Primavera do Leste / MT - Quarta-Feira, 20 de Maio de 2026

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Futuro presidente terá de enfrentar financiamento do SUS



A revitalização do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo atendimento exclusivo de cerca de 75% da população brasileira, hoje estimada em 208,5 milhões de pessoas, está entre os principais desafios do próximo presidente da República, juntamente com a segurança pública e a geração de empregos. Segundo dados do Ministério da Saúde, o SUS é um dos maiores sistemas de saúde do mundo: em 2017 foram realizados 3,9 bilhões de atendimentos na rede credenciada.

Entre os procedimentos mais frequentes, ao longo do ano passado, estão, por exemplo, consulta médica em atenção básica e especializada, visita domiciliar, administração de medicamentos em atenção básica e especializada, aferição de pressão arterial e atendimento médico em UPA (Unidade de Pronto Atendimento). A estrutura do SUS em todo o Brasil envolve 42.606 unidades básicas de saúde e o mesmo número de equipes do programa Saúde da Família, 596 UPAs, 2.552 centros de atenção psicossocial (Caps), 1.355 hospitais psiquiátricos, 436.887 leitos, 3.307 ambulâncias, 219 bancos de leite humano e 4.705 hospitais conveniados (públicos, filantrópicos e privados).

 

Info sus 2018
Info sus 2018 – EBC

Para financiar essa rede de atendimento, a pasta da Saúde tem o maior orçamento da Esplanada dos Ministérios. Em 2018, a previsão no Orçamento Geral da União é de R$ 130,2 bilhões, sendo R$ 119,3 bilhões para ações e serviços públicos. Quem está na ponta do sistema, no entanto, reclama de subfinanciamento da saúde pública.

Diagnóstico

Segundo o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Leonardo Vilela, as verbas federais são “absolutamente insuficientes” para custear o sistema público, o que vem obrigando os estados e os municípios a ampliarem sua participação. Isso, conforme Vilela, resulta em hospitais privados conveniados quebrando, filantrópicos endividados e atendimento precário nos hospitais públicos. “Se o próximo presidente não resolver a questão do financiamento, o sistema vai entrar em colapso”, afirmou.

O diagnóstico do presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Guimarães Junqueira, segue a mesma linha. “Os repasses federais vêm caindo nos últimos tempos. Não levam em conta aumento da população, nem o aumento do desemprego que joga mais pessoas no SUS, nem o envelhecimento da população, com consequente aumento das doenças crônicas. Também não considera os avanços tecnológicos, que custam caro”, argumentou.

Cálculos feitos pelos dois conselhos, com base em dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (Siops), do Ministério da Saúde, mostram uma linha decrescente no fluxo de recursos federais para financiamento da saúde pública. Em 1993, a participação da União era de 72%, dos municípios, 16%; e dos estados, 12%. Em 2002, a União entrou com 52,4% das verbas, os municípios, com 25,5%; e os estados, com 22,1%.

No ano passado, a União aplicou R$ 115,3 bilhões em saúde, o que representa 43,4% do total de recursos públicos investidos no SUS. Os municípios entraram com R$ 81,8 bilhões (30,8%), e os estados com R$ 68,3 bilhões (25,8%).

Os dois secretários reconhecem a necessidade de melhorar a gestão do sistema público, por meio do treinamento e capacitação de gestores dos hospitais e unidades de saúde, mas argumentam que, ainda assim, a verba é insuficiente para atender a demanda da população. Segundo Vilela, a crise econômica, além de reduzir a arrecadação de impostos, colocou no sistema os trabalhadores desempregados que perderam planos de saúde, sobrecarregando ainda mais a rede pública. “Até para melhorar a gestão precisamos de mais recursos, pois um dos caminhos, a informatização, custa dinheiro”, disse.

Para o Conasems, um dos caminhos para ampliar o financiamento da saúde pública é a revisão da política de isenções fiscais concedidas a setores produtivos. “As desonerações representam mais do que o dobro do orçamento do Ministério da Saúde”, afirmou. Além disso, os conselhos defendem revisão das competências dos três entes da Federação e da repartição da arrecadação, bem como de leis que engessam a administração pública, refletindo diretamente na gestão do sistema de saúde.

Referência

Apesar das dificuldades, o Ministério da Saúde vê no SUS áreas de referência mundial. São bons exemplos a terapia antirretroviral, o sistema público de transplantes, o programa de imunizações, o banco de leite materno e a assistência farmacêutica. O SUS fornece 22 antirretrovirais, em 38 apresentações farmacêuticas, para o tratamento de portadores do HIV em todo o país. A organização do banco de leite humano brasileiro é referência para 40 países, sendo que 23 têm cooperação internacional com o Brasil para utilização do modelo.

Doação de leite materno
SUS é referência em banco de leite humano – Elza Fiúza/Arquivo/Agência
Brasil

Segundo o Ministério da Saúde, o SUS mantém o maior sistema público de transplantes de órgãos do mundo, servindo de referência para outros países. No Brasil, 87% dos transplantes de órgãos sólidos são feitos no SUS, cujo paciente tem acesso à assistência integral – exames preparatórios, cirurgias, acompanhamento e medicamentos pós-transplantes.

A rede brasileira tem centrais de transplantes nas 27 unidades da Federação e conta com 13 câmaras técnicas nacionais, além de 494 estabelecimentos que realizam transplantes e 1.244 equipes habilitadas. Há também 70 organizações de busca de órgãos e 62 bancos de tecidos.

FONTE: Agência Brasil



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política

SEM MALDADE POLITICA: Vídeo de Sérgio Machnic sobre atendimento a integrante do Trio Parada Dura gera repercussão política em Primavera do Leste


Declaração do prefeito sobre atendimento realizado durante programação do Vira Saúde provocou debates políticos e movimentou bastidores da administração municipal.

O prefeito Sérgio Machnic (PL) voltou a enfrentar desgaste político após a repercussão de um vídeo publicado nas redes sociais no último sábado, em Primavera do Leste. Desta vez, a polêmica não ocorreu por conta do atendimento realizado pela saúde municipal, mas pela forma como o episódio foi apresentado pelo chefe do Executivo.

No vídeo, Sérgio contou que um integrante da equipe do Trio Parada Dura, que passava pela cidade, estaria sofrendo com fortes dores de dente. Segundo o prefeito, o homem já havia tentado resolver o problema em Minas Gerais, mas acabou sendo atendido em Primavera do Leste com apoio da equipe de saúde do município.

Durante a gravação, o prefeito afirmou que a equipe abriu a unidade de saúde e organizou o atendimento para solucionar o problema do paciente.

A declaração gerou repercussão imediata nos bastidores políticos e nas redes sociais. Integrantes da oposição passaram a questionar a abertura da unidade de saúde no sábado e levantaram críticas à condução do caso.

Entretanto, um ponto importante acabou ficando de fora de parte das discussões.

As unidades de saúde já estavam funcionando oficialmente naquele sábado dentro da programação do Vira Saúde, programa desenvolvido pela Prefeitura de Primavera do Leste para ampliar atendimentos e realizar ações extras na rede municipal.

A própria administração municipal havia divulgado anteriormente, por meio do grupo oficial de imprensa, que os postos de saúde participantes do programa estariam abertos realizando atendimentos especiais durante o fim de semana.

Inclusive, matérias encaminhadas pela comunicação oficial da Prefeitura no sábado já informavam sobre os atendimentos extraordinários realizados nas unidades de saúde.

Com isso, a estrutura utilizada no atendimento não foi aberta de maneira improvisada, já que os serviços estavam previstos dentro da programação do Vira Saúde.

Nos bastidores políticos, inclusive entre aliados da gestão, a avaliação é de que o desgaste ocorreu principalmente pela forma espontânea como o episódio foi relatado pelo prefeito.

Ao tentar destacar a agilidade e o atendimento prestado pela equipe de saúde, a fala acabou dando margem para interpretações de que a estrutura pública teria sido mobilizada exclusivamente para atender um integrante de uma banda conhecida nacionalmente.

A situação também reacendeu discussões sobre a comunicação política da atual administração.

Aliados avaliam que Sérgio Machnic possui perfil discreto e próximo da população, mas que em alguns momentos acaba enfrentando dificuldades ao improvisar declarações públicas.

Apesar da repercussão, a Prefeitura mantém o Vira Saúde como uma das principais iniciativas da gestão municipal para fortalecer a saúde pública em Primavera do Leste.

O programa prevê mutirões, ampliação de atendimentos, realização de exames, consultas e ações voltadas à redução das filas na rede municipal de saúde.

O episódio acabou refletindo o atual ambiente político da cidade, marcado por cobranças constantes sobre a administração municipal e forte movimentação da oposição diante de situações envolvendo a gestão.

Redação


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