Primavera do Leste / MT - Sábado, 03 de Outubro de 2026

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Justiça mantém nome de fazendeira de MT na ‘lista suja’ do trabalho escravo



Uma advogada e dona de uma propriedade rural em Juína (735 km a Noroeste) teve seu nome mantido pela Justiça do Trabalho em Mato Grosso na “lista suja” de empregadores que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão. Um funcionário dela, 69, vivia em condições insalubres na fazenda.

A decisão, proferida no final de dezembro, também validou os autos de infração lavrados por auditores fiscais e reforçou a gravidade das violações constatadas.

A fiscalização revelou que o empregado vivia em um barraco improvisado na Fazenda Água Boa, sem qualquer estrutura básica de alojamento, acesso à água potável ou banheiro. Admitido em 2013, ele realizava diversas atividades rurais, como limpeza de pastos e aplicação de agrotóxicos. Nos 10 meses antes do resgate, foi transferido para uma área insalubre e estava exposto a riscos como ataques de animais selvagens e intempéries climáticas.

A situação degradante foi confirmada pelos auditores fiscais do trabalho, que encontraram o trabalhador no barraco feito de lona, sem proteção lateral ou sanitária, sendo que tinha que consumir água de um córrego barrento, também usada para higiene e preparo de alimentos. Além disso, o trabalhador sofreu uma redução salarial injustificada em 2020, prática vedada pela legislação trabalhista.

A fiscalização, que resultou em 9 autos de infração, contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e agentes da Polícia Civil.

A fazendeira alegou que as irregularidades constatadas eram administrativas e não configuravam trabalho análogo à escravidão. Afirmou que a inclusão de seu nome na ‘lista suja’, como é conhecido o Cadastro Nacional de Empregadores que submeterem trabalhadores a condições análogas à escravidão, trouxe prejuízos financeiros, como impossibilidade de contratação de financiamento, cassação de benefícios e antecipação de vencimentos de operações bancárias.

A Advocacia Geral da União (AGU) rebateu os argumentos da proprietária da fazenda, destacando que as condições identificadas representavam uma afronta a valores constitucionais, como a dignidade da pessoa humana, o valor social do trabalho e a função social da propriedade.

A AGU também ressaltou que o conceito contemporâneo de trabalho escravo abrange práticas degradantes e desumanas, independentemente da restrição física do trabalhador, e argumentou que a exclusão da fazendeira da ‘lista suja’ comprometeria os esforços nacionais e internacionais de combate à escravidão moderna.

Violações graves
Na sentença dada na Vara do Trabalho de Juína, o juiz Adriano Romero apontou que as provas, incluindo fotos e depoimentos, confirmaram que o trabalhador foi mantido em condições sub-humanas, irregularidades admitidas inclusive pela própria fazendeira.

“A manutenção do vínculo de emprego por mais de uma década, sem registro em carteira, e as condições degradantes de trabalho revelam um grave desrespeito à dignidade do trabalhador e às normas de segurança e saúde”, escreveu o magistrado.

A decisão destacou ainda que a conduta da fazendeira foi incompatível com seu conhecimento jurídico, agravando a gravidade da situação: “Não se está a falar de uma pessoa simples do campo, mas de uma advogada, conhecedora do ordenamento jurídico brasileiro”, ressaltou.

As condições às quais o trabalhador foi submetido configuram uma grave violação, concluiu o juiz.

“O empregado vivia em um barraco construído de forma improvisada, sem proteção contra intempéries, sem acesso à água potável ou banheiro, e sujeito a ataques de animais selvagens. Essas condições não apenas violaram normas trabalhistas, mas também representaram um flagrante desrespeito à dignidade da pessoa humana”, escreveu o magistrado.

O juiz apontou que as justificativas apresentadas pela empregadora eram insuficientes e contraditórias. A alegação de que o trabalhador seria argentino e não possuía documentação legal foi considerada inválida, já que a fazendeira admitiu que o empregado trabalhou por anos sob suas ordens sem qualquer tentativa de regularizar a situação. Da mesma forma, não foi aceita a justificativa da fazendeira de que a redução do salário do trabalhador ocorreu em razão do arrendamento de parte das terras.

Com a decisão, a fazendeira permanece na “lista suja”, instrumento de combate ao trabalho escravo no Brasil criado em 2003. Segundo o Ministério do Trabalho, a lista atualmente conta com 717 empregadores e empresas, sendo atualizada semestralmente para dar transparência às fiscalizações e combate ao trabalho escravo contemporâneo.

GD



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Primavera do Leste recebe carreta da PRF com projeto Cinema Rodoviário


Unidade adaptada como auditório promove educação para o trânsito e recebe escolas públicas e particulares até sexta-feira (2)

A Prefeitura de Primavera do Leste apoia a chegada do projeto Cinema Rodoviário, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao município. A iniciativa utiliza uma carreta adaptada como auditório para levar ações de educação para o trânsito a diferentes regiões do país, aproximando o trabalho educativo da comunidade.

Nesta etapa, Primavera do Leste foi selecionada para receber a unidade, que posteriormente seguirá para Porto Velho, em Rondônia. A carreta permanece no município até a próxima sexta-feira (2), às 17h, com atendimento diário das 8h às 17h.

A programação é direcionada principalmente às escolas das redes pública e particular. O atendimento às instituições de ensino já começou nesta terça-feira (29) e busca alcançar o público infantojuvenil por meio de atividades educativas voltadas à conscientização e à segurança no trânsito.

Segundo o policial rodoviário federal Márcio, o projeto tem como objetivo preparar crianças e adolescentes para que, no futuro, sejam condutores mais responsáveis e também atuem como multiplicadores de boas práticas dentro de suas famílias.

“Conscientização, o aprendizado das crianças, né, pra proporcionar um futuro com trânsito seguro. Elas, além de serem futuros condutores, são aquelas que vão puxar o orelho do papai e da mamãe quando estiverem fazendo alguma barbeiragem no trânsito. Então nosso objetivo realmente é trabalhar, conciliar o trabalho de fiscalização das nossas equipes com esse trabalho de educação para o trânsito, principalmente dos nossos jovens”, disse o PRF Márcio Júnior.

A proposta integra as ações de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal com iniciativas de educação para o trânsito, reforçando a importância da formação de uma cultura de segurança desde a infância e a adolescência.

Além de conhecer a estrutura da carreta, os estudantes têm acesso a orientações que buscam aproximar o conteúdo sobre segurança viária da realidade cotidiana, incentivando comportamentos responsáveis e o respeito às regras de circulação.

A Prefeitura de Primavera do Leste reforça seu apoio às iniciativas de educação e conscientização no trânsito e destaca a importância da parceria com a PRF para levar conhecimento às novas gerações, contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis no uso das vias públicas.

Coordenadoria de Comunicação


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