Primavera do Leste / MT - Quarta-Feira, 28 de Outubro de 2026

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Região

Motorista embriagado é preso após atropelar, matar universitário e não prestar socorro



Um motorista foi preso em flagrante na madrugada desta segunda-feira (7) suspeito de ter atropelado e matado um motociclista, na Avenida Bandeirantes, no Bairro José Carlos Guimarães, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.

A vítima, Marcos Dourado, de 29 anos, cursava educação física em uma universidade particular de Cuiabá. Ele pilotava a moto e morreu no local do acidente.

O motorista, identificado como Daniel de Jesus Pereira, de 33 anos, fugiu do local sem prestar socorro, mas foi preso momentos depois. Ele tinha sinais de embriaguez.

Testemunhas relataram que o motorista da caminhonete havia acabado de sair de uma distribuidora de bebidas quando o acidente ocorreu.

As pessoas afirmaram que ele tinha comprado cerveja no estabelecimento. Latas de bebida alcoólicas foram encontradas no local do acidente.

Daniel fez uma manobra para entrar em uma rua e atingiu Marcos.

O irmão de Marcos, Jorge Neri, disse que a vítima tinha deixado a casa da namorada e iria para a casa do sobrinho.

“Ele entrou [na rua] sem dar sinal e meu irmão não teve como frear, ele virou de uma vez sem dar sinal. Ele fugiu com a mulher dele e a polícia prendeu”, disse o irmão de Marcos.

O motorista fugiu do local do acidente e não prestou socorro ao motociclista. No entanto, algumas pessoas anotaram a placa do veículo e a polícia localizou Daniel no Bairro São Matheus, em Várzea Grande.

Ele foi conduzido para a Central de Flagrantes de Várzea Grande. Daniel se recusou a fazer o teste do bafômetro.

O motorista será encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer exames e posteriormente será apresentado em audiência de custódia no Fórum de Cuiabá.

Fonte: G1 Mato Grosso



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política

Homem é condenado a 28 anos por matar adolescente e tentar matar o pai em Sorriso


O Tribunal do Júri da comarca de Sorriso condenou Welliton Sousa pelo homicídio qualificado de um adolescente de 17 anos, pela tentativa de homicídio qualificado do pai do adolescente e por integrar organização criminosa armada. A pena total foi fixada em 28 anos, um mês e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado.

Segundo o MP, Welliton forneceu a arma e prestou apoio à execução dos crimes e à fuga do atirador, que não foi identificado. Nos dois crimes contra a vida, os jurados reconheceram as qualificadoras do motivo torpe e do recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Os crimes ocorreram na noite de 1º de maio de 2024, no bairro Mário Raiter. Conforme a acusação, o ataque foi motivado pela rivalidade entre facções criminosas, porque os envolvidos suspeitavam que a vítima tivesse ligação com um grupo rival. A mãe do adolescente negou que o filho integrasse facção.

Ao saber das ameaças, a mãe tentou retirar o adolescente da cidade. Enquanto providenciava uma passagem rodoviária, o pai saiu com o filho na tentativa de resolver a situação. Pai e filho foram à residência onde Welliton morava. No local, o homem que efetuaria os disparos embarcou no veículo das vítimas e as convenceu a seguir até uma região afastada, próxima a um milharal. Segundo a denúncia, Welliton acompanhou todo o trajeto em uma motocicleta e permaneceu nas redondezas para prestar apoio ao executor. Imagens de câmeras de vigilância registraram o encontro e a movimentação dos veículos, corroborando o acompanhamento das vítimas e o apoio à fuga do atirador.

Durante o ataque, Elinésio conseguiu sair do carro e fugir, sendo perseguido pelo executor. Mesmo atingido, escondeu-se no milharal e buscou ajuda posteriormente. Andrei, também ferido, conduziu o veículo até as proximidades da residência de familiares. Socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Sorriso, o adolescente não resistiu aos ferimentos. O pai recebeu atendimento médico e sobreviveu ao ataque. Após os disparos, Welliton buscou o executor de motocicleta, deu-lhe fuga e recebeu o revólver de volta. A arma foi localizada em sua residência no dia seguinte. O confronto balístico confirmou que o projétil retirado do corpo do adolescente foi disparado pelo revólver apreendido.

Segundo o MP, “os dados extraídos do celular de Welliton revelaram mensagens sobre a guarda e a ocultação da arma, além de fotografias, vídeos e conversas que evidenciaram seu vínculo com o grupo criminoso e sua atuação em atividades de vigilância, monitoramento de viaturas policiais e cumprimento de ordens da facção”.

O Ministério Público do Estado foi representado em plenário pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, titular da 2ª Promotoria de Justiça Criminal de Sorriso.

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política

Morre homem atropelado por moto em faixa de pedestres em Mato Grosso


O idoso André Vicente Apoitia, de 81 anos, morreu, ontem, no hospital municipal de Cuiabá, um dia após ser atropelado por uma motocicleta enquanto atravessava uma faixa de pedestres na avenida Espigão, bairro Tijucal. O acidente ocorreu na segunda-feira (26), em frente à unidade básica de saúde do bairro.

Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Civil, André foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado à unidade hospitalar na noite de segunda-feira. Apesar do atendimento médico, não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada.

A equipe da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) foi acionada para realizar os procedimentos de liberação do corpo no hospital. O filho da vítima apresentou a versão aos investigadores de que o pai atravessava a faixa de pedestres quando foi atingido pela motocicleta. Não foram divulgadas informações sobre o motociclista envolvido.

A Deletran investiga as circunstâncias do acidente para esclarecer a dinâmica do atropelamento e apurar eventuais responsabilidades.

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Brasil

PF impede desvio de até R$ 10 bi no seguro defeso no Maranhão


A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (28), a Operação Indefeso, para desarticular organização criminosa suspeita de fraudar a concessão do benefício do Seguro Defeso, que assegura renda aos pescadores artesanais durante o período em que a atividade pesqueira é legalmente interrompida. Segundo os indícios de prova já reunidos e análises realizadas, a atuação da organização criminosa poderia causar um prejuízo de, aproximadamente, R$ 10 bilhões aos cofres públicos em cinco anos.

A operação mobilizou, aproximadamente, 160 policiais federais e contou com o apoio técnico da Controladoria-Geral da União (CGU), sendo cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em 16 municípios maranhenses, além do afastamento de dois agentes públicos supostamente envolvidos no esquema investigado.

Notícias relacionadas:

  • Pescadores artesanais começam a receber seguro-defeso retroativo.
  • Ministério da Pesca cancela mais de 76 mil licenças de pescadores.

Por determinação judicial, também foram impostas 17 medidas cautelares diversas da prisão, a fim de interromper a atuação do grupo criminoso, de preservar a instrução processual e de evitar a continuidade das práticas ilícitas.

Além disso, a PF informou que foi decretado o bloqueio de cerca de R$ 400 milhões em bens e valores pertencentes aos investigados, visando garantir o ressarcimento dos danos causados ao erário e impedir a ocultação ou a dissipação de patrimônio supostamente proveniente das atividades criminosas.

“As investigações apontam a existência de esquema de fraudes envolvendo a concessão indevida do Seguro Defeso, mediante a inserção de informações falsas em sistemas governamentais, a utilização de documentos fraudulentos e a possível participação de agentes públicos e particulares”, diz a PF.

Durante o cumprimento das buscas, foram apreendidos veículos, armas, documentos e telefones celulares.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistema informatizado da administração pública, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo a corporação, as investigações vão prosseguir com a análise do material apreendido e com o aprofundamento das diligências, visando identificar outros envolvidos, delimitar a extensão da atuação criminosa e quantificar com precisão os prejuízos causados ao erário.


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Mundo

Anistia Internacional denunciará Milei à ONU por ataque a jornalistas


A Anistia Internacional informou que vai denunciar o presidente argentino, Javier Milei, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por hostilidade a jornalistas.  

Na última semana, Milei xingou os profissionais que fizeram reportagens investigativas contra ele e afirmou que deveriam “queimar na fogueira”.

Notícias relacionadas:

  • Vitória de Lula repercute na imprensa europeia e asiática.
  • Nas redes sociais, líderes latino-americanos saúdam Lula pela vitória.
  • Grupos de protesto e sindicatos na França convocam novas manifestações.

A Anistia Internacional é uma organização não governamental (ONG) que atua na defesa dos direitos humanos, com representação em mais de 150 países, incluindo o Brasil.

As hostilidades de Milei foram cometidas após a Justiça argentina arquivar, na última sexta-feira (23), o caso conhecido como “criptogate”, de fevereiro de 2025, que levantava suspeita da participação dele e de outras pessoas, como a irmã, Karina Milei, em um esquema de irregularidades na criação da criptomoeda $Libra.

Milei teria utilizado as redes sociais dele para promover o ativo virtual. No entanto, para o juiz federal Marcelo Martínez De Giorgi, não houve delitos.

“Queimar na fogueira”

Milei citou nominalmente os jornalistas Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrígues, Natalia Volosin e Luis Novaresio e os desqualificou, além de xingá-los.

“Empacotados, corruptos, mercenários da mentira e fabricantes seriais de operações”, disse em discurso. Em seguida, declarou que “os que têm que queimar na fogueira são os filhos da p*”.

Na rede social X, o mandatário escreveu que foi alvo de “tremenda operação política e midiática cujo único objetivo era prejudicar a presidência para fins políticos de conspiração golpista”. A publicação classifica ainda os jornalistas como “subornados e mercenários da mentira”.

Para a Anistia Internacional, as declarações violentas do presidente aprofundam o assédio à imprensa, colocam em risco aqueles que informam e deterioram as garantias do debate democrático.

“A organização manifesta profunda preocupação com a escalada de hostilidade contra a imprensa e levará esses fatos às instâncias internacionais, no âmbito de seu trabalho de monitoramento e denúncia da deterioração da liberdade de expressão na Argentina”, acrescenta.

Sobre a referência a queimar na fogueira, a Anistia Internacional considera que a expressão evoca violência extrema e constituem uma “escalada grave e inadmissível na hostilidade presidencial contra a imprensa”.

“Não se limita a questionar uma cobertura jornalística, mas individualizam e estigmatizam jornalistas”, pontuou.

A diretora-executiva da ONG na Argentina, Mariela Belski, assinalou que, quando o presidente aponta publicamente jornalistas e utiliza imagens de violência para se referir àqueles que questionam a gestão dele, contribui para gerar um clima de intimidação que pode abrir caminho para novas agressões.

“O cargo que ocupa exige uma responsabilidade reforçada: deve garantir que a imprensa possa investigar e informar com liberdade e segurança. O assédio por parte do poder deteriora as condições do debate democrático e afeta o direito de toda a sociedade de estar informada”, disse.

Histórico de hostilidade

Para fundamentar a acusação de deterioração contínua das condições para o exercício do jornalismo no país, a ONG cita o Monitoramento da Liberdade de Expressão do Fórum de Jornalismo Argentino, que mostra 278 casos de ataques contra jornalistas em 2025, 55% a mais que em 2024 e o maior número desde o início dos registros, em 2008.

O presidente Javier Milei foi identificado como autor de 119 desses episódios, o que o colocou como o principal agressor individual. O levantamento contabilizou ainda 139 casos de discursos estigmatizantes, 20 ações judiciais contra jornalistas e 28 restrições de acesso à informação.

A Anistia Internacional reforça que a repetição dessas práticas pode gerar um efeito silenciador que vai além das pessoas diretamente atacadas: desestimula investigações, favorece a autocensura e empobrece a circulação de informações de interesse público.

“Investigar a atuação daqueles que governam é uma função essencial do jornalismo e garantia para o controle democrático do poder”, sustentou.

CIDH

A ONG relembra que em novembro de 2025, participou, juntamente com organizações de direitos humanos, entidades jornalísticas e sindicatos de imprensa, de uma audiência sobre a situação da liberdade de expressão na CIDH.

Na ocasião, foram denunciados o aumento das agressões, a violência on-line, o assédio judicial e os ataques durante a cobertura de protestos, em um contexto de expansão de práticas autoritárias.

A CIDH solicitou informações ao Estado argentino e manifestou interesse em realizar uma visita ao país.

A CIDH é uma instituição judicial autônoma da Organização dos Estados Americanos (OEA), que tem o objetivo de aplicar e interpretar a Convenção Americana – também chamada de Pacto de San José da Costa Rica – que consiste em um tratado internacional sobre direitos e liberdades.

A jornalista Carla Gaudensi, secretária da Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa, informou à Agência Brasil que a entidade se juntará à Anistia Internacional na representação.

Outro repúdio às declarações de Milei surgiu da Federação Internacional dos Jornalistas (FIP).

À Agência Brasil, a peruana Zuliana Lainez, presidente de FIP, disse que a imprensa não está diante de um simples confronto discursivo.

“Constrói-se um clima de intimidação que põe em risco a integridade dos trabalhadores da imprensa, favorece a autocensura e busca desestimular o exercício de uma função essencial para qualquer sociedade democrática.”

Lainez acrescentou que os ataques não podem ser analisados de maneira isolada.

“Se inserem em um cenário de crescente deterioração das condições para o exercício do jornalismo na Argentina, marcado por agressões físicas durante coberturas, assédio judicial, restrições ao acesso à informação e ataques sistemáticos por parte de diversos funcionários do próprio governo”, analisou.

Sindicato repudia Milei

O Sindicato de Imprensa de Buenos Aires emitiu nota de repúdio ao presidente argentino, na qual afirma que o mandatário “voltou a ultrapassar um limite gravíssimo”. 

“A incitação a ‘queimar na fogueira’ um grupo de jornalistas deve provocar uma reação imediata de todo o espectro político e midiático para frear os ataques contra nossa profissão. Não haverá espaço para lamentações se a violência promovida pelo presidente acabar se transformando em fatos concretos”, publicou.

Brasileiro 

No último dia 12, o jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por críticas ao governo Milei, foi impedido de entrar na Argentina, ao desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. 

As autoridades migratórias determinaram o cancelamento de residência permanente dele e estabeleceram uma proibição de reingresso por cinco anos.

Rogério Tomaz Jr. mora em Brasília, acompanha a política argentina e produz conteúdos sobre os impactos econômicos e sociais das medidas adotadas pelo governo Milei, incluindo cortes nos gastos públicos, privatizações e inflação. Ele também trabalha em um livro sobre a gestão do presidente argentino.


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Mundo

Israelenses vão às urnas em eleição que pode tirar Netanyahu do poder


Cerca de 7 milhões de israelenses vão às urnas, nesta terça-feira (27), pela primeira vez desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Entre os favoritos para assumir o governo, estão três partidos liderados por candidatos considerados linhas-duras na área militar e de segurança, incluindo o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e dois representantes da oposição.

Nenhum dos três favoritos reconhece a possibilidade de criação de um Estado palestino e todos defendem a necessidade de desarmamento do Hamas. Por outro lado, há divergência entre eles sobre a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. Como a votação é em cédula de papel, o resultado só deve ser conhecido no final desta quarta-feira (28).

Notícias relacionadas:

  • “Plano de paz” de Gaza tem bombas diárias 3 anos após início da guerra.
  • Sete de outubro do Hamas redesenhou alianças no Oriente Médio.

Além de Netanyahu, que soma 19 anos no poder com o partido Likud, está entre os cotados para assumir o governo o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, ex-general Gadi Eisenkot, do partido Yashar (Íntegro), criado em 2025.

Eisenkot integrou o gabinete de guerra formado após o 7 de outubro, mas deixou o governo Netanyahu com críticas à condução da operação militar na Faixa de Gaza. Eisenkot acusa Netanyahu de negligenciar o resgate dos reféns e de não adotar medidas para evitar o ataque, mesmo tendo sido alertado da ação do Hamas com antecedência. O primeiro-ministro nega as acusações.

A outra força política que pode destronar o atual primeiro-ministro é formada por uma coalizão de partidos liderada por Naftali Bennett, do partido Juntos (Beyahad). O político tem perfil religioso e foi primeiro-ministro de Israel por um ano, de 2021 a 2022.

A professora de relações internacionais do Ibmec de São Paulo Karina Stange Calandrin explicou à Agência Brasil que os dois candidatos da oposição têm posição semelhante à de Netanyahu quando se trata de segurança e questão militar.

“Os três são de direita. Em termos de segurança, eles são bem parecidos. São partidos que a gente chama de falcões. Em Israel, os partidos são divididos entre falcões e pombas. Os falcões acreditam que se deve lidar com os inimigos de uma forma dura, que negociações e diplomacia não são o caminho para resolver os dilemas de Israel”, explicou.

Para o professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Michel Gherman, apesar de os três terem esse perfil linha-dura, Netanyahu se diferencia por representar uma extrema-direita com projeto autoritário para Israel.

“As diferenças fundamentais têm a ver com a posição em relação à democracia representativa. O Netanyahu é a favor de uma reforma que tiraria a autonomia completa do Judiciário e concentraria o poder na mão do Executivo”, disse.

Questão palestina

Os três partidos favoritos a assumir o poder em Tel Aviv rejeitam a criação de um Estado palestino, como determina o direito internacional.

“Hoje, na sociedade israelense, o Estado palestino perdeu muito apoio desde o 7 de outubro. Qualquer candidato que tenha a bandeira do Estado palestino não vai ganhar muitos votos”, argumentou Karina Calandrin.

Por outro lado, a especialista em política israelense destaca que há diferença entre os candidatos em relação aos assentamentos na Cisjordânia, que vêm crescendo com o apoio de partidos de extrema-direita na coalizão liderada por Netanyahu.

“Os partidos de Ben-Gvir e Smotrich [ministros de Netanyahu] têm incentivado assentamentos na Área B da Cisjordânia, o que é proibido pela legislação israelense. Esse apoio tem alimentado a violência na Cisjordânia porque os colonos invadem as terras palestinas e expulsam as famílias com a vista grossa do governo Netanyahu”, lembrou Karina.

A professora de relações internacionais do Ibmec SP avalia que os adversários de Netanyahu devem frear essa política na Área B da Cisjordânia, o que deve contribuir para reduzir a violência nesses territórios.

“Outra mudança pode ser uma propensão maior a negociar com atores internacionais já que Netanyahu tem rejeitado negociar com Catar e Egito. Isso pode mudar”, acrescentou.

Enquanto ocorre a votação nesta terça-feira, a agência de notícias Wafa, da Cisjordânia, relata casos de ataques de colonos e de forças de segurança de Israel na Palestina ocupada.

O professor Michel Gherman, da UFRJ, destacou que, entre os candidatos da oposição, Bennet tem uma posição semelhante à de Netanyahu em relação aos palestinos, até por vir do mesmo partido Likud. Mas Gherman avalia que Eisenkot pode ter uma posição mais moderada.

“Netanyahu é a favor de um Estado beligerante completo. Eisenkot é a favor de acordos, não com os palestinos neste momento, mas com os países árabes ao redor”, comentou.

Formação de governo

Como o sistema de governo de Israel é o parlamentarismo, os partidos mais votados precisam formar maioria para criação do gabinete. O Legislativo do país, chamado de Knesset, tem 120 cadeiras. A depender do resultado da eleição, o vencedor deve procurar outras legendas para tentar formar uma coalizão capaz de governar o país.

A professora Karina Calandrin calcula que tanto o partido do militar Eisenkot quanto o do ex-primeiro-ministro Bennett devem precisar do apoio de legendas árabes para formar maioria.

“Todos eles já falaram que não vão fazer aliança com os árabes israelenses. Vai ser muito difícil formar a coalizão sem os árabes. A não ser que eles mudem de ideia e cedam pra tirar Netanyahu do poder. Minha previsão é que não vai ter coalizão”, avalia.

Para o especialista Michel Gherman, uma saída é os partidos árabes apoiarem a oposição para tirar Netanyahu do poder.

“Vai ter uma solução política em que os partidos árabes não vão apoiá-los, mas vão votar contra Netanyahu. E aí a formação vai ser uma coalizão de minoria”, disse.

Sete de outubro

Após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que causou a morte de 1,2 mil pessoas, além de terem sido feitos cerca de 200 reféns, Israel lançou uma operação militar de grandes proporções em Gaza que levou à destruição de quase toda a infraestrutura civil do território, levando à morte de mais de 75 mil pessoas.

A operação em Gaza vem sendo apontada por países e especialistas como um genocídio. Ministros do governo Netanyahu têm defendido a emigração dos palestinos da região e a colonização israelense do território.

Nos últimos três anos, o país ainda se envolveu em guerras no Líbano, ataques na Síria e uma agressão contra o Irã em parceria com os Estados Unidos (EUA). Na Cisjordânia, a política de assentamentos ilegais ganhou novo impulso nos últimos anos.


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esporte

Abertas inscrições para competição estadual de tiro com o arco em Mato Grosso; cinco categorias


O Campeonato Mato-Grossense de Tiro com Arco Indoor será realizado no dia 14 de novembro, a partir das 8h30, na Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Maria Dimpina Lobo Duarte, localizada no bairro Coxipó da Ponte, em Cuiabá. As inscrições estão abertas até o dia 10 deste mesmo mês.

Sob organização da Federação Mato-Grossense de Arco e Flecha, o evento contará com disputas nas modalidades barebow, recurvo e composto, nas categorias masculina e feminina. Já as provas serão divididas por faixas etárias, sendo sub-15, sub-18, sub-21, adulto e 50 anos ou mais.

O primeiro formato é disputado sem os acessórios de mira, enquanto o segundo utiliza um equipamento com as extremidades curvadas para a frente, que ajudam a impulsionar a flecha. Já o terceiro envolve o uso de um sistema de cabos e roldanas, que reduz o esforço necessário para manter a corda tensionada e permite maior precisão nos disparos.

Os três primeiros colocados de cada categoria serão premiados com medalhas. Também haverá o sorteio de duas peixadas (prato tradicional brasileiro) entre os participantes. Para participar, os interessados devem solicitar o formulário de inscrição pelo WhatsApp (65) 98157-1706, diretamente com a organização.

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esporte

Copa Mato Grosso de Tênis de Mesa será mês que vem em Cuiabá


As inscrições para a 4ª etapa do TMB Estadual 2026 – Copa Mato Grosso de Tênis de Mesa seguem abertas até o dia 15 de novembro. A competição será realizada entre os dias 27 e 29 do próximo mês, no Ginásio Poliesportivo Aecim Tocantins, em Cuiabá, com disputas individuais e em duplas, organizadas pela Federação Mato-grossense de Tênis de Mesa.

De acordo com a organização, estão inclusas diversas categorias, desde as faixas etárias de base até atletas adultos e masters, além das divisões Absoluto A a G. As competições de um contra um contemplam todas as categorias masculinas e femininas, conforme a faixa etária e a divisão, enquanto as conjuntas serão divididas entre Sub-7 a Sub-11, Sub-13 a Sub-15, Sub-17 a Adulto e Master.

Os valores das inscrições individuais variam de R$ 100 a R$ 220, conforme a quantidade de categorias escolhidas. Para as partidas em duplas, a taxa é de R$ 30 por atleta. Já os procedimentos de registro devem ser realizados exclusivamente por clubes ou associações, e os participantes precisam estar regularizados junto às entidades responsáveis.

Ainda segundo o regulamento, cada categoria deverá contar com pelo menos três atletas ou duplas inscritos para ser realizada. Caso o número mínimo não seja alcançado, os participantes poderão ser remanejados para outra, se houver possibilidade.

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política

Coordenador de campanha se diz surpreso com fuga de Flávio


O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro à presidência, afirmou à imprensa, nesta terça-feira (27), que não sabia da fuga do agora ex-candidato para os Estados Unidos (EUA).  

“Estamos surpresos porque ontem nós conversamos sobre a necessidade de que Flávio, com os 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição, que é importante, porque temos um governo que claramente tem feito mal ao país, na nossa avaliação”, afirmou Marinho, após participar de uma reunião com parlamentares e líderes políticos do PL, em Brasília.

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  • “Ato vergonhoso”, diz Lula sobre fuga de Flávio Bolsonaro.
  • Aliado de Trump diz que Flávio Bolsonaro chegou aos EUA.
  • Imprensa internacional repercute fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil.

Flávio teria deixado o país com a esposa e as filhas. Marinho também comentou ter recibo uma mensagem de texto de Flávio por volta das 8h da manhã desta terça, em que ele disse que iria “dar um tempo” e depois voltaria a falar com aliados.

O embarque escondido para os EUA, cujos detalhes ainda são desconhecidos, ocorreu menos de 48 horas após Flávio perder as eleições presidenciais. O movimento foi noticiado pela agência de notícias Reuters e confirmado por um interlocutor do governo norte-americano. Aliados de Flávio no Brasil, como o senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ), se manifestaram com indicações que confirmam a fuga.

“Confirmado! Flávio Bolsonaro foi para os EUA para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes!”, disse Jordy.

Apesar disso, nenhuma autoridade do Brasil ou dos EUA se manifestou oficialmente sobre a fuga.

Investigações

Flávio Bolsonaro é investigado em diferentes inquéritos pela Polícia Federal (PF) por crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção. Em fevereiro de 2027 o mandato de senador pelo Rio de Janeiro de Flávio acaba e ele perderá o foro privilegiado.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, havia determinado na segunda-feira (26) que o ex-candidato entregasse os passaportes para a PF, porém, os documentos não foram entregues.

A decisão de Moraes está em segredo de justiça e foi tornada pública pelo senador nas redes sociais. A ordem judicial faz parte do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados no STF por lavagem de dinheiro.

Por causa do descumprimento, os passaportes do parlamentar foram cancelados diretamente pela PF.

Em vídeo postado ontem, Flávio negou que tinha planos de sair do país e disse que iria entregar os passaportes.

A Agência Brasil procurou a assessoria de Flávio, mas não recebeu retorno.


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Agro

Cotação do boi gordo em Mato Grosso tem alta de 5,7% este mês


A cotação da arroba da vaca gorda, à prazo em Mato Grosso, teve alta de 0,60% e, na última sexta-feira, fechou na média de R$ 328,59/@, na comparação semanal, sustentada pela oferta mais restrita de fêmeas para abate, informa o IMEA.

A cotação da bezerra de ano valorizou 2,74% na semana e atingiu o maior valor da série histórica, com média de R$ 14,45/kg, reforçando o movimento de alta da categoria de reposição.

O levantamento do IMEA acrescenta, no boletim da pecuária, que do início do mês até o último dia 23, o preço do boi gordo a prazo em Mato Grosso subiu 5,75% ante setembro, alcançando média de R$ 346,98/@.

No último dia da parcial, a cotação fechou em R$ 355,12/@, apenas R$ 4,89/@ abaixo do recorde diário da série, de R$ 360,01/@, registrado em 15/04. Nesse sentido, a média parcial de outubro já é a segunda maior da série, atrás apenas da observada em abril (R$ 355,25/@). Esse movimento encontrou suporte na oferta mais restrita de animais terminados.

Como reflexo, as escalas de abate recuaram 5,70%, para 8,93 dias em outubro, ampliando a necessidade de compra das indústrias no comparativo. Nesse contexto, a retenção de fêmeas tem contribuído para a menor disponibilidade de animais e deve continuar limitando a oferta nos próximos meses. Além disso, a expectativa de aumento da demanda chinesa em nov/26, somada às programações para o Ano-Novo Chinês, tende a manter o viés de sustentação das cotações.


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política

Lula e eleitores idosos se emocionam em “festa de aniversário”


Aos 90 anos de idade, a aposentada potiguar Cícera Brasil apressou o passo nesta terça (27) até a entrada do Palácio da Alvorada, em Brasília. Apenas uma cerca a separava do bolo de aniversário. Agilizou o caminho, como no último domingo, em que votou especialmente emocionada para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que completa 81 anos hoje.

Matriarca negra de uma família com o nome do país, ela, que saiu de Caicó (RN), em 1969 para Brasília, com três crianças e o marido marceneiro, queria dizer ao presidente que vota nele desde 1989 e que a trajetória da família ganhou luz pelas políticas públicas que o governante implementou nos anos 2000.

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“Todos os meus filhos e netos puderam estudar. Ele sempre inspirou minha família a acreditar que era possível ter uma vida digna”.

“A imagem mais forte”

Lula e a avó inspiram a filha Renilda e a neta Ludmila, de 30 anos, que a acompanharam no evento em homenagem ao presidente eleito com mais de 64 milhões de votos. Diante de centenas de eleitores que compareceram ao Palácio do Alvorada, o presidente Lula se emocionou especialmente quando agradeceu ao esforço dos idosos.

“Eu estava vendo o vídeo dos velhinhos votarem. Eu, sinceramente, acho que foi a imagem mais forte e humana que já vi em uma eleição”, disse o presidente, com os olhos marejados.

Ele lembrou que pessoas foram carregadas no colo e nos braços dos filhos e netos, em cadeira  e em macas para chegar até a urna. 

“Mais uma Silva”

“Esses idosos demonstraram a coragem de dizer ao mundo que o Brasil não é quintal de ninguém”, disse Rivanda Pereira da Silva, de 71 anos, moradora de Samambaia, periferia do Distrito Federal, que ficou emocionada em votar e hoje ao cantar parabéns ao presidente que tem o mesmo sobrenome dela. 

“Sou mais uma Silva que votou nele”. 

Rivanda se mudou de Teresina para Brasília com a família em 1962. O pai era pedreiro. Como a vida era difícil, precisou adiar os estudos para trabalhar. Com voto em Lula desde 1989, garante que foi depois do mandato dele, a partir de 2003, que entendeu a importância de valorizar a escola. Ela, que tem dois filhos, cinco netos e um bisneto, defende que a prioridade é a escola. “Esse presidente me fez pensar muito sobre isso”, explica. 

Brasília (DF), 27/10/2026 - Eleitores participam da festa de aniversário do presidente da República reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em frente ao Palácio da Alvorada. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Brasília (DF), 27/10/2026 – Eleitores participam da festa de aniversário de Lula. Foto – Valter Campanato/Agência Brasil

Livros nas costas

O pedreiro Henrique Pereira de Oliveira, de 73 anos, também comemorou o aniversário do presidente. Nascido em União (PI), ele se mudou para Brasília em 2004, no ano seguinte do primeiro mandato de Lula. “Eu via esse homem e me deu vontade de escrever. Não tinha nem chegado no primário. Mas eu precisava falar”. 

O pedreiro resolveu ser poeta. Nesta terça, no aniversário de Lula, Henrique levou uma mochila de livros dele escritos sobre o político operário que virou presidente. Ele diz já ter produzido sete obras. A mais recente tem o título de O indomável Lula, publicado no mês passado. Ele diz que consegue publicar os livros com o dinheiro que faz como pedreiro.

Henrique sonha entregar a obra ao presidente.

“Hoje eu sabia que seria difícil porque tem muita gente. Mas tem mais um mandato pela frente. Ele me inspira muito. Não há felicidade maior do que estar misturado com o povo que o elegeu presidente”, afirma.

Diante de idosos como eles, e também de pessoas de outras faixas etárias que cantaram parabéns, Lula repetiu a palavra gratidão ao menos quatro vezes. Recordou da mãe, Dona Lindú (apelido de Eurídice Ferreira), que morreu aos 64 anos de câncer uterino. 

Lembrou das mulheres que defenderam políticas públicas e dos jovens que foram às ruas sem depender de organização partidária. “Nós precisamos aprimorar as políticas sociais”, garantiu.

No dia da virada 

As emoções no dia do aniversário do presidente foram semelhantes às que sentiram a maioria dos brasileiros no último domingo, cientes do que deve ser o último mandato dele. Lula completará o quarto mandato aos 85 anos. É o presidente mais idoso da história do país

A advogada Lígia Câmara, de 48 anos, que nasceu em Garanhuns (PE) e é conterrânea do presidente, disse que ficou feliz ao depositar o voto ao mandatário.

“Esperança de mantermos nosso país soberano e livre da possibilidade de termos um projeto de governo que é excludente com as minorias.”

Depois, na noite do mesmo dia, comemorou efusivamente ao lado da filha Beatriz e do esposo Rafael Câmara. Outra nordestina em Brasília, a oftalmologista baiana Barbra Bita lembra que acompanhou Lula desde as primeiras disputas até a consolidação de sua liderança no Executivo nacional. 

“Nestes três mandatos, representou a esperança de que um país mais justo, solidário e humano é possível. Para mim e para milhões de brasileiros.”

Fim de uma era

Quem foi às lágrimas ao sair da seção eleitoral do Varjão (DF) foi a auxiliar administrativa Kemilly Pereira de Souza, de 26 anos, ao pensar que se aproxima o fim de uma era política.

Naquele momento, sozinha, a jovem desejou a vitória do “velho conhecido”. Ela lembrou que foi já foi beneficiária do Programa Universidade para Todos, do governo federal, assim como o pai dela, que cursou o ensino superior em uma faculdade particular já adulto, enquanto criava os quatro filhos.

“A gente achava que não seria possível ter uma graduação, pelo valor. Ele não conseguiria sozinho. Com o Prouni, meu pai conseguiu”, reconheceu Kemilly.


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