Primavera do Leste / MT - Quarta-Feira, 01 de Abril de 2026

HOME / NOTÍCIAS

Brasil

Criança desmaia em escola: “Chorei ao notar que era fome”, diz professora



Um aluno de oito anos desmaiou de fome na última segunda-feira (13) em uma escola do Cruzeiro, no Distrito Federal. Ele é um dos 730 estudantes carentes que moram no Paranoá Parque e que, todos os dias, viajam 30 km – quase sempre sem comer – para estudar na região. A criança, que frequenta a Escola Classe 8, mora em um empreendimento do Minha Casa, Minha Vida.

Deste local, 250 alunos são transportados diariamente para uma unidade de ensino no Cruzeiro. “Assim que os alunos chegam, eu cumprimento um a um”, relembra ao UOL Ana Carolina Costa, professora do 2º Ano Fundamental. “Mas quando chegou a vez o menino, percebi que chorava.” Ele estava com a mão no peito, coração disparado, passando mal. “Levei para a direção. Por duas vezes ele apagou.

Não reagia.” A professora acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e chamou os três irmãos do garoto, que também estudam na escola. “Eles ficaram calados, com caras de assustados.” Questionados, disseram que não tinham comido nada no domingo e que naquela segunda tinham tomado mingau de fubá (fubá, água e sal) antes de sair de casa.

“Quando a gente percebeu que era forme, eu saí de perto para chorar. O rapaz do Samu me olhou com uma cara de ‘que realidade é essa?’. E eu disse que é sempre assim. Eu tenho dois alunos que todos os dias reclamam de fome”, diz. 17/11/2017 Criança desmaia em escola: “Chorei ao notar que era fome”, diz

A professora reuniu outros membros da escola e foi levar uma cesta básica para a família do estudante. “A mãe nos disse que tinham o suficiente. Mas enquanto a gente conversava, só tinha uma panela de arroz sobre o fogão. A criança mais nova toda hora enfiava a mão na panela para comer.

Ter comida para eles em casa é ter fubá”, lamenta. Ana garante que mais estudantes passam fome em sua classe. “Dos meus 18 alunos, quatro chegam com fome todos os dias. É a metade que não come, mas esses quatro são muito carentes.” Ela, então, vai à cantina, pega uma fruta e leva para uma criança ou outra “para conseguir enganar a barriga deles e conseguir dar aula até o intervalo”.

O Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) já pediu à Secretaria de Educação a construção de uma escola na região do Paranoá Parque. “Se não é possível construir agora, a escola tinha de, no mínimo, oferecer uma refeição na entrada: arroz, feijão e frango, e um lanche à tarde”, disse ao UOL Samuel Fernandes, diretor da entidade.

Ele explica que os alunos que estudam em período parcial recebem apenas um lanche, às 15h30. “Em uma semana, é comida duas vezes por semana e biscoito e suco nos outros três dias. Na outra semana é o oposto. A criança fica até oito horas longe de casa. Até se almoçar às 11h, ela não aguenta”, diz. Mesmo quando completa, a merenda “não é boa, é pouco nutritiva”, garante a professora. “O feijão é enlatado, com sódio. É uma carne que tem de ferver antes para tirar o sebo que tem em cima. Mas diante da realidade dos meninos, é melhor do que nada.” Procurada, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) “lamenta que o aluno tenha passado por esta situação”.

A pasta diz que “não foi informada formalmente sobre o problema” de merenda e que vai apurar “diretamente na escola, com o gestor da unidade, qual a real situação dos alunos para, em conjunto com a direção e coordenação regional de ensino, encontrar uma solução razoável”.

Ainda segundo a secretaria, a construção de escolas no Paranoá Parque e no Itapoã consta no plano de obras 2015/2018, mas “não há disponibilidade financeira imediata para as obras”. O órgão dispõe de um terreno para esta finalidade em cada uma das cidades. “No caso do Itapoã, o projeto para a construção de uma Escola Classe já está concluído e aguarda dotação financeira.” Mas promete que 84 crianças, hoje no 5º ano no Cruzeiro, “irão cursar o 6º ano nos Centros de Ensino Fundamental 03 e 05 do Paranoá, em 2018”.

A professora Ana faz um apelo: “Que a secretaria olhe com carinho para a nossa escola, que é especial por atender tantas crianças pobres. Que o cardápio tenha, pelo menos, almoço na entrada.”

Fonte: Wanderley Preite Sobrinho Colaboração para o UOL



COMENTÁRIOS

0 Comentários

Deixe o seu comentário!





*

HOME / NOTÍCIAS

política

Licitação é publicada e MT-040 terá 33 km de asfalto novo em trecho articulado pelo deputado Nininho


Edital publicado nesta segunda-feira prevê o início das obras no subtrecho entre Rondonópolis e São José do Planalto, conhecido como Estrada do Birro

O Governo de Mato Grosso deu um passo importante para a modernização logística da região sudeste do Estado. Foi publicado no Diário Oficial desta segunda-feira (30/3) o edital de licitação para as obras de implantação e pavimentação de um trecho da rodovia MT-040. O projeto contempla uma extensão de 33,40 quilômetros, ligando o entroncamento da BR-163 ao entroncamento da MT-458, no subtrecho que conecta Rondonópolis ao distrito de São José do Planalto, na Estrada do Birro.

 

Esse asfalto novo é resultado de mais uma articulação liderada pelo deputado estadual Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos) junto ao governador Mauro Mendes, ao vice-governador Otaviano Pivetta e ao secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira. A abertura do processo licitatório está agendada para o dia 28 de abril.

 

“Esta é uma vitória para os produtores rurais e para as famílias que dependem dessa estrada diariamente. Trabalhamos arduamente para que o projeto saísse do papel, pois sabemos que a pavimentação da Estrada do Birro é sinônimo de dignidade e desenvolvimento econômico para Rondonópolis e Pedra Preta”, enfatiza o deputado.

 

LOGÍSTICA E PRAZOS

 

O projeto executivo de engenharia, detalhado em volumes técnicos, classifica a intervenção como uma obra de médio porte, com previsão de execução em 22 meses após a ordem de serviço. O cronograma estabelece um ritmo médio de 1,52 km de asfalto por mês. O orçamento foi elaborado com base na tabela Sicro de janeiro de 2025, garantindo que os custos estejam alinhados com os preços de mercado mais recentes para terraplanagem, pavimentação e drenagem.

 

O edital exige rigor técnico na execução, incluindo sinalização viária completa, obras de arte correntes (bueiros e canaletas) e medidas de recuperação ambiental ao longo do trajeto. A utilização de pistas simples, dimensionadas para o fluxo da região, promete reduzir drasticamente o tempo de viagem entre os distritos e o centro urbano de Rondonópolis.

 

ROTA ALTERNATIVA

 

A pavimentação da MT-040 não apenas facilita o escoamento da produção agrícola, mas também integra comunidades que antes ficavam isoladas durante o período de chuvas. O trecho beneficiará os municípios de Rondonópolis e Pedra Preta, criando uma rota alternativa segura e eficiente.

 

“O governador Mauro Mendes compreendeu a urgência dessa demanda. Com o apoio da Sinfra, estamos transformando a infraestrutura de Mato Grosso, retirando o barro e a poeira da vida de quem produz e de quem transporta nossas riquezas”, ressalta Nininho.

 

Redação: Sérgio OberFoto – Assesoria


Antenado News