Primavera do Leste / MT - Segunda-Feira, 12 de Outubro de 2026

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Doenças ligadas à falta de saneamento geram custo de R$ 100 mi ao SUS



As internações hospitalares de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS), em todo o país, por doenças causadas pela falta de saneamento básico e acesso à água de qualidade, ao longo de 2017, geraram um custo de R$ 100 milhões. De acordo com dados do Ministério da Saúde, ao todo, foram 263,4 mil internações. O número ainda é elevado, mesmo com o decréscimo em relação aos casos registrados no ano anterior, quando 350,9 mil internações geraram custo de R$ 129 milhões.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada dólar investido em água e saneamento resultaria em uma economia de US$ 4,3 em custos de saúde no mundo. Recentemente, organizações ligadas ao setor privado de saneamento, reunidas em São Paulo, reforçaram a teoria da economia produzida por este investimento. Pelas contas do grupo, a universalização do saneamento básico no Brasil geraria uma economia anual de R$ 1,4 bilhão em gastos na área da saúde.

No mesmo evento – Encontro Nacional das Águas – os representantes das empresas apontaram que dos 5.570 municípios do país, apenas 1.600 têm pelo menos uma estação de tratamento de esgoto e 100 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à tratamento de esgoto.

Atualmente, de acordo com o Instituto Trata Brasil, apenas 44,92% dos esgotos coletados no país são tratados. O Brasil tem uma meta de universalização do saneamento até 2033. Este objetivo previsto no Plano Nacional de Saneamento Básico, representaria um gasto de cerca de R$ 15 milhões anuais, ao longo de 20 anos. E este é um dos desafios para os governantes a serem eleitos em outubro.

A reportagem da Agência Brasil visitou Maceió, capital de Alagoas, cidade onde o percentual de coleta de esgoto é 11 pontos percentuais inferior à media do país (51,9%).

Maceió

Quem chega a Maceió logo se deslumbra com azul do mar e a simpatia dos moradores. Mas, basta um olhar mais atento em direção oposta à praia para concluir que o deleite visual produzido pela natureza disputa espaço com canais de esgoto a céu aberto. O mais grave é que grande parte dos dejetos, que corre ao longo de rios e riachos e cruza diversos bairros da cidade, acaba desaguando no mar.

“Temos praias lindas, mas nós não usamos porque sabemos que são bem poluídas. Temos a Lagoa Mundaú, dentro da cidade, e correndo para ela que tem vários braços de rios e riachos que, inclusive passam por bairros nobres, e todos servem para despejo de dejetos e lixos das casas”, lamentou a advogada Rita Mendonça.

Alagoana e atuante em direitos humanos, Rita reconhece que foram feitos investimentos na área de saneamento, mas a população cresceu em velocidade desproporcional aos recursos aplicados. Outro alerta recai sobre a falta de conscientização dos próprios habitantes. “As pessoas jogam lixo nesses rios e riachos porque não podem esperar o lixeiro passar. E todos desembocam no mar”, lamentou.

A realidade para quem vive o dia a dia na capital alagoana tem reflexos que vão além da balneabilidade das praias urbanas. Na economia, famílias que já vivem em situações mais precárias e dependem da pesca do sururu correm o risco de terem a fonte de renda comprometida. Em 2014, o molusco, largamente encontrado nas regiões lacustres de Alagoas em função dos encontros de água doce e salgada, foi registrado como patrimônio imaterial do estado. Moradores, agora, relatam e lamentam a redução do volume pescado em decorrência da poluição da água.

Saneamento básico em Maceió
Em Maceió, moradores reclamam que esgoto e lixo ficam a céu aberto – Carolina Gonçalves/Agência Brasil

 

O comércio é também alvo do problema. Empresária e dona de uma loja de roupas no bairro da Jatiúca, Vanessa Taveiros, aponta para o esgoto que corre ao lado de um dos restaurantes mais badalados de Maceió. “Já foram feitas várias denúncias e nada é feito. Quando chove, tudo fica alagado, tem ruas aqui na Jatiúca que nenhum carro passa e os lojistas ficam sem vender porque fica tudo interditado”, disse.

Na saúde, os problemas relacionados ao saneamento aparecem em números de sete dígitos. Segundo o Ministério da Saúde, em todo o estado, ao longo de 2017, foram gastos mais de R$ 2,2 milhões com 5.183 internações no SUS de pacientes com doenças ligadas à falta de saneamento básico e acesso à água de qualidade. No mesmo ano, em todo o país, o total de gastos com este tipo de internação somou R$ 100 milhões.

O rol dessas doenças inclui desde diarreias e problemas dermatológicos até infecções mais graves, cólera, sarampo, além do agravamento de epidemias, já que a exposição do esgoto a céu aberto aumenta condições para a proliferação do mosquito transmissor de dengue, chikungunya e zika.

Maceió não é uma cidade planejada e é possível ver que o problema do saneamento afeta todas as classes econômicas. Algumas ruas começam na praia, como na Jatíuca, com prédios e casas visualmente de classe média alta, e terminam em trechos extremamente pobres. O despejo de lixo nos rios e riachos é feito por parte da própria população, mas também é parte dos alagoanos que lamenta os efeitos dessa prática.

Saneamento básico em Maceió
Capital alagoana sofre com a falta de saneamento básico – Carolina Gonçalves/Agência Brasil

“Não vou esquecer nunca. A gente saia da escola e vinha direto para a Praia da Avenida. Era aqui que passávamos os finais de semana com a família também. Agora é impossível”, lamentou o taxista, de 54 anos, que não quis se identificar. Segundo ele, até dejetos de um hospital foram lançados pelo canal que desemboca na praia que faz parte de seu imaginário.

A concessão dos serviços de saneamento é da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) que, em função do período eleitoral, preferiu não conceder entrevistas. Em nota enviada à Agência Brasil, assessores informaram que, dos 102 municípios do estado, a Casal opera em 77. Desses, 12 têm rede coletora de esgoto, incluindo Maceió. Em vários municípios do interior, existem obras de implantação de rede da Funasa e da Codevasf, que são órgãos federais. “Somente após a conclusão dessas obras é que os sistemas são entregues para a Casal operar”, destacaram os assessores.

De acordo com o Ministério das Cidades, estão previstos no orçamento investimentos da ordem de R$ 277 milhões para a capital alagoana. Esse total inclui desde abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e estudos e projetos. “Já foram concluídos 5 empreendimentos, no valor de R$ 76,5 milhões, beneficiando 83,8 mil famílias”, informou a assessoria do órgão.

Ainda diante de números produzidos pela pasta – divulgados pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) – em 2016, 96,2% da população de Maceió foram atendidas com rede geral de abastecimento de água e 40,3%, com coleta de esgoto, “independentemente de existir tratamento”. Com relação ao total da população representada pelos municípios que responderam ao SNIS no ano de referência, Maceió tem o índice de abastecimento de água superior à média do Brasil (93%) e índice de atendimento total de esgoto 11 pontos percentuais inferior ao do país (51,9%).

Fonte: Agência Brasil



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Primavera do Leste promove ação de acolhimento e cidadania para população em situação de rua


A Prefeitura de Primavera do Leste, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, realizará no dia 19 de agosto uma ação especial de acolhimento, cidadania e acesso a serviços essenciais para pessoas em situação de rua. A iniciativa marca o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua e será realizada na sede do Centro de Abordagem Social.

A data, instituída em 2004, reforça a importância da garantia de direitos, proteção e dignidade às pessoas em situação de vulnerabilidade social. Em Primavera do Leste, a programação reunirá uma força-tarefa com diferentes setores da rede de proteção.

Durante a ação, serão oferecidos café da manhã produzido pela Padaria Municipal e almoço preparado pela Cozinha Comunitária. A Secretaria de Assistência Social realizará atualização do Cadastro Único, orientações e análise para concessão de passagens de retorno ao convívio familiar, além de suporte para pessoas que buscam recolocação no mercado de trabalho.

Também haverá atendimento para regularização documental, com auxílio na emissão de certidões de nascimento, RG e CPF, além de encaminhamentos à Junta Militar.

Na área da saúde, a Secretaria Municipal de Saúde e o Consultório na Rua estarão presentes com atendimento médico e odontológico, atualização vacinal e realização de testes rápidos. A ação contará ainda com o apoio da Defensoria Pública em demandas jurídicas e documentais, do SENAC e de profissionais que oferecerão cortes de cabelo e cuidados pessoais.

Acolhimento e construção de novos caminhos

Segundo a coordenadora do Serviço de Abordagem Social, Natieli Machado, o trabalho desenvolvido pelo município busca compreender a situação de rua como uma condição que pode ser superada, oferecendo suporte para que cada pessoa possa construir novos caminhos.

“Em nosso serviço especializado, acreditamos na possibilidade de transformação. Utilizamos o termo ‘situação de rua’ justamente por compreendermos que se trata de uma condição transitória, passível de mudança. Nosso compromisso é oferecer os meios necessários para que essas pessoas superem a vulnerabilidade e tracem novos caminhos”, destacou.

Para ela, a realização do evento na própria sede do Centro de Abordagem Social representa um avanço, permitindo ampliar a oferta de serviços e aproximar os atendidos da estrutura disponibilizada pelo município.

“Essa ação reafirma nosso propósito de promover o acolhimento e o fortalecimento de vínculos, oferecendo dignidade e novas perspectivas de vida àqueles que buscam sair da situação de rua em nosso município. Esse é o pilar fundamental do nosso trabalho: promover melhorias concretas e caminhos viáveis para que os cidadãos superem a vulnerabilidade em que se encontram”, afirmou.

Rede preparada para atendimento

Atualmente, o serviço conta com três técnicos de abordagem, um cadastrador responsável pelo Cadastro Único e equipe administrativa. A estrutura também dispõe de psicólogos, que atuam no acolhimento, escuta especializada e elaboração de planos individuais de reintegração social, além de assistentes sociais responsáveis pela avaliação e concessão de benefícios e auxílios, como alimentação, moradia e transporte, conforme a necessidade de cada pessoa.

As equipes que atuam no albergue também participarão da mobilização. Durante a ação, serão entregues kits de higiene e alimentação aos atendidos.

A iniciativa não será aberta ao público em geral, sendo direcionada especificamente à população em situação de rua e integrada à rede de proteção municipal. A proposta é fortalecer vínculos, facilitar o acesso aos serviços públicos e apresentar aos atendidos as possibilidades de acompanhamento oferecidas pelo município.

“Nosso objetivo central permanece sendo promover a dignidade acima de qualquer outro propósito. Primavera do Leste dispõe de uma estrutura preparada para acolher, ouvir e encaminhar essas pessoas, oferecendo suporte para que possam superar as dificuldades e buscar uma nova perspectiva de vida”, reforçou Natieli.


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Brasil - Região

MT-130 passa a ter pedágio eletrônico sem paradas entre Primavera do Leste e Paranatinga


Divulgação AGER-MTComeçou a operar neste sábado (10) o sistema de cobrança eletrônica de pedágio Free Flow no trecho da rodovia MT-130, que liga os municípios de Primavera do Leste e Paranatinga (231 km e 373 km ao sul de Cuiabá, respectivamente). A transição do modelo tradicional de praças físicas para o automático foi autorizada pela Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager) e pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra).

Com a tecnologia, a rodovia deixa de ter cancelas e paradas obrigatórias. A leitura dos veículos é feita por pórticos equipados com sensores inteligentes, que identificam a placa do automóvel ou a etiqueta eletrônica (TAG). O usuário tem até 30 dias para efetuar o pagamento da tarifa, que pode ser feito no site da concessionária (via PIX ou cartões de débito e crédito), pela TAG automática ou nos totens localizados nas bases do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU).

Neste primeiro momento, até a próxima terça-feira (13), os veículos de passeio (categoria 1) pagarão tarifa básica de R$ 2,55 no pórtico PFF-01 e de R$ 3,85 nos pórticos PFF-02 a PFF-06. A partir de quarta-feira (14), entram em vigor as novas tarifas atualizadas do reajuste anual de contrato, aprovadas pela Ager, e a taxa passará para R$ 2,64 no pórtico PFF-01 e R$ 3,98 nos demais.

De acordo com a Agência, o modelo de fluxo livre elimina filas, aumenta a fluidez e a segurança no trânsito, além de reduzir a emissão de poluentes provocada pelas desacelerações e arrancadas dos veículos nas antigas praças físicas. Os motoristas que trafegam pelo trecho concedido continuam contando com socorro médico, apoio mecânico e inspeção de tráfego ao longo da via.

Fonte AGER/GD


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