Primavera do Leste / MT - Quarta-Feira, 14 de Janeiro de 2026

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Alunos fazem vaquinha e presenteiam professor que está sem salário há dois meses



O professor de artes Bruno Rafael Paiva, da Escola Estadual de Ensino Profissional Balbina Viana Arrais, em Brejo Santo, município da região Sul do Ceará, foi surpreendido pelos alunos com um gesto de carinho e solidariedade na sala de aula, na terça-feira (15). O momento foi filmado e postado na rede social do professor, e o vídeo viralizou.

Substituindo uma professora de licença médica há cerca de dois meses, Bruno Rafael precisou ficar alojado na escola, já que a família vive no Crato e, com os trâmites burocráticos da licença e o atraso dos salários de abril e maio, ele ficou sem condições de se manter sozinho em Brejo Santo, onde não tem parentes nem amigos.

“A licença fica se renovando, e todas as vezes é essa burocracia. Trabalhei um mês e meio e achei que ia receber, mas quando olhei a conta não tinha nada. Aí comecei a ficar preocupado, perdido”, conta Rafael.

Ao saber da situação, os estudantes da turma de 1º ano de Edificações realizaram uma rifa, juntaram o valor de R$ 400 e organizaram uma surpresa para presentear o professor. No vídeo gravado pela turma, Rafael se mostra sem jeito ao ler as mensagens escritas pelos adolescentes, e depois, ao receber a caixinha com o presente. “Fiquei travado, espantado mesmo com a atitude”, diz.

A turma, de alunos entre 14 e 16 anos, agradece o professor pela paciência e se desculpa “por dar tanto trabalho”. O docente se emociona com o gesto e, chorando, recebe um abraço coletivo dos estudantes. “Dali comecei a ficar nervoso, a tremer, chorei e eles me abraçaram. Enquanto eles me abraçavam, eu tremia.”

Respeito ao professor

Rafael lembra casos violentos contra professores em salas de aulas pelo país e diz que, mais do que receber o dinheiro, a homenagem dos estudantes foi o que mais surpreendeu. “A gente vê muito o oposto, aluno querendo enfrentar e bater em professor. Quando aconteceu isso fiquei muito feliz de verdade”, declara.

Segundo ele, o alcance do vídeo também foi importante para “tocar pessoas no Brasil que estavam precisando acreditar de novo”.

“São alunos como eles que me fazem ainda acreditar na educação do país, acreditar no amor ao próximo, na compaixão de se colocar no lugar do próximo, e acreditar, principalmente, no respeito e amor do aluno para com o professor de sua escola”, reforça.

Professor Bruno Rafael recebe homenagem na Escola Estadual de Ensino Profissional Balbina Viana Arrais, em Brejo Santo, no Ceará. (Foto: Reprodução)

Professor Bruno Rafael recebe homenagem na Escola Estadual de Ensino Profissional Balbina Viana Arrais, em Brejo Santo, no Ceará. (Foto: Reprodução).

Atraso no pagamento

O diretor da escola, Cícero Pereiro, explica que o professor já consta na folha de pagamento, mas um atraso no processo de licença da outra professora ultrapassou o prazo para liberação do salário.

“Ele chegou aqui em março pra tirar a licença de uma professora que está com problemas de saúde. O contrato foi formalizado no dia 20. Por causa da data, o salário não entrou no primeiro mês. Quando abriu pro mês seguinte, não tinham liberado a licença da professora, por isso não caiu. Mas é um caso isolado. Em junho o salário dele entra”, afirma o diretor.

Cícero também garante que ninguém na instituição sabia da surpresa organizada pelos alunos. “Foi surpresa pra todo mundo, os alunos não deixaram nem que outros professores percebessem”, conta.

Sem conhecidos na cidade, Rafael foi acolhido na escola, onde dorme durante a semana. Às sextas-feiras, volta para o Crato, onde a família vive. Ele descreve Brejo Santo como um local acolhedor. “Desde que cheguei naquela escola eles abriram os braços pra mim, só tenho a agradecer a todos. A comunidade inteira é muito acolhedora. Os que me ajudaram não são únicos, são reflexo de muitos. Que isso seja inspiração.”

Fonte: G1 Globo



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política

PISCICULTURA: Deputado Nininho mobiliza Assembleia Legislativa, Governo do Estado e agricultores para fomentar produção de peixe em Mato Grosso


Com recursos do Banco Mundial, deputado trabalha para organizar cadeia produtiva, implantar cooperativas e fortalecer piscicultura em Mato Grosso; iniciativa prevê projeto piloto na Baixada Cuiabana

O deputado estadual Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos) está mobilizando a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o governo estadual e o setor produtivo para reestruturar a piscicultura em Mato Grosso, com foco na Baixada Cuiabana. O parlamentar defende a integração de políticas públicas e a formação de cooperativas para absorver parte dos US$ 100 milhões garantidos junto ao Banco Mundial para a agricultura de pequena escala. A estratégia aponta para a verticalização da produção para retomar o protagonismo do Estado, que atualmente ocupa o sétimo lugar no ranking nacional.

 

Segundo Nininho, a Baixada Cuiabana possui características geográficas que favorecem o pequeno produtor em detrimento da agricultura de larga escala. “A aptidão das áreas aqui é mais voltada para a agricultura familiar e pequena propriedade. Não tem aptidão, muitas vezes, para a agricultura de grande escala. Precisamos achar uma maneira de fomentar essa atividade”, afirma Nininho.

 

A proposta do deputado envolve um consórcio entre a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), a Empaer e universidades. O objetivo é criar uma estrutura que reduza custos operacionais, incluindo a produção regional de alevinos e a instalação de fábricas de ração próprias. “Nós vamos agregar mais valor no nosso produto e diminuir o custo dos insumos, o que faz com que a rentabilidade e a margem de lucro fiquem maiores para os nossos produtores”, explica Nininho.

CRÉDITO E COOPERATIVAS

Um dos pilares do projeto de Nininho visa o acesso a recursos internacionais. De acordo com a Seaf, os investimentos do Banco Mundial serão aplicados nos próximos cinco anos, priorizando ações sustentáveis. Para o deputado, a organização em cooperativas é a chave para que o pequeno piscicultor acesse esses fundos. “Nosso objetivo é estruturar toda essa cadeia. A ideia é criarmos cooperativas para incluir no programa do Banco Mundial, buscando recursos a fundo perdido para apoiar o pequeno produtor”, destaca.

 

A industrialização também está no radar do parlamentar. O parlamentar defende a criação de frigoríficos com certificação federal (Sisp/Sif) para que o peixe mato-grossense alcance novos mercados. “Essa cooperativa vai tirar o selo para poder ter a inspeção federal e vender esse pescado lá fora, não somente no mercado interno, mas no externo também”, projeta Nininho.

 

INTEGRAÇÃO TÉCNICA

 

A viabilidade do plano conta com o suporte da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que propõe um diagnóstico de 800 propriedades para identificar gargalos tecnológicos. “O estudo vai permitir compreender as necessidades dos produtores, aprimorar a compra de insumos e desenvolver tecnologias adequadas à realidade local. O sucesso depende da integração entre pesquisa e produção”, explica o professor Márcio Hoshiba, da UFMT e integrante do Núcleo de Estudos em Pesca e Aquicultura (Nepes).

 

O presidente da Associação Mato-grossense dos Aquicultores (Aquamat), Darci Fornari, defende a integração e a verticalização da produção para aumentar a competitividade. “Temos potencial para sermos o maior produtor de peixe do Brasil. O desafio é fortalecer as cooperativas e reduzir a atuação isolada dos pequenos produtores, que representam 80% do setor. Queremos aplicar o modelo de sucesso das grandes operações também aos pequenos”, comenta.

 

 

 

PROTAGONISMO

 

Mato Grosso produziu 44,5 toneladas de peixe em 2024, com receita estimada em R$ 600 milhões, ocupando atualmente a sétima posição no ranking nacional. Para Nininho, o Estado reúne condições para recuperar o protagonismo no setor, desde que haja planejamento e políticas contínuas de apoio à produção.

 

“Mato Grosso tem os ativos necessários, água e tecnologia, mas carece de gestão integrada. Temos água em abundância e profissionais qualificados. Falta apenas organização e incentivo para retomarmos a liderança”, conclui o parlamentar.

Redação: Sérgio Ober


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