Primavera do Leste / MT - Terca-Feira, 19 de Maio de 2026

HOME / NOTÍCIAS

geral

Como uma rádio indígena na web quer combater estereótipos



EVELYN TERENA, REPÓRTER DA YANDÊ EM ASSEMBLEIA DO POVO TERENA

A Rádio Yandê é a primeira rádio indígena on-line brasileira. Ela iniciou seu streaming em novembro de 2013 e, além da programação 24 horas do site, também está presente nas redes sociais, como Facebook e  Instagram, e disponibiliza conteúdos em vídeo no YouTube e em áudio pelo Soundcloud.

Está sediada no Rio de Janeiro, mas conta com programação feita por gente de todo o território nacional. Sua equipe fixa, assim como colaboradores e correspondentes, são todos indígenas. A palavra “yandê”, de acordo com uma das fundadoras, Renata Machado, jornalista da etnia tupinambá, vem da língua tupi mas é muito usada em nheengatu, língua derivada do tupi. Dependendo do contexto, ela pode significar tanto “você” quanto “nosso” e “nós”. O slogan adotado é “a rádio de todos nós”.  14.012 foram as visitas ao site em outubro Segundo dados da rádio, os países com maior número de ouvintes são, respectivamente, Brasil, EUA, Colômbia e Rússia.

Em 2017, o site foi visitado por mais de 60 países. Protagonismo A difusão da cultura indígena e o fortalecimento da identidade dos diferentes povos, unidos à informação, educação e ao combate de estereótipos, são os propósitos do conteúdo produzido e veiculado pela rádio. Denúncias de violência e cobertura de conflitos, inclusive nas redes sociais, também encontram espaço.

Abaixo, o Nexo lista alguns preconceitos e equívocos que a atuação da rádio busca combater, citados em entrevista por Renata Machado:

VISÃO HOMOGÊNEA DOS POVOS INDÍGENAS Segundo Machado, há uma generalização, presente no tratamento dos veículos de comunicação e da população brasileira em geral, entre as 305 etnias que são, na verdade, muito distintas entre si em suas formas de ver o mundo, sua organização social e religião. Cada povo é um, e, segundo ela, os conteúdos da rádio buscam representar essa diferença.

VISÃO CRISTALIZADA DE SEU MODO DE VIDA A imagem dos povos indígenas perpetuada pelos livros de história e mesmo pela literatura indianista do século 19, muitas vezes estereotipada e fixa no passado, também é criticada pela fundadora da rádio. “Isso é muito ruim, porque as pessoas não sabem quem é o indígena contemporâneo, não têm ideia do que acontece dentro das comunidades nem das diferenças de uma para outra”, disse ao Nexo.  “Estamos vivos, não fomos todos mortos em 1500 – embora alguns quisessem isso. Nossa cultura está em transformação, está se adaptando.”

COBERTURA QUASE EXCLUSIVA DE FATOS NEGATIVOS O predomínio de conflitos no noticiário relacionado à questão indígena é um dos fatores responsáveis por não se saber mais sobre a cultura dos povos, como vivem hoje e quais são as realizações dos indígenas contemporâneos. A equipe da rádio também ministra oficinas de comunicação nas comunidades, em escolas indígenas e universidades.

De uma delas, no Amazonas, surgiu o primeiro boletim de áudio feito por indígenas de São Gabriel da Cachoeira. Programação A rádio tanto produz conteúdo como conta com algumas emissões de caráter colaborativo, feitas a partir de áudios enviados por lideranças, educadores, membros de organizações e jornalistas indígenas que estão por todo o Brasil. Os colaboradores se comunicam com os produtores da rádio pelo grupo da rádio no Whatsapp, que tem em torno de 200 membros.

Há também os correspondentes indígenas, que estão no Amazonas, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Bahia.  A grade de programação tem transmissões musicais, que servem de incentivo aos artistas indígenas. Segundo Renata Machado, 80% das músicas tocadas são cantadas em línguas indígenas brasileiras. O restante se divide entre as que são interpretadas em português, também por artistas indígenas, e em línguas indígenas de outros países. Há tanto canções tradicionais quanto contemporâneas, em que diferentes etnias se apropriam de gêneros da música popular, como forró na língua kayapó ou heavy metal em tupi.

Entre os programas, há dois destaques: o “Papo na Rede”, em que indígenas de diferentes etnias e até de outros países conversam sobre variedades e seu cotidiano, via Google Hangouts, com correspondentes, coordenadores e colaboradores da rádio o programa “Yandê Connection”, que conecta indígenas de diferentes países para trocarem experiências e informar sobre a situação de seus respectivos países.

É transmitido ao vivo pelo YouTube e pelo site da rádio, em espanhol e inglês Por notarem os acessos ao site vindos de dezenas de países, os produtores da Yandê passaram a aceitar também conteúdos de colaboradores indígenas de outros países, sobretudo latino-americanos. Contam hoje com um primeiro correspondente indígena estrangeiro, Pablo Perez, no México. Acesso à internet A comunicação autônoma proposta pela rádio, no entanto, pode não estar sendo tão disseminada entre algumas populações por conta de limitações de conexão das aldeias.

Em 2015, o governo federal anunciou que levaria banda larga a comunidades indígenas, quilombolas e rurais com a instalação de 167 antenas. O programa, chamado de Gesac, Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão, pretende oferecer conexão gratuita nesses locais por via terrestre e satélite. Embora o acesso tenha se ampliado – segundo dados de 2016 do programa, havia 33 pontos ativados em comunidades indígenas e 8 em ativação –, a qualidade da conexão ainda é ruim, segundo dois relatos ouvidos pelo Nexo.

O primeiro deles é de Ray Baniwa, comunicador indígena do Alto Rio Negro e assessor da Federação das Organizações Indígenas em São Gabriel da Cachoeira. Segundo Baniwa, o acesso é restrito e ruim na região. “Esse ano foi instalado apenas um ponto de internet via programa Gesac [na região]. A maioria desses pontos estão nos pelotões de fronteira do exército, que nem sempre são acessíveis pelas comunidades indígenas, por serem distantes”, disse em entrevista. Já as colaborações de diferentes aldeias que chegam diariamente pelo Whatsapp, segundo Renata Machado, tornaram-se possíveis com o acesso à internet. Mas ele é precário. “Em alguns lugares não tem sinal de telefone, mas às vezes tem sinal de internet, via satélite.

É lento mas às vezes funciona. Tem momentos em que eles conseguem mandar as coisas, mesmo sendo um sinal não muito forte”, disse. “Isso é uma coisa que tem atrapalhado. Às vezes as pessoas têm que ir à cidade, baixar conteúdos no formato de podcast ou via Whatsapp e escutar na aldeia”. Embora ainda haja problemas no acesso, a produção e audição de conteúdos como os da Rádio Yandê é possível por haver uma “juventude indígena conectada”.

Este é o título de uma dissertação de mestrado, defendida em 2017 pela pesquisadora Letícia Maria de Freitas Leite, na Universidade de Brasília. A pesquisa trata do acesso na região, do encontro e da mobilização das populações pelas redes sociais e da produção de vídeos políticos, com foco na nova geração do território indígena do Xingu, ao norte do Mato Grosso.

Fonte: Juliana Domingos de Lima / /www.nexojornal.com.br

 



COMENTÁRIOS

0 Comentários

Deixe o seu comentário!





*

HOME / NOTÍCIAS

política

NORTE ARAGUAIA: Nininho anuncia avanço na pavimentação de 103 km da MT-109; asfalto entra na fase final para licitação


Projeto que liga Querência a Canabrava do Norte prevê 103 quilômetros de asfalto, ponte já licitada sobre o Rio Suiá-Miçu e integração logística do Norte Araguaia

A pavimentação da MT-109, entre Querência e Canabrava do Norte, avançou para a fase final de preparação da licitação após articulações conduzidas pelo deputado estadual Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos) junto ao Governo de Mato Grosso e lideranças do Norte Araguaia. Em reunião realizada nesta semana com o parlamentar na Assembleia Legislativa, o prefeito de Querência, Gilmar Wentz, destacou o trabalho político liderado por Nininho para viabilizar a obra, considerada fundamental para a integração regional e o fortalecimento da logística da produção agrícola.

O projeto contempla 103 quilômetros de pavimentação da antiga Estrada do Guardanapo, além da construção da ponte sobre o Rio Suiá-Miçu, que já está licitada. Na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Nininho esteve reunido com o secretário Marcelo de Oliveira cobrando celeridade no andamento técnico da obra.

Segundo o deputado, os trechos estão sendo preparados para licitação na modalidade RDC, o Regime Diferenciado de Contratações Públicas, que permite acelerar os processos administrativos. As empresas vencedoras serão responsáveis pela elaboração do projeto executivo e também pela execução dos serviços.

“Com a MT-109 pronta, vamos garantir a ligação asfaltada entre Querência, Espigão do Leste, Canabrava do Norte e a BR-158, dando mais segurança, dignidade e desenvolvimento para quem vive ali”, avalia Nininho.

ARTICULAÇÃO

A defesa da pavimentação da MT-109 é uma pauta que Nininho realiza há mais de três anos. Nesse período, o parlamentar participou de reuniões com o ex-governador Mauro Mendes, com o atual governador Otaviano Pivetta, além de prefeitos, ex-prefeitos e lideranças da região Norte Araguaia.

Durante o encontro na Assembleia Legislativa, Gilmar Wentz ressaltou a importância da atuação política do deputado para destravar o projeto junto ao Estado. “Quero agradecer o empenho do deputado Nininho, que tem acompanhado cada etapa desse processo em Cuiabá. Essa pavimentação representa desenvolvimento, segurança e novas oportunidades para toda a região Norte Araguaia. É uma obra aguardada há muitos anos pela população”, diz o prefeito.

O deputado cita o apoio de lideranças regionais que participaram das articulações para viabilizar o asfalto. “Quero agradecer ao Mauro Mendes, ao governador Otaviano Pivetta, que já autorizou a obra, ao secretário Marcelo Padeiro, à Maristela, ao prefeito Gilmar, ao ex-prefeito Fernando Gorgen e a todos os prefeitos da região que têm ajudado e cobrado esse avanço, como o prefeito Acácio, de São Félix do Araguaia, que também contribuiu no processo de desapropriação das áreas. Estamos próximos de ver essa obra sair do papel”, enaltece Nininho.

O prefeito de Canabrava do Norte, Neuilson da Silva Lima, também reforça o impacto regional da obra e defende a continuidade das articulações políticas para assegurar o início dos trabalhos. “Essa rodovia é fundamental para o crescimento da nossa região. A população espera por essa ligação asfaltada há décadas, principalmente quem depende da estrada para trabalhar, transportar produção e acessar serviços essenciais”, afirma.

LOGÍSTICA

A pavimentação da MT-109 é considerada um dos principais projetos estruturantes do Norte Araguaia. O corredor rodoviário conecta Querência a Canabrava do Norte e beneficia diretamente municípios como São Félix do Araguaia, Porto Alegre do Norte, Confresa e Vila Rica.

Em Querência, o asfalto melhora o acesso às áreas produtoras e facilita o escoamento da safra de grãos em regiões agrícolas estratégicas, como as fazendas Roncador e Pioneira. Já em Canabrava do Norte, a ligação pavimentada com a MT-322 reduz o isolamento logístico do município.

O distrito de Espigão do Leste, em São Félix do Araguaia, também deve ser diretamente impactado. Considerado um dos maiores polos produtores de grãos do Estado, o distrito convive historicamente com problemas de atoleiros durante o período chuvoso e excesso de poeira na estiagem.

ROTA ALTERNATIVA

Nininho diz que a consolidação da MT-109 cria uma rota alternativa para municípios mais ao norte do Estado. Motoristas de Porto Alegre do Norte, Confresa e Vila Rica terão uma redução aproximada de 149 quilômetros no deslocamento em direção a Querência, Canarana, Água Boa e Cuiabá.

Além do impacto econômico, a obra é apontada por lideranças regionais como um avanço social para milhares de moradores do Araguaia. “A expectativa é de redução no custo do frete agrícola, melhoria no transporte escolar, mais segurança viária e ampliação do acesso da população aos serviços de saúde”, acrescenta Nininho.

Redação Com Sérgio Ober


Antenado News