Primavera do Leste / MT - Sábado, 13 de Junho de 2026

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Especialista referência internacional em hanseníase capacita profissionais de saúde de Primavera do Leste



Coordenadoria de Comunicação
Durante a tarde de ontem (20) e a manhã de hoje (21), médicos e enfermeiros da atenção básica de Primavera do Leste receberam uma capacitação sobre hanseníase na Faculdade Anhanguera. A qualificação foi ministrada por um dos mais conceituados hansenólogos do país e referência internacional no tema, Dr. Jaison Antônio Barreto, que atua no Instituto Lauro de Souza Lima de Bauru/SP, renomada instituição quando se trata de pesquisas e treinamentos sobre a doença.
Alguns dos conteúdos abordados durante a capacitação foram como fazer diagnóstico inicial de hanseníase, tratamento das intercorrências, orientações sobre a doença, entre outros. O treinamento incluiu conteúdos teóricos e práticos, como exames físicos em pacientes, por exemplo, oportunizando uma aprendizagem realista aos cerca de 20 participantes presentes.  “Com esse trabalho, a nossa ideia é que aumente a suspeição em hanseníase, assim como o diagnóstico. E aumentar ainda a expertise desses profissionais para realizarem o tratamento adequado”, explicou Jason Barreto.
A hanseníase é uma doença hiperendêmica no Brasil. O país é o que registra mais casos no mundo proporcionalmente ao tamanho da população. E Mato Grosso é um dos Estados campeões de registro dessa patologia. “Quando se trata essa doença tardiamente ou quando ela não é tratada, causa incapacidade física permanente. Então é importante que tenhamos constantemente capacitações para conseguir identificar e controlar a doença”, frisou o coordenador do Programa de Hanseníase e Tuberculose do município, Lourenço da Cruz, especialista na área e com mais quatro décadas de experiência sobre o tema.
A ONG Koblenz Brasil (Kobra), representada pelo alemão residente no Brasil, Manfred Robert Göbel, foi a responsável por trazer o especialista de renome internacional para Primavera do Leste. A instituição tem projetos de combate à hanseníase no país e atua como parceira da Prefeitura Municipal. Organizado pela Secretaria Municipal de Saúde, através da Vigilância Epidemiológica, o evento contou ainda com o auxílio do responsável técnico pelo Programa Municipal de Hanseníase de Cuiabá, Cícero Fraga de Melo.
Sintomas da doença
Os principais sintomas que pessoas com hanseníase apresentam são dores nos braços e pernas, câimbras, formigamentos, dormência, redução da força muscular e alterações de sensibilidade na pele. Os que se identificarem com esses sintomas precisam recorrer à uma unidade de saúde para identificação e confirmação da doença e assim ser encaminhado para o tratamento adequado o quanto antes.


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Brasil

Justiça dá prazo de 24 meses para União e Funai demarcarem terra indígena no Nortão


A Justiça Federal em Mato Grosso determinou que a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) concluam o processo de demarcação da terra indígena do povo Kajkwakratxi (Tapayuna), na região de Brasnorte e Juara (cerca de 300 quilômetros de Sinop), num prazo de 24 meses. O juiz federal Pablo Kipper Aguilar ordenou ainda o pagamento de R$ 10 milhões em danos morais coletivos e a realização de uma cerimônia pública de pedido de desculpas aos indígenas.

 

Na decisão, o magistrado reconheceu violações de direitos humanos cometidas contra o povo Kajkwakratxi. O juiz mandou a União reunir toda a documentação disponível no Arquivo Nacional sobre violências ocorridas durante o processo de colonização da região do Rio Arinos e a remoção forçada desse povo ao Parque Indígena do Xingu. No processo, os indígenas contaram com o apoio da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público Federal (MPF).

 

O magistrado afastou o argumento da Funai e da União de que o Supremo Tribunal Federal (STF) já estabeleceu prazo de dez anos para a conclusão das demarcações em andamento. Para ele, tal prazo tem natureza administrativa e não impede a atuação da Justiça quando há demora excessiva. “Agradeço a luta coletiva, fico muito feliz, a comunidade fica muito feliz, é uma surpresa”, disse Wetaktxi Tapayuna, presidente da Associação Indígena Tapayuna (AIT), de acordo com mensagem divulgada pela DPU.

 

Ele acrescentou que a comunidade considera a decisão “emocionante”. “É muita alegria ver toda essa trajetória que passamos até chegar nesse ponto tão importante, com relação ao nosso povo, com as gerações que estão lutando pelo território tradicional, para demarcação do território tradicional, com expectativa de viver em cima dos seus parentes que deixaram naquele tempo. Para defender nossa ancestralidade, para viver com a alma dos parentes”, completou Wetaktxi Tapayuna.

 

De acordo com o MPF, os indígenas Kajkwakratxi foram alvo de uma série de violências ao longo do século 20, que resultaram na desestruturação social do grupo. Na década de 1970, eles foram removidos à força, pelo Estado, de seu território tradicional para o Parque Nacional do Xingu.

 

Em seguida, uma Reserva Indígena Tapayuna chegou a ser criada em 1968, mas foi extinta em 1976 sob o argumento de que não haveria indígenas na área. Há indícios, porém, de que até o presente momento existem indígenas da etnia isolada na região de ocupação tradicional.


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