Primavera do Leste / MT - Terca-Feira, 13 de Outubro de 2026

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Cirurgias bariátricas serão realizadas em Primavera do Leste pelo SUS



 

Coordenadoria de Comunicação

Em uma importante conquista para a saúde pública de Primavera do Leste, foi aprovada e homologada na reunião da Comissão Intergestores Bipartite Estadual (CIB), realizada nesta sexta-feira (21), em Cuiabá, a realização de cirurgias bariátricas no município. Os procedimentos serão realizados no Hospital das Clínicas e no Hospital São Lucas, beneficiando os pacientes que aguardavam por esse tipo de tratamento na rede pública.

 

O secretário de Saúde de Primavera do Leste, DR. Paulo Porciúncula, destacou que essa é mais uma vitória em prol da saúde da população. “É uma grande conquista que vai proporcionar qualidade de vida para os pacientes que precisam desse procedimento. Esse é um trabalho que começou na gestão passada e que estamos dando continuidade, garantindo que mais pessoas tenham acesso a esse tratamento essencial”, afirmou o secretário.

 

O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, também ressaltou a importância desse avanço para o município. “Essa é a primeira iniciativa de descentralização. Antes, os procedimentos eram realizados apenas no Hospital Metropolitano. A descentralização trará muitos benefícios aos pacientes, facilitando o acesso à saúde e reduzindo o deslocamento para outras cidades. E, é esse o papel do Governo do Estado: garantir que o atendimento chegue mais perto da população”, destacou Figueiredo.

 

O presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (COSEMS-MT), Marcos Felipe, comemorou o avanço para Primavera do Leste. “Esse é um grande passo para a saúde do município, já que uma cirurgia bariátrica na rede particular custa, em média, R$ 50 mil. A realização desses procedimentos pelo SUS é um alívio para os pacientes que aguardavam por essa oportunidade”, ressaltou.

 

O município receberá aproximadamente R$ 5 milhões para a realização das cirurgias, recurso que será destinado pelo Programa Fila Zero na Cirurgia – Programa Estadual de Cirurgias, Consultas e Exames Complementares.

 

De acordo com o secretário DR. Paulo Porciúncula, haverá uma segunda etapa em que mais pacientes serão contemplados com o procedimento. “Esse é apenas o começo. Estamos trabalhando para que mais pessoas tenham acesso a esse tratamento e melhorem sua qualidade de vida”, completou.

 

Durante a reunião, Marcos Felipe ainda anunciou que na próxima sessão da CIB será votada a abertura de mais sete leitos de UTI para Primavera do Leste, fortalecendo ainda mais a rede de saúde do município.



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A Palavra - Opinião

Entre o “Fora, Lula” e as polêmicas de Primavera: onde fica a coerência política?


Opinião | Por Luis Costa

Primavera do Leste (MT) — Na política, o discurso costuma ser uma coisa; a prática, outra. E é justamente por isso que o eleitor precisa olhar além dos slogans, das bandeiras partidárias e das palavras de ordem que ganham força nas redes sociais.

Em Primavera do Leste, uma contradição merece ser debatida: há pessoas que levantam a bandeira do “Fora, Lula”, criticam posições ideológicas da esquerda e, ao mesmo tempo, apoiam lideranças políticas locais cujas gestões também foram palco de debates e controvérsias envolvendo cultura, comportamento e ideologia.

A pergunta é simples: os princípios políticos valem para todos ou mudam conforme o candidato que recebe o apoio?

A cultura entrou no centro do debate

Durante a gestão de Leonardo Bortolin à frente da Prefeitura de Primavera do Leste, a cultura ganhou espaço na agenda pública, com investimentos em estrutura e iniciativas voltadas às manifestações artísticas.

Em fevereiro de 2023, por exemplo, a cidade inaugurou o Teatro Municipal e uma nova estrutura do Centro Cultural Professora Evangeline Alcântara Takeuchi. Na ocasião, o então prefeito destacou a importância dos espaços para o desenvolvimento cultural e para a formação de jovens.

A informação foi divulgada pelo portal PNB Online, em reportagem publicada em 8 de fevereiro de 2023.

Mas a cultura também se tornou assunto de disputa política na cidade. E é nesse ambiente que surge uma discussão que ainda provoca questionamentos sobre os limites entre arte, liberdade de expressão, valores familiares e posicionamentos ideológicos.

O episódio do beijo que provocou polêmica

Em junho de 2022, uma apresentação artística com temática LGBTQIA+ provocou forte repercussão em Primavera do Leste. A encenação incluía a simulação de um beijo entre pessoas do mesmo sexo e gerou críticas de vereadores, que classificaram a apresentação de maneira negativa.

O caso foi noticiado pelo portal Primeira Página em 30 de junho de 2022.

É importante esclarecer um detalhe: segundo a reportagem, a apresentação foi realizada por uma escola particular, e não se tratava de um espetáculo organizado diretamente pela Prefeitura. Portanto, o episódio não pode ser atribuído automaticamente à administração municipal.

Ainda assim, a repercussão revelou como as questões culturais e ideológicas dividiam opiniões na cidade e eram levadas para o debate político.

A pergunta que permanece pertinente é: quem defende liberdade de expressão em determinadas situações está disposto a defender o mesmo princípio quando a manifestação artística contraria suas próprias convicções?

E quem critica a chamada ideologia de esquerda em âmbito nacional mantém os mesmos critérios quando se trata de aliados políticos locais?

O eleitor não pode ter dois pesos e duas medidas

O problema não está em ser de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política. Cada cidadão tem o direito de defender suas convicções, apoiar candidatos e discordar de manifestações culturais.

O problema começa quando os princípios são utilizados seletivamente.

Se uma pessoa considera determinadas manifestações culturais inadequadas, tem o direito de expressar sua opinião. Mas também precisa estar disposta a avaliar criticamente as decisões e os posicionamentos dos políticos que apoia.

Da mesma forma, quem cobra coerência ideológica do governo federal não deveria abrir mão de fazer as mesmas perguntas aos representantes de sua preferência em Primavera do Leste.

A coerência política não pode ser uma exigência apenas para os adversários.

Flores, obras e disputas ideológicas: o que fica para a população?

Uma gestão pública não pode ser avaliada apenas por eventos, inaugurações, slogans ou imagens bonitas. É preciso observar os resultados, as prioridades administrativas, a aplicação dos recursos públicos e a capacidade de atender às necessidades da população.

Na cultura, isso significa discutir acesso aos espaços públicos, valorização dos artistas locais, transparência nos investimentos e respeito à diversidade de manifestações culturais.

Também significa permitir que a população questione as escolhas da administração sem ser automaticamente rotulada por suas posições políticas ou religiosas.

O debate precisa ser mais amplo do que um beijo em um palco ou uma palavra de ordem nas redes sociais. O cidadão tem o direito de saber quais políticas foram executadas, quanto custaram e quais benefícios trouxeram para a comunidade.

E os eleitores de Léo que gritam “Fora, Lula”?

É aqui que a discussão ganha força política.

Não há contradição automática em alguém criticar Lula e apoiar Leonardo Bortolin. São lideranças diferentes, com trajetórias, propostas e responsabilidades distintas. Um eleitor também pode concordar com um político em determinados assuntos e discordar dele em outros.

Mas, quando o argumento utilizado contra um adversário é ideológico, é legítimo cobrar que os mesmos critérios sejam aplicados aos aliados.

Se o discurso é contra determinadas manifestações culturais, por exemplo, o eleitor pode perguntar como os políticos de sua preferência se posicionaram diante de situações semelhantes. Se a cobrança é por valores familiares, cabe questionar quais políticas públicas efetivamente defendem esses valores. E, quando o argumento é o uso do dinheiro público, a fiscalização deve valer para todos.

Não se trata de defender Lula nem de atacar quem pensa diferente. Trata-se de cobrar coerência de quem faz da ideologia uma bandeira política.

A política precisa de menos slogans e mais coerência

Primavera do Leste precisa de debate sério sobre saúde, educação, infraestrutura, cultura, segurança e aplicação dos recursos públicos. As discussões ideológicas fazem parte da democracia, mas não podem substituir a avaliação concreta dos resultados de uma gestão.

O eleitor não deve entregar um cheque em branco a nenhum político. Nem a um adversário, nem a um aliado.

Quem cobra coerência precisa praticá-la. Quem exige transparência deve aceitar a fiscalização. E quem critica as escolhas de um governo precisa estar disposto a examinar as decisões dos representantes que apoia.

No fim das contas, a pergunta não é apenas quem grita “Fora, Lula”. A pergunta é: quais critérios essa pessoa utiliza para avaliar os políticos em quem acredita?

Porque, em uma democracia, a coerência não se mede pelo volume do grito, mas pela disposição de aplicar os mesmos princípios a todos.

 


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