Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 30 de Abril de 2026

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Morre aos 94 anos o empresário Ueze Elias Zahran



Morreu nesta quinta-feira (27), em São Paulo, aos 94 anos, o empresário Ueze Elias Zahran.

Filho de imigrantes libaneses, o fundador do Grupo Zahran nasceu em Bela Vista (MS), em 1924, e deixa um legado de empreendedorismo aliado à responsabilidade social e ambiental e ficará na história pela contribuição para o desenvolvimento da região Centro-Oeste.

Ele deixa a esposa, dona Lucila Zahran, quatro filhos: Márcia, Ana Karla, Simone e Carlos Eduardo, os irmãos Jeannete e Nagib, netos, bisnetos e sobrinhos.

O velório acontece nesta sexta-feira (28), a partir das 9h no hospital Albert Einstein em São Paulo. O corpo será cremado no início da tarde.

Ueze é o segundo de seis irmãos. Além dele, os pais tiveram Eduardo, Jorge, João, Nagib e Jeannette.

Sentados, dona Laila e seu Elias, e em pé, ao fundo, da esquerda para a direita, Eduardo, Ueze, Nagib, Jorge e Jeannette e, entre o casal, João — Foto: Arquivo

Sentados, dona Laila e seu Elias, e em pé, ao fundo, da esquerda para a direita, Eduardo, Ueze, Nagib, Jorge e Jeannette e, entre o casal, João — Foto: Arquivo

Homem de negócios

O sustento da família Zahran vinha do comércio. Ueze trabalhava com o pai, Elias Zahran, em um bar, cuja maior renda era proveniente de uma torrefação de café. No início da década de 1940, instalou-se em Campo Grande uma torrefação de café de grande porte e, com isso, a família se desfez do bar e abriu uma padaria.

Desde jovem, Ueze Zahran cuidava dos negócios da família e sempre quis empreender — Foto: TVCA/Reprodução

Desde jovem, Ueze Zahran cuidava dos negócios da família e sempre quis empreender — Foto: TVCA/Reprodução

Ueze sempre quis ser comerciante e ter o próprio negócio, até que comprou uma empresa de torrefação e conseguiu autorização do governo brasileiro para exportar o café de Campo Grande para a Argentina. Porém, por uma questão comercial entre Brasil e Argentina, teve de encerrar as atividades.

Ueze quando criou a Copagaz, que se tornaria uma das maiores companhias de gás do Brasil — Foto: Arquivo

Ueze quando criou a Copagaz, que se tornaria uma das maiores companhias de gás do Brasil — Foto: Arquivo

Primeiro grande negócio

Nesse período, em 1954, em uma viagem a São Paulo com a mãe, dona Laila Jorge Zahran, que se encantou com as facilidades de um fogão a gás e pediu ao filho a novidade da época. Isso deu uma ideia ao empreendedor.

“Ela (a mãe, Laila Zahran) riu quando viu aquela chama azul embaixo da panela. Imaginei tantas mães felizes vendo aquela chama azul embaixo da panela”, lembrou, em uma entrevista concedida à Rede Matogrossense de Comunicação (RMC).

Após muitas pesquisas sobre o assunto, se convenceu de que era um grande negócio.

Dois anos depois da criação da Petrobras, quando surgiam as primeiras refinarias de petróleo no país, o processo de distribuição de GLP aumentava com o crescimento do mercado de fogão a gás e, em 1955, Ueze Zahran criou a Copagaz.

Ueze e dona Lucila se casaram na década de 50 — Foto: TVCA/ Reprodução

Ueze e dona Lucila se casaram na década de 50 — Foto: TVCA/ Reprodução

Sessenta anos após a instalação, a Copagaz é a quinta maior distribuidora de GLP do Brasil.

TV Centro América foi fundada por Ueze Zahran em 1967 — Foto: TVC/Reprodução

TV Centro América foi fundada por Ueze Zahran em 1967 — Foto: TVC/Reprodução

Comunicação

A carreira empresarial de Ueze Zahran não se limitou ao ramo do GLP.

Naquela época, o país tinha 26 emissoras de televisão. Ueze entrou na concorrência para a concessão de canais de televisão e ganhou o direito para montar três emissoras geradoras em Campo Grande, Cuiabá e Corumbá.

TV Morena, 1° emissora de MS, foi fundada por Ueze Zahran em 1965 — Foto: TV Morena/Reprodução

TV Morena, 1° emissora de MS, foi fundada por Ueze Zahran em 1965 — Foto: TV Morena/Reprodução

Em 1965, junto com os irmãos, inaugurou a TV Morena, em Campo Grande, primeira emissora de Mato Grosso, antes da divisão do estado, e, dois anos depois, a TV Centro América, em Cuiabá, dando início à Rede Matogrossense de Televisão, hoje Rede Mato Grossense de Comunicação.

“Eu trabalhava dia e noite. Meu descanso era a Jovem Guarda. Achava aquilo tão bonito que não podia ficar restrito às grandes cidades somente. Eu achava que meu povo do estado de Mato Grosso tinha o direito de ver aquela beleza, da Jovem Guarda, Roberto Carlos e a turma dele”, contou, em entrevista.

A princípio, a programação era gerada por outras emissoras de TV e em janeiro de 1976 a então Rede Matogrossense de Televisão se tornou afiliada da Rede Globo.

Hoje, com sete emissoras de TV, rádios e sites, a Rede Mato-grossense de Comunicação é uma das maiores empresas do setor do país.

Fundação Ueze Zahran. inaugurada em 1999 — Foto: TVCA/ Reprodução

Fundação Ueze Zahran. inaugurada em 1999 — Foto: TVCA/ Reprodução

Ações sociais

Ao longo da vida empresarial, Ueze investiu nos mais diversos ramos da economia, como comercio, agronegócio, alimentação, telecomunicação, indústria e energia. Sempre priorizou a responsabilidade social e, em 2015, recebeu da ONU o título de Guardião dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Ele fundou em 1999 a Fundação Ueze Zahran, que provê, entre outras ações sociais, educação para adultos, curso de computação para idosos e promoção cultural para jovens e crianças.

Empresa ajudou famílias por meio do programa SOS Crianças Desaparecidas — Foto: Arquivo

Empresa ajudou famílias por meio do programa SOS Crianças Desaparecidas — Foto: Arquivo

Em 1996, Ueze Zahran foi convidado pela Secretaria do Bem Estar do Menor de São Paulo a fazer uma parceria entre a Copagaz e o governo daquele estado na campanha “SOS Crianças Desaparecidas”.

O programa ajuda famílias a encontrar crianças desaparecidas, por meio da publicação e divulgação de fotos de crianças desaparecidas nas etiquetas dos botijões de gás distribuídos pelo país.

Dezenas de crianças foram encontradas e voltaram para suas famílias a partir da campanha.

Ueze Zahran em um momento de descontração com Ballut — Foto: Arquivo

Ueze Zahran em um momento de descontração com Ballut — Foto: Arquivo

Paixão por cavalos

Apaixonado por cavalos árabes, Ueze Zahran montou em 1988 um haras, na fazenda dele, em Campo Grande. Na propriedade começou a criação de cavalos e, posteriormente, se tornou um dos mais expressivos criadores da raça.

Fonte: G1 Mato Grosso



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Opinião - política

Diárias oficiais coincidem com evento político em Cuiabá e levantam questionamentos


Relatórios apontam viagens institucionais, mas datas coincidem com lançamento de campanha eleitoral; ausência em programa de saúde local também chama atenção

Viagens oficiais com destino a Cuiabá, justificadas como cumprimento de agenda institucional, têm levantado questionamentos após análise de documentos públicos. Relatórios assinados por assessores e servidores indicam participação em reuniões na Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), com retorno ao município no dia seguinte.

No entanto, as datas dessas viagens coincidem com o período do lançamento da campanha de Léo, realizado na capital. A sobreposição entre compromissos oficialmente descritos como institucionais e um evento político levanta dúvidas sobre a real natureza das agendas cumpridas.

Os documentos registram pagamentos de diárias, incluindo R$ 1.500,00 destinados a Gisely Fernanda Pereira da Silva e R$ 250,00 para Elnatan Oliveira Reis Medeiros, além de outros valores vinculados a deslocamentos com roteiro semelhante: ida à capital, participação em reunião e retorno no dia seguinte.

Relatórios assinados por Gustavo Saint Clair Ferreira Caldeira e Valmislei Alves dos Santos reforçam a justificativa de “cumprimento de agenda parlamentar”, enquanto registros adicionais indicam participação de Gisele Ferreira Ferraz em reuniões na AMM e no INCRA.

Do ponto de vista formal, a documentação apresenta todos os elementos exigidos: declarações de comparecimento, assinaturas e descrição das atividades realizadas.

Ainda assim, a coincidência com um evento político relevante levanta questionamentos sobre o uso de recursos públicos para deslocamentos que podem não ter caráter exclusivamente institucional.

Contraste com agenda local de saúde

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre essas agendas na capital e a atuação local dos envolvidos.

Parte dos nomes associados às viagens aparece com frequência em críticas à situação da saúde pública em Primavera do Leste. No entanto, não há registro de presença de alguns desses críticos no lançamento do programa “Vira Saúde”, iniciativa voltada à melhoria do atendimento à população no próprio município.

A ausência em um evento diretamente ligado à saúde pública local reforça o debate sobre prioridades e coerência entre discurso e prática.

Transparência e resultado

Embora os documentos estejam formalmente corretos, especialistas em gestão pública destacam que a transparência não se limita à comprovação de deslocamentos e reuniões, mas também envolve a demonstração de resultados concretos dessas agendas.

Até o momento, não há detalhamento público sobre os impactos diretos dessas viagens para a população.

Diante disso, permanecem as perguntas:

Qual foi o retorno efetivo dessas agendas?
E qual o limite entre compromisso institucional e participação em atividades de natureza política?


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