Entre o “Fora, Lula” e as polêmicas de Primavera: onde fica a coerência política?

Opinião | Por Luis Costa

Primavera do Leste (MT) — Na política, o discurso costuma ser uma coisa; a prática, outra. E é justamente por isso que o eleitor precisa olhar além dos slogans, das bandeiras partidárias e das palavras de ordem que ganham força nas redes sociais.

Em Primavera do Leste, uma contradição merece ser debatida: há pessoas que levantam a bandeira do “Fora, Lula”, criticam posições ideológicas da esquerda e, ao mesmo tempo, apoiam lideranças políticas locais cujas gestões também foram palco de debates e controvérsias envolvendo cultura, comportamento e ideologia.

A pergunta é simples: os princípios políticos valem para todos ou mudam conforme o candidato que recebe o apoio?

A cultura entrou no centro do debate

Durante a gestão de Leonardo Bortolin à frente da Prefeitura de Primavera do Leste, a cultura ganhou espaço na agenda pública, com investimentos em estrutura e iniciativas voltadas às manifestações artísticas.

Em fevereiro de 2023, por exemplo, a cidade inaugurou o Teatro Municipal e uma nova estrutura do Centro Cultural Professora Evangeline Alcântara Takeuchi. Na ocasião, o então prefeito destacou a importância dos espaços para o desenvolvimento cultural e para a formação de jovens.

A informação foi divulgada pelo portal PNB Online, em reportagem publicada em 8 de fevereiro de 2023.

Mas a cultura também se tornou assunto de disputa política na cidade. E é nesse ambiente que surge uma discussão que ainda provoca questionamentos sobre os limites entre arte, liberdade de expressão, valores familiares e posicionamentos ideológicos.

O episódio do beijo que provocou polêmica

Em junho de 2022, uma apresentação artística com temática LGBTQIA+ provocou forte repercussão em Primavera do Leste. A encenação incluía a simulação de um beijo entre pessoas do mesmo sexo e gerou críticas de vereadores, que classificaram a apresentação de maneira negativa.

O caso foi noticiado pelo portal Primeira Página em 30 de junho de 2022.

É importante esclarecer um detalhe: segundo a reportagem, a apresentação foi realizada por uma escola particular, e não se tratava de um espetáculo organizado diretamente pela Prefeitura. Portanto, o episódio não pode ser atribuído automaticamente à administração municipal.

Ainda assim, a repercussão revelou como as questões culturais e ideológicas dividiam opiniões na cidade e eram levadas para o debate político.

A pergunta que permanece pertinente é: quem defende liberdade de expressão em determinadas situações está disposto a defender o mesmo princípio quando a manifestação artística contraria suas próprias convicções?

E quem critica a chamada ideologia de esquerda em âmbito nacional mantém os mesmos critérios quando se trata de aliados políticos locais?

O eleitor não pode ter dois pesos e duas medidas

O problema não está em ser de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política. Cada cidadão tem o direito de defender suas convicções, apoiar candidatos e discordar de manifestações culturais.

O problema começa quando os princípios são utilizados seletivamente.

Se uma pessoa considera determinadas manifestações culturais inadequadas, tem o direito de expressar sua opinião. Mas também precisa estar disposta a avaliar criticamente as decisões e os posicionamentos dos políticos que apoia.

Da mesma forma, quem cobra coerência ideológica do governo federal não deveria abrir mão de fazer as mesmas perguntas aos representantes de sua preferência em Primavera do Leste.

A coerência política não pode ser uma exigência apenas para os adversários.

Flores, obras e disputas ideológicas: o que fica para a população?

Uma gestão pública não pode ser avaliada apenas por eventos, inaugurações, slogans ou imagens bonitas. É preciso observar os resultados, as prioridades administrativas, a aplicação dos recursos públicos e a capacidade de atender às necessidades da população.

Na cultura, isso significa discutir acesso aos espaços públicos, valorização dos artistas locais, transparência nos investimentos e respeito à diversidade de manifestações culturais.

Também significa permitir que a população questione as escolhas da administração sem ser automaticamente rotulada por suas posições políticas ou religiosas.

O debate precisa ser mais amplo do que um beijo em um palco ou uma palavra de ordem nas redes sociais. O cidadão tem o direito de saber quais políticas foram executadas, quanto custaram e quais benefícios trouxeram para a comunidade.

E os eleitores de Léo que gritam “Fora, Lula”?

É aqui que a discussão ganha força política.

Não há contradição automática em alguém criticar Lula e apoiar Leonardo Bortolin. São lideranças diferentes, com trajetórias, propostas e responsabilidades distintas. Um eleitor também pode concordar com um político em determinados assuntos e discordar dele em outros.

Mas, quando o argumento utilizado contra um adversário é ideológico, é legítimo cobrar que os mesmos critérios sejam aplicados aos aliados.

Se o discurso é contra determinadas manifestações culturais, por exemplo, o eleitor pode perguntar como os políticos de sua preferência se posicionaram diante de situações semelhantes. Se a cobrança é por valores familiares, cabe questionar quais políticas públicas efetivamente defendem esses valores. E, quando o argumento é o uso do dinheiro público, a fiscalização deve valer para todos.

Não se trata de defender Lula nem de atacar quem pensa diferente. Trata-se de cobrar coerência de quem faz da ideologia uma bandeira política.

A política precisa de menos slogans e mais coerência

Primavera do Leste precisa de debate sério sobre saúde, educação, infraestrutura, cultura, segurança e aplicação dos recursos públicos. As discussões ideológicas fazem parte da democracia, mas não podem substituir a avaliação concreta dos resultados de uma gestão.

O eleitor não deve entregar um cheque em branco a nenhum político. Nem a um adversário, nem a um aliado.

Quem cobra coerência precisa praticá-la. Quem exige transparência deve aceitar a fiscalização. E quem critica as escolhas de um governo precisa estar disposto a examinar as decisões dos representantes que apoia.

No fim das contas, a pergunta não é apenas quem grita “Fora, Lula”. A pergunta é: quais critérios essa pessoa utiliza para avaliar os políticos em quem acredita?

Porque, em uma democracia, a coerência não se mede pelo volume do grito, mas pela disposição de aplicar os mesmos princípios a todos.

 

Ananias critica restrições do STF a Bolsonaro e ataca Lula

Durante a convenção partidária do PL realizada nesta quarta-feira (22), em Cuiabá, o presidente estadual da sigla, Ananias Filho, afirmou que o partido vem sendo atacado pelo Judiciário ao proibirem a comunicação de Jair Bolsonaro por meio de cartas. Ele ainda direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que ele não tinha tal restrição porque “não sabe escrever”.

A fala acontece após ser questionado sobre a vinda da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) a Mato Grosso para apoiar a candidatura de Wellington Fagundes (PL). Na ocasião, Ananias declarou que as recentes decisões que proíbem o ex-presidente Jair Bolsonaro de escrever ao público em prisão domiciliar são uma forma de interferência nas eleições e configuram um cerceamento desproporcional. A medida de não usar rede social diretamente ou por meio de terceiros é uma das cláusulas de sua condenação por tentativa de golpe de Estado.

“Agora, nós sofremos um ataque direto. Interferência na eleição nacional, nas eleições estaduais. De pessoas do círculo do Judiciário. Isso é latente. Nada do PL pode. Quando enclausura o presidente da República, que não pode escrever nem carta. Carta que estava em desuso, ele começou a colocar em uso a carta, agora não deixa nem um correio, nem um interruptor [interceptor] ir lá pegar uma carta dele para ser divulgada”, declarou Ananias.

Ao traçar um paralelo com o período em que Lula esteve detido em Curitiba (PR), o presidente do PL questionou a disparidade no tratamento conferido pela Justiça aos dois líderes políticos. No entanto, a crítica escalou para um ataque pessoal sobre a escolaridade do presidente.

“Gente, o outro falava na cela. Então, em 2022, o PL foi com ação repetitiva da entrevista. Não teve entrevista. Não, mas escreveu carta, mas não pediu para ele não escrever. Ou porque ele não sabe escrever. Às vezes a diferença é essa. O outro não dava conta de escrever carta porque não tem condições de alfabetização, e o outro escreve carta e não pode escrever carta. Eu acho que é isso”, completou em provocação.

Apesar da alfinetada, a declaração de Ananias Filho contraria a realidade. Uma vez que o presidente é alfabetizado, tendo concluído o curso técnico de torneiro mecânico no Senai ainda na juventude, produziu diversos textos, bilhetes e cartas públicas ao longo de sua trajetória política e durante o período em que esteve preso.

Lula teve suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido à parcialidade do ex-juiz Sergio Moro (PL) e à incompetência do foro de Curitiba, reabilitando seus direitos políticos.

GD

​Primavera do Leste entra na rota ferroviária: Novo terminal marca era de desenvolvimento logístico em Mato Grosso

Estrutura estratégica, inaugurada neste sábado (20), amplia capacidade de escoamento do agronegócio, reduz custos e impulsiona a economia regional.

Primavera do Leste – Um novo capítulo na história econômica de Mato Grosso foi escrito neste sábado (20). A inauguração do primeiro terminal ferroviário da região, localizado estrategicamente às margens da BR-070  na conexão entre Primavera do Leste, Campo Verde e Dom Aquino , consolida o município como um hub logístico de referência para o agronegócio brasileiro.

A cerimônia reuniu autoridades estaduais, lideranças do setor produtivo, parlamentares e executivos da Rumo, reforçando o impacto positivo do empreendimento para a competitividade da produção mato-grossense.

Números que impressionam

O terminal foi projetado para otimizar o fluxo de cargas com alta tecnologia e capacidade operacional robusta:

Capacidade Anual: Até 10 milhões de toneladas de grãos.

Eficiência Rodoviária: Descarregamento de 35 caminhões/hora.

Agilidade Ferroviária: Carregamento de 16 vagões/hora.

Armazenagem: 42 mil toneladas de capacidade estática.

Estrutura: 200 hectares, 4 balanças rodoviárias e pátio para 250 caminhões.

“Um comboio com 135 vagões substitui cerca de 270 caminhões nas rodovias, reduzindo a emissão de poluentes e o desgaste das estradas, tornando o transporte mais eficiente e barato.” – Sérgio Machnic, Prefeito de Primavera do Leste.

Impacto Econômico e Sustentabilidade

Além do ganho logístico, o terminal é um motor de desenvolvimento social para a região:

Geração de Emprego: O projeto mobilizou 800 trabalhadores durante a construção e mantém cerca de 200 empregos permanentes em operação.

Redução de Custos: A ferrovia diminui o valor do frete e otimiza a cadeia produtiva, tornando a produção regional mais competitiva no mercado global.

Desenvolvimento Regional: O terminal atrai novos investimentos e fortalece o ecossistema de serviços no entorno.

O futuro da operação

Para o CEO da Rumo, Pedro Palma, este é apenas o ponto de partida. “Primavera do Leste foi uma grande parceira. O terminal traz competitividade imediata, mas nossa intenção é continuar expandindo nossa atuação e criando novas oportunidades para toda a região”, afirmou o executivo.

Com esta inauguração, Primavera do Leste não apenas reafirma sua força no agronegócio, mas se posiciona como um destino atraente para grandes investimentos, garantindo um crescimento sustentável, geração de renda e fortalecimento da infraestrutura de Mato Grosso.

Fonte: Redação com Assessoria de Imprensa | Data: 20 de junho de 2026

Nova pesquisa Quaest sobre eleição presidencial testa cenário com Lula, Flávio e Caiado

Pesquisa Genial/Quaest vai medir voto, aprovação do governo e impacto do endividamento a seis meses da eleição

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest começa a ser coletada nesta sexta-feira (10) e chega em um momento de maior definição do cenário eleitoral. O levantamento, que será divulgado na próxima quarta-feira (15), deve oferecer uma leitura atualizada da disputa presidencial a cerca de seis meses do pleito.

 

Serão realizadas 2.004 entrevistas presenciais até segunda-feira, com abrangência nacional. Encomendada pelo banco Genial, ao custo de R$ 466 mil, a sondagem é a quarta do instituto em 2026 e a primeira a incluir o governador Ronaldo Caiado como candidato formalizado pelo PSD.

 

A lista de candidatos sondados reúne o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL), além de Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Aldo Rebelo (DC), Augusto Cury (Avante), Samara Martins (UP) e Cabo Daciolo (Mobiliza). A presença de candidatos de partidos menores amplia o teste de fragmentação do eleitorado.

A metodologia também busca medir o grau de consolidação do voto. O questionário começa investigando se o eleitor já escolheu um candidato e, em caso afirmativo, avalia o nível de firmeza dessa decisão. Na sequência, o entrevistado é estimulado com uma lista de nomes para medir conhecimento e rejeição, além de indicar uma possível segunda opção de voto.

 

O levantamento deve servir como termômetro para três movimentos centrais da disputa. O primeiro é a trajetória da aprovação do governo Lula, que recuou em todas as pesquisas Quaest deste ano. Em março, o instituto apontou 45% de desaprovação, contra 44% de aprovação.

Outro ponto de atenção é o desempenho de Flávio Bolsonaro, que vinha em trajetória de crescimento e alcançou empate técnico com Lula em parte dos cenários testados anteriormente. A nova rodada indicará se esse avanço se sustenta com o cenário mais consolidado.

 

A pesquisa também será a primeira oportunidade de medir o impacto da candidatura de Caiado após sua oficialização. Em levantamentos anteriores, o governador aparecia com desempenho residual, e a nova rodada deve mostrar se houve alteração nesse quadro.

Além da disputa eleitoral, o questionário inclui indicadores econômicos e de percepção social. Entre eles, estão as expectativas em relação à economia e o nível de endividamento das famílias, tema que ganhou centralidade dentro do governo como um dos principais fatores de pressão sobre a popularidade presidencial.

Fonte Veja