Primavera do Leste / MT - Quarta-Feira, 18 de Fevereiro de 2026

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Entenda os diferentes tipos de vírus da gripe que circulam pelo Brasil



Este ano, até 7 de abril, o Brasil contabilizou 286 casos de influenza, comumente conhecida como gripe. Desse total, 117 casos e 16 óbitos foram provocados pelo vírus H1N1, responsável pela pandemia de 2009. Já o H3N2, menos conhecido, registrou, até o momento, 71 casos e 12 mortes no país. Há poucos meses, uma mutação desse mesmo vírus provocou a morte de centenas de pessoas no Hemisfério Norte, sobretudo nos Estados Unidos.

Em entrevista à Agência Brasil, o infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, explicou que a principal característica do vírus influenza é sua capacidade de sofrer pequenas mutações e causar epidemias que atingem entre 10% e 15% da população mundial todos os anos. Para o especialista, entretanto, não há motivo para pânico.

Às vésperas do início da temporada de inverno no Brasil, ele alertou para a importância da vacinação, sobretudo para os que integram os chamados grupos de risco. “Assim que a campanha começar, as pessoas devem procurar a vacina e se proteger antes da entrada da estação do vírus”, explicou.

O Ministério da Saúde informou que a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe deve começar na segunda quinzena deste mês. Idosos com mais de 60 anos, crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes, puérperas (mulheres com até 45 dias pós-parto), trabalhadores da área de saúde, professores, detentos, profissionais do sistema prisional e indígenas compõem o público-alvo.

Confira os principais trechos da entrevista com o especialista:

Agência Brasil: Quais vírus do tipo influenza circulam no país neste momento?
Renato Kfouri: Existem dois grandes tipos de vírus influenza que acometem humanos: A e B que, por sua vez, possuem diversos subtipos. Eles sofrem pequenas variações todos os anos e é essa capacidade de fazer mutações leves que os faz chegar, no ano seguinte, causando uma epidemia, como se a população não reconhecesse aquilo como uma doença que já teve e acabe adoecendo novamente.

O Brasil é um país continental e, por essa razão, temos variações em relação aos subtipos de influenza que circulam neste momento. Goiânia, por exemplo, abriu a temporada com predomínio de circulação de H1N1. Já em São Paulo, temos casos confirmados e, inclusive, óbitos relacionados ao H3N2. Há, portanto, dentro de um país tão grande quanto o nosso, variações de regiões onde a epidemia anual pode se dar com mais intensidade por um tipo de vírus ou por outro.

Agência Brasil: A exemplo do Hemisfério Norte, teremos, no Brasil, uma situação fora do comum?
Kfouri: A cada ano, a gente experimenta estações de vírus influenza por vezes mais graves, por vezes mais simples. Este ano, ainda estamos começando nossa temporada. Ainda há poucos casos para se chegar à conclusão de que será uma temporada de predomínio de uma ou de outra variante e com que gravidade.

No Hemisfério Norte, o que circulou na última temporada foi um H3N2 que tinha sofrido uma mutação maior em relação à circulação de anos anteriores e foi, talvez, desde a pandemia de 2009, a pior temporada de influenza que o hemisfério e, especialmente, os Estados Unidos vivenciaram. O que não quer dizer que isso vai se dar também aqui na América Latina. As temporadas dependem muito da migração do vírus, das condições climáticas. Só o acompanhamento da evolução desses casos nos permitirá dizer se essa será uma temporada de predomínio de circulação de H1N1 ou de H3N2.

Agência Brasil: Quais as diferenças entre os dois tipos de vírus e qual pode ser considerado mais grave?
Kfouri: Não há diferença clínica ou uma série histórica de infecções mais graves por um tipo de vírus ou por outro. Isso depende dessa variação que comentamos. Um vírus que muda muito tende a ser muito diferente e a trazer infecções mais sérias porque não encontra uma memória de proteção na população por exposições anteriores.

Depende muito do tipo de vírus que vai circular. Se houver predomínio de um H3N2 ou um H1N1 muito diferente do que vem circulando até então, as chances de encontrar uma população ainda não exposta e fazer doenças mais graves é maior. Isso teremos que acompanhar durante a estação.

Agência Brasil: Como fica a vacinação contra a gripe em meio a todo esse cenário?
Kfouri: Temos casos de influenza registrados durante todo o ano no Brasil, mas a grande concentração se dá agora, final do outono e começo do inverno. Por isso, a vacinação é feita exatamente nessa época que precede a estação do vírus. Vamos vacinar no final de abril esperando que, em maio, a população esteja imunizada. Geralmente, de maio a julho é o período de maior circulação do vírus, mas isso é muito variável de ano para ano. Às vezes, começa um pouco mais cedo, às vezes, um pouco mais tarde. Não é uma coisa matemática.

Não há que se ter pânico. Há sim que se vacinar – especialmente aqueles pertencentes a grupos de risco, onde a vulnerabilidade os torna casos com maiores chances de evoluir com gravidade. Assim que a campanha começar, as pessoas devem procurar a vacina e se proteger antes da entrada da estação do vírus. Para os que não pertencem aos grupos de risco e não têm a vacina gratuita, a orientação é procurar os serviços particulares e já se imunizar.

Agência Brasil: Há outros cuidados a serem tomados na prevenção de casos de gripe?
Kfouri: Além da vacinação, as maneiras importantes de prevenção do vírus da gripe incluem a lavagem frequente de mãos; se estiver doente, evitar ambientes aglomerados e o contágio para outras pessoas; usar sempre lenços descartáveis e desprezar esses lenços; cobrir a boca quando tossir com o antebraço, evitando, com isso, a disseminação do vírus; na impossibilidade da utilização de água e sabão, usar o álcool em gel, que tem uma boa ação para limpeza das mãos; crianças devem ser amamentadas e, se possível, frequentar creches mais tardiamente; não se expor ao cigarro, seja de forma ativa ou como fumante passivo, já que a fumaça é um irritante das vias aéreas e facilita a entrada dos vírus. Esses cuidados são muito importantes também para a prevenção da gripe.

Fonte: Agência Brasil



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A Palavra - Opinião

Crise política entre Primavera do Leste, Poxoréu e Governo do Estado de MT após declarações de vereador


Várias autoridades estiveram presente no momento em que foi anunciado o asfalto

A pavimentação do trecho entre Primavera do Leste, Nova Poxoréu e Vale Verde se tornou o centro de uma crise política regional, após declarações inflamadas do vereador Sargento Telles (PRD), de Primavera do Leste, em um vídeo publicado em suas redes sociais.

O governo estadual anunciou oficialmente, no dia 25 de novembro de 2026, o início da pavimentação da MT entre Primavera do Leste, Nova Poxoréu e Vale Verde, com obras previstas para começarem no primeiro semestre de 2026. A obra, de 5,9 km, foi recebida com entusiasmo pela população local, sendo vista como um pleito histórico que trará acesso seguro e desenvolvimento econômico para a região.

O episódio que gerou polêmica

No entanto, o anúncio de um avanço importante para a infraestrutura da região foi ofuscado pelas declarações do vereador Sargento Telles, que em 10 de fevereiro de 2026, em tom de crítica e utilizando linguagem agressiva, afirmou em um vídeo que “um monte de vagabundos” aparecia para tirar fotos quando o asfalto era anunciado. A fala gerou indignação e rapidamente se espalhou pelos municípios vizinhos.

A acusação e os termos utilizados pelo vereador afetaram a relação política entre os municípios de Primavera do Leste e Poxoréu, criando um ambiente tenso e gerando dúvidas sobre a representatividade e o compromisso dos políticos locais com as causas da população.

Pedido de desculpas que não apaga os danos

Após a repercussão negativa de suas palavras, o vereador Sargento Telles tentou amenizar a situação com um pedido de desculpas público. No entanto, o pedido foi tardio e não conseguiu reverter a má impressão deixada, especialmente em uma época em que o diálogo entre as cidades e a colaboração política são essenciais para o progresso coletivo.

Contraste de ações políticas

A declaração de Telles contrasta com os feitos de outros parlamentares da região. O presidente da Câmara de Vereadores de Poxoréu, Baiano das Alminhas (MDB), concluiu seu primeiro ano de mandato com um expressivo saldo de mais de R$ 1 milhão em emendas parlamentares para o município, recursos destinados principalmente à agricultura familiar e aos assentamentos rurais. Em contraste, Sargento Telles não apresentou recursos significativos para o desenvolvimento de Primavera do Leste ou Poxoréu.

Justificativa que não convenceu

Em uma sessão extraordinária no dia 13 de fevereiro de 2026, Telles tentou justificar suas palavras, adotando uma postura de ameaça e argumentando que suas declarações eram uma crítica ao sistema político. Contudo, nos bastidores, a opinião foi unânime: a justificativa não foi bem recebida e acabou agravando ainda mais a situação.

Conclusão

A pavimentação do trecho entre Primavera do Leste, Nova Poxoréu e Vale Verde representa uma grande conquista para a população da região. Contudo, a tentativa de politizar e desqualificar a obra por meio de xingamentos públicos prejudica o progresso e a imagem dos representantes políticos. A solução para os problemas da região está no trabalho conjunto e no diálogo, e não nas divisões e ataques que apenas atrapalham o que pode ser uma verdadeira vitória para todos.


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