Troca de legenda, mesma lógica: Bira muda de partido e recalcula rota para 2026

Charge política.

Por Luis Costa/ Redação

Em Primavera do Leste, a política inova, pelo menos no discurso e na  prática, manual de reposicionamento, onde mudar de partido é menos sobre ideologia e mais sobre encontrar o melhor lugar ao sol.

Bira deixou o PL e desembarcou no Podemos. A justificativa oficial vem carregada de termos nobres: “reorganização”, “maturidade política”, “fortalecimento de grupo”. Tudo muito elegante quase poético , não fosse o fato de que, na prática, trata-se de um movimento clássico de quem decidiu apostar em um campo mais promissor.

Ao sair da base de Wellington Fagundes e se alinhar ao grupo de Max Russi, com conexão direta ao vice-governador Otaviano Pivetta, Bira não apenas mudou de partido. Mudou de eixo de poder. E isso, sim, é o que realmente importa , o resto é narrativa para consumo público.

A nova filiação o posiciona melhor no tabuleiro estadual e, de quebra, mexe no cenário de Primavera, onde disputa espaço com o ex-prefeito Leonardo Bortolin. Com uma legenda mais “leve” como gostam de dizer, tenta ampliar alcance e reduzir resistências. Traduzindo: quer mais voto e menos desgaste, e quem sabe consegue unir muitos primaverenses em torno do projeto com chance de conseguir ter um deputado.

No pacote, entra também o tempero tradicional da política local: fé e articulação caminhando lado a lado. A influência da igreja, representada por lideranças como o pastor Ary Dantas, segue presente, lembrando que, por aqui, espiritualidade e estratégia eleitoral costumam dividir o mesmo púlpito.

Enquanto isso, o apoio do prefeito Sérgio Machnic, em parceria institucional com Max Russi, é apresentado como compromisso com o desenvolvimento e sinal de alinhamento. E é mesmo, alinhamento de grupo que fica ainda mais forte.

Para completar o cenário, Eduardo Botelho deixa o União Brasil e migra para o MDB, garantindo que o tabuleiro continue em movimento suficiente para parecer dinâmico, garantindo quase que uma vaga já no partido, podendo dificultar ainda para Léo.

No fim, a tal “mudança de jogo” existe, mas não exatamente como vendem. O jogo continua o mesmo, o que muda é quem está melhor posicionado nele. E nisso, convenhamos, Bira fez seu movimento no tempo certo.

Coluna Política – Com quem será que o Bira vai ficar?

Vai depender… vai depender… vai depender de quem o pastor quiser.
Foto/Charge: Os pastores Ary Dantas e Fernando vereador Vado. Prefeito Sergio (PL) Bira, vereadora Gislaine e senador Welligton (PL), demostra a articulação em nome do Bira a busca de um partido e conversas com vários grupos políticos.
O empresário Ubiratan Ferreira, o Bira, surge como “ungido” para disputar uma cadeira de deputado estadual. Não foi fruto de militância política, nem de trajetória partidária sólida — mas de uma escolha feita no altar da Assembleia de Deus Madureira, comandada pelo pastor Ary Dantas, mestre na arte de articular bastidores, com apoio do presidente da igreja em Mato Grosso.
E aqui está o ponto incômodo: culto não é palanque. A lei é clara. Só que, na prática, a Madureira transformou a fé em instrumento de poder político. A ordem vem de cima: em Brasília, em Cuiabá, em Primavera. Pastores escolhem, a membresia aplaude e a conta vira “obediência espiritual”. Não se trata de livre escolha, mas de voto de cabresto com verniz religioso.
Quanto ao destino de Bira, Republicanos, Podemos ou PL estão no radar. A boa amizade com o senador Wellington Fagundes deve pesar. Mas não nos enganemos: a decisão não será do próprio Bira. Quem escolhe é o grupo, e o grupo tem dono.
Nos bastidores, o caldo engrossou. Vado, eleito graças ao pastor Ary, não pretende apoiar Bira. Está atrelado a Léo, que já cobrou sua fatura política. Afinal, em política não existe almoço grátis — e dizem que a discussão foi de portas batidas e vozes elevadas.
O curioso é que Bira até poderia ser um bom nome. Tem perfil de empresário, discurso de renovação e poderia representar a cidade com autonomia. Mas essa autonomia não existe quando o mandato nasce no púlpito. E aí fica a pergunta que não quer calar: se eleito, Bira será deputado da sociedade ou apenas mais um representante da vontade dos pastores?
E há mais: se a vereadora Gislaine Yamashita (PL) anda sonhando em pegar carona nos votos do Bira e da Madureira em Mato Grosso, pode acordar. Os pastores Fernandes e Dantas já enxergaram que essa candidatura não empolga nem em Primavera do Leste. Ou seja: para quem esperava embarcar de graça, a porta da condução já foi fechada.
Por enquanto, só uma certeza: o pedido do líder segue firme, disfarçado de bênção.