Primavera do Leste / MT - Quinta-Feira, 07 de Maio de 2026

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Como uma rádio indígena na web quer combater estereótipos



EVELYN TERENA, REPÓRTER DA YANDÊ EM ASSEMBLEIA DO POVO TERENA

A Rádio Yandê é a primeira rádio indígena on-line brasileira. Ela iniciou seu streaming em novembro de 2013 e, além da programação 24 horas do site, também está presente nas redes sociais, como Facebook e  Instagram, e disponibiliza conteúdos em vídeo no YouTube e em áudio pelo Soundcloud.

Está sediada no Rio de Janeiro, mas conta com programação feita por gente de todo o território nacional. Sua equipe fixa, assim como colaboradores e correspondentes, são todos indígenas. A palavra “yandê”, de acordo com uma das fundadoras, Renata Machado, jornalista da etnia tupinambá, vem da língua tupi mas é muito usada em nheengatu, língua derivada do tupi. Dependendo do contexto, ela pode significar tanto “você” quanto “nosso” e “nós”. O slogan adotado é “a rádio de todos nós”.  14.012 foram as visitas ao site em outubro Segundo dados da rádio, os países com maior número de ouvintes são, respectivamente, Brasil, EUA, Colômbia e Rússia.

Em 2017, o site foi visitado por mais de 60 países. Protagonismo A difusão da cultura indígena e o fortalecimento da identidade dos diferentes povos, unidos à informação, educação e ao combate de estereótipos, são os propósitos do conteúdo produzido e veiculado pela rádio. Denúncias de violência e cobertura de conflitos, inclusive nas redes sociais, também encontram espaço.

Abaixo, o Nexo lista alguns preconceitos e equívocos que a atuação da rádio busca combater, citados em entrevista por Renata Machado:

VISÃO HOMOGÊNEA DOS POVOS INDÍGENAS Segundo Machado, há uma generalização, presente no tratamento dos veículos de comunicação e da população brasileira em geral, entre as 305 etnias que são, na verdade, muito distintas entre si em suas formas de ver o mundo, sua organização social e religião. Cada povo é um, e, segundo ela, os conteúdos da rádio buscam representar essa diferença.

VISÃO CRISTALIZADA DE SEU MODO DE VIDA A imagem dos povos indígenas perpetuada pelos livros de história e mesmo pela literatura indianista do século 19, muitas vezes estereotipada e fixa no passado, também é criticada pela fundadora da rádio. “Isso é muito ruim, porque as pessoas não sabem quem é o indígena contemporâneo, não têm ideia do que acontece dentro das comunidades nem das diferenças de uma para outra”, disse ao Nexo.  “Estamos vivos, não fomos todos mortos em 1500 – embora alguns quisessem isso. Nossa cultura está em transformação, está se adaptando.”

COBERTURA QUASE EXCLUSIVA DE FATOS NEGATIVOS O predomínio de conflitos no noticiário relacionado à questão indígena é um dos fatores responsáveis por não se saber mais sobre a cultura dos povos, como vivem hoje e quais são as realizações dos indígenas contemporâneos. A equipe da rádio também ministra oficinas de comunicação nas comunidades, em escolas indígenas e universidades.

De uma delas, no Amazonas, surgiu o primeiro boletim de áudio feito por indígenas de São Gabriel da Cachoeira. Programação A rádio tanto produz conteúdo como conta com algumas emissões de caráter colaborativo, feitas a partir de áudios enviados por lideranças, educadores, membros de organizações e jornalistas indígenas que estão por todo o Brasil. Os colaboradores se comunicam com os produtores da rádio pelo grupo da rádio no Whatsapp, que tem em torno de 200 membros.

Há também os correspondentes indígenas, que estão no Amazonas, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Bahia.  A grade de programação tem transmissões musicais, que servem de incentivo aos artistas indígenas. Segundo Renata Machado, 80% das músicas tocadas são cantadas em línguas indígenas brasileiras. O restante se divide entre as que são interpretadas em português, também por artistas indígenas, e em línguas indígenas de outros países. Há tanto canções tradicionais quanto contemporâneas, em que diferentes etnias se apropriam de gêneros da música popular, como forró na língua kayapó ou heavy metal em tupi.

Entre os programas, há dois destaques: o “Papo na Rede”, em que indígenas de diferentes etnias e até de outros países conversam sobre variedades e seu cotidiano, via Google Hangouts, com correspondentes, coordenadores e colaboradores da rádio o programa “Yandê Connection”, que conecta indígenas de diferentes países para trocarem experiências e informar sobre a situação de seus respectivos países.

É transmitido ao vivo pelo YouTube e pelo site da rádio, em espanhol e inglês Por notarem os acessos ao site vindos de dezenas de países, os produtores da Yandê passaram a aceitar também conteúdos de colaboradores indígenas de outros países, sobretudo latino-americanos. Contam hoje com um primeiro correspondente indígena estrangeiro, Pablo Perez, no México. Acesso à internet A comunicação autônoma proposta pela rádio, no entanto, pode não estar sendo tão disseminada entre algumas populações por conta de limitações de conexão das aldeias.

Em 2015, o governo federal anunciou que levaria banda larga a comunidades indígenas, quilombolas e rurais com a instalação de 167 antenas. O programa, chamado de Gesac, Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão, pretende oferecer conexão gratuita nesses locais por via terrestre e satélite. Embora o acesso tenha se ampliado – segundo dados de 2016 do programa, havia 33 pontos ativados em comunidades indígenas e 8 em ativação –, a qualidade da conexão ainda é ruim, segundo dois relatos ouvidos pelo Nexo.

O primeiro deles é de Ray Baniwa, comunicador indígena do Alto Rio Negro e assessor da Federação das Organizações Indígenas em São Gabriel da Cachoeira. Segundo Baniwa, o acesso é restrito e ruim na região. “Esse ano foi instalado apenas um ponto de internet via programa Gesac [na região]. A maioria desses pontos estão nos pelotões de fronteira do exército, que nem sempre são acessíveis pelas comunidades indígenas, por serem distantes”, disse em entrevista. Já as colaborações de diferentes aldeias que chegam diariamente pelo Whatsapp, segundo Renata Machado, tornaram-se possíveis com o acesso à internet. Mas ele é precário. “Em alguns lugares não tem sinal de telefone, mas às vezes tem sinal de internet, via satélite.

É lento mas às vezes funciona. Tem momentos em que eles conseguem mandar as coisas, mesmo sendo um sinal não muito forte”, disse. “Isso é uma coisa que tem atrapalhado. Às vezes as pessoas têm que ir à cidade, baixar conteúdos no formato de podcast ou via Whatsapp e escutar na aldeia”. Embora ainda haja problemas no acesso, a produção e audição de conteúdos como os da Rádio Yandê é possível por haver uma “juventude indígena conectada”.

Este é o título de uma dissertação de mestrado, defendida em 2017 pela pesquisadora Letícia Maria de Freitas Leite, na Universidade de Brasília. A pesquisa trata do acesso na região, do encontro e da mobilização das populações pelas redes sociais e da produção de vídeos políticos, com foco na nova geração do território indígena do Xingu, ao norte do Mato Grosso.

Fonte: Juliana Domingos de Lima / /www.nexojornal.com.br

 



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Prefeitura entrega novos veículos para fortalecer atendimentos na saúde pública de Primavera do Leste


Veículos serão utilizados no atendimento da zona rural e no transporte de pacientes da hemodiálise

Publicado em 06/05/2026

Foi realizada na tarde desta quarta-feira (6), a entrega de dois novos veículos destinados à Atenção Primária à Saúde e à Atenção Especializada de Primavera do Leste. A ação reforça o compromisso da gestão municipal em ampliar e melhorar os serviços oferecidos à população.

 

Foram entregues uma caminhonete Fiat Toro, que será utilizada pela equipe da UBS Rural Itinerante, e uma van destinada ao transporte de pacientes que realizam tratamento de hemodiálise no município.

 

A aquisição dos veículos foi viabilizada por meio de emendas impositivas indicadas pelos vereadores Marco Aurélio, Sérgio Crocodilo, Sargento Telles, Karla da Saúde, Irmão Rogério, Marcondes Martignago, Joélio Moraes, Rafael Abreu e Uberdan, atual secretário municipal de Esportes. Os recursos também contemplaram ampliação de estrutura, aquisição de equipamentos, mobiliários e insumos hospitalares.

 

Além dos veículos entregues nesta quarta-feira, a gestão municipal também realizou, no dia 18 de dezembro de 2025, a entrega de equipamentos adquiridos por meio das emendas impositivas.

 

Os veículos representam avanços importantes para a saúde pública do município. A van garantirá mais conforto, segurança e dignidade aos pacientes que necessitam de deslocamento frequente para sessões de hemodiálise. Já a caminhonete fortalecerá os atendimentos da equipe de saúde na zona rural, ampliando o acesso da população aos serviços básicos de saúde.

 

O prefeito Sérgio Machnic destacou a importância da união entre Executivo e Legislativo para fortalecer os atendimentos à população e ressaltou os investimentos realizados na saúde municipal.

 

“Agradeço de coração essa visão dos vereadores. Primavera do Leste não para de crescer, sempre chega mais gente e, com isso, os desafios aumentam em todas as áreas, principalmente na saúde. Estamos trabalhando muito e investindo fortemente na saúde do município. O projeto Vira Saúde é um grande passo para melhorar ainda mais o atendimento da nossa população. Esse trabalho itinerante vai fazer a diferença nos assentamentos e nas comunidades mais afastadas, levando acolhimento, carinho e atendimento para quem mais precisa. Hoje é um dia de agradecimento e de reforçar essa união entre Executivo e Legislativo”, destacou.

 

A secretária municipal de Saúde, Laura Leandra, agradeceu aos vereadores pela destinação dos recursos e ressaltou a importância dos novos veículos para os atendimentos realizados no município.

 

“A união entre Legislativo e Executivo faz toda diferença. Essa van vai servir aos pacientes que fazem hemodiálise, garantindo melhores condições de transporte entre a clínica e suas residências, além de oferecer mais conforto também aos nossos motoristas. Já a caminhonete será utilizada pela UBS Rural Itinerante, levando médicos, enfermeiros e atendimento para assentamentos e regiões mais afastadas do município. São entregas muito importantes para a saúde pública e agradeço ao prefeito Sérgio Machnic pela sensibilidade e aos vereadores pelas emendas destinadas para essas aquisições”, afirmou.

 

A Administração Municipal reforça seu reconhecimento pela parceria entre os poderes e segue investindo no fortalecimento da saúde pública, buscando ampliar o acesso e melhorar a qualidade dos atendimentos oferecidos à população primaverense.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação

Autor: Raiza Nascimento


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