Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 22 de Outubro de 2026

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Pesquisa da UFMT estuda nova vacina contra dengue e mobiliza 800 voluntários



Cerca de 800 voluntários já foram imunizados contra a dengue, em Cuiabá, através da vacina que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o Hospital Universitário Júlio Müller, vinculado à UFMT. O trabalho, que começou há pouco mais de um ano, agora procura voluntários de 2 a 17 anos para que se encerrem as imunizações na Capital no próximo mês de março.

Os estudos, coordenados pelo Instituto Butantan, estão na fase de ensaio clínico nível 3 e tiveram início em outubro do ano passado. Cuiabá é um dos 17 centros no Brasil que também estão coletando dados sobre a vacina junto aos voluntários. A missão para Mato Grosso é vacinar 1,2 mil pessoas, ou seja, ainda há 400 vagas para voluntários.

“Aqui em Cuiabá a maioria esmagadora dos voluntários está satisfeita e entende que a intenção do projeto é salvar vidas, fazendo com que a dengue pare de ser um problema de saúde. Sabendo disso, eles têm respeitado os procedimentos e retornado às consultas”, pontua ao  o infectologista Thiago Rodrigues, subinvestigador do projeto.

O pesquisador afirma que a fase de inclusão de adultos já está encerrada e que no momento o trabalho está aguardando a inclusão de crianças e adolescentes. Nessa faixa etária, para receber a dosagem da vacina o menor de idade precisa de autorização do pai e da mãe.

Thiago comenta que a vacina não impõe nenhum tipo de restrição ao voluntário. A única coisa que os médicos pedem ao paciente é comunicar todos os medicamentos que estão sendo tomados e que a pessoa não se vacine nos 28 dias após a imunização contra a dengue. O fato serve para não atrapalhar a interpretação em relação ao estudo.

Ele pontua que o voluntário recebe a imunização que pretende protegê-lo pelo resto da vida. A pessoa imunizada será acompanhada pela equipe médica por 5 anos e deverá retornar em 10 consultas.

“Esses retornos servem para a gente ter o feeling pessoal, para saber se a vacina está funcionando no voluntário ou não. Todos os dados são sigilosos e nós enviamos diretamente para o Instituto Butantan, até por isso não temos nenhuma avaliação prévia”, explica.

Ao todo, o laboratório que realiza o trabalho em Cuiabá conta 18 pessoas, sendo médicos (2), agentes de saúde (4), secretárias (2), técnicas de enfermagem (2), enfermeiros (2), farmacêuticos (2), técnicos em laboratórios (2) e o coordenador geral, o médico pesquisador Cor Jesus.

Vacina

A iniciativa visa combater que os brasileiros sejam infectados pelo vírus da dengue, causador da morte de 794 pessoas no país no ano passado, de acordo com o Ministério da Saúde. A doença é considerada endêmica – quando acontece com muita frequência em uma região – em mais de 120 países do mundo.

Gilberto Leite

m�dico Thiago Rodrigues Dengue

  Infectologista Thiago Rodrigues destaca o compromisso dos voluntários cuiabanos

Por causa da situação do contágio, Thiago defende que as pesquisas são de suma importância para salvar vidas. Apesar disso, ainda em 2017 os pesquisadores ainda lutam contra correntes antivacina, muito famosas em países como os Estados Unidos.

A atriz Jenny MacCarthy, ex-esposa do comediante Jim Carrey, por exemplo, chegou a encabeçar grandes campanhas contra a vacinação após um estudo fraudado sugerir uma correlação entre a imunização em crianças e o surgimento do autismo.

“Essa onde também existe no Brasil. Mas a grande verdade sobre as vacinas é que elas estão entre as três principais invenções da medicina. O fato científico é que se não fosse pelo advento delas a geração dos nossos pais não teria sobrevivido”, defende o pesquisador.

Especificamente em Cuiabá, Thiago revela que muitas pessoas chegam ao laboratório bastante “desconfiadas” sobre os procedimentos. Apesar disso, ele diz que após uma conversa com os profissionais essas pessoas entendem e até começam a ser orgulhar de fazer parte do trabalho. Como é o caso do próprio pesquisador.

“É gratificante saber que milhões de vidas poderão ser salvas futuramente a partir de um trabalho que a gente participou. O alcance de bons resultados dessa pesquisa tem dimensões globais. Então no meu caso essa é uma satisfação pessoal e profissional enorme, que não tem preço”, finaliza.

Fonte: RDNews/Carlos Palmeira



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política

TSE estuda desativar canais políticos no WhatsApp 48h antes da eleição


Proposta foi escrita pelo vice-presidente da Corte, André Mendonça

TSE faz últimos preparativos para o primeiro turno nas Eleições 2018

Uma minuta de resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que canais de WhatsApp com teor político e mais de 200 mil seguidores sejam desativados nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores ao segundo turno da eleição, marcado para o próximo domingo (25). 

Caso aprovada pelo plenário do TSE, a medida entraria em vigor de imediato, conforme o texto da minuta obtida pela Agência Brasil.

A minuta com a proposta passou a circular entre os ministros do TSE após o tema ser debatido em reuniões informais realizadas na sexta-feira (16) e na terça-feira (20). O texto foi redigido pelo ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral.

Em nota à imprensa, o gabinete de Mendonça informou não se tratar de uma iniciativa pessoal do ministro, mas que coube a ele a autoria da minuta por ser tradição que as normas eleitorais sejam redigidas pelo vice-presidente do TSE.

“O objetivo discutido é proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos”, diz a nota do gabinete de Mendonça.

A nota acrescenta ainda que o texto foi redigido a partir de um consenso interno, e que “os critérios em análise são objetivos e impessoais e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política”.

Caso seja aprovada, a iniciativa deve atingir o canal “Exército do Lula”, que atingiu nesta quarta (21) a marca de 7 milhões de inscritos no aplicativo de mensagens WhatsApp. Também seria desativado o canal “Tropa do Flávio”, que possui 2 milhões de inscritos.

Proposta

O texto da minuta aplica aos canais de transmissão de natureza político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores as mesmas restrições que já vigoram sobre o conteúdo impulsionado de campanha, aquele cujo alcance é potencializado mediante pagamento às plataformas.

O texto também considera haver “alcance desproporcional de canais com grande audiência na difusão de conteúdos ilícitos”.

Em outro trecho, a proposta diz ainda que “o período compreendido entre as 48 (quarenta e oito) horas antes e as 24 (vinte e quatro) horas depois da eleição concentra o maior risco de dano irreversível à formação livre da vontade do eleitorado, por não haver tempo hábil para resposta, esclarecimento ou tutela jurisdicional efetiva”.

Controvérsia

A proposta surge após uma disputa de liminares em torno do canal “Exército do Lula”. Na semana passada, o canal foi retirado do ar pelo ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, após pedido da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro, que alegou disseminação de desinformação.

Logo em seguida, porém, o corregedor-nacional da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal. Ele afirmou não haver elementos que justificassem a medida e que Nunes Marques não poderia ter suspendido o canal por via administrativa, como fez, uma vez que o caso já tramitava pela via judicial em processo relatado pelo próprio corregedor.

Pouco depois, porém, Nunes Marques voltou a suspender o canal, alegando que mesmo sendo administrado por um apoiador, o deputado André Janones (Rede-MG), a ferramenta teria vínculo com a campanha oficial, e portanto deveria estar registrado no TSE como tal.

Por fim, o Exército do Lula acabou sendo liberado pelo presidente do TSE, após o registro ter sido feito pela campanha oficial.

Felipe Pontes – repórter da Agência Brasil


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