município.

 


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