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Secretarias de Primavera e Poxoréu alinham atendimento a famílias da região do Vale Verde



Coordenadoria de Comunicação – 18/03/2025

 

Na manhã desta terça-feira (18), a Secretaria de Assistência Social de Primavera do Leste sediou uma reunião entre representantes dos municípios de Primavera e Poxoréu para discutir o fortalecimento do atendimento às famílias da região do Vale Verde.

 

O encontro teve como objetivo alinhar estratégias para garantir que os moradores da Nova Poxoréu, Vale verde, Bela Vista, Toca do Jacaré, Setor Pinheiro, Furnas da Tamil, Nova Primaverinha, Vale dos Sonhos, Vale dos Buritis I e II, São Benedito e Comunidade São Benedito, tenham acesso aos serviços sociais, independentemente das fronteiras municipais.

 

Entre os principais temas debatidos estiveram a distribuição de cestas básicas, o atendimento do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e a inclusão de beneficiários nos programas sociais, como o Bolsa Família.

 

A secretária de Assistência Social de Primavera do Leste, Tânia Carlotto, destacou a importância da parceria entre os municípios para garantir que nenhuma família fique desassistida.“Entrei em contato com a secretária pedindo para realizarmos essa reunião justamente para alinharmos as demandas que envolvem toda aquela região. Muitas vezes, os moradores solicitam cestas básicas ou outros serviços do nosso município, mas ficamos impedidos de atender devido ao fato de estarem oficialmente vinculados a outra cidade. Então, levantamos essas demandas e agora estamos traçando estratégias para que possamos falar a mesma língua e garantir que essas famílias recebam o suporte necessário”.

 

A primeira-dama de Primavera do Leste, Selma Martignago, ressaltou que a união entre os municípios é essencial para fortalecer a rede de atendimento social e assegurar que os serviços cheguem a quem mais precisa. “Nosso compromisso é garantir que nenhuma família fique sem apoio. Sabemos das dificuldades enfrentadas por muitas pessoas na região do Vale Verde e, por isso, essa parceria é tão importante. Com o alinhamento entre as secretarias, poderemos otimizar os atendimentos e ampliar o alcance das políticas públicas sociais.”

 

A primeira-dama e secretária de Assistência Social de Poxoréu, Ivanilda Barbosa, também reforçou a relevância do trabalho conjunto. Segundo ela, a reunião foi um passo importante para garantir que as famílias recebam o suporte necessário.

 

“É fundamental termos essa conexão entre os municípios, porque muitas dessas famílias precisam de um atendimento ágil e contínuo. Com esse alinhamento, poderemos estabelecer fluxos mais eficientes, garantindo que os serviços cheguem a todos que necessitam.”

 

Além das secretárias e primeiras-damas, a reunião contou com a participação das equipes do CRAS, CREAS, Conselho Tutelar e Cadastro Único, que contribuíram para o levantamento das principais demandas da região. A partir desse diagnóstico, as secretarias seguirão trabalhando na construção de estratégias conjuntas para garantir que as famílias em situação de vulnerabilidade social recebam o suporte necessário de forma integrada e eficiente.



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A Palavra - Opinião

Entre o “Fora, Lula” e as polêmicas de Primavera: onde fica a coerência política?


Opinião | Por Luis Costa

Primavera do Leste (MT) — Na política, o discurso costuma ser uma coisa; a prática, outra. E é justamente por isso que o eleitor precisa olhar além dos slogans, das bandeiras partidárias e das palavras de ordem que ganham força nas redes sociais.

Em Primavera do Leste, uma contradição merece ser debatida: há pessoas que levantam a bandeira do “Fora, Lula”, criticam posições ideológicas da esquerda e, ao mesmo tempo, apoiam lideranças políticas locais cujas gestões também foram palco de debates e controvérsias envolvendo cultura, comportamento e ideologia.

A pergunta é simples: os princípios políticos valem para todos ou mudam conforme o candidato que recebe o apoio?

A cultura entrou no centro do debate

Durante a gestão de Leonardo Bortolin à frente da Prefeitura de Primavera do Leste, a cultura ganhou espaço na agenda pública, com investimentos em estrutura e iniciativas voltadas às manifestações artísticas.

Em fevereiro de 2023, por exemplo, a cidade inaugurou o Teatro Municipal e uma nova estrutura do Centro Cultural Professora Evangeline Alcântara Takeuchi. Na ocasião, o então prefeito destacou a importância dos espaços para o desenvolvimento cultural e para a formação de jovens.

A informação foi divulgada pelo portal PNB Online, em reportagem publicada em 8 de fevereiro de 2023.

Mas a cultura também se tornou assunto de disputa política na cidade. E é nesse ambiente que surge uma discussão que ainda provoca questionamentos sobre os limites entre arte, liberdade de expressão, valores familiares e posicionamentos ideológicos.

O episódio do beijo que provocou polêmica

Em junho de 2022, uma apresentação artística com temática LGBTQIA+ provocou forte repercussão em Primavera do Leste. A encenação incluía a simulação de um beijo entre pessoas do mesmo sexo e gerou críticas de vereadores, que classificaram a apresentação de maneira negativa.

O caso foi noticiado pelo portal Primeira Página em 30 de junho de 2022.

É importante esclarecer um detalhe: segundo a reportagem, a apresentação foi realizada por uma escola particular, e não se tratava de um espetáculo organizado diretamente pela Prefeitura. Portanto, o episódio não pode ser atribuído automaticamente à administração municipal.

Ainda assim, a repercussão revelou como as questões culturais e ideológicas dividiam opiniões na cidade e eram levadas para o debate político.

A pergunta que permanece pertinente é: quem defende liberdade de expressão em determinadas situações está disposto a defender o mesmo princípio quando a manifestação artística contraria suas próprias convicções?

E quem critica a chamada ideologia de esquerda em âmbito nacional mantém os mesmos critérios quando se trata de aliados políticos locais?

O eleitor não pode ter dois pesos e duas medidas

O problema não está em ser de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política. Cada cidadão tem o direito de defender suas convicções, apoiar candidatos e discordar de manifestações culturais.

O problema começa quando os princípios são utilizados seletivamente.

Se uma pessoa considera determinadas manifestações culturais inadequadas, tem o direito de expressar sua opinião. Mas também precisa estar disposta a avaliar criticamente as decisões e os posicionamentos dos políticos que apoia.

Da mesma forma, quem cobra coerência ideológica do governo federal não deveria abrir mão de fazer as mesmas perguntas aos representantes de sua preferência em Primavera do Leste.

A coerência política não pode ser uma exigência apenas para os adversários.

Flores, obras e disputas ideológicas: o que fica para a população?

Uma gestão pública não pode ser avaliada apenas por eventos, inaugurações, slogans ou imagens bonitas. É preciso observar os resultados, as prioridades administrativas, a aplicação dos recursos públicos e a capacidade de atender às necessidades da população.

Na cultura, isso significa discutir acesso aos espaços públicos, valorização dos artistas locais, transparência nos investimentos e respeito à diversidade de manifestações culturais.

Também significa permitir que a população questione as escolhas da administração sem ser automaticamente rotulada por suas posições políticas ou religiosas.

O debate precisa ser mais amplo do que um beijo em um palco ou uma palavra de ordem nas redes sociais. O cidadão tem o direito de saber quais políticas foram executadas, quanto custaram e quais benefícios trouxeram para a comunidade.

E os eleitores de Léo que gritam “Fora, Lula”?

É aqui que a discussão ganha força política.

Não há contradição automática em alguém criticar Lula e apoiar Leonardo Bortolin. São lideranças diferentes, com trajetórias, propostas e responsabilidades distintas. Um eleitor também pode concordar com um político em determinados assuntos e discordar dele em outros.

Mas, quando o argumento utilizado contra um adversário é ideológico, é legítimo cobrar que os mesmos critérios sejam aplicados aos aliados.

Se o discurso é contra determinadas manifestações culturais, por exemplo, o eleitor pode perguntar como os políticos de sua preferência se posicionaram diante de situações semelhantes. Se a cobrança é por valores familiares, cabe questionar quais políticas públicas efetivamente defendem esses valores. E, quando o argumento é o uso do dinheiro público, a fiscalização deve valer para todos.

Não se trata de defender Lula nem de atacar quem pensa diferente. Trata-se de cobrar coerência de quem faz da ideologia uma bandeira política.

A política precisa de menos slogans e mais coerência

Primavera do Leste precisa de debate sério sobre saúde, educação, infraestrutura, cultura, segurança e aplicação dos recursos públicos. As discussões ideológicas fazem parte da democracia, mas não podem substituir a avaliação concreta dos resultados de uma gestão.

O eleitor não deve entregar um cheque em branco a nenhum político. Nem a um adversário, nem a um aliado.

Quem cobra coerência precisa praticá-la. Quem exige transparência deve aceitar a fiscalização. E quem critica as escolhas de um governo precisa estar disposto a examinar as decisões dos representantes que apoia.

No fim das contas, a pergunta não é apenas quem grita “Fora, Lula”. A pergunta é: quais critérios essa pessoa utiliza para avaliar os políticos em quem acredita?

Porque, em uma democracia, a coerência não se mede pelo volume do grito, mas pela disposição de aplicar os mesmos princípios a todos.

 


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