Primavera do Leste / MT - Terca-Feira, 13 de Outubro de 2026

HOME / NOTÍCIAS

política

“Nós precisamos dessas siglas partidárias para estarmos aqui, mas elas não devem ser mais importantes do que nosso povo”. Afirma o vereador Luis Costa durante sessão



Da Redação

Vereador Luis Costa PR (Foto: Carolina De Sá)

Fim do recesso plenário em Primavera do Leste, e a primeira sessão ordinária do ano, realizada na noite de ontem (05), foi marcada pelo discurso do vereador Luis Costa (PR) que falou da missão de ser um representante do povo.

“Nós devemos medir a qualidade dos nossos políticos, e a primeira delas deve ser, ‘não roubar o dinheiro público’. Eu aprendi com o meu pai que não devemos roubar o dinheiro de ninguém. Que nós, eleitos pelo povo, trabalhemos com seriedade, que os nossos representantes estaduais e federais, destinem verbas de emendas para o nosso município e nossa região, locais de onde vieram os votos. Eu penso assim”. Explana vereador Luis Costa.

Com esse alerta ao povo e puxão de orelha a muitos políticos, Luis Costa menciona que os partidos políticos já estão se movimentando para discutir possíveis nomes ao cenário político de Primavera do Leste para as eleições estaduais e federais.

“A democracia é válida para todos. Qualquer cidadão tem o direito de colocar o seu nome à disposição para pleitear uma campanha. Mas o problema que ocorre neste País e também em nossa cidade, é que quando você decide colocar seu nome para disputar algum cargo político, uma das primeiras coisas que pedem a você é: quantos milhões têm para gastar na campanha? Ou em outras palavras, quantos milhões têm para comprar votos? Para comprar apoios? Eu deixo meu repúdio a essa situação, e acho um absurdo alguém que gasta milhões em uma campanha. A pergunta é: como a pessoa irá pegar esse dinheiro de volta? A conta não fecha”. Indaga o legislador.

E para encerrar, Luis Costa, que é o atual presidente do Partido da República (PR) em Primavera do Leste, fala em tribuna que está à disposição de Primavera do Leste como um soldado, para que assim, junto com os moradores, possa construir uma cidade melhor.

“Seja com o Partido Verde (PV), com o Partido da República (PR), ou ainda o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), ou qualquer outro, eu entende que precisamos de siglas partidárias para estarmos aqui, mas elas não devem ser mais importantes do que nosso povo. Elas não devem ser mais importantes que a dona Maria e o seu João, do bairro São Cristovão ou do São José, que precisam de saúde, precisam de um postinho que funcione, que precisam de segurança pública, entre outros serviços. Esta é minha missão política, que possamos olhar para o nosso povo, para nossa cidade, sem vaidades políticas”. Conclui o vereador Luis Costa.



COMENTÁRIOS

0 Comentários

Deixe o seu comentário!





*

HOME / NOTÍCIAS

A Palavra - Opinião

Entre o “Fora, Lula” e as polêmicas de Primavera: onde fica a coerência política?


Opinião | Por Luis Costa

Primavera do Leste (MT) — Na política, o discurso costuma ser uma coisa; a prática, outra. E é justamente por isso que o eleitor precisa olhar além dos slogans, das bandeiras partidárias e das palavras de ordem que ganham força nas redes sociais.

Em Primavera do Leste, uma contradição merece ser debatida: há pessoas que levantam a bandeira do “Fora, Lula”, criticam posições ideológicas da esquerda e, ao mesmo tempo, apoiam lideranças políticas locais cujas gestões também foram palco de debates e controvérsias envolvendo cultura, comportamento e ideologia.

A pergunta é simples: os princípios políticos valem para todos ou mudam conforme o candidato que recebe o apoio?

A cultura entrou no centro do debate

Durante a gestão de Leonardo Bortolin à frente da Prefeitura de Primavera do Leste, a cultura ganhou espaço na agenda pública, com investimentos em estrutura e iniciativas voltadas às manifestações artísticas.

Em fevereiro de 2023, por exemplo, a cidade inaugurou o Teatro Municipal e uma nova estrutura do Centro Cultural Professora Evangeline Alcântara Takeuchi. Na ocasião, o então prefeito destacou a importância dos espaços para o desenvolvimento cultural e para a formação de jovens.

A informação foi divulgada pelo portal PNB Online, em reportagem publicada em 8 de fevereiro de 2023.

Mas a cultura também se tornou assunto de disputa política na cidade. E é nesse ambiente que surge uma discussão que ainda provoca questionamentos sobre os limites entre arte, liberdade de expressão, valores familiares e posicionamentos ideológicos.

O episódio do beijo que provocou polêmica

Em junho de 2022, uma apresentação artística com temática LGBTQIA+ provocou forte repercussão em Primavera do Leste. A encenação incluía a simulação de um beijo entre pessoas do mesmo sexo e gerou críticas de vereadores, que classificaram a apresentação de maneira negativa.

O caso foi noticiado pelo portal Primeira Página em 30 de junho de 2022.

É importante esclarecer um detalhe: segundo a reportagem, a apresentação foi realizada por uma escola particular, e não se tratava de um espetáculo organizado diretamente pela Prefeitura. Portanto, o episódio não pode ser atribuído automaticamente à administração municipal.

Ainda assim, a repercussão revelou como as questões culturais e ideológicas dividiam opiniões na cidade e eram levadas para o debate político.

A pergunta que permanece pertinente é: quem defende liberdade de expressão em determinadas situações está disposto a defender o mesmo princípio quando a manifestação artística contraria suas próprias convicções?

E quem critica a chamada ideologia de esquerda em âmbito nacional mantém os mesmos critérios quando se trata de aliados políticos locais?

O eleitor não pode ter dois pesos e duas medidas

O problema não está em ser de direita, de esquerda ou de qualquer outra corrente política. Cada cidadão tem o direito de defender suas convicções, apoiar candidatos e discordar de manifestações culturais.

O problema começa quando os princípios são utilizados seletivamente.

Se uma pessoa considera determinadas manifestações culturais inadequadas, tem o direito de expressar sua opinião. Mas também precisa estar disposta a avaliar criticamente as decisões e os posicionamentos dos políticos que apoia.

Da mesma forma, quem cobra coerência ideológica do governo federal não deveria abrir mão de fazer as mesmas perguntas aos representantes de sua preferência em Primavera do Leste.

A coerência política não pode ser uma exigência apenas para os adversários.

Flores, obras e disputas ideológicas: o que fica para a população?

Uma gestão pública não pode ser avaliada apenas por eventos, inaugurações, slogans ou imagens bonitas. É preciso observar os resultados, as prioridades administrativas, a aplicação dos recursos públicos e a capacidade de atender às necessidades da população.

Na cultura, isso significa discutir acesso aos espaços públicos, valorização dos artistas locais, transparência nos investimentos e respeito à diversidade de manifestações culturais.

Também significa permitir que a população questione as escolhas da administração sem ser automaticamente rotulada por suas posições políticas ou religiosas.

O debate precisa ser mais amplo do que um beijo em um palco ou uma palavra de ordem nas redes sociais. O cidadão tem o direito de saber quais políticas foram executadas, quanto custaram e quais benefícios trouxeram para a comunidade.

E os eleitores de Léo que gritam “Fora, Lula”?

É aqui que a discussão ganha força política.

Não há contradição automática em alguém criticar Lula e apoiar Leonardo Bortolin. São lideranças diferentes, com trajetórias, propostas e responsabilidades distintas. Um eleitor também pode concordar com um político em determinados assuntos e discordar dele em outros.

Mas, quando o argumento utilizado contra um adversário é ideológico, é legítimo cobrar que os mesmos critérios sejam aplicados aos aliados.

Se o discurso é contra determinadas manifestações culturais, por exemplo, o eleitor pode perguntar como os políticos de sua preferência se posicionaram diante de situações semelhantes. Se a cobrança é por valores familiares, cabe questionar quais políticas públicas efetivamente defendem esses valores. E, quando o argumento é o uso do dinheiro público, a fiscalização deve valer para todos.

Não se trata de defender Lula nem de atacar quem pensa diferente. Trata-se de cobrar coerência de quem faz da ideologia uma bandeira política.

A política precisa de menos slogans e mais coerência

Primavera do Leste precisa de debate sério sobre saúde, educação, infraestrutura, cultura, segurança e aplicação dos recursos públicos. As discussões ideológicas fazem parte da democracia, mas não podem substituir a avaliação concreta dos resultados de uma gestão.

O eleitor não deve entregar um cheque em branco a nenhum político. Nem a um adversário, nem a um aliado.

Quem cobra coerência precisa praticá-la. Quem exige transparência deve aceitar a fiscalização. E quem critica as escolhas de um governo precisa estar disposto a examinar as decisões dos representantes que apoia.

No fim das contas, a pergunta não é apenas quem grita “Fora, Lula”. A pergunta é: quais critérios essa pessoa utiliza para avaliar os políticos em quem acredita?

Porque, em uma democracia, a coerência não se mede pelo volume do grito, mas pela disposição de aplicar os mesmos princípios a todos.

 


Antenado News