Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 30 de Abril de 2026

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Doação de bens inservíveis: Judiciário promove sustentabilidade e apoio social em Primavera do Leste



A Comarca de Primavera do Leste realizou a doação de 95 armários escaninhos (nichos), beneficiando três escolas, quatro creches e a cadeia pública do município. A iniciativa, que atende à pauta da sustentabilidade e economia circular, transformou bens inservíveis para o Judiciário em recursos úteis para a comunidade.

Os armários, que antes eram utilizados na Comarca para armazenar processos físicos, perderam sua utilidade com a plena implementação do Processo Judicial Eletrônico (PJe). A digitalização dos processos não apenas otimizou o trabalho e ampliou o espaço para os servidores, tornando o ambiente mais amplo e aconchegante, como abriu caminho para essa importante ação de reuso.

A doação ocorreu por meio do Edital 05/2025-DF, que convocou, em junho, diversas instituições, incluindo órgãos municipais, estaduais, federais, entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos, reconhecidas de utilidade pública pelo Estado, e organizações da sociedade civil de interesse público, a manifestarem interesse em receber móveis e equipamentos não mais utilizáveis no âmbito do Poder Judiciário de Mato Grosso. A autorização para a doação dos bens inservíveis foi concedida nos autos do Pedido de Doação de Bens Inservíveis 118/2024.

Para a gestora-geral do Fórum da Comarca de Primavera do Leste, Ângela Borges de Oliveira, a ação demonstra o compromisso do Judiciário com a comunidade e o meio ambiente. “É gratificante ver que os armários, que não serviam mais para o Judiciário devido à transição para o PJe, agora estão guardando livros e materiais em escolas e creches, sendo de grande utilidade para as crianças e para a organização desses espaços. Essa iniciativa reforça nosso compromisso com a sustentabilidade e o reuso, contribuindo para a economia circular e demonstrando que o que não tem mais uso para nós pode ser um recurso valioso para outros”, afirmou Ângela.

A medida não só contribui para a política de descarte consciente e reuso do Poder Judiciário, mas também fortalece a parceria com as instituições de ensino e segurança pública, gerando um impacto positivo direto na vida dos cidadãos de Primavera do Leste.

Cynara Gonçalves Santos é a diretora da Escola Municipal de Educação Infantil Dione Pavin, e afirmou que os 21 armários destinados à instituição serão de grande utilidade para a organização dos materiais pedagógicos das crianças e também possibilitarão a criação de um espaço coletivo de leitura, o ‘Cantinho da Leitura’.

“Agradecemos ao juiz Alexandre Delicato Pampado e o Poder Judiciário por esta valiosa doação. Tivemos a felicidade de ter nosso requerimento atendido e os armários serão muito úteis para os materiais didáticos e para o nosso Cantinho da Leitura, que visa promover o acesso a diversos gêneros literários e estimular o gosto pela leitura desde cedo. Aproveitamos o ensejo para parabenizar a prática de doação implantada pela instituição. Bens que poderiam ficar ociosos hoje fazem a diferença na organização das salas de nossa unidade escolar e na criação de novos espaços, proporcionando ambientes mais acolhedores e colaborando diretamente com a nossa missão de bem servir a comunidade escolar”, declarou Cynara.

A diretora da Escola Municipal de Educação Infantil Galileia, Lingli Giani Nunes, contou que sua instituição recebeu dez armários. Os móveis chegaram em boa hora e vão ajudar na organização dos materiais pedagógicos das crianças e na brinquedoteca. “Vamos colocar um armário em cada uma das dez salas de aula. Os demais serão destinados à brinquedoteca, onde criaremos um ‘Cantinho da Leitura’ e organizaremos os brinquedos que hoje estão em caixas. Isso vai proporcionar um ambiente mais organizado e acolhedor, pois antes não tínhamos armários suficientes para o volume de materiais e nem para organizar a brinquedoteca, um espaço que conseguimos este ano. Ficamos muito felizes quando a Ângela nos avisou sobre a doação, e toda a equipe da escola está contente com a utilidade que esses armários trarão”, afirmou.

Bens inservíveis no serviço público – são todos aqueles que não são mais usados, estão irrecuperáveis ou são antieconômicos. Para o Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT), armários e estantes são bens ociosos desde a implantação do Processo Judicial Eletrônico (PJe), que aboliu todos os processos físicos. Por isso, as unidades judiciais ainda estão adequando seus ambientes de trabalho e por meio de editais públicos convocam instituições, órgãos municipal, estadual, federal, entidade pública ou privada, sem fins lucrativos, reconhecida de utilidade pública pelo Estado e organização da sociedade civil de interesse público, para doar móveis e equipamentos não utilizáveis no âmbito do PJMT.

Por meio do Edital 05/2025-DF, foram distribuídos 95 armários e estantes para a Cadeia Pública, Escola Municipal de Ensino Fundamental Mauro Wendelino Weis, Escola Municipal de Ensino Fundamental Novo Horizonte, Escola Estadual Militar Tiradentes, Creche Municipal de Educação Infantil Sonho de Criança, Creche Municipal de Educação Infantil Dione Pavin, Creche Municipal de Educação Infantil Galileia e Creche Municipal de Educação Infantil Eliene Macedo dos Santos.

Marcia Marafon / Coordenadoria de Comunicação do TJMT



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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