Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 30 de Abril de 2026

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A construção da notícia sem a ótica do jornalismo



Da Redação

A Definição de Sensacionalismo segundo o dicionário Aurélio: 1.Divulgação e exploração, em tom espalhafatoso, de matéria capaz de emocionar ou escandalizar. 2. Uso de escândalos, atitudes chocantes, hábitos exóticos, etc. Com o mesmo fim. 3. Exploração do que é sensacional na literatura, na arte etc.

No livro de Danilo Angrimani, Espreme que sai sangue, ele ressalta que a imprensa sensacionalista, servem mais para desviar o público de sua realidade imediata do que voltar-se a ela. Com essa reflexão, não é difícil se voltar para os veículos de comunicação de nossa cidade, de nosso estado ou País, que tem essa prática, de utilizar uma notícia como um produto em que se comercializa a informação.

O Fait divers tem como nutrientes as lendas e crenças, política, economia, pessoas e animais, entre outros. A narrativa destas notícias sensacionalistas, transportam o leitor, é como se ele estivesse lá. Exemplifica-se esses termos para contextualizar o que alguns veículos de comunicação, tem utilizado, e neste caso aqui citado, com as notícias de política.

Recentemente um site de notícias de Rondonópolis tem utilizado o formato sensacionalista para soltar notícias políticas no município de Primavera do Leste. A caracterização do jornalismo praticado, além de utilizar todas as faces do sensacionalismo, também se conduz pela possível negociação da notícia. Outra característica é na construção da notícia, em que não se ouve as partes antes de publicar, favorecendo só uma versão e a única forma que as pessoas citadas envolvidas têm para esclarecer os fatos é por meio de uma nota como direito de resposta.

Este site Rondonopolitano publicou uma notícia dizendo que vereadores da Câmara de Primavera do Leste nega acesso a informações. No texto é dito que por meio de uma denúncia de um cidadão primaverense, em que o mesmo pede explicações em relação a uma viagem em que vereadores participaram de um curso de formação legislativa,e as informações não foram obtidas. O cidadão solicita cópias de passagens áreas e do contrato de aquisição do curso. Com um linguajar chulo, construiu-se uma notícia que não respeita os critérios de noticiabilidade, e assim o site colocou no ar.

Primeiramente o jornalista quando se torna graduado, após um estudo de quatro anos, é aprendido quanto seus princípios, sua ética e moral. Ocorre que em nossa sociedade este profissional que utiliza do sensacionalismo, na maioria das vezes não passou por uma formação acadêmica, e o intuito muitas vezes é meramente comercial, ou querendo sempre tirar proveito de alguma situação. Não há como confiar em um site que se intitula jornalístico, mas que atua com fofocas, difamações, sem respeitar os critérios de notícia.

Desta maneira, ainda sobre a notícia, citada acima, o jornalista para escrever uma denúncia como esta tem que primeiramente priorizar o interesse coletivo, e não individual. Assim teria que entrar no portal da transparência para saber se todas as informações do curso estão descritas, como passagens áreas, valores de diárias e também o valor do curso e seu objetivo. Após esse procedimento, o jornalista entraria em contato com a Casa de Leis, para saber como descreve o regimento interno em que o legislador teria ou não o direito de acesso a cursos. E para finalizar, o jornalista teria que entrar em contato com todos os vereadores que estão citados no documento para ouvir cada um e assim descrever o fato. Ou por fim, o jornalista faria um artigo de opinião com abordagem ampla sobre o caso, exemplificando: como funciona a participação do legislativo em cursos? O poder legislativo destina valores para que o vereador se qualifique? Para o cidadão, esses cursos traz melhoria com projetos de lei e indicação para o município?

A falta de visão jornalística e perceptiva na construção da notícia é nítido neste caso e em outros, e tem se tornado cada vez mais comum a prática do sensacionalismo político por essa imprensa que denominamos como imprensa marrom, imprensa amarela, sensacionalista, entre outros nomes que a disciplina de gênero jornalístico e outras, explicam muito bem na universidade.

O vereador Luis Costa (PR) que é um dos legisladores citados na notícia, tem sofrido uma série de ataques por meio desta imprensa marrom, que desde o ano passado, por ter sido candidato a Deputado Estadual, contrariando muitos políticos e grupos políticos, tem tido seu nome frequentemente citado em redes sociais e sites de notícias sensacionalistas. Além do vereador Luis Costa, outros legisladores têm sofrido ataques, sem serem ouvidos antes da notícia ir ao ar. Atualmente Primavera do Leste tem alguns cidadãos que já são pré-candidatos a vereadores e prefeitos para a próxima eleição e na tentativa de ganhar espaço na mídia e também publicidade, tem utilizado meios desonestos para atacar a Casa de Leis de Primavera do Leste.

Diante desta perspectiva política turbulenta, o que se espera dos veículos de comunicação e principalmente dos jornalistas que os representam é a ética profissional, mais neutralidade, mais coerência e principalmente que siga a premissa do jornalismo que é checar as informações e ouvir todas as partes envolvidas, para que haja de fato a notícia.



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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