Primavera do Leste / MT - Terca-Feira, 10 de Fevereiro de 2026

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A Palavra

Restrições impostas por pretendentes diminuem e nº de adoções cresce no país



Perfil desejado se aproxima aos poucos do encontrado nos abrigos; já são 1.142 adoções em 2017. Novo cadastro, mais preciso e com mais informações, deve ser implantado em 2018.

O número de pretendentes a pais que dizem não se importar com a cor da criança, que estão abertos a grupos de irmãos e que não querem apenas bebês cresce ano a ano no país. O resultado: o Brasil já registra, em média, quatro adoções por dia. Em 2017, são 1.142, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção obtidos pelo G1.

Se em 2011 menos de um terço (31,9%) aceitava adotar crianças negras, hoje mais da metade (51,8%) diz não se importar com isso ao se candidatar a uma adoção no Brasil. Trata-se de uma mudança importante, já que quase 1/5 das crianças aptas à adoção é negra.

Um outro dado que revela uma transformação no perfil desejado é o que diz respeito à idade. Em 2011, apenas 6,7% aceitavam uma criança maior de 5 anos – percentual que pouco se alterou em 2014 (8,9%). Agora, no entanto, 20,2% estão de acordo com uma adoção tardia.

A questão da faixa etária talvez se configure no maior abismo entre os adotantes e as crianças que aguardam uma nova família. Isso porque 73,8% das crianças abrigadas têm 6 anos ou mais.

Dados do Conselho Nacional de Justiça aos quais o G1 teve acesso mostram que, das 1.142 crianças adotadas neste ano, 351 tinham mais de 5 anos ao ser concretizado o ato – ou seja, 30,7%. Trata-se de um número considerável.

O percentual de pretendentes que se dizem dispostos a levar para casa mais de uma criança também quase dobrou entre 2011 e 2017. Há seis anos, 17,6% aceitavam irmãos; hoje, são 34,5%. Um índice considerado relevante dado que 59,4% das crianças estão à espera de pais junto com um ou mais irmãos.

Os dados do CNJ mostram que 427 das 1.142 crianças adotadas neste ano têm irmãos – o que corresponde a 37,3% do total.

 (Foto: Arte/G1)

(Foto: Arte/G1)

Para a presidente da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (Angaad), Sara Vargas, essa visível mudança no quadro se deve especialmente ao trabalho de conscientização realizado pelos grupos e a um maior espaço para o tema na mídia.

“A sociedade tem pensado mais a respeito. E os grupos chegam quebrando mitos, dando a possibilidade aos pretendentes de ouvir as famílias adotivas e as suas experiências. Muitos grupos têm também projetos junto com as varas da Infância e da Juventude tanto na preparação quanto no acompanhamento pós-adoção, o que gera mais segurança a quem pretende adotar. E como essas pessoas recebem mais informação, percebem que, ampliando o perfil, vão ao encontro de um número maior de crianças que aguardam uma nova família e que o processo não é tão demorado nem tão difícil”, diz.

Nova família

Luciana e o marido, agora pais de três meninas (Foto: Luciana Pacheco Garcia/Arquivo pessoal)Luciana e o marido, agora pais de três meninas (Foto: Luciana Pacheco Garcia/Arquivo pessoal)

Luciana e o marido, agora pais de três meninas (Foto: Luciana Pacheco Garcia/Arquivo pessoal)

A administradora Luciana Pacheco Garcia, de 30 anos, que se tornou mãe neste ano, é o exemplo disso. Ela e o marido adotaram três meninas, de 3, 5 e 6 anos. “A gente sempre quis três. E o fato de serem irmãos, de já terem uma vivência e uma amizade fortalecida, era muito importante”, conta.

Ela começou o processo de habilitação no ano passado e durante o curso de preparação resolveu ampliar o perfil. “A gente queria até 5 anos, mas percebeu que a realidade não era essa, que ia ser muito difícil conseguir três irmãos até essa faixa. Então escrevemos uma carta para o juiz informando que queríamos aumentar para 7 anos.”

Moradora de Minas Gerais, ela e o marido encontraram as três filhas em uma cidade no mesmo estado, mas a 12 horas de viagem. Três meses após entrar na fila, no início deste ano, os dois se encontraram com elas por três fins de semana – tempo suficiente para estreitar os laços e ambos os lados terem a certeza do ato. “Elas estão muito felizes e nós também. A família toda e os amigos apoiaram e as adoram.”

Questionada se é fácil dar conta de uma família tão grande, Luciana diz que houve todo um planejamento para isso. “Não há luxo. Mas a gente sabia que ia conseguir suprir todas as necessidades básicas e é isso que todos os pais têm que ter em mente ao decidir por um filho.”

Novo cadastro

Existem hoje no Cadastro Nacional de Adoção 41.409 pretendentes. Do outro lado, estão 8.133 crianças e adolescentes. Para que o número de adoções aumente ainda mais, um novo cadastro deve ser implementado no início de 2018.

Entre as mudanças previstas, segundo a juíza auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça, Sandra Silvestre, estão a criação de um mecanismo automático de busca de pretendentes e crianças – o processo hoje é feito manualmente. A intenção é que o sistema seja capaz de identificar “sozinho” os pais para crianças que tenham aquele perfil determinado, “rodando” e atualizando quase que em tempo real as informações. Com isso, após a verificação, a ideia é que ele emita um aviso para o juiz com a informação de que foi encontrada uma criança com o perfil desejado ou bem próximo do informado pelo pretendente (permitindo, assim, que ele amplie um pouco as possibilidades).

Para Sara, da Angaad, isso pode ser fundamental para um aumento nas aproximações. “Muitas das adoções hoje são feitas por meio de busca ativa fora do cadastro. São pessoas que estão cadastradas, mas que têm a ajuda de grupos de adoção para encontrar uma criança em outra cidade, outro estado, e acabam concretizando o ato por meio do CNA.”

Ela ressalta, no entanto, que não adianta um sistema aperfeiçoado se não houver pessoas para alimentá-lo com regularidade. “Existe um provimento que determina que toda cidade com mais de 100 mil habitantes precisa ter uma Vara especializada da Infância. Mas isso não acontece na prática. Então há comarcas, especialmente no interior, onde há poucos funcionários, que não conseguem atualizar os dados, tanto de crianças como de pretendentes. É preciso melhorar essa questão dos serventuários da Justiça, para que haja condição de operacionalizar isso tudo.”

Desenhos poderão ser colocados junto às informações das crianças no cadastro (Foto: Caio Kenji/G1)Desenhos poderão ser colocados junto às informações das crianças no cadastro (Foto: Caio Kenji/G1)

Desenhos poderão ser colocados junto às informações das crianças no cadastro (Foto: Caio Kenji/G1)

Outra alteração que foi debatida em encontros com juízes e promotores da infância durante o ano é a inclusão de fotos, vídeos, cartinhas e desenhos feitos pelas crianças e adolescentes no cadastro. O objetivo é fazer com que pretendentes acabem se conectando com as histórias e queiram conhecê-los. A juíza Sandra Silvestre diz que se trata de um dos “pontos polêmicos da discussão”. “A matéria não está pacificada nem mesmo entre os juízes e será melhor discutida”, afirma.

Alguns especialistas alertam que apelar para a emoção pode desvirtuar o processo. Sara, da Angaad, discorda. “Se adoção envolve formação de vínculo afetivo, como não envolver emoção? Precisa, sim, construir essa relação e ela vai acontecer mais cedo ou mais tarde. É para isso que existe o estágio de convivência, quando há um contato com a criança e se percebe se há empatia e formação de vínculo adotivo. Então quando se priva uma criança de colocar um desenho, enviar uma foto ou um vídeo, principalmente quando é uma adoção mais difícil e ela deseja fazer isso, está se retirando um direito dela.”

De acordo com Sandra Silvestre, informações como frequência escolar e o histórico de acolhimento das crianças e dados de antecedentes criminais dos pretendentes também deverão constar do novo cadastro. Ela diz que na descrição das doenças deverá ser incluída ainda a microcefalia e um detalhamento maior de deficiências físicas e mentais.

As propostas estão no âmbito do Grupo de Trabalho da Infância e Adolescência da Corregedoria Nacional. Elas ainda serão levadas à análise do corregedor. E terão de passar pelo Conselho Pleno do CNJ para, então, serem validadas e colocadas em prática.

Como adotar

Para adotar uma criança, é preciso ter no mínimo 18 anos. Não importa o estado civil, mas é necessária uma diferença de 16 anos entre quem deseja adotar e a criança acolhida.

O primeiro passo é ir à Vara da Infância mais próxima e se inscrever como candidato. Além de RG e comprovante de residência, outros documentos são necessários para dar continuidade no processo. É preciso fazer uma petição e um curso de preparação psicossocial.

São realizadas, então, entrevistas com uma equipe técnica formada por psicólogos e assistentes sociais e visitas. Após entrar na fila de adoção, é necessário aguardar uma criança com o perfil desejado.

Cartilhas e grupos de apoio podem ser consultados para esclarecer dúvidas e saber um pouco mais sobre o ato. O passo-a-passo pode ser verificado no site do CNJ.

Fonte: G1



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Chuvas intensas mobilizam Prefeitura e Defesa Civil para atendimento emergencial em Primavera do Leste


Equipes da Secretaria de Infraestrutura e da Defesa Civil atuam nas ruas para minimizar os impactos do grande volume de chuva registrado nesta segunda-feira

A cidade de Primavera do Leste registrou uma forte chuva na tarde desta segunda-feira, com registro de alagamentos em algumas vias. Diante da situação, a Prefeitura de Primavera do Leste, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (SINFRA), intensificou as ações de monitoramento e resposta para garantir a segurança e o bem-estar da população.

 

Segundo o secretário de Infraestrutura, Victor Diniz, o volume de chuva ultrapassou 100 milímetros em um curto espaço de tempo, o que sobrecarregou o sistema de drenagem em pontos específicos da cidade. As equipes da SINFRA estão nas ruas com maquinários, caminhões e servidores realizando a desobstrução de bocas de lobo e passagens de água, muitas delas comprometidas pelo acúmulo de sacolas plásticas, resíduos e galhadas.

 

“Estamos passando por um período de chuva intensa, acima de 100 milímetros em pouco tempo. As equipes da SINFRA estão nas ruas, com maquinário e caminhões, desobstruindo pontos críticos onde bocas de lobo ficaram entupidas, principalmente por sacolas e plásticos. Pedimos calma à população e que, se possível, evitem sair de casa, para que possamos atuar com mais agilidade e garantir a segurança de todos”, afirmou o secretário.

 

A Defesa Civil do município também segue atuando de forma integrada, monitorando toda a cidade e acompanhando a situação em tempo real. De acordo com Cris Corrêa, representante da Defesa Civil, as equipes estão nas ruas atentas a qualquer ocorrência que possa oferecer risco à população.

 

“Estamos monitorando, fazendo visitas em locais que podem apresentar mais riscos e acompanhando toda a situação. Até o momento, não há registros graves nas últimas horas, mas pedimos a compreensão da população e orientamos que não passem por áreas alagadas, pois isso pode trazer riscos”, destacou.

 

A Prefeitura de Primavera do Leste segue acompanhando as condições climáticas e reforça que as ações são preventivas e emergenciais, com o objetivo de reduzir transtornos, preservar vias públicas e garantir a segurança da população durante o período chuvoso.

 

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NOTA OFICIAL

 

Secretaria de Infraestrutura de Primavera do Leste

 

A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (Sinfra), de Primavera do Leste informou que tem conhecimento dos alagamentos recorrentes registrados em um ponto específico do município, um problema antigo que se arrasta há anos, desde gestões anteriores e que ainda não teve uma solução definitiva.

 

De acordo com a pasta, já foi realizada uma visita técnica ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o município está elaborando projetos para soluções derradeiras desses problemas onde foi solicitada a elaboração de um estudo técnico detalhado para avaliar a melhor solução para o escoamento das águas pluviais na região. A proposta envolve um projeto integrado com o DNIT, uma vez que a alternativa técnica mais viável aponta para a implantação de um sistema de manilhamento que atravesse sob a pista da BR-070, trecho sob responsabilidade federal.

 

A Secretaria explica que, apesar de o local não demandar um sistema de drenagem ao longo de toda a extensão até áreas mais distantes, trata-se de um ponto crítico e pontual, que exige uma intervenção específica. No momento, não há prazo definido para a execução da obra, já que o andamento depende diretamente da conclusão do levantamento técnico solicitado ao DNIT.

 

Enquanto aguarda o estudo, a Prefeitura segue realizando ações de manutenção preventiva, como a limpeza de bueiros e galerias de águas pluviais, um trabalho contínuo que ocorre em todas as regiões da cidade, especialmente no período chuvoso. A Secretaria esclarece que o problema não está relacionado a entupimentos, mas sim ao alto volume de água, superior à capacidade do sistema de drenagem existente.

 

Como medida emergencial, a Secretaria de Infraestrutura reforça a orientação aos motoristas para que evitem trafegar por áreas alagadas durante períodos de chuva intensa, a fim de prevenir acidentes e situações de risco, como a registrada nesta segunda-feira (09), quando um veículo ficou praticamente submerso.

 


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