Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 22 de Janeiro de 2026

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Mais de 40% dos brasileiros até 14 anos vivem em situação de pobreza



Mais de 40% de crianças e adolescentes de até 14 anos vivem em situação domiciliar de pobreza no Brasil, o que representa 17,3 milhões de jovens. Em relação àqueles em extrema pobreza, o número chega a 5,8 milhões de jovens, ou seja, 13,5%. O que caracteriza a população como pobres e extremamente pobres é rendimento mensal domiciliar per capita de até meio e até um quarto de salário mínimo, respectivamente.

Os dados são da publicação “Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil”, que será divulgado amanhã (24) pela Fundação Abrinq. O estudo relaciona indicadores sociais aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), compromisso global para a promoção de metas de desenvolvimento até 2030, do qual o Brasil é signatário junto a outros 192 países.

“Algumas metas [dos ODS] certamente o Brasil não vai conseguir cumprir, a menos que invista mais em políticas públicas voltadas para populações mais vulneráveis. Sem investimento, fica muito difícil cumprir esse acordo”, avaliou Heloisa Oliveira, administradora executiva da Fundação Abrinq. “Se não houver um investimento maciço em políticas sociais básicas voltadas à infância, ficamos muito distantes de cumprir o acordo”.

Brasília – Cidade estrutural

Um dos exemplos de metas difíceis de serem cumpridas está relacionada à educação, mais especificamente ao acesso à creche. “Você tem uma meta, que entra no Plano Nacional de Educação [PNE], de oferecer vagas para 50% da população de 0 a 3 anos [até 2024]. Se você não aumentar o investimento e a oferta de vagas em creches – hoje estamos com 27% de cobertura –, não chegaremos em 50% para atender o PNE. Essa é também uma meta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável [da ONU]”, explica Heloisa.

Outra meta distante do cumprimento é sobre a erradicação do trabalho infantil. “O acordo [com a ONU] prevê que, até 2025, os países erradiquem todo tipo de trabalho escravo e trabalho infantil. Nós [Brasil] ainda temos 2,5 milhões crianças em situação de trabalho. Se não houver investimento na erradicação do trabalho infantil, essa meta certamente não vai ser alcançada”, avaliou.

Jovens vulneráveis

Segundo Heloisa, o relatório ressalta o quanto os jovens são vulneráveis à pobreza.  Ela compara que, enquanto as crianças e adolescentes representam cerca de 33% da população brasileira, entre os mais pobre esse patamar é maior. “Se você fizer um recorte pela pobreza cruzado com a idade, você vai perceber que entre a população mais pobre tem um contingente ainda maior de crianças e adolescentes [40,2%]. Esse é um ponto importante que ressalta o quanto as crianças são vulneráveis à pobreza”, diz.

A representante destaca ainda a importância de analisar os indicadores do ponto de vista regional, uma vez que a média nacional não reflete o que se passa nas regiões mais pobres. Em relação à renda, o Nordeste e o Norte continuam apresentando os piores cenários, com 60% e 54% das crianças, respectivamente, vivendo na condição de pobreza, enquanto a média nacional é de 40,2%.

“Quando olhamos para uma média nacional, tendemos a achar que a realidade está um pouco melhor do que de fato ela está. O Brasil é um país muito grande, muito desigual, então se você olhar os dados regionais, vai ver que as regiões mais pobres concentram os piores indicadores de educação, de acesso à água e saneamento, de acesso a creches, por exemplo”.

Violência

O relatório mostra que 18,4% dos homicídios cometidos no Brasil em 2016 vitimaram menores de 19 anos de idade, um total de 10.676. A maioria desses jovens (80,7%) foi assassinada por armas de fogo. O Nordeste concentra a maior proporção de homicídios de crianças e jovens por armas de fogo (85%) e supera a proporção nacional, com 19,8% de jovens vítimas de homicídios sobre o total de ocorrências na região.

A violência é a consequência da falta do investimento nas outras políticas sociais básicas, segundo Heloisa. “Os outros índices influenciam diretamente a estatística da violência. Se você investir na manutenção das crianças e adolescentes na escola até completar a educação básica – que está prevista na lei brasileira, que seria até 17 anos –, se investir na proteção das famílias, na disponibilização de atividades e espaços esportivos para crianças e adolescentes, você vai ter um número muito menor de jovens envolvidos com a violência”, conclui

Heloisa destaca que há uma relação direta dos altos índices de violência com as estatísticas de pobreza. “A prova de que isso é uma relação direta é que, entre esses 10,6 mil crianças e adolescentes assassinados [em 2016], a maioria deles, mais de 70%, são jovens negros, pobres e que vivem em periferia. Portanto, são adolescentes que vivem em situação de vulnerabilidade social, ou seja, poderia ser evitado com investimento em enfrentamento da pobreza, melhorando a qualidade de moradia, educação e saúde”, acrescenta.

Para reduzir a violência e os homicídios nessa faixa etária, Heloisa alerta que não basta investir em segurança pública. “O melhor indicador da segurança pública é a evasão escolar zero”, diz. Ela cita um estudo, realizado pelo sociólogo Marcos Rolim, do Rio Grande do Sul, com jovens que ficaram na escola e outros que saíram precocemente. “O resultado que ele encontrou é que os jovens que permanecem na escola não se envolvem com violência, portanto, há uma relação direta e o melhor investimento para segurança pública é a escolarização, é a manutenção dessas crianças na escola”.

Os indicadores selecionados para o Cenário da Infância e da Adolescência podem ser encontrados no portal criado pela Fundação Abrinq Observatório da Criança e do Adolescente.

Fonte: Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil  São Paulo



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Defesa Civil Municipal intensifica monitoramento e orienta população diante da previsão de chuvas intensas


Município reforça ações preventivas e emite orientações de segurança à população diante do risco de alagamentos, ventos fortes e descargas elétricas

Defesa civil

A Defesa Civil Municipal de Primavera do Leste está em alerta e intensificou o monitoramento das áreas de risco do município diante da previsão de chuvas significativas para os próximos dias. As ações incluem medidas preventivas, acionamento de autoridades e secretarias, além da comunicação direta com o prefeito e os meios de comunicação, com o objetivo de evitar transtornos e garantir a segurança da população.

 

De acordo com informações dos órgãos de monitoramento meteorológico INMET e CEMADEN, o cenário exige atenção redobrada, principalmente devido ao risco de alagamentos, ventos fortes e descargas elétricas.

 

Orientações de segurança à população.

Para reduzir riscos e evitar acidentes, a Defesa Civil orienta que a população adote algumas medidas preventivas:

• Mantenha as calhas limpas, verificando se não há folhas ou lixo que possam obstruir a passagem da água;

• Não suba em telhados sem o uso de EPIs. Caso necessário, chame um profissional qualificado;

• Durante tempestades com raios, retire aparelhos eletrônicos das tomadas;

• Moradores de áreas próximas a morros ou encostas devem ficar atentos a rachaduras em paredes ou movimentação de terra e sair do local imediatamente ao identificar qualquer sinal de risco;

 

• Evite áreas alagadas e nunca tente atravessar ruas inundadas a pé ou com veículos;

 

• No trânsito sob chuva intensa, reduza a velocidade, mantenha distância do veículo à frente e, se a visibilidade estiver comprometida, estacione em local seguro;

 

• Evite estacionar sob árvores, torres de transmissão ou placas de propaganda, devido ao risco de queda e descargas elétricas;

 

• Em áreas abertas, procure abrigo e não permaneça em campos, piscinas, lagos ou durante atividades ao ar livre;

 

• Ao identificar fios elétricos caídos, não se aproxime e isole a área.

 

A coordenadora municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC), Cris Correia, destaca que o município já está atuando de forma preventiva.

 

“Já tomei medidas preventivas, acionando todas as autoridades de segurança pública, bem como os secretários e seus recursos, caso haja alguma intercorrência devido à chuva. Neste momento, a gente faz esse trabalho preventivo, em ação com todas as secretarias, informando o nosso prefeito, bem como as mídias da cidade, e seguimos monitorando e fazendo o possível para que nada aconteça”, destacou.

 

Previsão meteorológica – 21 a 23 de janeiro de 2026

Segundo dados do INPE, algumas regiões do estado podem registrar volumes de chuva variando entre 10 e 110 milímetros, com núcleos de maior intensidade concentrados nas regiões Sudeste, Norte e Noroeste, além da possibilidade de eventos localizados de forte precipitação.

A Defesa Civil reforça que segue em monitoramento contínuo e orienta a população a manter atenção às atualizações e aos comunicados oficiais.


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