Primavera do Leste / MT - Quarta-Feira, 14 de Outubro de 2026

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STF aprova restrição do foro privilegiado para deputados e senadores



O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (3) restringir o foro por prorrogativa de função, conhecido como foro privilegiado, para deputados e senadores.

Por 7 votos a 4, os ministros decidiram que os parlamentares só podem responder a um processo na Corte se as infrações penais ocorreram em razão da função e cometidas durante o mandato. Caso contrário, os processos deverão ser remetidos para a primeira instância da Justiça. O placar a favor de qualquer restrição foi unânime, com 11 votos.

Os ministros Marco Aurélio, Gilmar Mendes e a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, durante sessão para julgamento sobre a restrição ao foro privilegiado.
STF encerra julgamento sobre restrição ao foro privilegiado – Antonio Cruz/Agência Brasil

No julgamento, prevaleceu o voto do relator, Luís Roberto Barroso, que votou a favor da restrição ao foro e foi acompanhado pelos ministros Marco Aurélio, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Luiz Fux e Celso de Mello.

Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes também foram favoráveis à restrição, mas com um marco temporal diferente. Para os ministros, a partir da diplomação, deputados e senadores devem responder ao processo criminal no STF mesmo se a conduta não estiver relacionada com o mandato.

Durante o julgamento, os ministros chegaram a discutir se a decisão poderia ser estendida para demais cargos com foro privilegiado, como ministros do governo federal, ministros de tribunais superiores e deputados estaduais. A questão foi proposta pelo ministro Dias Toffoli, mas não teve adesão da maioria.

Como fica

Mesmo com a finalização do julgamento, a situação processual dos deputados e senadores investigados na Operação Lava Jato pelo STF e de todos os demais parlamentares que são processados na Corte deve ficar indefinida e as dúvidas serão solucionadas somente com a análise de cada caso. Os ministros terão que decidir individualmente se parlamentares vão responder, na própria Corte ou na primeira instância, às acusações por terem recebido recursos ilegais de empreiteiras para financiar suas campanhas. Ainda não é possível saber quantas processos serão afetados.

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a saída das ações da Corte para outras instâncias poderá acelerar o trabalho das duas turmas do STF, responsáveis pelo julgamento das ações.  Além disso, o atraso que poderá ocorrer no envio das ações à primeira instância será bem menor que a demora do Supremo para julgar os casos.

Segundo o projeto Supremo em Números,  da FGV Direito Rio, o tempo de tramitação de uma ação penal em 2016 foi de 1.377 dias, tempo maior que o registrado em 2002, quando o processo era julgado em aproximadamente em 65 dias.

Entre 2012 e 2016, das 384 decisões tomadas em ações penais, a declinação de competência, quando o parlamentar deixa o cargo e perde o foro no STF, representou 60% dos despachos, enquanto as absolvições chegaram a 20%. Condenações ficam em apenas 1%.

Fonte: Agência Brasil



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Polícia

Relatório sigiloso interrompe júri do caso Giovani em Primavera do Leste


Julgamento foi encerrado após apresentação de documento que não constava nos autos; nova sessão está prevista para janeiro de 2027.

O Tribunal do Júri que analisava o caso da morte de Giovani Henrique Oliveira Lopes foi interrompido na terça-feira (13), no Fórum de Primavera do Leste (MT), após a defesa apresentar um relatório sigiloso que, segundo as informações divulgadas, não constava anteriormente no processo.

 

Diante da apresentação do documento durante a sessão, a juíza responsável decidiu dissolver o Conselho de Sentença, encerrando o julgamento sem que os jurados pudessem decidir sobre a responsabilidade criminal dos acusados.

 

Um novo júri está previsto para janeiro de 2027. A data exata ainda não foi divulgada, e o conteúdo do relatório permanece sob sigilo.

 

Depoimentos foram ouvidos antes da interrupção

 

O julgamento começou na manhã de terça-feira, mais de oito anos após a morte de Giovani. Antes de a sessão ser interrompida, os jurados acompanharam depoimentos relacionados ao crime.

 

Durante o julgamento, Giovana Lopes, esposa da vítima, relatou os acontecimentos que antecederam o homicídio. Segundo seu depoimento, Giovani retornou do Encontro de Violeiros, em Poxoréu, com o nariz quebrado, após se envolver em uma briga.

 

Cerca de dez minutos depois, três homens teriam chegado à residência. A testemunha afirmou que tentou impedir a entrada deles e se colocou à frente do marido para protegê-lo.

 

Ainda conforme o relato apresentado em plenário, ela foi puxada e caiu no chão. Na sequência, Giovani foi atingido por um disparo na cabeça. O filho do casal, que tinha quatro anos na época, estava na residência.

 

Crime aconteceu em maio de 2018

 

Giovani Henrique Oliveira Lopes tinha 23 anos quando foi morto, em 1º de maio de 2018, dentro da própria residência, em Poxoréu.

 

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, o caso teria começado após uma colisão entre veículos no estacionamento do Encontro de Violeiros. O episódio teria provocado uma discussão e agressões envolvendo Giovani e o policial penal Fábio Domingos.

 

A acusação sustenta que, depois de deixar o evento e retornar para casa, Giovani teria sido seguido. Homens teriam chegado ao imóvel, se identificado como policiais e entrado na residência.

 

Segundo o Ministério Público, Fábio Domingos é apontado como autor do disparo que matou a vítima. Ele e Carlos Jesus de Oliveira respondem por homicídio qualificado.

 

Josane Francisca Dias de Souza também integra o processo, respondendo por acusação de disparo de arma de fogo relacionada à confusão ocorrida anteriormente no estacionamento da festa.

 

Patrício Francisco Dias, que também respondia pelo homicídio, morreu durante a tramitação do processo. A Justiça declarou extinta sua punibilidade.

 

Novo julgamento deve ocorrer em janeiro de 2027

 

O processo tramitava inicialmente em Poxoréu, mas a Justiça determinou que o Tribunal do Júri fosse realizado em Primavera do Leste.

 

Com a dissolução do Conselho de Sentença, será necessário convocar novos jurados para analisar o caso em outra sessão.

 

A expectativa é que o julgamento seja retomado em janeiro de 2027, quando o crime estará próximo de completar nove anos.

 

Até a realização do novo júri, não haverá veredicto do Conselho de Sentença sobre as acusações analisadas nessa sessão.

 

Antenado News — Informação e jornalismo regional.


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