Primavera do Leste / MT - Quarta-Feira, 21 de Janeiro de 2026

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Lei permite o uso de tornozeleira em agressores de mulheres que estão sob medida protetiva de urgência



Norma surgiu de projeto apresentado na Câmara dos Deputados

Será por prazo indeterminado? Estará a critério exclusivo da vítima e do juiz? E como se define o fim da situação de risco? Essa indefinição legal cria um ciclo vicioso em que o controle e a suspensão da dignidade do homem ficam sujeitos à vontade unilateral da parte que se declara vítima. A falta de regulamentação abre brecha para abusos, especialmente em processos de separação litigiosa, onde a sobreposição entre esfera penal e cível é frequente.

 

Importante frisar que não se trata de negar a gravidade da violência doméstica ou o direito da mulher à proteção. Pelo contrário: trata-se de exigir que o combate à violência seja feito com responsabilidade, racionalidade e justiça, sem espaço para políticas simbólicas e populistas que desconsideram as consequências da restrição de direitos antes da efetiva comprovação de culpa.

 

Infelizmente, projetos como o PL 5.427/23 têm se tornado comuns no cenário político nos últimos tempos. A causa da violência doméstica, legítima e urgente, tem sido instrumentalizada como palanque eleitoreiro. Com o crescimento do eleitorado feminino, parlamentares tendem a propor medidas de impacto midiático e simbólico que ignoram os princípios constitucionais e o equilíbrio entre as partes. Falar em defesa da mulher virou moeda política; mas legislar com responsabilidade é outra coisa. O preço de decisões mal planejadas pode ser alto e pago por inocentes.

 

3. Conclusão

 

O PL 5.427/23, ao prever o uso obrigatório da tornozeleira eletrônica para todos os homens intimados de medidas protetivas, ignora princípios fundamentais do direito como a presunção de inocência, a proporcionalidade e a dignidade da pessoa humana. Mais do que isso, institucionaliza a estigmatização e compromete a vida social e profissional de indivíduos que ainda não foram julgados. O combate à violência contra a mulher exige seriedade e estratégias eficazes, mas também exige justiça e equilíbrio. É preciso evitar que o remédio se torne mais danoso que a própria doença. A tornozeleira eletrônica não pode ser aplicada como regra geral, mas sim como exceção, em situações graves, de reincidência ou descumprimento comprovado das medidas. Propostas populistas, ainda que bem-intencionadas, podem criar problemas sociais e jurídicos, desviando-se do verdadeiro objetivo de proteger — com equidade — todas as partes envolvidas. A política criminal não pode ser construída sobre alicerces frágeis de retórica eleitoral. É necessário cautela, responsabilidade e, sobretudo, respeito ao devido processo legal.

 

 

 



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Janeiro Roxo: Hanseníase ainda é desafio para a saúde pública em Mato Grosso


Com mais de 4 mil casos notificados em Mato Grosso em 2024, a hanseníase continua sendo um grande desafio para a saúde pública no Brasil. Embora a doença tenha sido progressivamente controlada, ainda representa um problema relevante, especialmente em áreas endêmicas como o estado de Mato Grosso. O tratamento, disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), varia de seis meses a um ano, dependendo da forma e gravidade da enfermidade.

 

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada para o diagnóstico e avaliação inicial da hanseníase nos municípios. Nessas unidades, os profissionais de saúde são treinados para identificar os primeiros sinais da doença, como manchas na pele e perda de sensibilidade, que, se não tratados a tempo, podem levar a complicações graves. Quando necessário, os pacientes são encaminhados para Centros de Referência em Hanseníase, que possuem uma estrutura mais especializada, oferecendo tratamento avançado e acompanhamento contínuo para aqueles com formas mais graves ou complicadas da doença.

 

A conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce da hanseníase tem ganhado força especialmente durante o Janeiro Roxo, uma campanha nacional idealizada pelo Ministério da Saúde. Essa ação busca sensibilizar a população sobre a importância da detecção precoce da doença, que, se diagnosticada a tempo, pode ser tratada com eficiência, evitando complicações e o estigma social.

 

A Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) apoia essa iniciativa e destaca o papel fundamental da campanha para despertar a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. A hanseníase é uma doença de notificação compulsória, o que significa que profissionais de saúde devem registrar e comunicar todos os casos diagnosticados, contribuindo para o controle e erradicação da enfermidade.

 

Atenção especializada – Em Mato Grosso, seis municípios mantêm Ambulatórios de Atenção Especializada Regionalizados (AAER), que oferecem tratamento da hanseníase em Alta Floresta, Barra do Garças, Juara, Juína, Tangará da Serra e Várzea Grande. O Hospital Regional de Colíder passou a ofertar atendimento especializado em 2025, ampliando a rede de assistência.

 

Ações nos municípios – Municípios de todo o estado estão desenvolvendo ações em alusão à campanha Janeiro Roxo e reforçando a importância do diagnóstico precoce. As atividades incluem campanhas de esclarecimento, orientações, eventos educativos, entre outras atividades direcionadas à população. Em Várzea Grande, Unidades de Saúde da Família (USF) estão realizando ações de conscientização, avaliação clínica, busca ativa e diagnóstico, facilitando o acesso da população.

 

Aripuanã organiza o Dia D de Combate à Hanseníase, que será realizado no dia 24 de janeiro, em que profissionais de saúde vão orientar a população, identificar sinais suspeitos e encaminhar os casos para acompanhamento e tratamento, quando necessário.

 

Em Sinop as ações incluem atendimentos específicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e no Centro de Referência em Combate à Hanseníase e Tuberculose. As iniciativas contemplam, ainda, a qualificação de novos profissionais da saúde que integram a Atenção Primária à Saúde.

Agência de Notícias da AMM


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